VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2020

Fundamental

Uma vitória importante e inteiramente merecida contra um adversário incómodo e num relvado impróprio para consumo, mas arrancada a ferros muito por culpa própria.

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O Marítimo nos Barreiros é sempre complicado e o Lito Vidigal é um dos treinadores mais irritantes de defrontar, pelo apego que demonstra ao antijogo. As equipas dele normalmente estão apenas interessadas em não deixar que se jogue futebol enquanto não estão a perder, e não olham a meios para manter o nulo no marcador. O Benfica, que entrou em campo com o onze mais do que esperado face aos jogadores que estão disponíveis, tentou resolver este problema o mais depressa possível. Até porque, com o relvado já num estado lastimável (o que também já é habitual na Madeira) e a chuva que caía, era previsível que à media que o tempo passasse a situação fosse ficando cada vez mais complicada. Entrámos fortes e a pressionar o adversário, que se acantonou na sua área e cedo começou a recorrer ao estratagema de ter jogadores a pedir assistência médica para quebrar o ritmo de jogo - em particular o guarda-redes, o que também já é um clássico. Mas para piorar a situação, a fechar o primeiro quarto de hora o Marítimo colocou-se em vantagem completamente contra a corrente do jogo. Um balão para a frente, que não foi mais do que um alívio feito por um defesa à entrada da sua área, acabou por resultar em mais um, e cada vez mais habitual, tremendo erro individual do Otamendi, que praticamente sem pressão acabou por colocar a bola nos pés do Rodrigo Pinho quando a tentou atrasar para o Vlachodimos, deixando o avançado do Marítimo isolado para marcar. Felizmente a nossa equipa não se deixou abater e reagiu bem ao golo, sendo particularmente perigosa pelo lado esquerdo, onde o Everton e o Grimaldo estavam bastante activos. Foram mesmo estes dois quem construiu a jogada do golo do empate pouco depois da meia hora, com o Grimaldo já dentro da área a fazer o passe para o Pizzi finalizar de pé esquerdo. Continuou o Benfica a pressionar e o jogo a ter quase sentido único (a posse de bola do Benfica chegou a estar perto dos 80%) enquanto o Marítimo defendia o empate como podia, e raramente ia tentando uma ou outra saída para o contra-ataque. Perto do intervalo o Rafa quase marcou: recebeu no meio da área, rodou bem, mas o remate acabou ligeiramente desviado no limite por um defesa do Marítimo. E depois nova situação para o Benfica, onde o Seferovic se desmarcou apanhando a defesa do Marítimo em contrapé mas depois o passe para o Waldschmidt, que estava em excelente posição, saiu um pouco adiantado demais.

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Com o empate a saber claramente a pouco, o Benfica reentrou no jogo com a mesma atitude e à procura da vantagem. O golo, felizmente, surgiu cedo. Com seis minutos decorridos, uma jogada rápida do Benfica depois de uma reposição de bola permitiu ao Everton, no interior da área e pela esquerda depois de receber um passe do Seferovic, tirar o seu marcador do caminho com um toque e depois rematar cruzado para o poste mais distante. Bom golo do brasileiro, que tem atravessado uma fase de menor fulgor depois de um bom início de época. Em desvantagem, o Marítimo finalmente abriu um pouco mais, o que nos permitiu mais espaço no ataque que, se tivesse sido mais bem aproveitado, nos teria permitido construir um resultado mais tranquilo e assim evitar as habituais preocupações perto do final dos jogos quando a vantagem é mínima. Mas o Marítimo nunca foi um adversário perigoso e não me recordo de ver qualquer ocasião em que estivessem sequer perto de chegar ao empate. É verdade que nos minutos finais conseguiram melhorar na posse de bola e aparecer mais vezes no nosso meio campo e junto à nossa área, mas não criaram nenhuma oportunidade de golo e o Vlachodimos não foi obrigado a ter qualquer intervenção difícil. Acho que só num canto já em período de descontos (que se não foi o único pontapé de canto do Marítimo em todo o jogo, andou perto disso, enquanto que o Benfica terá tido pelo menos uma dúzia deles) o vi sair a soco para afastar a bola. A partir do momento em que o Benfica se colocou em vantagem o jogo ficou praticamente decidido, porque o Marítimo não pareceu ter qualquer plano de jogo alternativo ao antijogo para segurar um resultado, mostrando-se desconfortável na posição de ter que assumir as despesas do jogo. Mas acho que o Benfica deveria ter sido capaz de fazer mais mesmo em vantagem.

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Destaque no Benfica vai para o Everton, pelo golo decisivo que marcou e por ter estado num nível bastante mais alto do que aquele que vinha apresentando nos últimos jogos. Dele espera-se que seja um jogador decisivo, e foi isso mesmo que ele fez hoje. O Grimaldo também esteve num bom nível. Pela negativa, mais uma vez o Otamendi. Por muito menos do que a inacreditável sequência de erros crassos e básicos que ele tem cometido neste seu início no Benfica já eu vi vários jogadores na história do nosso clube comprometerem irremediavelmente a sua carreira com a nossa camisola. Não quero estar a alongar-me mais sobre o assunto, até porque a minha opinião sobre ele ainda antes de ter disputado um só minuto com a nossa camisola já era negativa, por isso estou longe de poder avaliar esta situação com imparcialidade.

 

Era fundamental vencer para evitar a tempestade que inevitavelmente se abateria sobre a nossa equipa caso tal não acontecesse - não que isto impeça muita gente de a tentar fazer na mesma, quer criticando a exibição do Benfica, quer tentando à força colar a vitória do Benfica a eventuais casos de arbitragem. O facto é que apenas uma equipa jogou para ganhar este jogo, e apenas uma equipa o mereceu vencer, e essa equipa foi o Benfica. Mesmo que não tenha sido das exibições mais glamorosas, fizemos mais do que o suficiente para justificar claramente a vitória.

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publicado por D`Arcy às 22:45
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