Mais pontos inaceitavelmente desperdiçados, por via de um empate nos Açores por culpa exclusivamente nossa. Quando há falta de quase tudo, não se pode esperar que nos continuemos consistentemente a safar com os três pontos. Falta de qualidade (no campo e na orientação a partir do banco), falta de empenho, falta de brio, falta de lucidez, e somando todas estas faltas, para mim o que falta mesmo acima de tudo é profissionalismo.

Já nem me apetece estar a escrever sobre os jogos ou o futebol apresentado pela nossa equipa, porque é sempre a mesma coisa. Sempre. Entrámos bem no reinício da primeira parte, depois do jogo que nem deveria ter iniciado ter sido interrompido ontem ao fim de cinco minutos. Estivemos toda a primeira parte em cima do adversário, que jogou o tempo todo com toda a gente atrás da linha da bola e mal passou do meio campo. O domínio do Benfica resultou num golo do Darwin, a finalizar uma jogada muito boa entre ele, o Waldschmidt e o Rafa. Um golo de vantagem era até curto para o que jogámos nos primeiros quarenta e cinco minutos. Ao intervalo comentávamos entre amigos que até estávamos a jogar bem, mas que agora era preciso ver se não voltávamos a apresentar o habitual comportamento de vir completamente desligados depois do intervalo. Claro que foi isso que aconteceu. É que nem seria necessário estarmos toda a segunda parte em cima do Santa Clara como o fizemos na primeira, bastaria pelo menos manter alguma intensidade no jogo. Mas não, nada disso. Regressámos para a segunda parte (no início da qual perdemos o Gilberto por lesão) e como habitualmente, assim que fomos um pouco pressionados perdemos completamente a calma e começámos a tremer. Estivemos quinze minutos literalmente a ver o adversário jogar até que empatassem, com um golo do nosso ex-jogador Fábio Cardoso. A reacção imediata do banco devia, para mim, dar direito a multa pesada com justa causa: a precisar de voltar a marcar, retirámos um avançado do campo que até nem estava a jogar particularmente mal (Waldschmidt) e metemos o Pizzi, que esteve este tempo todo sem treinar com a equipa por causa da COVID-19. O empecilho Taarabt, claro está, continuou naturalmente em campo até perto do final. Depois nos minutos finais, em desespero, fizemos entrar mais um avançado, que teve que ser o quase esquecido Ferreyra. Andámos o resto do tempo a correr atrás do prejuízo que nós próprios causámos, mas perto do final do jogo foi exibida uma estatística que exemplificou bem o resultado destas alterações tácticas: a precisar de marcar, o Benfica estava há vinte e sete(!) minutos sem rematar. Como ainda foram adicionados oito minutos de compensação e não me recordo de nenhum remate do Benfica nesse período, estivemos portanto mais de meia hora sem fazer um remate. Parece-me que não é preciso muito mais para exemplificar a objectividade do futebol actual praticado pelo Benfica do Jorge Jesus.

Só para manter o hábito de destacar alguém, escolho o Vertonghen. Não foi por ele que o Santa Clara empatou, e no período inicial da segunda parte em que estivemos a ver o adversário jogar, se não tivesse sido ele acho que o empate teria surgido mais cedo.
Esta equipa do Benfica, a quem não foi cortado um cêntimo dos seus salários em tempo de pandemia, a quem são dadas todas as condições mais do que ideais para fazerem aquilo para que são principescamente pagos, é repetidamente superada em vontade e crer dentro do campo por qualquer outra equipa que nem metade das condições tem. Estes jogadores andam repetidamente a não dignificar o emblema que representam. E não digo isto pelos resultados negativos, porque esses podem sempre acontecer por razões fora do nosso controlo. O problema não são os maus resultados, é a forma como eles acontecem. Perder quando se dá tudo para ganhar acontece. Mas quando não ganhamos e no final ficamos com a sensação que isso foi porque nós próprios criámos as condições para que isso acontecesse, é muito difícil de aceitar.
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