VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 26 de Fevereiro de 2023

Desconfortável

Uma vitória tão importante quanto complicada num jogo durante o qual me senti sempre desconfortável. Não fizemos uma boa exibição, e uma segunda parte excepcionalmente pálida - ao contrário do que por vezes fazemos, desta vez jogámos pior no regresso do intervalo - poderia ter deitado tudo a perder. Mas a verdade é que se me senti desconfortável a ver este jogo, a sensação agora é pelo contrário muito confortável.

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Tendo em conta a habitual aversão do nosso treinador a mudanças, foi por isso surpreendente quando a constituição da equipa apresentou três alterações. O regresso (esperado) do Bah para o lugar do Gilberto, e as entradas do Gonçalo Guedes e do Neres para os lugares do Chiquinho e do Rafa, com o consequente regresso do Aursnes à sua posição de origem no meio campo. De início, assistimos ao tipo de jogo esperado. Muita posse de bola do Benfica, jogo quase sempre disputado no meio campo do Vizela, junto à sua área, e o Benfica a jogar um futebol suficientemente encorajador para que se pensasse que poderíamos chegar rapidamente ao golo. O problema foi quase sempre a altura da decisão - um pormenor que me conseguiu irritar, por exemplo, foi vero Gonçalo Guedes isolar-se por três vezes sobre a esquerda. Em duas delas, 'esperou' pelo defesa de forma a poder puxar para dentro e rematar, com o remate a acabar por bater num adversário. Na outra voltou a esperar, para depois fazer o passe para o Gonçalo Ramos que apareceu ainda mais pela esquerda, e o remate deste foi por sua vez também interceptado por um defesa. Mas apesar do Vizela ter passado a fase inicial quase toda enfiado na defesa, de repente descobriu que utilizando os processos mais simples conseguia criar perigo. E por processos mais simples, entenda-se 'chutão para a frente'. O que acaba por ser um atestado de ineficácia à nossa forma de defender, que nestas situações acabava quase sempre por deixar um ou dois jogadores do Vizela, no máximo, contra outros tantos defesas. Sempre sobre a direita da nossa defesa, onde o Bah voltou a assinar uma exibição muito pobre, a primeira tentativa resultou num amarelo para o Otamendi que só encorajou os da casa a entrar numa postura de contestação e pressão constante sobre a equipa de arbitragem. Na segunda tentativa, o adversário apareceu isolado à frente do Vlachodimos, que conseguiu defender com o pé. Vlachodimos que depois borrou a pintura ao controlar mal uma bola atrasada pelo António Silva, que resultou na recuperação de bola por parte do Vizela e só não acabou em golo porque o jogador do Vizela atirou disparatadamente para as nuvens. Quase de seguida, a sete minutos do intervalo, conseguimos chegar ao golo. Apesar do maior domínio territorial do Benfica, o golo surgiu de contra-ataque. A bola foi conduzida pela esquerda pelo Gonçalo Guedes, que demorou a soltar a bola na altura certa, mas a tentativa de corte do defesa fez a bola ressaltar nos seus pés e seguiu para o Neres. Este progrediu até à área e depois meteu a bola no meio, onde apareceu o quase inevitável João Mário para finalizar. E tivemos uma ocasião muito boa para chegar ao segundo golo já mesmo a terminar a primeira parte, em novo contra-ataque em igualdade numérica com a defesa do Vizela, mas mais uma vez o Gonçalo Guedes não soltou a bola na altura certa para o Neres e quando o fez, deixou a bola nos pés de um defesa.

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A primeira parte não tinha sido completamente do meu agrado mas nem tinha sido desastrosa, por isso a minha ambição era que ao intervalo se corrigisse o que estava errado e, como tem acontecido diversas vezes esta época, voltássemos muito melhor. Puro engano, o que aconteceu foi exactamente o contrário e na segunda parte devemos ter feito uma das exibições menos conseguidas esta época, ao nível daquilo que tínhamos jogado em Guimarães. Não me consigo recordar de uma única ocasião realmente perigosa que tivéssemos criado durante a segunda parte. Para além de sermos quase inofensivos no ataque, fomos também incapazes de controlar o ritmo de jogo ou manter a posse de bola. Perdemos claramente no capítulo da agressividade, com quase todas as bolas divididas e segundas bolas a acabarem na posse dos jogadores do Vizela. Obviamente que o resultado disto foram situações de perigo a começarem a aparecer junto da nossa baliza. Jogámos mal, fomos inexistentes no ataque e inseguros na defesa, o que é normalmente uma receita certa para o insucesso. Do banco, a reacção que veio foi à hora de jogo trocar o Gonçalo Guedes pelo Chiquinho, devolvendo o Aursnes ao lado esquerdo e mudando o João Mário para a direita. Não resultou, não foi por isso que passámos a ter maior qualidade na gestão da posse de bola ou critério na organização atacante e pouco depois o Vizela teve a maior oportunidade de todas, quando na mesma jogada conseguiram acertar primeiro na barra e depois na recarga enviaram a bola ao poste, embora eu tenha ficado com a sensação de que se fosse golo talvez a jogada acabasse anulada por fora de jogo porque me pareceu que o jogador que fez o remate à barra estaria adiantado. Lá nos fomos aguentando - mas verdade seja dita que à medida que o jogo foi caminhado para o final o Vizela foi perdendo ímpeto e deixou de criar ocasiões - e a sete minutos do final fizemos uma dupla substituição que se veio a revelar decisiva. O Rafa e o Musa renderam o Gonçalo Ramos e o Neres, e o Musa acabou por ter um papel fundamental nos poucos minutos que restaram. Primeiro, ao sofrer a falta que resultou no segundo amarelo ao defesa do Vizela, que nos deixou em vantagem para os três minutos finais mais tempo de compensação. E é de notar que apenas quando ficámos em superioridade numérica é que me pareceu que a equipa acalmou e conseguiu fazer posse de bola com cabeça de forma a acalmar o ritmo de jogo. A segunda contribuição decisiva do Musa foi quando recebeu na área uma bola vinda de um lançamento de linha lateral do Bah e conseguiu segurá-la para depois a colocar na zona central. O Grimaldo apareceu solto, e quando se esperaria um remate de primeira preferiu puxar a bola para dentro, sofrendo penálti claro. O João Mário avançou para o converter sem tremer, selando assim uma vitória muito suada - daquelas que também fazem campeões. Na celebração do golo, o Roger Schmidt pelos vistos acabou por perder a compostura depois de passar o tempo todo a ser abusado pelos adeptos que estavam atrás do banco (que suspeito que se eram adeptos do Vizela, devem ter o Vizela como segundo clube) e foi expulso. O que seria bom era que também conseguissem pelo menos identificar o adepto que atirou a garrafa ao nosso treinador, de forma a bani-lo dos estádios.

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Não tendo eu gostado particularmente da qualidade da nossa exibição, tenho dificuldade em fazer grandes elogios individuais. Mas tendo o João Mário marcado os dois golos, surgindo mais uma vez no local certo na altura certa, ele é o maior destaque. A mencionar outros, o Vlachodimos, o Grimaldo ou o Neres estiveram num nível aceitável.

 

Numa semana em que o Benfica foi mais uma vez selvaticamente atacado e as tentativas de destabilização foram incessantes, esta vitória foi importantíssima. É curioso que bastou o processo no qual o Benfica está envolvido ter sido transferido para a comarca de Palermo do Norte para que as fugas de informação se multiplicassem exponencialmente. Mas é como já escrevi, em Portugal a violação do segredo de justiça só é crime se for o Paulo Gonçalves a fazê-la. O resultado de todas estas manobras foi, após o jogo que acabou de terminar no Ladrão, nulo. Entramos em Março e a cáfila está exactamente aos mesmos oito pontos a que estava no início de Novembro, quando fomos lá ganhar e eles colocaram em marcha mais esta investida. E é esclarecedor que neste momento estejamos quase todos estupefactos por termos visto uma arbitragem quase normal no Ladrão (o Pepe voltou a escapar impune, mas é o Pepe por isso acaba por ser quase a normalidade também, além de que até ficaria mal expulsar alguém que tanta porrada e violência gratuita distribuiu com classe pelos relvados do mundo no dia do seu 40º aniversário). É o que dá 40 anos 'disto'. 'Isto' é um fenómeno quase impossível de explicar racionalmente, no qual o maior clube do país (Benfica) é quem mais investe na sua equipa de futebol, montou um monstruoso e intrincado esquema de corrupção e influências para controlar os bastidores do futebol, e mesmo assim consegue ganhar muito menos do que o clube que se diz sempre perseguido. É caso único no mundo, um espectacular diploma de competência de uns e um fabuloso atestado de incompetência de outros. Enfim, é continuarmos imperturbáveis pelo caminho que sabemos ter que percorrer.

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publicado por D'Arcy às 18:28
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21 comentários:
De Luís Manuel a 28 de Fevereiro de 2023
Olá D'Arcy, e obrigado pelo post.

E antes de mais, claro, parabéns ao Maior Clube do Mundo, a todos os seus adeptos e associados, que em qualquer lugar do planeta vibram e lutam pelo Clube. Lamentavelmente, esteve presente na Gala desta noite um miserável (tenho de ficar por aqui) que tanto mal nos fez, deseja e continuará a fazer. Só a presença dessa canalha é um insulto ao nosso Clube.

Jogo muito, muito difícil em Vizela. Reconheço que não fizemos o nosso melhor jogo, e estou curioso para ver como decorrerá o próximo jogo do Vizela. Diz-se que estas coisas, quanto tomadas em boas doses, deitam o pessoal um bocado abaixo nos dias que se seguem.

Circo montado durante toda a semana, os nossos inimigos a apostarem mais não sei quantas fichas, um clima estúpido e violento criado contra nós por super-macacos estrategicamente colocados atrás do banco do Benfica, com a permissividade da polícia, dos stewards e de árbitros e quartos árbitros/delegados ao jogo que subitamente ficaram cegos e surdos e só acordaram quando o nosso treinador se cansou de ser insultado, agredido e cuspido durante todo o jogo. Bandidos que nos vão criar estes género de ambientes sempre que jogarmos fora. Temos de lutar contra tudo isto, e acredito que vamos lutar com todas as nossas forças. Mandem-nos jornaleiros, junta-letras e super-macacos, instaurem e ressuscitem mais processos contra nós e transfiram-nos para a comarca de Palermo. Lutaremos contra tudo isso, jogando melhor ou pior, como pudermos e conseguirmos, mas sempre em campo.

Todos os jogos até ao fim serão parecidos ou iguais a este. Agora é concentração total no próximo, com o Famalicão. Mais fichas apostadas, mais armadilhas que hão de vir durante esta semana.

Força, Benfica!

P:S.: Ficou tudo boquiaberto porque os árbitros e o var, no antro, desta vez foram uma bosta. Costumam ser mansos, desta vez foram um monte de trampa que se acagaçaram todos mais uma vez e não tiveram coragem para expulsar um selvagem que nem na Turquia teve carta branca para agredir colegas de profissão. Só mesmo no calor da noite é que esta besta tem o acolhimento que tem, sob o alto patrocínio da FPF, Liga e Conselho de Arbitragem. O "herói" da selecção de Portugal. Não faltará muito e será recebido com beijinhos e abraços na Assembleia da República, como o fugitivo de Vigo.
De Pedro Qwara a 1 de Março de 2023
O maior clube do mundo faz 119 anos…Parabéns Benfica!
E Pluribus Unum!
De Anónimo a 1 de Março de 2023
Vasco da Gama chegou á Índia,
ao Brasil chegou Cabral,
mas foi o Benfica de Eusébio,
que pôs no mapa Portugal .
De Anónimo a 1 de Março de 2023
Estou aqui na província, no meio do pinhal, sem net, porque uma vez mais, alguém derrubou o cabo que traz a fibra óptica. Mas não importa, comprei dados móveis só para vir aqui dizer VIVA O BENFICA!
De Nick Name a 1 de Março de 2023
Ainda não sabemos o que vai acontecer até ao fim da época, e 8 pontos de vantagem não são garantia suficiente, há que continuar a lutar. Mas uma coisa é certa: estamos num paradigma completamente diferente daquele em que estávamos há 1 ano, com uma equipa que joga, um bom plantel, um grande treinador e um ambiente positivo em redor do clube. Há um grande responsável pelo salto quantitativo que demos de 2022 para este ano e chama-se Rui Costa. Foi ele quem decidiu mudar muita coisa, incluindo contratar um treinador que muitos (eu, por exemplo) conheciam mal. Ainda me lembro que quando o nome foi anunciado havia quem afirmasse preferir o Bruno Lage, e alguns até queriam manter o Nelson Veríssimo! Afinal, com Roger Schmidt descobrimos que o Benfica podia voltar a jogar à Benfica e a entusiasmar os seus adeptos como já não acontecia há muito tempo.
Roger Schmidt e os jogadores merecem elogios, mas é bom não esquecermos que o grande mérito de Rui Costa, que era acusado de indecisão mas que afinal foi capaz de tomar as decisões certas.
De Anónimo a 1 de Março de 2023
Á boa maneira portuguesa Rui Costa foi enxovalhado e desacreditado mesmo antes de ter a oportunidade de mostrar o que quer que fosse, enquanto presidente do SLB…Felizmente para ele e para todos nós as coisas estão a correr bem, ele merece.
De Luis Agostinho a 1 de Março de 2023
E, no que eu considero uma afronta ao Benfica e aos Benfiquistas, vamos levar novamente com "o pasteleiro".

Na minha opinião, o sistema fruteiro está já a preparar o jogo da Madeira, sendo que o Chiquinho está lesionado e, imagine-se quem está com 4 amarelos...o Aursnes e o Florentino, pois claro.

Após "40 anos disto" eles já só enganam quem quer ser enganado.

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