Não é um termo que eu aprecie particularmente, mas é o melhor que eu encontro para descrever o que se passou hoje em Alvalade: o Benfica deu um banho táctico ao Sporting, venceu com uma facilidade e naturalidade poucas vezes vista e no final, sinceramente, até saí de lá com uma certa frustração por não termos aproveitado para lhes impor uma humilhação potencialmente histórica.
Onze sem surpresas, o que só por si deixou logo uma mensagem clara: de que iríamos manter a mesma ideia de jogo independentemente do adversário ou do local do jogo. E praticamente a partir do apito inicial que deu para perceber que era o Benfica quem mandava. A já habitual agressividade na recuperação da bola, pressão constante sobre o adversário, e depois uma facilidade impressionante a construir jogo. Os nossos jogadores conseguiam circular a bola e encontrar sempre um colega solto a quem a entregar. Os jogadores do Sporting pareciam simplesmente perdidos em campo, onze jogadores a jogar à bola mas sem uma ideia de jogo. E a cometer erros individuais e colectivos gritantes, sobretudo na zona central e do lado direito, onde jogadores como o Gudelj ou o Bruno Gaspar eram completamente manietados pelos nossos jogadores. O João Félix, em particular, na zona central fez o que quis do croata. No meio, o Gabriel agia como maestro, distribuindo a bola com precisão por todo o campo. O primeiro golo surgiu cedo, aos onze minutos, dessa forma. Passe do Gabriel a solicitar a entrada do Grimaldo pela esquerda, cruzamento e cabeceamento vitorioso do Seferovic, que se libertou com a maior das facilidades da marcação do Coates. Já vamos conhecendo este Benfica e sabemos perfeitamente que a vantagem no marcador não significaria passarmos a defender o resultado. Continuámos a mandar no jogo e pouco depois o João Félix recebeu a bola na zona central, progrediu em direcção à área, tirou um adversário do caminho passando a bola do pé direito para o esquerdo, e com este pé enviou a bola para o fundo da baliza. Um bonito golo, mas para não variar o nosso amigo VAR resolveu entrar em acção e descortinou uma falta para anular o golo. Só qando o Porto marca contra nós é que vale empurrar e rasteirar porque o VAR tinha ido ao WC. Golo anulado mas nada que afectasse a equipa, que continuava a mandar no jogo como queria. Anularam aquele, mas não era uma questão de pensar se o segundo golo apareceria, apenas quando é que ele apareceria. Porque a nossa superioridade no jogo era tão evidente que o Sporting parecia apenas uma equipa banal, incapaz de nos fazer sequer cócegas - de tal forma que no minuto seguinte ao golo surripiado já o Seferovic se isolava e só não acabou em golo porque ele rematou à figura do guarda-redes, isto quando tinha o João Félix completamente sozinho ao lado. Mas a nove minutos do intervalo o João Félix encarregou-se de corrigir a injustiça, e foi ele quem enviou novamente a bola para o fundo da baliza. Desmarcação pelo meio dos centrais, bom passe do Seferovic, e finalização com toda a calma à saída do guarda-redes. A sensação no estádio era a de que isto tinha tudo para acabar em goleada, e a única coisa que não estava nos planos foi o golo do Sporting, à beira do intervalo e completamente contra a corrente do jogo. Perda de bola no meio campo e uma transição rápida fez a bola chegar ao Bruno Fernandes na direita, que marcou com um bom remate cruzado.
A vantagem mínima ao intervalo era injusta e um resultado extremamente lisonjeiro para o Sporting, que os deixava com esperanças de poder chegar ao empate. Mas após o regresso dos balneários (muito atrasado pelo Sporting) o Benfica imediatamente corrigiu a injustiça e afastou dúvidas. No primeiro minuto após o reinício, livre na direita apontado pelo Pizzi e cabeceamento do Rúben Dias direitinho ao ângulo. Segundo golo 'made in Seixal' da noite e uma declaração de superioridade incontestável. Cheirava a goleada, porque o Benfica continuava à procura de golos e a causar perigo praticamente de cada vez que se aproximava da área adversária. Nada mudava no jogo, o Gabriel e o Samaris mandavam na zona central, o João Félix, o Pizzi e o Rafa semeavam o pânico de cada vez que recebiam a bola no último terço e o que nós queríamos era o quarto golo. Apareceu aos cinquenta e seis minutos numa transição rápida, quando o Seferovic fez a recarga a um primeiro remate do Pizzi, mas foi bem anulado porque o suíço estava ligeiramente adiantado. A resposta do Sporting veio num livre do Raphinha que ainda acertou no poste, mas regra geral não conseguiam ameaçar muito. E aos setenta e dois minutos a pressão agressiva do Benfica voltou a dar resultados: recuperação de bola do Rafa ainda no meio campo do Sporting, a bola seguiu nos pés do Grimaldo, passe a desmarcar o João Félix na quase permanente cratera que existia entre o Gaspar e o Coates, e penálti do Renan. O Pizzi fez o quarto e o público da casa ia abandonando o estádio em cada vez maior número. Logo a seguir o quinto não apareceu por acaso, quando o Seferovic aproveitou uma péssima abordagem do Renan a um cruzamento para acertar no poste, e depois o João Félix falhou a recarga de forma escandalosa, atirando por cima. Talvez neste momento o nosso treinador tenha pensado que já chegava e que havia um novo jogo já na quarta, tendo trocado o João Félix pelo Cervi - na minha opinião quem devia ter saído era o Seferovic, que nesta fase parecia já estar esgotado. Achei que se notou a saída do miúdo, pois o Benfica deixou de criar perigo regularmente a partir desse momento, e o Sporting conseguiu ser mais constante no ataque. Marcaram um golo que foi anulado por posição irregular, mas a poucos minutos do final o Vlachodimos cometeu o erro de, depois de defender uma recarga do Bas Dost mesmo em cima dele, levantar o braço quando o simulador mais descarado da liga portuguesa lhe ia cair em cima. VAR entra em acção e, obviamente, penálti contra o Benfica. Quando o holandês voador aterra dentro de uma área qualquer e escancara a bocarra aos berros, a regra é sempre: penálti para o Sporting. Estranhamente, o Vlachodimos foi expulso, porque essa coisa da tripla penalização só se aplica às vezes (por curiosidade, se puderem vão rever a jogada em que o Seferovic atirou ao poste e o João Félix falhou a recarga, e vejam lá o que o Renan fez ao Seferovic nesse lance - pelos vistos o VAR só repara nestas coisas em situações muito concretas). O simulador converteu diligentemente e assim o Sporting acaba por salvar-se com um resultado minimamente aceitável num jogo em que mereceu ser goleado - mesmo em superioridade numérica, nos minutos que restavam somados aos de compensação nunca conseguiram criar uma única ocasião de perigo.
Muitos candidatos a melhor em campo, mas eu escolho o João Félix. O puto é daqueles jogadores que me fazem dar por mim a antecipar qualquer coisa especial mal a bola lhe chega aos pés. Marcou um golo fantástico que o VAR decidiu que não queria que valesse, depois marcou outro com o à vontade de quem já anda nestas coisas de futebol sénior e derbies há uma data de anos, sofreu o penálti que deu o quarto golo e espalhou classe sobre o campo. A prova da sua influência é o que o Benfica se apagou no ataque nos minutos finais, depois dele ter saído do campo. A única 'mancha' na exibição foi ter falhado aquele que seria o quinto golo. O Gabriel mostra agora que vale o que pagámos por ele. Uma presença inultrapassável no meio campo, com incontáveis recuperações de bola, e classe a distribuir jogo e a solicitar os colegas. O Pizzi está um jogador diferente e não perdeu influência com a deslocação mais para a direita, pois está a jogar ao melhor nível que já lhe vimos. Muito bem também o Rúben Dias, o Seferovic e o Grimaldo, mas no geral toda a equipa muito bem.
Esta era uma jornada preparada para nos darem o golpe decisivo que nos afastaria da luta pelo título. A nomeação do Artur Soares Dias para este jogo foi preparada durante muito tempo. O que nã contavam era com uma superioridade tão evidente e uma exibição tão contundente do Benfica. Para piorar a coisa, o Porto deixou dois pontos em Guimarães e agora a pressão aumentou, pois passámos novamente a depender de nós próprios. Temos um jogo no Estádio do Ladrão, mas da forma como estamos a jogar, se não houver artistas de VARiedades ao barulho, não há motivo nenhum para que não consigamos ir lá anular a desvantagem para o primeiro lugar.
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