Um jogo cinzento para nós, em coerência com o equipamento com que jogámos hoje em Barcelona, talvez um dos mais feios de que tenho memória de ver o Benfica utilizar. No final acabámos eliminados de uma forma mais ou menos previsível, já que se em dois jogos nos quais fomos melhores do que o Barcelona acabámos por perder ambos, então quando foram eles a estar melhor a probabilidade de ganharmos era pequena.

A equipa apresentada foi mais ou menos previsível, sendo a novidade o regresso do Florentino ao meio campo, com o Dahl a ir ocupar o lugar do ausente Carreras. Entrámos no jogo com vontade de pressionar alto, mas a qualidade dos jogadores do Barcelona permitiu-lhes lidar bem com isso e conseguir sempre encontrar jogadores soltos para sair a jogar, sendo até por vezes assustador o espaço que encontravam no nosso meio campo defensivo, em posições centrais. Depois as coisas seguiram um rumo quase natural. O Barcelona chegou cedo ao golo, logo aos onze minutos, e quando pouco antes já o Trubin lhes tinha negado o golo com uma boa defesa. O Yamal partiu os rins ao Florentino à entrada da área e colocou a bola na esquerda, onde o Raphinha apareceu sozinho para marcar. O Benfica teve a felicidade de responder de imediato, marcando no primeiro remate que fez. Na sequência de um canto do Schjelderup na esquerda do ataque, o Otamendi apareceu sozinho ao segundo poste para cabecear a bola depois de um ligeiro desvio de um defesa do Barcelona. Mas o Barcelona controlava o jogo com alguma facilidade, e depois de algumas ameaças voltou a colocar-se em vantagem aos vinte e sete minutos, num remate cruzado do Yamal à entrada da área. Nem sei se a intenção dele era rematar mesmo ou colocar a bola na área, mas o resultado foi mesmo um grande golo sem qualquer possibilidade de defesa para o Trubin. Nós saíamos pouco para o ataque, e quando o fazíamos voltávamos a mostrar muitos dos defeitos que temos. Um é estarmos constantemente a ser apanhados em fora-de-jogo. A outra, é a irritante cerimónia em rematar à baliza. Raramente um jogador nosso remata de primeira, dá sempre mais um toque na bola para a ajeitar e depois quando remata já tem um defesa em cima, ou então passa a responsabilidade a um colega. Foi assim que, a três minutos do intervalo, sofremos o terceiro golo. Tendo nós a bola no ataque, conseguimos andar a trocá-la com toques curtos entre uns três jogadores perto da meia lua sem que ninguém rematasse e o Barcelona recuperou a bola, contra-atacou (em superioridade numérica) e segundos depois tinha o Raphinha a colocar a bola outra vez no fundo da baliza. A eliminatória ficou praticamente resolvida e na segunda parte o Barcelona foi progressivamente reduzindo a intensidade, de forma que o Benfica foi conseguindo ter cada vez mais bola e nos últimos vinte minutos até teve quase em exclusivo a iniciativa do jogo, acabando em cima do Barcelona com sucessivos pontapés de canto a seu favor. Mas nunca me pareceu que o Barcelona tivesse o jogo fora do seu controlo. Quando conseguimos criar situações de perigo, os mesmos defeitos já referidos. Cerimónia na finalização ou má finalização mesmo - é difícil perceber como é que o Amdouni, aparecendo completamente solto ao segundo poste (após cruzamento do Otamendi(!)) conseguiu cabecear de forma a não marcar golo, por exemplo - e foras-de-jogo sucessivos, que inclusivamente invalidaram um golo do Aursnes.

Acho que só consigo pensar no Otamendi para destacar, a larguíssima distância de qualquer outro jogador nosso. Limpou tudo o que podia, empurrou a equipa para a frente, fez diversos passes longos de qualidade e ainda marcou o nosso golo. Era difícil pedir-lhe mais. Sentiu-se bastante a falta do Carreras na esquerda, e acho que mais uma vez ficou evidente que o Tomás Araújo faz o que pode a lateral, mas para jogos deste nível não chega, e faz-nos falta um verdadeiro lateral direito. Ele esteve aliás directamente envolvido nos três golos sofridos, perdendo a marcação ao Raphinha por duas vezes no primeiro e terceiro golos, e sendo batido pelo Yamal no segundo golo. Os dois turcos foram fantasmas em campo, fizeram pouco ou nada - eu cheguei honestamente a esquecer-me que o Kökçü estava em campo. Não sei se o Ramadão terá alguma coisa a ver com o assunto, mas se calhar seria melhor não apostarmos demasiado neles até ao final do mês.
Acho que foi uma prestação positiva na Champions. Teria sido bom chegar ainda mais longe, mas o adversário era mais forte, e o nosso destino ficou demasiado condicionado ao não termos conseguido aproveitar as condições favoráveis na primeira mão para construirmos alguma vantagem para levar a Barcelona. Não tenho nada a apontar à atitude da equipa num todo, acho que os jogadores tentaram e deram o que tinham, simplesmente o adversário foi melhor e mais forte. Agora é recuperar do desgaste e lutar pelas competições que nos faltam. Parabéns aos nossos adeptos que acompanharam a equipa em Barcelona, cujo apoio nunca deixei de ouvir durante os noventa minutos.
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