Uma despedida da época na Luz muito tranquila, coincidente com a despedida ao Rafa. Foi uma goleada que até peca por escassa, com dois golos dele, numa tarde que para além disso só terá ficado marcada pela excelente operação de relações públicas pelo nosso treinador lançada pela principal claque do Benfica. Com o seu habitual tacto, conseguiram virar praticamente todo o resto do público contra eles, e o Roger Schmidt certamente terá agradecido o desviar das atenções.
Duas equipas sem objectivos, num jogo de final de época. Mesmo assim não houve lugar a experiências. No Benfica, e com as ausências forçadas do Marcos Leonardo e o Cabral, o Rafa foi o jogador mais avançado. Também previsível era que com a indisponibilidade do Neres, o nosso treinador aproveitasse para enfiar mais uma vez o João Mário no onze. De uma forma simples, o jogo pode descrever-se pelo falhanço completo da defesa em linha do Arouca. A tentativa de jogar com a defesa muito subida e a armadilha de fora de jogo falhou completamente e providenciou o cenário ideal para a despedida do Rafa, que normalmente agradece todo aquele espaço livre à sua frente. Os primeiros minutos até deixaram antever que teríamos uma exibição vintage do Rafa, já que primeiro desperdiçou uma ocasião ao não fazer o passe para o Di María, e depois falhou ele uma oportunidade isolado, permitindo a defesa ao guarda-redes. O Arouca ainda conseguia equilibrar na posse de bola, já que tem uma equipa com bons jogadores e bem organizada, mas com a defesa a falhar constantemente a casa começou a ruir assim que o primeiro golo entrou, aos vinte e cinco minutos, quando o Benfica já tinha desperdiçado outras boas ocasiões, incluindo . Penálti por mão na área, o Rafa recusou marcá-lo e o Di María tratou do assunto. O segundo apareceu pouco depois da meia hora e outra vez de penálti, depois de mais uma bola metida nas costas da defesa arouquense, pelo Di María. A tentativa do fora de jogo falhou e o Kökçü isolou-se, chegando primeiro do que o guarda-redes à bola e sendo derrubado. O turco encarregou-se de converter o penálti desta vez (mais uma vez o Rafa não quis marcá-lo) e tal como o Di María enviou a bola para um lado e o guarda-redes para o outro. O momento alto apareceu já quase sobre o intervalo: o Rafa combinou com o Aursnes na direita e apareceu solto na área, perto da esquina. De forma até surpreendente, decidiu-se pelo remate e colocou a bola bem junto do ângulo mais próximo, num remate quase à futsal. Grande golo.
E o Rafa começou a segunda parte como terminou a primeira, a marcar. Foi logo no segundo minuto, em que recebeu de costas para a baliza a bola vinda do Carreras, virou-se sobre o defesa que o marcava, aguentou a falta, evitou um segundo defesa e à saída do guarda-redes, picou a bola. Mais um grande golo, que foi festejado com dedicatória ao Pizzi, já que ao marcá-lo o Rafa igualou o Pizzi na lista de marcadores pelo Benfica. Se o jogo já estava praticamente resolvido antes, ainda mais ficou. A única dúvida seria mesmo quantos golos mais conseguiria o Benfica marcar, porque o Arouca foi pouco menos que inofensivo no ataque - se a memória não me falha, o Trubin apenas teve que fazer uma defesa durante todo o jogo, e foi um remate inofensivo. Esteve mais em jogo só porque os colegas lhe passavam a bola e o envolviam na saída de bola, caso contrário não teria tido nada mais para fazer. Houve mais ocasiões para marcarmos (um falhanço inacreditável do João Mário, sem exagero a um metro da linha de golo) e em algumas situações a armadilha do fora de jogo até funcionou mesmo - o que por exemplo resultou num golo anulado ao Di María, a passe do Rafa (e seria mais um bonito golo, com um chapéu ao guarda-redes). A quinze minutos do final o Benfica fez mais duas substituições (antes já tinha entrado o Morato e o Tiago Gouveia para os lugares do António Silva e Florentino) e entraram o Rollheiser e o Tengstedt para os lugares do Di María e do Kökçü, e na primeira vez que o dinamarquês tocou na bola desmarcou-se a passe do Rafa (mais um passe para as costas da defesa), contornou o guarda-redes e marcou de ângulo apertado, sobre a direita. Até final, tempo para a substituição já perto do final do Rafa para o merecido aplauso - entrou para o seu lugar o jovem João Rêgo, para fazer a estreia pela equipa principal. E ainda estivemos muito perto do sexto golo pois o Rollheiser, uma vez mais isolado, falhou o golo de forma incrível atirando ao lado, e mesmo a fechar o João Rêgo teve por duas vezes na mesma jogada o golo nos pés.
O homem do jogo é o Rafa, que quando tem pela frente tanto espaço para explorar agradece. Marcou dois golos, fez uma assistência (e podiam ter sido ainda mais, pois foram dele os passes para a bola do João Mário ao poste ou para o golo anulado ao Di María) e deixou-nos com uma imagem do melhor Rafa. Está longe de ser um jogador unânime, por vezes sofre apagões inexplicáveis, mas falando por mim, é um dos meus jogadores preferidos e vou sentir saudades. Foram oito épocas a vê-lo com a nossa camisola e em muitos jogos a esperar que viesse dele o rasgo que resolveria um jogo, o que fez por diversas vezes e em jogos importantes. Outras boas exibições do inevitável João Neves e do Kökçü, que andámos a maior parte da época a desperdiçar em posições mais recuadas. Acrescento ainda que se possível, se deixem de inventar na posição de lateral esquerdo. Que se contrate mais um, para termos uma opção, mas que se mantenha o Carreras, que provavelmente se tivesse começado a jogar regularmente mais cedo já estaria ainda melhor. Parece-me estar claramente a progredir à medida que ganha experiência e confiança e tem muita margem de progressão. Gosto da largura que ganhamos ao jogarmos com um lateral de raiz.
A Luz fechou as portas por esta época, uma época nada memorável. Há muitas decisões a tomar, que acima de tudo devem ser tomadas com ponderação e não a reboque de gritaria, cuspidelas, garrafadas e tochas. Não espero também autênticas revoluções no plantel, na minha opinião existe qualidade em quantidade, apenas necessitamos de alguns retoques em posições específicas. Revoluções normalmente significam recomeçar do zero, e eu sei que esta época não foi boa mas também não foi propriamente zero. Lá estarei de regresso ao meu lugar em Agosto.
P.S.- Parabéns às nossas mulheres, que conquistaram com todo o mérito o tetracampeonato apesar de uma personagem fechada numa cabine ter tentado o que podia para o entregar a outra equipa. Desde que esta equipa nasceu que só sabe ganhar, primeiro na segunda divisão, depois na primeira - e poderia ser pentacampeã se o campeonato não tivesse sido anulado na época da COVID. Falta apenas mais um jogo para conseguirem o pleno das competições nacionais esta época, o que seria mais um marco memorável na história desta equipa.
bola nossa
-----
-----
Diário de um adepto benfiquista
Escolas Futebol “Geração Benfica"
bola dividida
-----
para além da bola
Churrascos e comentários são aqui
bola nostálgica
comunicação social
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.