Conseguiu-se a vitória exigida, que nos permitiu ganhar pontos à frente e atrás, mas mais uma vez o Benfica voltou a revelar uma quase irresistível atracção pelo abismo, que o leva a ressuscitar adversários moribundos e a complicar desnecessariamente jogos que tem controlados e que podiam ser muito mais fáceis. Foi quase uma fotocópia daquilo a que tínhamos assistido a semana passada na Amadora.

Apresentámo-nos com o Bah de regresso à lateral direita e com o Tomás Araújo no centro, o que empurrou o António Silva para o banco. No meio campo, o Manu manteve-se no onze, e no ataque foi o Aktürkoglu quem ocupou o lugar do ausente Di María. Melhor início era difícil, num jogo em que a equipa visitante voltou a repetir a falta de cortesia, que começa a tornar-se hábito na Luz para as equipas visitantes, de não respeitar a tradição na escolha de campo. Devem achar que lhes dá uma vantagem psicológica qualquer. Na primeira subida à área adversária (uma boa combinação, para cruzamento do Carreras) penálti assinalado por mão na bola. Depois de largos minutos de análise por parte do VAR e revisão pelo árbitro de campo, um Pavlidis cheio de confiança converteu-o de forma exemplar. Imediato relaxamento, como não podia deixar de ser, e uma boa reacção do Moreirense significaram que nos minutos seguintes foram os visitantes a ter mais bola e a controlar o rumo do jogo, pressionando alto e dificultando as progressivamente mais ridículas tentativas do Benfica sair a jogar desde a defesa. Mas ao quarto de hora de jogo o Benfica beneficiou de um canto na direita do ataque, depois de um bom remate do Aktürkoglu. Foi ele mesmo quem se encarregou da marcação, e depois de um ressalto entre dois jogadores do Moreirense a bola sobrou para o Tomás Araújo, que de costas para a baliza conseguiu dar um toque na direcção da mesma de forma a que a bola fosse encontrar o Pavlidis solto nas costas da linha defensiva adversária. Controlo de bola com o corpo, e remate imediato a fuzilar a baliza. Um bom golo, à ponta-de-lança e cheio de oportunidade. Portanto, dois golos de vantagem à passagem do quarto de hora e tudo parecia que ia ser fácil. Mas uma mão cheia de minutos depois, passividade na defesa depois de um lançamento de linha lateral a favor do Moreirense no enfiamento da área, pelo nosso lado direito, e o remate do jogador deles, tal como na Amadora, desviou no Otamendi de forma caprichosa, fazendo a bola sobrevoar o Trubin e entrar do lado oposto, depois de ainda bater no ferro da baliza. Seguiu-se um período de pouca qualidade da nossa parte, em que continuámos a mostrar má saída de bola, e mais preocupante, demasiada incapacidade para ter bola e atacar de forma organizada com qualidade. O Benfica preferiu guardar a bola em zona recuadas, na esperança de chamar o adversário, para depois jogar em transição. Tendo em conta a referida falta de qualidade a sair, isto foram conceitos incompatíveis. Não sofremos o empate à meia hora de jogo porque na sequência de um pontapé de canto, depois de um desvio de cabeça ao primeiro poste, um jogador do Moreirense conseguiu ao segundo atirar para a bancada quando apareceu solto e poderia ter feito bem melhor. Pouco depois, três minutos de muito azar para nós, durante os quais ficámos sem o Bah e sem o Manu por lesão de ambos e tendo que queimar duas substituições - entraram o António Silva e o Florentino. Mas para nossa felicidade, perto do intervalo beneficiámos de novo pontapé de canto, desta vez na esquerda do ataque. O Kökçü marcou de forma larga, a fazer a bola ir cair na zona do segundo poste, onde apareceu o Otamendi sozinho para colocar a bola de cabeça a entrar junto do poste oposto. Um bom cabeceamento, sem muita força mas a colocar a bola de forma perfeita. Repostos os dois golos de diferença antes da saída para o intervalo, não sem que antes ainda tivéssemos passado por mais um susto, quando a nossa defesa foi batida pelo ar após um cruzamento, obrigando o Trubin a duas defesas quase à queima-roupa, ao cabeceamento e à recarga que se lhe seguiu.

A segunda parte foi durante os primeiros minutos um aborrecimento completo. O Benfica optou por tentar congelar o jogo e gerir o resultado, coisa que todos nós sabemos que costumamos ser muito bons a fazer. Mas como o Moreirense pouco ou nada conseguia fazer no ataque, nada acontecia também. O Benfica tentava a referida estratégia de trocar a bola na zona defensiva para chamar o Moreirense, que raramente respondia, e por isso os minutos iam-se arrastando sem que nada de relevante se passasse junto das duas balizas. Uma quebra na monotonia apenas aconteceu depois de decorrido o primeiro quarto de hora: um mau passe do Moreirense na saída de bola a partir do guarda-redes (para não sermos só nós a fazer isso mal) deixou a bola nos pés do Aursnes, que em boa posição rematou para defesa do guarda-redes. Pouco depois foi o Schjelderup (muito pouco feliz hoje na tomada de decisão) a atirar à malha lateral, depois de um passe fantástico do Kökçü. A vinte minutos do final, e tendo o Benfica apenas mais uma interrupção disponível para fazer substituições, optámos por fazer as três que faltavam. Estreias para o Bruma e o Belotti, a que se lhes juntou o Barreiro, saídas dos dois alas, Schjelderup e Aktürkoglu, e do Pavlidis - o Aursnes passou para a direita. E pouco depois tivemos a possibilidade de dar a machadada final no jogo, quando o Bruma recuperou uma bola e deixou o Barreiro completamente isolado para ir para o golo. Em vez de rematar (ou passar para o lado para o Aursnes, que estava completamente sozinho no meio) ele preferiu tentar passar pelo guarda-redes e o lance perdeu-se. Lamentou-se a oportunidade perdida, mas a verdade é que a vitória não parecia de todo estar em risco porque o Moreirense na segunda parte foi inofensivo. Só que como nós parecemos gostar definitivamente de sofrer, a cinco minutos do final lá rsolvemos dar vida ao adversário. Em mais uma saída de bola o Carreras optou pela iniciativa individual (que na maior parte das vezes acaba mesmo por ser a solução de recurso, dada a falta de opções de passe que conseguimos invariavelmente disponibilizar quando saímos a jogar) transportando a bola para o meio. Quando tentou variar o flanco de jogo para a direita, colocou a bola nos pés de um adversário, e depois de uma tabela o Moreirense meteu um jogador completamente sozinho em posição frontal, só com o Trubin pela frente (os nossos centrais estavam abertos para a saída de bola, mas achei que praticamente não reagiram e ficaram quase estáticos dentro da área, não fechando a zona central e colocando os adversários em jogo) e este finalizou facilmente. Eu não sei bem quantos erros mais teremos que cometer para que se perceba que não podemos continuar a tentar sair a jogar desta forma, porque simplesmente não o sabemos fazer. Um exemplo: o número assustador de vezes em que um dos centrais ou o guarda-redes colocam a bola nos pés do médio mais recuado, à entrada da área, quando este está voltado para a baliza e tem um adversário a marcá-lo e a pressioná-lo nas costas. Os centrais ou o guarda-redes estão de frente para o jogo e de certeza que conseguem ver o colega pressionado, mas mesmo assim passam-lhe a bola quase de forma automática. Qualquer perda de bola ali quase de certeza resultará em golo adversário. Com o resultado em 3-2, obviamente que o Moreirense acreditou e o Benfica ficou nervoso, pelo que se seguiram uns minutos finais tensos, nos quais a nossa prioridade foi simplesmente segurar o resultado até final, o que conseguimos fazer com mais um período de pouca qualidade no futebol jogado, mas felizmente sem sustos de maior.

O Pavlidis volta a ser o destaque do jogo. Este não é o mesmo avançado que vimos nos primeiros seis meses de Benfica. Está com muito mais confiança e isso nota-se; aproveita as ocasiões de que dispõe e combina bem com os colegas, e poderá assim ser finalmente o avançado de que andamos à procura. Gostei do Kökçü e também estava a gostar do Carreras, que era dos poucos que tentavam acelerar o jogo nos períodos de maior desinspiração, mas depois estragou tudo com a oferta a cinco minutos do final que ressuscitou o Moreirense.
É daqueles jogos em que acabamos satisfeitos com os três pontos, mas preocupados com aquilo que vimos. Sobretudo porque já o vimos antes, e por mais do que uma vez, com a agravante de neste caso acontecer pelo segundo jogo consecutivo. Continuamos a cometer os mesmos erros, e continuamos a ter apagões ou períodos em que os nossos jogadores desligam do jogo, e pagamos por isso. É uma inconsistência que quem quer lutar para ser campeão não pode permitir-se ter. Entretanto, vamos esperar que as lesões do Bah e do Manu não sejam graves.
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