VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 30 de Janeiro de 2022

Calvário

E continuamos a perseguir o único objectivo que parece ser alcançável esta época, e que será um feito que se calhar será único na história do nosso clube: conseguir um pleno de derrotas nos jogos de uma época contra os outros dois. Até agora o percurso é imaculado: quatro jogos, quatro derrotas. Esta, quase previsível, valeu a perda de um troféu que, depois de dominarmos completamente nas primeiras épocas, já não conquistamos há meia dúzia de anos.

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Inovação no onze para este jogo foi a entrada do Meïté. Infelizmente o escolhido para lhe ceder o seu lugar a titular foi o Paulo Bernardo e não o João Mário, que continuou a agraciar-nos com a intensidade que coloca sempre no jogo. Portanto, mesmo com três médios os dois do Sporting, sobretudo com o salvo-conduto que essa dupla continua a ter para arrear porrada em tudo o que lhes passe ao alcance sem consequências disciplinares, continuámos a perder quase sempre os duelos nessa zona do terreno. O Sporting entrou melhor no jogo, com mais bola e a pressionar mais no nosso meio campo - o que foi uma mudança em relação ao jogo do campeonato, no qual dominámos completamente a estatística da posse de bola sem que isso tenha servido para nada porque perdemos sem apelo. O futebol do Sporting é o que já conhecemos, muito físico e directo, com variações de flanco através de bolas longas para depois meter cruzamentos na área, ou então tentativas de passes longos para as costas da defesa adversária. Como o Benfica estava a jogar na retranca esta última hipótese foi menos utilizada, e era aos lançamentos longos para os laterais adiantados no terreno, sobretudo o Esgaio, a que recorriam mais. O ataque do Benfica já é o que sabemos nos últimos jogos, mas então sem o Rafa e o Darwin ainda foi menos do que o habitual. Ainda estou a tentar perceber a utilidade do Yaremchuk, o Diogo Gonçalves na direita nada fez, e sobrava o Everton para tentar desequilibrar quando colocado em situações de um para um. E foi mesmo o Everton quem, aproveitando o espaço entre o Esgaio e o central do lado dele (Neto) passou por este com facilidade e de pé esquerdo, no primeiro remate do Benfica no jogo, nos colocou em vantagem aos vinte e três minutos. O Sporting continuou a dominar, mas a verdade é que para toda aquela posse de bola apenas conseguiu produzir na primeira parte duas bolas na direcção da baliza: um cabeceamento para as mãos do Vlachodimos num pontapé de canto, e um cruzamento que saiu torto e foi na direcção da baliza (o Sarabia ainda acertou com uma bola nos ferros, mas o lance já estava invalidado por posição irregular do mesmo). Chegámos portanto ao intervalo em vantagem apesar do domínio do Sporting, mas se eles continuassem a atacar da mesma forma e nós a manter uma concentração mínima na defesa, nem antevia que fosse particularmente difícil segurar a vantagem.

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Claro que mesmo estes mínimos já eram expectativas demasiado altas para ter sobre a nossa equipa. A segunda parte começou logo em grande: logo na primeira jogada o Palhinha confirmou que é inimputável, ao enfiar um sarrafo de todo o tamanho no João Mário (de carrinho, ceifou-o pela raiz quando se escapava pela esquerda) sem ser obviamente admoestado, o que basicamente confirmou o livre trânsito para andar alegremente e distribuir fruta por tudo o que mexia (e de forma incrível conseguiu mesmo chegar ao final do jogo sem um amarelo sequer para amostra). Depois, logo no primeiro canto da segunda parte a nossa defesa em grande a permitir o empate. Não foi um lance de laboratório, nem nada particularmente trabalhado. Uma bola enviada para o meio da área e o Inácio a conseguir ganhar nas alturas, sobre a linha da pequena área, para cabecear com o Yaremchuk a saltar sem chegar à bola e o Morato a ser pateticamente batido. Mas é justificável; afinal, quem é que poderia adivinhar que um defesa central adversário pudesse ser uma ameaça pelo ar? Aliás, o próprio canto foi cedido de forma patética, com o Vertonghen a chutar a bola contra o Weigl para esta sair pela linha de fundo. Depois disto o jogo entrou num equilíbrio mau, em que ambas as equipas jogavam mau futebol e não se criavam ocasiões. Isto durou mais ou menos até meio da segunda parte, altura em que a nossa equipa deve ter achado que já era demais e estava na altura de recomeçar o disparate. Pouco antes de sofrermos o golo já eu comentava que a nossa defesa estava completamente descoordenada e que nem sequer conseguia manter uma linha de fora-de-jogo minimamente consistente. Disso se aproveitou o Sporting para fazer os típicos passes para as costas da defesa, e esteve perto de chegar ao golo quando o Paulinho acertou no ferro da baliza. Aliás, eu acho que o facto de contra nós até o Paulinho conseguir parecer um avançado minimamente decente diz muito sobre a qualidade com que defendemos. Nós trocámos o Yaremchuk pelo Gonçalo Ramos, sem resultados práticos, e a quinze minutos do final entrou o incompreensível Gil Dias, que esse sim, teve impacto quase imediato. Três minutos depois andava ele a recrear-se com a bola no círculo central e obviamente perdeu-a. Recurso imediato do Sporting a mais uma das suas jogadas elaboradas: chuto para a frente desde a linha do meio campo(!) que apanha o Sarabia sozinho na costas da defesa e golo. Futebol directo contra uma defesa digna dos infantis é o que basta. É só ver a linha (inexistente) formada pela nossa defesa nesse lance para perceber que estavam mesmo a pedir que uma coisa dessas acontecesse. Depois, a passividade do Lázaro e do Morato enquanto deixam o adversário fugir entre os dois é também uma coisa brilhante. A reacção do Benfica ao golo foi fazer entrar o Pizzi, o Taarabt e o Henrique Araújo (estreia) mas retirando o Everton, que era dos poucos que ainda podia criar algum desequilíbrio apesar de mais uma vez o terem deslocado para a direita onde se apaga sempre, e mantendo o estonteante João Mário em campo durante o jogo todo. Apesar de alguma pressão final não criámos ocasiões dignas desse nome, mas sobre os noventa minutos o Henrique Araújo caiu na área. Pareceu-me ter sido puxado, mas depois da grande campanha a que assistimos esta semana, na qual se recuperou um lance ocorrido há treze anos que ficou para a história por ter sido a primeira (e única) vez que em toda a história do futebol houve um penálti mal assinalado, de maneira alguma poderia ser assinalado um penálti contra o Sporting. Se normalmente já são beneficiados então neste caso, e com o conhecido amigo do Benfica Artur Soares Dias no VAR, a possibilidade disso acontecer era inferior a zero.

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Não consigo fazer destaques. A nossa equipa joga tão pouco que me sinto demasiado desmotivado a ver os nossos jogos e, se por acaso não adormeço, só fico à espera que acabem rapidamente.

 

Não há evolução. Não há reacção. Todos os jogadores estão em sub-rendimento, a equipa joga mal, continua a jogar mal, e não vejo sequer capacidade da parte de quem quer que seja para inverter esta situação. A única resposta que vou vendo parece ser de negação perante tamanha enormidade que é o péssimo futebol praticado pelo Benfica. Dizem-me sempre que vamos trabalhar com afinco durante a semana para melhorar, mas depois vejo um jogo em que defendemos ao nível do futebol de formação, e das camadas mais jovens mesmo, que a partir de uma certa idade já não se cometem os erros que vi hoje. No ataque não há uma jogada que pareça ser trabalhada e estamos dependentes de acções individuais, o que se nota ainda mais quando dois dos principais desequilibradores nesse aspecto estão de fora. Quarta-feira lá estarei na Luz a antecipar mais hora e meia deste calvário.

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publicado por D'Arcy às 02:25
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38 comentários:
De Luis Agostinho a 30 de Janeiro de 2022
As equipas do Benfica são grupos de bons rapazes que estão ali para participar, para defender o espectáculo e o FRUTAbol português. Sendo assim, não sei do que se queixam, o objectivo das direcções do Benfica foi mais uma vez cumprido. Claro que para isso, fizemos de "cabeçudos", ou "bombos da festa", mais uma vez.

Eu pensei ter visto um penalty ao minuto 90, que nos foi sonegado. Eu pensei ter visto uma entrada com os pitons ao Weigl que deveria ter sido vermelho directo. Eu vi um palhinha a fazer "n" faltas, com total impunidade. Eu vi os viscondes a pressionar o árbitro em cada jogada, a protestar por tudo e por nada, a chamar nomes ao árbitro e árbitros assistentes, a insultar os colegas de profissão em campo...tudo com total impunidade. Eu vi viscondes a jogar à porco, o tal que o Guardiola e o Tuchel disseram que tinha sido a equipa mais suja contra quem jogaram. É este o modelo do saporim.

Eu não vi nem ouvi alguém do Benfica comentar isto. Eu vi e ouvi o Veríssimo no fim do jogo a ser perguntado se tinha havido penalty ao minuto 90, e ele a respnder que estava longe e não tinha a certeza e tal... não vi nem ouvi qualquer referência a nada disto na conferência de imprensa e hoje vi no telemóvel as capas dos pasquins e só venho enaltações ao feito dos viscondes do Campo Grande.

Eu vi Morato, um jogador com 1,9 m a ser batido pelo ar em todas as jogadas. Eu vi uma defesa do Benfica a ser sistematicamente batido pelo ar frente à nossa baliza. Por vezes, eles cabeceavam duas três vezes entre eles, sem alguém do Benfica tirar a puta da bola dali. Era uma questão de tempo até marcarem...pelo ar. Eu vi um Diogo Gonçalves a ser uma nulidade a defender e a tacar na ala direita, e já o tinha sido contra o Boavista, e para não alterar as coisas, o Veríssimo tira o Gonçalves, e como o manteve mais de uma hora em campo, só ele saberá explicar, e entra o Gil Dias, ops, alterou, para pior.

Menos mal estiveram o Meité, pois trouxe peso ao meio campo e com ele o inimputável palhinha não fez farinha, o Everton foi o único a criar algum perigo e sempre houve a sensação de que se o Benfica tivesse alguma hipótese de criar alguma coisa seria por ali, porque o resto estava a ser a nulidade atacante habitual...o Vlachodimos que fez algumas boas defesas a cabeceamentos à queima, resultantes da incrível ineficácia defensiva pelo ar que o Benfica revelou. Acho que o Lázaro não esteve mal, jogou sempre desapoiado pelo Gonçalves e até ao golo tinha estado bastante bem, do outro lado o Grimaldo desta vez não comprometeu.

Por fim, pergunto-me, pergunto, como pode o Benfica ter um plantel tão mau, tão desequilibrado? Nunca vejo quem entra alterar nada num jogo. Geralmente, pioram. No entanto, aparentemente está tudo bem. Os fruteiros apesar de terem vendido o dias, estão a reforçar a defesa, os viscondes falidos do Campo Grande, apesar de terem novamente surgido notícias de dividas e calotes, estão a reforçar o ataque. Já no "Reino da Águia" a tranquilidade é máxima, não necessitamos de ajudar o plantel, com saídas e entradas, ou pelo menos saídas de alguns que já não deveriam por lá andar há muito, porque afinal, estamos a cumprir o nosso desígnio que a direcção anterior e agora, pelos vistos, esta, estabelecerem, de proteger o estpectáculo e o FRUTAbol nacional, mesmo que para isso, sejamos sistematicamente os "cabeçudos" deste carnaval FRUTAbolesco. E o var soares dias, que nada viu neste jogo a favor do Benfica, será o próximo árbitro, não é lindo de se ver?

Saudações Benfiquistas

De BI-CAMPEÃO EUROPEU a 30 de Janeiro de 2022
Toda a razão do seu lado, caro Luís Agostinho. Este seu comentário revela-nos toda a verdadeira miséria em que se transformou este mini-Benfica, e é um GIGANTESCO ATESTADO DE INCOMPETÊNCIA passado a esta direcçãozeca de merda e este presidentezeco de MERDA ABSOLUTA que é esse rui VIEIRISTA COVARDE costa.

RUA RUA RUA RUA RUAAAAAAAAAAAAAAAAA MONTES DE MEDO, INCAPACIDADE E COVARDIA.

NUNCA NUNCA NUNCA ME CANSAREI DE O DIZER EUNQUATO ISSO FOR A VERDADE.

BENFICA BENFICA BENFICAAAAAAA... SEMRPEEEEEEEEEEE
De Abelourinha a 30 de Janeiro de 2022
Mt bem Luís Agostinho, mais um sentimento que nos toca a todos, mas sinais de vida da Direcção nada.... estamos entregues ao destino.que final de época fds. Benfica Sempre.

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