Pontapé de saída para mais uma época do futebol nacional e felizmente entrámos com o pé direito. Acabou por ser um jogo mais atribulado do que seria necessário, para não variar por culpa própria, mas no final o mais importante foi regressar de Moreira de Cónegos com os três pontos na bagagem.

Depois da boa imagem deixada a meio da semana em Moscovo, foram seis as alterações no onze para esta partida - duas delas forçadas devido à indisponibilidade do Seferovic (lesionado) e do João Mário (suspenso). O esquema táctico voltou a ser o dos três centrais, o que era mais ou menos expectável - creio que sempre que tivermos estes três centrais disponíveis, eles irão jogar. Resumindo, por comparação com a equipa inicial de Moscovo entraram no onze o Gil Dias, Meïté, Taarabt, Everton, Waldschmidt e Gonçalo Ramos, e de fora ficaram o Grimaldo, Weigl, Joao Mário, Rafa, Pizzi e Seferovic. Todas estas alterações não impediram o Benfica de entrar no jogo a mandar completamente no mesmo. Pressão sobre o adversário e muita superioridade no meio campo, onde o estreante Meïté veio acrescentar uma componente física que até agora estava pouco presente, significaram um jogo quase de sentido único, e os resultados disso chegaram cedo. Foi logo aos nove minutos que, na sequência de um canto, o Lucas Veríssimo aproveitou a confusão na área que se seguiu para cabecear para o golo. Não houve abrandamento da parte do Benfica e dez minutos depois chegou o segundo: um óptimo passe do Lucas Veríssimo lançou o Diogo Gonçalves pela direita, a defesa do Moreirense não conseguiu aliviar a bola saída do cruzamento, e o Waldschmidt aproveitou a sobra para colocar a bola no fundo da baliza. Dois a zero ainda antes dos vinte minutos de jogo e domínio absoluto levavam a acreditar que teríamos uma tarde tranquila. Mas se há algo que nunca muda no Benfica é a tendência para o masoquismo. À meia hora de jogo, naquele que deve ter sido o primeiro ataque do Moreirense em todo o jogo, abriu-se uma cratera na nossa defesa por onde o Rafael Martins entrou e, com toda a tranquilidade, tirou o Vlachodimos do caminho e fez o golo. Animado pelo golo, logo a seguir o Moreirense teve mais um remate a levar algum perigo, que obrigou o Vlachodimos a aplicar-se. Mas o Benfica tinha o controlo do jogo e depressa voltou a levar perigo à baliza adversária, com remates do Gonçalo Ramos e do Waldschmidt, tendo o primeiro inclusivamente acertado na trave. A vantagem mínima com que chegámos ao intervalo era claramente magra para a superioridade que exibimos durante a primeira parte.

De qualquer maneira não havia motivos para grande preocupação, porque estávamos a ser tão superiores que não era crível que o Moreirense conseguisse fazer-nos passar por particulares dificuldades. Só que pelos vistos resolvemos entrar no campeonato com uma exibição de vários dos 'greatest hits' a que esta equipa já nos habituou. Para além dos clássicos 'desperdiçar e não aproveitar para matar um jogo' e do 'vamos conceder um golo na primeira ocasião do adversário', acrescentámos-lhe 'vamos ver de que forma conseguimos complicar ainda mais um jogo que está ganho'. A solução encontrada foi uma expulsão perfeitamente disparatada (e justíssima) do Diogo Gonçalves, numa entrada por trás ao tornozelo do adversário, junto da linha lateral e ainda no meio campo do Moreirense. Não havia qualquer justificação para uma entrada daquelas, e revistas as imagens pelo VAR era óbvio que o lance só poderia resultar em expulsão. O Benfica reagiu imediatamente com as entradas do Gilberto e do Weigl para os lugares do Waldschmidt e do já amarelado Taarabt (o alemão viu imediatamente o amarelo num lance em que é ele quem sofre falta primeiro) e a partir daqui o jogo foi basicamente esperar pelo final para garantir os três pontos - faltava ainda mais de meia hora para os noventa. Objectivamente, houve maior pressão da parte do Moreirense porque passaram a ter bola, coisa que raramente aconteceu enquanto estiveram onze para onze, e o Benfica desapareceu no ataque. Acho que este pormenor deve merecer atenção da nossa parte - e o nosso treinador mencionou-o no final. Ficar reduzido a dez é obviamente uma desvantagem, mas dada a tamanha superioridade do Benfica no jogo até então, não se justifica que tenhamos sido incapazes de criar qualquer perigo no ataque a partir daí. Fomos quase sempre incapazes de construir saídas minimamente organizadas em contra-ataque, que pudessem manter o Moreirense de sobreaviso e os impedissem de se balancear completamente para o ataque. Tínhamos obrigação de fazer um pouco mais e melhor, mesmo nestas condições adversas. Mas em termos concretos, a nossa vitória raramente esteve sob grande ameaça. Durante os cerca de quarenta minutos em que jogou em superioridade numérica (foram dados oito minutos de compensação) e apesar da vantagem na posse de bola, o Moreirense apenas criou uma ocasião de maior perigo, quando conseguiu libertar um jogador pelo lado esquerdo da nossa defesa e obrigou o Vlachodimos a uma defesa mais apertada. De resto, o Benfica foi mantendo o perigo longe da sua baliza com alguma eficácia.

O maior destaque neste jogo foi o Lucas Veríssimo. Marcou o primeiro golo, fez o passe que deu início à jogada do segundo golo, e na defesa esteve praticamente inultrapassável. Ganhou todos os duelos, quer pelo chão, quer pelo ar, e aventurou-se frequentemente em terrenos mais adiantados, aparecendo bem dentro do meio campo adversário a recuperar bolas em antecipação. Foi uma óptima contratação que o Benfica fez em Janeiro passado, e parece-me que temos nele um digno sucessor do Luisão. O Meïté mostrou bons pormenores e deverá ser um jogador muito útil para dar mais músculo no meio campo, acrescentando também argumentos no jogo aéreo. Além disso não parece ser propriamente um tosco. Bom jogo também do Gonçalo Ramos, que trabalhou muito e a quem só ficou a faltar um golo.
Duas vitórias nos dois primeiros jogos oficiais da época é algo que até é raro no Benfica com o Jorge Jesus. Pode ser um bom augúrio - eu gostei do que vi em Moscovo, e também do que vi ontem até à expulsão. Ainda há obviamente muito a corrigir, e jogadores a integrar mais e melhor na equipa, mas parece-me que temos mais soluções do que o ano passado. Até ver, acho que no entanto continuamos com um problema do lado esquerdo da defesa, já que o Gil Dias não me convence como alternativa ao Grimaldo. O que me parece normal, já que não me recordo de o ter visto alguma vez jogar como lateral esquerdo. Pode ser uma questão de adaptação às novas funções, mas se houver tempo e oportunidade até ao fecho do mercado, investir num jogador para essa posição era capaz de ser uma boa opção.
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