Três pontos que foram uma verdadeira dádiva do destino, em mais um jogo onde tivemos uma exibição completamente desgarrada e no qual fomos incapazes de dominar o Paços de Ferreira em nossa casa. O que vimos foi o Benfica e o Paços a disputar o jogo olhos nos olhos, com o resultado a poder perfeitamente cair para qualquer uma das equipas. Felizmente caiu para nós.

Fizemos alterações na zona central para este jogo, onde o Weigl e o Taarabt renderam a dupla Gabriel e Chiquinho. De resto, o mesmo onze de quinta feira, que acabou por sofrer uma alteração de última hora quando o Grimaldo se lesionou no aquecimento e foi rendido pelo Nuno Tavares. Quanto ao jogo, tenho alguma dificuldade em escrever sobre o mesmo. Não me apetece estar a discorrer demasiado sobre o assunto porque sei que inevitavelmente vou acabar por me enervar e criticar demasiado, apesar do Benfica ter ganho - e isso acaba por ser o mais importante. Posso dizer o que já disse várias vezes: sempre que começamos um jogo com o Pizzi e o Taarabt de início, temo o pior. Não tem a ver com a qualidade individual dos jogadores, para mim é mesmo uma questão táctica. Jogar simultaneamente com ambos, ainda por cima na zona central, é entregar o meio campo ao adversário. O Taarabt é muito bom rapaz e tem vontade, mas tacticamente é um desastre. Lê mal o jogo, consequentemente ocupa mal os espaços, e é incapaz de fazer o jogo fluir porque tem sempre que dar mais dois ou três toques na bola do que seria necessário. Num meio campo a três, ou a jogar em apoio mais directo ao adversário acredito que possa resultar. Como um dos médios num meio campo a dois, não. É verdade que às vezes dá nas vistas porque numa arrancada ultrapassa dois ou três adversários, mas entre o que oferece à equipa e o que lhe tira, o saldo é negativo. O Pizzi tem o problema do costume, que é falta de intensidade - para não lhe chamar vontade. Contra uma equipa batalhadora como o Paços, jogar com ambos no meio é pedir sarilhos. Depois há o problema crónico da constante insistência em jogar pelo meio, com os alas sempre a vir para dentro a ajudar a isso. Parece-me que é uma coisa que a maioria das equipas já identificaram e preparam-se contra isso, sobrepovoando a zona central e conseguindo com alguma facilidade entupir o nosso jogo ofensivo. O resultado disto tudo foi a sensação de que o Benfica, apesar de ter naturalmente mais bola, nunca conseguiu realmente agarrar no jogo. Porque em qualquer instante o Paços recuperava uma bola e progredia facilmente até à nossa área para criar perigo - conseguiram mesmo ter mais finalizações do que o Benfica, o que é completamente anormal para qualquer equipa que jogue na Luz. O Paços apenas precisava de ultrapassar a nossa primeira linha de pressão, e uma vez conseguido isso tinha uma autoestrada livre até à nossa área. Houve ocasiões de parte a parte, tendo o Benfica tido duas flagrantes ainda com o nulo no marcador. Primeiro pelo Darwin, logo aos cinco minutos, que em frente ao guarda-redes permitiu a mancha, e depois pelo Pizzi, aos vinte, que o Darwin deixou isolado em frente ao guarda-redes e nem sequer acertou na baliza - ambas as jogadas resultaram de recuperações de bola adiantadas do Benfica. Pelo meio já o Vlachodimos tinha evitado um golo quase certo quando o Otamendi se deixou antecipar de cabeça pelo Tanque quase na pequena área. O Paços chegou ao golo pouco depois. O Vlachodimos afastou a bola num canto, o Rafa falhou o controlo da bola, e à entrada da área o Oleg (parece-me ser um lateral esquerdo interessante, e a minha opinião não vem deste jogo) rematou de primeira para um grande golo - que em rigor poderia ter sido invalidado, já que estava um jogador do Paços em posição irregular a bloquear a visão do nosso guarda-redes. Mas é o Benfica, por isso siga - nós não temos nem um décimo da competência do lagartedo para fazer berreiros sobre arbitragens (esses mesmo quando não têm razão berram como se a tivessem desde o início dos tempos). Imediatamente a seguir (literalmente a seguir - a jogada começou no pontapé de saída do Benfica e resultou de um mau passe do Vlachodimos para o Otamendi que permitiu a recuperação do Paços) só não sofremos o segundo golo porque o Tanque, completamente à vontade na área, rematou por cima. O jogo continuou assim até ao intervalo, não muito bem jogado, aberto e muito disputado, e deixando a sensação que um golo poderia acontecer para qualquer uma das equipas.

Ao intervalo saíram o Pizzi e obviamente o Weigl (que até estava a ser um dos mais certinhos, mas ele parece ser sempre a primeira opção para sair quando as coisas correm mal) e entraram o Seferovic e o Gabriel. O anárquico Taarabt, como habitualmente, manteve a confiança do treinador. As alterações se mudaram alguma coisa, foi ainda para pior. Continuámos a ver o Benfica com muito poucas ideias para além de circular a bola pela zona central, com demasiados passes para trás e lateralizações, à procura de alguma aberta para entrar pelo meio em tabelinhas condenadas ao insucesso. Os poucos safanões no jogo eram quase sempre dados pela direita, onde o Rafa era o mais activo e tinha a colaboração do Gilberto, bastante mais atrevido no ataque do que lhe vem sendo habitual. Foi por aí que, quase a acabar o primeiro quarto de hora, o Benfica construiu o golo do empate. Uma iniciativa individual do Rafa, que arrancou perto da linha do meio campo com um túnel a um adversário, progrediu até perto da área, combinou com o Gilberto e finalizou com um remate de primeira na zona do primeiro poste a fazer a bola entrar entre o guarda-redes e o poste. Entretanto o Benfica trocou o apagadíssimo Everton pelo Waldschmidt, encostando o alemão à esquerda. O golo motivou a nossa equipa, que durante o período que se seguiu conseguiu ficar mais por cima no jogo e teve duas ocasiões flagrantes para se colocar em vantagem. Primeiro tivemos o clássico falhanço do Seferovic, que aproveitou um passe da direita do Gilberto que o deixou em excelente posição para rematar completamente ao lado da baliza. Logo a seguir o Darwin deu um ar da sua graça e tirou um adversário do caminho para, ainda à entrada da área, rematar com estrondo à barra (o guarda-redes ainda toca na bola, mas o árbitro deu pontapé de baliza). Pouco depois mais duas alterações, saindo o Rafa e finalmente o Taarabt para entrarem os 'inhos', Chiquinho e Pedrinho. A saída do Rafa só se compreende por razões físicas, porque estava a ser dos mais activos e dinamizadores no nosso ataque. Nos minutos finais, o jogo voltou a cair naquela tendência muito perigosa para o Benfica, em que apesar de termos mais bola e carregarmos em busca da vitória não o fazíamos de forma muito consistente e ficávamos muito expostos aos contra-ataques do Paços. Mais uma vez o golo parecia poder acontecer em qualquer uma das balizas. Apesar dos avançados lançados para dentro do campo, acho que nem por uma única vez o Benfica insistiu em despejar a bola para a área - aliás, nem sequer tentávamos ganhar a linha de fundo para cruzar a bola - e a tendência continuava a ser tentarmos entrar pelo meio. Até que na última jogada do jogo, quando já decorria o quarto minuto de compensação, o Gabriel lá se decidiu a fazê-lo. Uma bola bombeada para a área foi encontrar a cabeça do Waldschmidt e dali saiu o golo de uma vitória que já poucos esperariam. Revendo o lance, vemos que estavam três jogadores do Benfica na área para três defesas do Paços - um testemunho da forma como o Paços encarou aqueles minutos finais e como acreditou que a vitória também lhes poderia sorrir.

Num jogo muito difícil e com pouco brilhantismo torna-se complicado fazer destaques, mas acho que o Rafa é quem mais o merece. Foi sempre dos jogadores mais inconformados durante todo o tempo que esteve em campo. Já tinha marcado na primeira parte um golo que foi (bem) anulado, se calhar se a bola tivesse seguido para ele (porque ele estava lá) em vez de ficar nos pés do Pizzi naquela oportunidade escandalosamente falhada na primeira parte a coisa teria acabado melhor, e o golo do empate é mérito absoluto dele. Uma menção ainda para o Gilberto, que na segunda parte talvez tenha feito a sua melhor actuação pelo Benfica desde que chegou.
Depois de algumas melhorias nos últimos jogos, este jogo representou uma regressão em termos de qualidade de jogo. Parece-me claro que não temos ritmo para aguentar dois jogos por semana e manter alguma qualidade de jogo, e a nossa equipa treme sempre que apanha pela frente um adversário que consegue fechar bem a zona central e ser agressivo na recuperação. O calcanhar de Aquiles da nossa equipa continua a ser a zona central do meio campo, e isto tem que ser urgentemente resolvido. É fácil apontarmos o dedo à defesa, mas se os adversários ganham superioridade na zona central e frequentemente aparecem sem oposição a encarar a defesa de frente, a tarefa dos nossos defesas torna-se demasiado complicada.
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