VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sábado, 10 de Abril de 2021

Arrasador

Acho que hoje foi a segunda ocasião esta época em que podemos dizer que o Benfica foi arrasador (a primeira foi em Famalicão, logo na primeira jornada). Aproveitámos da melhor maneira o facto do Paços ter ficado em inferioridade numérica numa fase inicial do jogo, nunca tirámos o pé do acelerador mesmo quando a vantagem já era confortável, os golos foram-se acumulando com naturalidade e o resultado só não foi ainda mais desnivelado porque o guarda-redes adversário teve uma noite inspirada.

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Regressámos aos três centrais, sendo previsivelmente o Everton a sair da equipa para a entrada do Vertonghen. O jogo começou praticamente com um lance na área do Paços que na minha opinião seria penálti em qualquer lado. Sem sequer a bola estar ali perto, o Waldschmidt foi abalroado por um defesa pelas costas, e a seguir derrubado pelo guarda-redes do Paços. Siga jogo. O Benfica entrou por cima e à procura do golo, com o Paços a jogar com a defesa subida e em linha. Era um risco devido ao muito espaço que deixava nas costas, que podia ser aproveitado pelo Benfica para fazer lançamentos em profundidade, mas pelo menos no início a coisa ia funcionando, com o Seferovic a ser apanhado na armadilha várias vezes. Foi aliás isso que salvou o Paços de ver o seu guarda-redes expulso logo aos oito minutos, pois o Seferovic isolou-se após um passe longo do Otamendi desde a entrada da nossa área e depois de ultrapassar o guarda-redes foi derrubado por este. Valeu-lhes que o suíço estava ligeiramente adiantado no início da jogada. O Benfica dominava na posse de bola, o jogo disputava-se quase sempre no meio campo do Paços, mas o nosso adversário estava bem organizado defensivamente e era difícil encontrar o caminho da baliza. Até que cerca dos vinte minutos de jogo o Eustáquio teve uma entrada brutal sobre o Weigl à entrada da nossa área e o VAR indicou que tinha que ser expulso (o Hugo Miguel inicialmente mostrou-lhe o amarelo). A pressão do Benfica naturalmente acentuou-se e quase de seguida o guarda-redes do Paços evitou o golo do Waldschmidt quase que por milagre, com uma defesa por instinto muito também porque o alemão rematou-lhe quase à figura. Logo a seguir, uma boa combinação deixou o Rafa em óptima posição para finalizar já dentro da área, mas mais uma vez o remate saiu na direcção do guarda-redes Jordi. O Paços ia aguentando como podia a pressão do Benfica, mantendo-se organizado apesar da desvantagem numérica, mas os minutos finais da primeira parte foram-lhe fatais e deixaram o jogo resolvido. A sete minutos do intervalo o Diogo Gonçalves antecipou-se e interceptou um mau passe à entrada da área pacense, para depois rematar muito forte e cruzado para o golo. Em desvantagem, o Paços foi fiel à sua forma habitual de jogar e preferiu subir as linhas para ir à procura do golo em vez de tentar perder por poucos. Isso foi-lhe fatal. Aos quarenta e três minutos o Waldschmidt falhou de forma escandalosa um golo feito que lhe foi oferecido pelo Seferovic. Em frente à baliza aberta conseguiu bater mal na bola e esta nem sequer seguiu na direcção da baliza, tendo mesmo assim o guarda-redes feito uma defesa por instinto para canto. No minuto seguinte, o segundo golo do Benfica. O golo surge de um lançamento de linha lateral a favor do Paços junto à esquerda da nossa área. O Paços subiu quase toda a gente para a área, o Benfica recuperou a bola e o Seferovic, junto à linha de meio campo e encostado à lateral, soltou a bola para o círculo central, onde surgiu o Rafa lançado e isolado para ultrapassar o guarda-redes à saída deste e introduzir a bola na baliza deserta. Como o árbitro ainda deu nove minutos de compensação (justificados) ainda deu para o Benfica marcar um terceiro golo. Primeiro houve uma espécie de ensaio, no qual o Seferovic se isolou a passe do Taarabt, ultrapassou o guarda-redes e marcou de ângulo apertado. Anulado por mais um fora-de-jogo do suíço. A seguir, mesmo a acabar a primeira parte, novamente o Taarabt a solicitar a desmarcação do Seferovic, que desta vez estava em jogo e à saída do guarda-redes finalizou com muita classe, picando-lhe a bola com um toque de primeira. Três a zero e vantagem numérica à saída para o intervalo, o que significava que o jogo estava mais do que resolvido.

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Nestas circunstâncias até esperava que o Benfica se dedicasse durante a segunda parte a gerir o resultado e o esforço, abrandando o ritmo de jogo. Mas não foi isso que aconteceu, pois continuámos no mesmo ritmo e sempre em busca de golos. A estratégia do Benfica e substituições foram também de certa forma condicionadas pelo Hugo Miguel, que estava de gatilho leve e provavelmente tinha muita pressa em igualar as duas equipas no número de jogadores em campo. O Benfica na primeira parte fez quatro faltas no total, que lhe valeram três cartões amarelos. À sexta falta saiu o quinto amarelo (o Waldschmidt viu um após sofrer falta e se desentender com um adversário). Repito: as seis primeiras faltas do Benfica valeram-nos cinco amarelos. Num jogo em que o Benfica venceu facilmente e dominou de princípio a fim, acabamos com cinco amarelos e o adversário com um. Enfim, é o lagarto Hugo Miguel e está tudo dito. O Diogo Gonçalves, que era um dos amarelados, ficou logo nos balneários ao intervalo. Depois durante a segunda parte também os amarelados Waldschmidt e Grimaldo acabaram por ser substituídos. Quanto ao jogo jogado, foi agradável e adivinhavam-se mais golos do Benfica, que jogava de forma solta no ataque com muita mobilidade dos seus jogadores e constantemente à procura de caminhos para o golo. O maior adversário foi mesmo o guarda-redes Jordi, que foi evitando que o resultado se dilatasse. Com uma grande defesa evitou o golo do Everton num remate colocado ao segundo poste, e a seguir tirou o golo ao Grimaldo num livre directo. Mas era mesmo uma questão de tempo, e já depois de mais um possível penálti por mão na bola do Marcelo ter sido ignorado, aos setenta e oito minutos o Seferovic voltou a marcar, passando assim a ser o melhor marcador da Liga. Foi um golo muito bonito pela sua simplicidade, já que foi um movimento clássico de ponta-de-lança. Depois de uma troca de bola prolongada do Benfica, o Everton progrediu para o meio e meteu a bola rasteira nos pés do Seferovic, que estava de costas para a baliza à entrada da área. Com um defesa a pressioná-lo nas costas, o suíço rodou e rematou de pronto em força e colocado, fazendo a bola entrar rasteira junto ao poste mais próximo. Neste momento é um jogador com a confiança muito alta e isso faz-se notar. Quem está a necessitar de confiança é o Darwin, que entrou para os minutos finais, e numa noite tão inspirada até para isso o Seferovic conseguiu contribuir. Mesmo sobre o final da partida, recebeu no peito e já dentro da área um bom passe longo do Pizzi (outro dos que entraram no decorrer da segunda parte) e descaído sobre a direita fez o passe para o outro lado, onde surgiu o Darwin a empurrar para a baliza vazia.

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Obviamente que o Seferovic é o homem do jogo. Marcou dois golos, fez duas assistências, ainda ofereceu mais um golo ao Waldschmidt que parecia quase impossível de falhar, e no geral esteve envolvido em quase todas as jogadas de maior perigo do ataque do Benfica. Fez um jogo absolutamente brilhante, e até arrisco dizer que terá sido o melhor que o vi fazer com a nossa camisola. Achei também que o Weigl fez um óptimo jogo - mais uma vez, o esquema de três centrais permite-lhe jogar em terrenos mais adiantados e isso é benéfico para o nosso jogo. Gostei também do Taarabt e do inevitável Rafa. O Grimaldo esteve bem e o Diogo Gonçalves igualmente na outra ala, e muito provavelmente teria um destaque maior ainda se não tivesse saído logo ao intervalo, mas com a vontade que o Hugo Miguel estava e o jogo mais do que resolvido, tirá-lo foi a opção mais avisada.

 

E de um jogo previsivelmente complicado frente a uma das boas equipas do campeonato resultou uma goleada, a sétima vitória consecutiva (sexta na Liga) e sétimo jogo seguido na Liga sem sofrer golos. Depois da exibição algo titubeante a semana passada, parecemos ter regressado ao momento de forma de antes da pausa para as selecções. Uma vez que só dependemos de nós para chegar ao segundo lugar, o actual momento e a forma como a equipa parece estar mais rotinada e segura dão-nos confiança para que esse objectivo possa ser alcançado.

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publicado por D'Arcy às 22:50
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