Quarto jogo após a mudança no banco, quarta vitória. Os números são algo exagerados e quem não viu o jogo até pode pensar que foram só facilidades. A vitória do Benfica é mais uma vez indiscutível, mas foi apenas nos minutos finais que construímos um resultado dilatado, frente a um adversário que conseguiu causar dificuldades.

Surpresa na manutenção do onze do Bessa, porque pensei que com o Bah recuperado, ele regressasse à titularidade. O Benfica entrou mais uma vez forte e a tentar chegar ao golo cedo, rapidamente chegando à área do Gil Vicente e conquistando dois pontapés de canto, mas tal como no jogo de estreia do Bruno Lage, o adversário colocou-se em vantagem cedo, na primeira aproximação que fez à nossa baliza. O Gil Vicente mostrou ser uma equipa confiante com a bola nos pés, capaz de a trocar de forma segura, com o Fujimoto a jogar sem posição muito fixa e a revelar qualidade acima da média. Realce também para o facto de ser uma das poucas equipas que eu nos últimos tempos vi apresentar-se na Luz sem ser num esquema de três centrais - até estranhei. Aos oito minutos fomos surpreendidos num contra-ataque, no qual três jogadores adversários receberam a bola no espaço entre a nossa defesa e o meio campo - e se há alguma coisa a apontar à nossa equipa, é precisamente que achei o nosso meio campo demasiado permissivo, com alguma falta de agressividade e a conceder demasiado tempo e espaço ao adversário para ter a bola. Ainda conseguimos recuperar minimamente, mas com toda a gente desposicionada um grande passe do Fujimoto na direita, correspondido por uma grande desmarcação do extremo esquerdo, aproveitou o buraco que tinha sido deixado na defesa quando o Otamendi saiu da sua posição e o Gil Vicente colocou-se em vantagem. Tal como no jogo com o Santa Clara, a reacção do estádio foi como se nem tivéssemos sofrido um golo. Em vantagem, o Gil Vicente mostrou desde logo imensa vontade em baixar drasticamente o ritmo do jogo, mas não teve muito tempo para o fazer porque o Benfica demorou apenas nove minutos a igualar o jogo, e mais oito a colocar-se em vantagem. O empate surgiu num pontapé de canto marcado pelo Di María, no qual o Otamendi surgiu solto ao segundo poste para cabecear, e o segundo golo numa insistência do Aursnes pela direita, com o cruzamento a encontrar o Aktürkoglu demasiado à vontade no interior da área, com tempo para escolher onde queria colocar a bola de cabeça sem sequer ter que tirar os pés do chão. Depois de ultrapassado o principal obstáculo nestes jogos, que é colocarmo-nos na frente do marcador, o resto da primeira parte decorreu sem grandes sobressaltos.

A segunda parte foi jogada num ritmo mais pausado. Não sei se os nossos jogadores já estavam a pensar no jogo da Champions que se segue, mas com uma vantagem de apenas um golo a forma como abordámos a segunda parte não me deixou confortável. O Gil Vicente ia-se mantendo vivo no jogo e em qualquer altura poderia surgir um lance que resultasse no empate, o que nos deixaria numa situação bastante desconfortável. Não que tenhamos visto a nossa baliza muitas vezes ameaçada, mas estar a ganhar por apenas um golo provoca sempre este tipo de desconforto. O jogo só animou a partir do meio da segunda parte, quando o nosso treinador decidiu fazer três alterações de uma vez. Entraram o Rollheiser, Amdouni e Cabral para os lugares dos dois turcos e do Pavlidis, e poucos minutos depois foi feita uma quarta substituição, entrando o Beste para o lugar do Di María e as coisas aqueceram. O Benfica arrumou o assunto a doze minutos do final, num grande remate do Amdouni bem de fora da área que colocou a bola a entrar junto ao poste. Confesso que na altura em que o vi armar o remate achei logo que não era uma boa opção, porque o Beste tinha arrastado o defesa com ele para a zona mais central e o Carreras entrava completamente solto pela esquerda. Mas o remate saiu muito bem - nem foi com muita força, mas a colocação foi perfeita. A partir daí a equipa ficou mais solta e descontraída, e voltámos a ficar perto do golo em mais ocasiões (incrível o falhanço do Carreras, por exemplo). O Rollheiser e o Amdouni trouxeram muita dinâmica à equipa e foi já a fechar o jogo que demos contornos de goleada ao resultado. Aos noventa, num pontapé de canto do Beste o Otamendi surgiu ao primeiro poste a desviar para o mergulho do mais uma vez improvável Florentino no coração da pequena área, a empurrar de cabeça para a baliza. E já nos descontos, período no qual o Prestianni ainda entrou para correr um bocadinho, o Rollheiser progrediu pelo meio e passou-lhe a bola na direita, para depois aparecer na área a aproveitar a fífia do guarda-redes, que largou a bola cruzada pelo Prestianni. Um resultado bem dilatado, a mandar toda a gente contente para casa.

O melhor em campo, para mim, foi o Florentino, e já o seria mesmo sem o golo como a cereja em cima do bolo. Está muito confiante, continua extremamente eficaz nas tarefas defensivas, e agora está a tentar cada vez mais envolver-se também no processo ofensivo, com passes de grande qualidade - um exemplo foi o passe brilhante que fez para o Aktürkoglu ficar isolado, com a bola a ser cortada quase em cima da linha. O Aursnes não teria sido a minha escolha para melhor em campo, mas subiu bastante de rendimento da primeira para a segunda parte. Bom jogo também dos nossos centrais, com o Otamendi a fazer um golo e uma assistência, e boas entradas do Amdouni e do Rollheiser no jogo. Espero ver em breve o Bah de regresso - o Tomás Araújo cumpre, mas é completamente diferente jogar com a profundidade que o Bah oferece naquele lado.
O resultado é generoso para o futebol produzido durante boa parte do jogo, mas a confiança faz maravilhas. Depois de tantos jogos em sofrimento para vermos a nossa equipa marcar um golo, nos três que fizemos desde a mudança de treinador ainda não vencemos por menos de três golos de diferença. Foram doze golos marcados em três jogos, contra cinco marcados nos quatro jogos anteriores. Precisamos de resultados assim, não só para reforçar a confiança dos jogadores, como também dos adeptos. E obrigar os críticos crónicos a retorcer-se um pouco (por falar nisso, é impressão minha ou a Bola neste momento já se tornou em mais um pasquim de bajulação aos ladrões de bancos, ao mesmo tempo que faz constantes ataques e críticas ao Benfica? Há meses que já nem visito o site do jornal não oficial dos ladrões de bancos; parece-me que a Bola em breve passará a ter o mesmo tratamento da minha parte) e refugiar-se no sempre esperançoso 'Até agora foram jogos fáceis, quando apanharem um adversário a sério é que se verá'. O próximo jogo aliás será contra um sempre difícil Atlético de Madrid, que é um adversário que tem potencial para lhes dar uma alegria. Se por acaso ganharmos, obviamente que não jogam nada e o Simeone é um treinador que não sabe tirar partido dos jogadores que tem.
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