Mudou o treinador, mas ainda está quase tudo na mesma. A repetição de um filme tantas vezes visto, em que uma equipa vem à Luz, monta uma linha de cinco defesas, mete mais quatro jogadores à frente dela, passa o tempo todo a queimar tempo e a praticar anti-jogo com a complacência da arbitragem, e o Benfica mostra sempre a mesma incompetência para encontrar soluções que ultrapassem isto.

Mesmo onze da vila das Aves - do qual eu não gosto particularmente porque acho que uma equipa que tem que atacar e joga com dois pontas-de-lança não pode estar tão dependente dos seus laterais, que jogam com dois falsos extremos à sua frente, para dar largura ao seu jogo perante autocarros adversários e servir os avançados. Ainda por cima quando um desses laterais é o Dahl, que ainda ia disfarçando quando servia de muleta ao Carreras, mas que de jogo para jogo vai mostrando não ter a qualidade necessária para ser o lateral titular do Benfica. O jogo acabou por ser, uma vez mais, um jogo que poderia ter perfeitamente acontecido com o Bruno Lage como treinador. Uma primeira parte absolutamente medonha, com a equipa a mostrar os mesmos problemas que vem mostrando há demasiado tempo. Imensa posse de bola, com demasiada circulação da mesma sem objectividade, com sucessivas lateralizações e passes para trás, praticamente nenhuns remates ou sequer situações de finalização. O nulo ao intervalo era certíssimo, porque apesar do Rio Ave não ter feito absolutamente nada em termos ofensivos e apenas querer defender e impedir que se jogasse, o Benfica nada fez para justificar chegar ao golo.

Segunda parte com o mesmo onze, um pouco mais de vontade, mas os mesmos problemas da primeira. Ainda assim o ritmo mais elevado que foi imposto permitiu ao Benfica chegar mais vezes à área adversária, e ao fim de um quarto de hora, numa insistência, acabámos mesmo por chegar ao golo por intermédio do Pavlidis. Mas as encomendas arbitrais nunca páram, e não há um golo do Benfica que não tenha que passar por um crivo apertadíssimo para ver se se encontra alguma desculpa para anular o golo. As equipas que jogam contra nós já estão aliás à espera disso, e por isso mesmo há sempre alguém a atirar-se para o chão à espera de uma pretensa falta, enquanto o resto da equipa imediatamente vai pressionar o árbitro, por mais normal que o golo pareça. Desta vez, após um longo tempo a procurar, o VAR lá encontrou uma pisadela do Otamendi na ponta do pé de um jogador do Rio Ave no lance (que se atirou para o chão e antes de morrer ainda conseguiu levantar a cabeça para ficar a ver o seguimento do lance e perceber se valia a pena desfalecer ou não) que lhe permitiu suspirar de alívio e chamar o árbitro de campo, que carimbou a encomenda para agradar a quem manda e garantir uma boa nota no final da época (já agora, e por comparação, na última taça de Portugal que nos foi vergonhosamente roubada, quando o Dahl foi pisado de forma semelhante dentro da área por um adversário, levou amarelo por simulação). Enfim, siga. Só quando a vinte e cinco minutos do final o Benfica mudou tacticamente, fazendo entrar dois extremos (Schjelderup e Lukebakio) e dando finalmente a largura necessária ao seu jogo, é que a pressão sobre o Rio Ave se tornou muito mais intensa (saíram o inoperante Dahl e o trapalhão Ivanovic). O mais do que merecido golo apareceu a cinco minutos do final, quando em mais uma arrancada o Lukebakio ultrapassou o marcador directo pela direita, ganhou a linha de fundo, e fez o passe atrasado para a finalização do Sudakov (e imediatamente antes do golo, pareceu-me ter ficado um lance claro de penálti por assinalar, por braço na bola). O jogo parecia resolvido mas não estava, e se calhar o erro foi os nossos jogadores terem pensado isso. É de um amadorismo atroz que, estando a ganhar por um golo, se sofra o empate num lance de contra-ataque no período de compensação. Ainda por cima quando nesse lance se deixa que um adversário à entrada da sua área, no meio de três jogadores nossos, saia à vontade com a bola controlada. Depois o contra-ataque deixa novamente um jogador do Rio Ave para três defensores nossos. Mais uma vez, ninguém cai em cima e encurta o espaço, todos os três recuam e dão-lhe todo o tempo e espaço à entrada da área para rematar. E em tempo de descontos, no único remate que faz à baliza em todo o jogo, o Rio Ave marca e vê o seu antijogo recompensado. É revoltante, mas os maiores culpados somos nós.

Não consigo escolher um melhor em campo, mas consigo escolher o Dahl como o pior (quando o treinador prefere mudar o dextro Aursnes para a posição em vez de o deixar em campo, está muito dito), acompanhado de perto pelo Ivanovic - não recordo de uma contribuição positiva dele no jogo, mas também não me parece que metê-lo a jogar encostado a uma ala seja a forma mais eficiente de o utilizar - e ainda pelo Ríos, que de jogo para jogo tarda em justificar aquilo que pagámos por ele.
Quatro pontos desperdiçados nos últimos dois jogos em casa, com uma qualidade de futebol que não se coaduna com aquilo que se exige ao Benfica e a uma equipa que quer disputar o título. É óbvio que o Mourinho não teve ainda tempo de fazer quase nada, mas é preciso mudar rapidamente, porque uma equipa que luta pelo título não pode continuar a ter tantas dificuldades em desmontar autocarros (um termo inventado pelo próprio Mourinho) já que é assim que praticamente todas as equipas acabam por jogar contra nós.
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