VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 5 de Novembro de 2023

Feio

Vitória justa num jogo feio e de muita luta. Foi melhor o resultado do que a exibição, mas ganhou a equipa que mais fez por isso e assim aproveitámos o resultado surpreendente do Estoril no Porto para fugir a um adversário directo na classificação.

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O onze do Benfica confirmou aquilo que eu não desejava, a manutenção do esquema táctico apresentado em Arouca. Não sou, por princípio, adepto de tácticas com três centrais. Não é algo com grande tradição no Benfica e a mim só me trazem memórias dos piores momentos da última passagem do Jorge Jesus no nosso clube. A primeira parte nada mais fez do que reforçar as minhas más impressões sobre este sistema. Perante um autocarro muito bem estacionado pelo Chaves, o Benfica não manifestou qualquer arte ou engenho para lhe dar a volta. Regra geral uma táctica com três centrais costuma ser utilizada para libertar e encorajar o avanço dos laterais, de forma a servir os jogadores mais avançados a partir das alas. No caso do Benfica, apresentamos este esquema táctico jogando sem laterais, com dois médios centro adaptados a essas posições (Aursnes e João Neves) e sem nenhuma referência na área. É inovador, certamente, mas o resultado prático na primeira parte foi mais ou menos previsível. Na minha opinião voltámos a deitar literalmente fora metade do jogo com uma exibição muito pobre, em que mais uma vez tivemos imensa posse de bola estéril. Muito por culpa de exibições apagadas de todos os jogadores de características mais ofensivas, que raramente acertavam dois passes seguidos ou conseguiam controlar uma bola em condições. Ao intervalo comentava que o jogo estava feio, o campo pesado, estava vento, chuva, os jogadores do Chaves estavam a jogar duro, e que estava farto de ver 'borboletas' no nosso ataque. Por isso esperava que entrasse algum 'calhau' para andar aos encontrões aos defesas e servir de referência na área - na primeira parte, por exemplo, ficou-me na memória um momento em que estivemos a preparar uma jogada durante uns trinta segundos, a trocar a bola de um lado para o outro, para depois a cruzarmos para a área onde não estava absolutamente nenhum jogador nosso.

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Acabou por entrar o Cabral para o lugar do Gonçalo Guedes, e se é verdade que a qualidade do nosso futebol não melhorou por aí além, pelo menos começámos a criar mais situações de finalização e não estivemos sempre tão longe da baliza adversária. Mas claro que persistia o problema de dar a volta ao autocarro do Chaves, o que continuava a parecer pouco provável de acontecer porque o Benfica não estava, de todo, a submeter o Chaves a qualquer tipo de pressão sufocante. Seria preciso acontecer algo excepcional para chegar ao golo, e foi mesmo isso que o João Neves se encarregou de fazer ao fim de um quarto de hora. Pela direita, foi deixando adversários pelo caminho até entrar na área e ganhar a linha de fundo, para depois fazer o passe atrasado. A bola iria para o Cabral mas o guarda-redes ainda conseguiu tocar-lhe ligeiramente com a ponta dos dedos, o que fez com que o Cabral apenas conseguisse desviá-la de forma destrambelhada na direcção da baliza (ele acabou por escorregar quando tentou ir buscar a bola mais atrás depois do toque do guarda-redes e desviar a bola com a bunda). Um defesa do Chaves conseguiu o corte em cima da linha, mas o Aursnes estava lá para fazer a recarga para golo. Honestamente, pareceu-me que a bola do Cabral até ultrapassou completamente a linha de golo, mas a Liga resolveu atribuir o golo ao Aursnes, o que me faz pensar que se por acaso ele não estivesse ali para fazer a recarga provavelmente não nos dariam aquele golo. Com o principal problema resolvido, agora era esperar que não resolvêssemos recuar e permitir a reacção imediata do adversário, mas logo a seguir levámos com uma bola na barra, num remate forte e cruzado que o Trubin ainda desviou muito ligeiramente. E com este lance o Chaves pareceu despertar um pouco e finalmente desmontou a sua estratégia fortemente defensiva. O Benfica respondeu com a entrada de mais um avançado a vinte minutos do fim, o Tengstedt, que substituiu um apagadíssimo Di María que na verdade já não justificava a presença em campo há bastante tempo. E o golo da tranquilidade surgiu a dez minutos do final, num penálti marcado pelo João Mário. Sobre o lance, se fosse assinalado penálti a favor de qualquer outra equipa seria penálti óbvio. Como foi a favor do Benfica, conseguimos logo ver um coro que acha que uma mão na cara do João Neves, que é sempre falta em qualquer situação ou posição no campo, não era falta, e portanto não era também penálti. Pior ainda, até consigo ver benfiquistas armados em moralistas a juntar-se ao coro (é incrível como conseguimos sempre arranjar gente para fazer o serviço dos outros). Não é agressão, é certo, mas é falta. E se é falta dentro da área, é penálti. É incrível que se tenha que estar a defender a justeza deste lance, o que só acontece, repito, porque foi assinalado a favor do Benfica. De tão absurda que é a argumentação de que não é penálti, cito a avaliação que o Duarte Gomes fez n'A Bola sobre o lance:

"Só emoções momentaneamente alteradas ou o desconhecimento das regras pode levar alguém a defender que o lance entre Bruno Langa e João Neves não justificava o pontapé de penálti. Reparem: bola no chão a ser jogada com o pé, braço direito (cá em cima) levantado quase na horizontal e chapada de mão aberta na cara do adversário. A imprudência é exactamente isto: a falta de cuidado/atenção que um jogador tem quando disputa a bola com um adversário. Não é preciso haver malícia nem intenção, isso é irrelevante tecnicamente."

Entretanto, com o jogo resolvido, e como não há fome que não dê em fartura, de não termos avançados centro de raiz em campo na primeira parte passámos para acabar o jogo com três, após a entrada do Musa para o lugar do Rafa. Que poderia ter dado resultados imediatos, pois uma boa jogada de entendimento entre ele e o Cabral terminou com um remate cruzado do primeiro e o terceiro golo do Benfica. Mas o VAR entrou em acção e sempre que vemos o tempo de decisão a aumentar já sabemos que deve estar a ser cozinhada uma linha conveniente, que neste caso descobriu uma posição irregular ao Musa e anulou o golo. É suposto acreditarmos na justeza de um VAR que não foi capaz de detectar que a bola do Cabral tinha ultrapassado a linha de golo, mas que conseguiu determinar que o Musa estava 9 cm deslocado. Nestes lances o VAR simplesmente anula ou valida golos de forma aleatória ou conforme lhe apetece. Toda a gente viu de que forma foi traçada uma linha completamente errada de forma a permitir a anulação do golo do empate do Boavista frente ao Sporting, como o mesmo clube foi beneficiado com nova linha errada para validar um golo claramente ilegal contra o Casa Pia, mas quando ficamos à espera longos minutos para anular um golo por meros centímetros, é suposto acreditarmos. Ainda ontem vi dois golos serem anulados desta forma à nossa equipa B, quando em imagem corrida nenhum deles pareceu ter qualquer ilegalidade.

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O João Neves é o homem do jogo. Desfez o nulo com a sua iniciativa individual e sofreu o penálti que resultou no segundo golo. O Aursnes conseguiu estar num nível aceitável e na medida do possível foi sempre tentando dar profundidade pelo seu lado. Os centrais, em particular o António Silva e o Otamendi, estiveram num bom nível e em termos tácticos a entrada do Cabral foi importante.

 

Foi uma vitória importante, mas mantenho que não gosto nem sinto confiança neste esquema táctico. E espero que não seja esta a opção tomada para os próximos dois jogos, que serão bastante importantes. É uma preferência pessoal, não só por não gostar desta táctica, mas também porque nos dois jogos que fizemos com ela a qualidade do futebol apresentado em nada melhorou e continuou a deixar muito a desejar - se tivesse visto melhorias notórias, então teria que dar o braço a torcer. Enfim, seja qual for a opção tomada, é ficar à espera do melhor, porque estes dois jogos podem ser muito decisivos para o que resta da época.

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publicado por D'Arcy às 20:04
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12 comentários:
De Pedro Qwara a 5 de Novembro de 2023
Começar sem ponta de lança e acabar com três, pelo meio muita posse de bola, completamente inócua e apenas cinco remates enquadrados.
O Benfica passou grande parte do jogo a esbarrar contra a muralha de Chaves e parecia que quanto mais esbarrava, mais teimava em esbarrar…Valeu a tenacidade do jovem João Neves, hábil a contornar a muralha e a contribuir decisivamente para uma vitória preciosa.
Também me pareceu que o golo devia ter sido atribuído ao Cabral, poderia nem ser candidato ao prémio Puskás, mas seria certamente um dos golos mais insólitos da história do futebol.
E Pluribus Unum!
De Armando Cravo a 6 de Novembro de 2023
Eu, pelas imagens vistas e revistas, também acho que o golo é do Cabral e que o golo do Musa, não tem nada de fora de jogo!...
Está provado, que o VAR foi criado, para manipular os resultados a seu bel-prazer, de acordo com as conveniências!...

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