VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021

Derrocada

Resistimos durante setenta minutos, mas acabámos por sucumbir frente a uma equipa que nos é (muito) superior em todos os aspectos. A possibilidade de um resultado positivo era à partida muito remota, mas depois de termos conseguido aguentar aquele tempo foi pena termos claudicado com estrondo no período final da partida.

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Apresentando um onze previsível no qual a presença do André Almeida na direita foi talvez o único pormenor mais inesperado, desde o apito inicial que se assistiu ao cenário esperado. O Bayern completamente por cima no jogo, com o Benfica a tentar resistir para depois explorar algum contra-ataque através da velocidade do Rafa ou do Darwin. O Bayern não tem apenas muito bons jogadores, como acontece com outras equipas fortes. Eles próprios como equipa são muito fortes. A pressão que exercem sobre o adversário quando este tem a bola torna muito difícil fazer o que quer que seja: um ou mais jogadores caem em cima do portador da bola e os outros cortam-lhe quase todas as linhas de passe mais óbvias - cheguei a ver defesas nossos com a bola a serem pressionados de tal forma que nem sequer tinham a possibilidade de se voltarem para trás para atrasar a bola ao guarda-redes, porque essa linha de passe também estava cortada. A forma como cada jogador parece saber que zona deve ocupar sem bola, como antecipar o apoio que um colega deverá precisar faz com que seja quase impossível apanhá-los descompensados. Por isso o Benfica teve muito pouca bola, e quando tentava sair de forma organizada acabava por ter que recorrer quase sempre a uma bola longa na tentativa que o Yaremchuk a conseguisse ganhar para depois a endossar ao Rafa ou ao Darwin. Logo aos dois minutos apareceram três jogadores do Bayern sozinhos em frente ao Vlachodimos, que fez uma defesa estrondosa mas o lance acabou anulado por fora-de-jogo que deve ter sido tirado mesmo no limite - aliás, o fora-de-jogo deve ter sido a arma mais eficaz que tivemos para travar o Bayern durante muito tempo. Mas o jogo era quase de sentido único e sentia-se que o melhor que poderíamos fazer era aguentar o mais possível e esperar por um lance fortuito que nos favorecesse. Pela direita da nossa defesa o Coman fazia o que queria do André Almeida e entrava por aquele lado como queria - estar ali alguém ou não pouca diferença fazia, o que se comprovou quando o André Almeida saiu lesionado ainda na primeira parte e o Coman continuou a fazer exactamente o mesmo com o Diogo Gonçalves pela frente. O lance fortuito até aconteceu mesmo, quando o Darwin sobre a esquerda conseguiu ganhar o duelo individual ao Süle (talvez o elo mais fraco do Bayern devido à falta de velocidade) e fez um remate cruzado que se calhar na maioria dos casos daria golo, mas na baliza estava o Neuer e isso fez toda a diferença. Não foi esse lance que intimidou o Bayern, que continuou sempre muito por cima e a criar ocasiões de perigo, chegando mesmo a introduzir a bola na baliza já quase sobre o intervalo, mas o lance foi anulado pelo VAR porque o Lewandowski tinha utilizado o braço para marcar.

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Na segunda parte, mais do mesmo, com o Bayern logo aos dois minutos a criar mais uma grande ocasião de perigo, num remate do Pavard que o Vlachodimos desviou para os ferros da baliza. Pouco depois, a bola voltou a entrar na nossa baliza, mas o VAR voltou a salvar-nos ao detectar a posição irregular do Coman no início da jogada, antes dele fazer a assistência. Logo a seguir foi o Muller a acertar mais uma vez no ferro, mas o lance acabou por ser invalidado por fora-de-jogo. Com o Bayern sempre por cima, voltámos a criar uma rara situação de perigo numa saída para o contra-ataque na qual o Rafa conseguiu libertar o Diogo Gonçalves para subir pelo seu lado. Junto à área ele flectiu para dentro e de pé esquerdo fez um bom remate cruzado que mais uma vez poderia ter dado golo, não estivesse o Neuer na baliza. Teve pouco trabalho, mas das poucas vezes que foi chamado foi decisivo - e a segurança que mostra a sair da área e a jogar com os pés é também excepcional, permitindo sempre ao Bayern fazer superioridade na zona defensiva para trocar a bola e assim dar a volta às nossas tentativas de pressionar a saída de bola deles. A meio da segunda parte o Bayern retirou o lateral direito Pavard para colocar o Gnabry daquele lado, e foi de imediato previsível que aquilo que o Coman andava a fazer pelo lado direito da nossa defesa, o Gnabry viria agora fazer também para o outro lado. O canto do cisne do Benfica no jogo aconteceu pouco depois numa arrancada do Yaremchuk pela direita, em que conseguiu aguentar as cargas do Upamecano até entrar na área e depois fazer um remate cruzado em esforço, com a bola a passar muito perto do poste. Depois veio o pior. A vinte minutos do final o Otamendi fez uma falta desnecessária sobre o Lewandowski em zona proibida e o Sané, que na primeira parte já tinha tido um livre naquela zona que atirou para a bancada, desta vez marcou-o de forma irreprensível e fez cair finalmente a nossa resistência. Talvez como reacção à entrada do Gnabry o nosso treinador decidiu fazer entrar o Everton para aquele lado, substituindo o Yaremchuk e deslocando o Darwin para o meio. O resultado foi péssimo, porque o Darwin pareceu ser muito mais eficaz a estancar aquele lado do que o Everton, e acabámos por sofrer mais três golos que nasceram todos por ali. Três minutos depois de entrar, o Everton fazia autogolo, ao desviar de cabeça um cruzamento do Gnabry feito sobre a linha de fundo. O autogolo pode acontecer a qualquer um, o que o Everton fez de errado naquela jogada foi o péssimo acompanhamento defensivo ao Gnabry - ainda o passe não tinha sido feito para ele e já o Everton estava parado de braço no ar, em vez de marcá-lo. Depois fizemos três substituições de uma assentada - saíram o Rafa, o Darwin e o João Mário para entrar o Gonçalo Ramos, o Pizzi e o Taarabt e o descalabro consumou-se. Entendo que os jogadores em questão já deveriam estar esgotados, porque é muito difícil aguentar o ritmo que o Bayern impõe no jogo, mas sobretudo com a saída dos dois da frente perdemos os jogadores que ainda poderiam manter o Bayern em algum sentido. Pior ainda, entraram o Taarabt e o Pizzi - juro que o comentário que fiz na altura foi mesmo 'Com o Taarabt e o Pizzi em campo eles ainda conseguem chegar aos quatro'. E foi isso mesmo que aconteceu. Não que ache que estes jogadores tenham tido influência directa nos golos, simplesmente acho que se já é muito difícil jogar contra o Bayern, com jogadores que têm a intensidade e disciplina táctica destes dois tudo se torna ainda mais difícil. Aos quatro chegaram mesmo, marcando dois golos com excessiva facilidade em que apareceram em superioridade numérica bem no centro da área, em lances criados pelo lado esquerdo da nossa defesa.

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Os nossos jogadores lutaram enquanto puderam e não os podemos acusar de não terem dado tudo. Na minha opinião o Rafa e o Darwin foram dos melhores, e o Vlachodimos fez o que podia, sem ter quaisquer hipóteses nos golos sofridos.

 

De uma forma fria, empatar ou perder significaria exactamente o mesmo no que diz respeito às contas para o apuramento. Estas resumem-se a vencer o Dínamo em casa e a não perder em Barcelona, assumindo que ninguém conseguirá fazer frente a este Bayern e tirar-lhes pontos. Mas um empate, ou mesmo uma derrota por números menos expressivos, contra o Bayern teria um efeito psicológico importante. Em vez disso tivemos uma derrocada nos minutos finais que pode ser preocupante e que importa esquecer rapidamente. Foi bom voltar a estar no Estádio da Luz praticamente cheio e sentir o apoio constante dos adeptos à nossa equipa, que não esmoreceu sequer com o avolumar do resultado. Acho que toda a gente reconheceu que os nossos jogadores deram o que tinham, simplesmente o Bayern é de outro planeta, e por isso mesmo o aplauso à equipa no final. Agora é mesmo muito importante limpar as cabeças para o próximo jogo e regressar rapidamente ao caminho das vitórias.

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publicado por D'Arcy às 12:46
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De BI-CAMPEÃO EUROPEU a 23 de Outubro de 2021
Tudo o que o nosso querido SLBENFICA precisa é o seguinte:

Jogadores competitivos, lutadores, verdadeiros trabalhadores e com uma qualidade indiscutível, e um TREINADOR A SÉRIO com mentalidade real de Campeão, moderno e COMPETENTÍSSIMO.

BENFICA BENFICA BENFICAAAAAAAAAAAAAA...................... Sempreeeeeeeeeeeeeeeeeee
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