VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 18 de Abril de 2021

Confrangedora

Uma derrota tão inesperada quanto justa ditou o fim da boa sequência de resultados do Benfica. Numa tarde francamente desinspirada, o Benfica deu uma parte de avanço, deixou que o Gil Vicente estivesse demasiado confortável durante a maior parte do jogo, e quando tentou reagir na fase final do jogo e finalmente conseguiu encostar o adversário à sua área já era tarde demais. O desacerto do Benfica fica bem expresso neste número: acertámos um remate na baliza durante todo o jogo, e isso aconteceu aos  oitenta e sete minutos, tendo o nosso golo sido um autogolo resultante desse remate.

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Mantivemos o onze da última jornada, que tão bem tinha estado em Paços de Ferreira. Mas deu para ficar logo muito cedo com um mau pressentimento para este jogo. O Benfica revelou desde início muita dificuldade para causar qualquer tipo de problema ao Gil Vicente, muito por culpa de uma grande lentidão de processos, regressando ao futebol de toques laterais excessivos, uma quase completa falta de profundidade e muito pouca agressividade - os jogadores adversários chegavam quase sempre primeiro às bolas e cedo ganharam superioridade na zona do meio campo. A nossa equipa pareceu reagir mal às linhas subidas do Gil Vicente, que se recusou a encostar-se à sua área e a entregar-nos a iniciativa de jogo, optando por tentar pressionar alto logo na nossa saída de bola, que consequentemente foi quase sempre feita com pouco critério - havia quase sempre pelo menos três jogadores do Gil Vicente a pressionar logo à saída da nossa área. As sucessivas perdas de bola que resultavam em contra-ataques rápidos nos quais demorava uma eternidade até aparecer algum jogador nosso a pressionar o portador da bola (quando surgia) - é inadmissível uma tão má reacção à perda da bola - iam fazendo temer o pior, mesmo que a maioria dessas jogadas acabassem por ser mal finalizadas. Mas a constante repetição da situação acabou mesmo por resultar no golo do Gil Vicente a dez minutos do descanso. Mais um contra-ataque (conduzido apenas por dois jogadores) com imenso espaço para o adversário no nosso meio campo, e à entrada da área um remate rasteiro, bastante colocado mas que nem levou assim tanta força, fez a bola entrar junto ao poste. Na minha opinião, alguma culpa para o Helton no lance porque a bola entra junto ao poste que é dele, e o remate foi desferido a uma distância suficiente para que lá chegasse se estivesse melhor colocado. Com o Benfica a revelar uma capacidade nula para reagir ao golo sofrido, fomos para intervalo comigo convencido que ou havia uma alteração radical no jogo do Benfica, ou os três pontos estavam irremediavelmente perdidos. Porque o Gil Vicente veio claramente com a lição bem estudada e durante os primeiros quarenta e cinco minutos banalizou o Benfica com uma equipa com muito menos recursos. Em termos tácticos, o Ricardo Soares deu uma master class ao nosso treinador.

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A alteração táctica fez-se, desmanchando os três centrais - saiu o Lucas Veríssimo, já amarelado, e entrou o Everton. O Benfica melhorou um pouco (não muito) e as alterações não me pareceram que fossem dar qualquer resultado. O Gil Vicente até desperdiçou uma boa ocasião para voltar a marcar logo nos minutos iniciais, e da mesma forma que o tinha feito na primeira parte. Bola recuperada, contra-ataque rápido e bola a chegar à zona de finalização em poucos toques, mas desta vez o remate saiu ao lado. Do nosso lado, o Seferovic a mostrar que estava num dia de forma clássica, falhando a baliza depois de ficar com o ressalto a uma primeira tentativa sua. Seguiu-se nova ocasião para o Gil Vicente, na qual o avançado se antecipou com alguma facilidade na área ao Diogo Gonçalves e em frente à baliza finalizou o cruzamento atirando por cima. Já eram avisos mais do que suficientes para perceber que o Gil Vicente não se iria limitar a defender a vantagem. O Seferovic, esse, não estava em dia sim e depois de um cruzamento-remate do Diogo Gonçalvez que foi defendido a custo pelo guarda-redes, tentou finalizar meio de calcanhar para aproveitar o ressalto e a bola saiu por cima quando a baliza estava escancarada (se calhar se tivesse deixado a bola seguir ela iria ter com o Rafa, que estava em óptima posição, mas compreendo que tenha tentado finalizar de qualquer maneira). A meia hora do final o Benfica trocou o Taarabt e o Waldschmidt pelo Pizzi e o Darwin, mas creio que o intensificar da pressão que se começou a ver nos minutos seguintes se deveu mais a um encolhimento progressivo do Gil Vicente do que a qualquer tipo de melhoria do nosso jogo. Até porque nada corria bem mesmo. Aos setenta minutos o Rafa em esforço conseguiu ganhar uma bola junto à lateral direita, progrediu até à linha de fundo e ofereceu um golo quase feito ao Seferovic - era daqueles que era só encostar. O suíço atirou enrolado e ao lado. Perante tanta inépcia, o xeque-mate apareceu aos oitenta e um minutos. Um contra-ataque conduzido apenas por três jogadores pelo lado direito da nossa defesa, o Diogo Gonçalves, a passo, não acompanhou o extremo e este conseguiu fugir por esse lado. O Otamendi ainda conseguiu recuperar de forma a apertar-lhe o ângulo, mas fiquei com a sensação de que o Helton demorou demasiado tempo a sair e mais uma vez deixou a bola passar entre ele e o poste mais próximo. O Gil Vicente fazia o seu segundo remate à baliza no jogo, e conseguia o segundo golo. A reacção do Benfica ficou-se pelo único remate que acertou na baliza, pelo Rafa aos oitenta e sete minutos e que mesmo assim foi um falhanço, já que só com o guarda-redes pela frente permitiu a defesa deste. No ressalto, a bola bateu num defesa que recuperava em corrida e foi para dentro da baliza. Mesmo sobre a hora, à entrada da área e em posição frontal, o Otamendi desperdiçou a possibilidade do empate atirando para a bancada.

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Num jogo tão mau acho que só consigo mesmo lembrar-me do Rafa como um dos menos maus. Pelo menos tentou, o golo surgiu de uma jogada individual dele, ainda ofereceu um golo feito ao Seferovic e nunca baixou os braços. Mas perante tanta falta de inspiração, também não era preciso fazer grande coisa para se destacar.

 

Uma exibição confrangedora resultou num resultado desastroso, que deixa o importante segundo lugar mais longe e ainda o terceiro em risco. Depois de uma sequência tão positiva, nada fazia esperar um jogo tão desligado da nossa equipa, ainda por cima numa fase tão importante da época, em que tantas decisões estão em jogo. Uma derrota destas em casa, da forma que aconteceu, é muito difícil de aceitar ou justificar. O Benfica tinha a obrigação de vencer este jogo, e para tal não podia dar a primeira parte de avanço para depois andar a correr atrás do prejuízo.

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publicado por D'Arcy às 00:27
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