VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2019

Gigantes

Demos um enorme passo na eliminatória ao conseguirmos pela primeira vez na nossa história ganhar um jogo na Turquia. Para muitos dos que olharam para o onze inicial da nossa equipa isto deveria parecer quase impossível mas os nossos 'meninos do Seixal' foram gigantes e deram uma prova de grande carácter, qualidade e confiança, deixando-nos numa situação muito favorável para passarmos à próxima eliminatória. 

 

 

Depois de um jogo praticamente perfeito, no qual conseguimos um resultado histórico, o que é que o nosso treinador resolveu fazer? Trocar seis dos titulares nesse jogo (André Almeida, Grimaldo, Samaris, Gabriel, Rafa e Pizzi) e entrar em campo no inferno turco com seis jogadores da nossa formação (Rúben Dias, Ferro, Yuri Ribeiro, Florentino, Gedson e João Félix). Muitos terão pensado que isto era um risco enorme e quase uma loucura, mas no final o que acabou por ser foi uma enorme demonstração de vitalidade e força da nossa equipa. É que para além do jogo, ganhámos também vários jogadores como opções válidas para o onze. Neste momento todos os jogadores que fazem parte do plantel devem acreditar que podem ser titulares e jogam com a confiança que isso lhes confere. Para além do Yuri, Florentino e Gedson, entraram para a equipa o Corchia, Salvio e Cervi. Se havia algumas dúvidas em relação à capacidade de resposta da equipa, depressa elas se dissiparam. A entrada do Benfica no jogo foi muito boa, com a equipa a revelar muita calma e atitude, não se submetendo a algum previsível assalto turco nos primeiros minutos. Apesar de não termos sido tão agressivos na pressão como nos últimos jogos, a chave foi uma equipa muito solidária, com grande entreajuda e os jogadores a actuarem sempre muito juntos e a preencherem quase sempre bem todos os espaços. O único ponto mais frágil foi o lado esquerdo, onde o Yuri revelou algumas dificuldades e o Cervi esteve desinspirado, sobretudo no passe. O Galatasaray teve sempre mais bola, mas regra geral não conseguiu criar muito perigo com ela, e era nas bolas paradas que acabava por conseguir ameaçar mais a nossa baliza. Quando recuperávamos a bola, tentávamos como habitualmente sair rapidamente para o ataque em trocas rápidas de bola, ainda que o Salvio revelasse a habitual aversão a jogar simples e libertar-se rapidamente da bola. Ou seja, conseguimos ver o Benfica transformar completamente o seu estilo de jogo para uma atitude de maior contenção, e no entanto a equipa pareceu completamente confortável com isso. Colocámo-nos em vantagem a meio da primeira parte, num penálti marcado pelo Salvio depois de um toque na bola com o braço de um defesa do Galatasaray. E não houve grande dificuldade em segurar esta vantagem até ao intervalo, porque o Galatasaray foi sempre uma equipa sem grandes ideias para ultrapassar a nossa defesa.

 

 

A segunda parte teve o mesmo perfil: o Benfica a adoptar uma postura cautelosa e a entregar a iniciativa de jogo ao Galatasaray, que tentou forçar um pouco mais nos minutos iniciais, conforme seria previsível. Mas continuava a ter grandes dificuldades para criar ocasiões de perigo em jogadas de futebol corrido, sendo mais uma vez nas bolas paradas que ameaçava mais. Infelizmente para nós, conseguiram chegar ao golo do empate relativamente cedo, com apenas nove minutos decorridos. Depois de uma bola parada em que a bola foi aliviada pela lateral, os centrais permaneceram na área e um cruzamento largo para a zona do segundo poste deixou um deles a disputar uma bola aérea com o Yuri, com larga vantagem física para o central turco. De qualquer forma achei que o Yuri foi pouco decidido no ataque à bola, até porque tinha a frente ganha e o central salta-lhe nas costas - provavelmente até conseguiria arrancar uma falta naquele lance se tivesse um pouco mais de experiência. Os turcos animaram com o golo e aceleraram mais o ritmo à procura da vantagem. Sem grandes resultados práticos, diga-se, porque a nossa equipa manteve-se sempre muito calma e organizada. Até porque o Gabriel, que logo nos minutos iniciais substituiu o Salvio (o Gedson passou para a direita) teve mais tendência para cair sobre a esquerda, ajudando a compensar a noite menos inspirada do Yuri e do Cervi. E com o Galatasaray assim balanceado para o ataque, o Benfica desferiu um golpe no jogo que veio a revelar-se fatal. Apenas dez minutos depois do golo do empate, um passe em profundidade do Rúben Dias para as costas da defesa adversária (começa a tornar-se especialista nisto) desmarcou o Seferovic, que ganhou no corpo a corpo com um defesa e depois colocou a bola no ângulo mais distante da baliza, sem qualquer possibilidade de defesa para o guarda-redes. Um bonito golo que, não tenho a menor sombra de dúvidas, em Portugal seria anulado ao Benfica por intervenção do VAR. O Galatasaray acusou mesmo muito este golo. Foi perfeitamente visível o desânimo dos nossos adversários dentro e fora do campo, que apenas por uma vez voltaram a ameaçar seriamente a nossa baliza - sem surpresas, na sequência de mais uma bola parada, a que correspondeu o Vlachodimos com uma excelente defesa. Nos minutos finais a desorganização do Galatasaray era de tal forma que acreditei que poderíamos até chegar a mais um golo, mas faltava-nos um avançado mais fresco na frente porque o Seferovic trabalhou muito e já estava esgotado. Um Rafa nesta fase teria partido aquilo tudo.

 

 

O melhor do Benfica foi o Bruno Lage. Porque num jogo destes mudar mais de meia equipa e apostar em miúdos, com alguns deles a fazer a sua estreia não só nas competições europeias mas também a titulares, requer coragem e acima de tudo, muita confiança. E depois ver esta mesma equipa a jogar de forma tão descomplexada e com tanta personalidade é uma prova da qualidade do trabalho que ele está a fazer. Quanto aos jogadores, e reconhecendo que sou faccioso nisto, o Florentino foi um dos que mais me agradou. Joga simples e depressa, lê bem o jogo e sabe quase sempre o que fazer com a bola. Será com quase toda a certeza um valor seguro da nossa equipa nos próximos anos. Os nossos centrais estiveram bastante bem, incluindo o Ferro, que teve alguns cortes providenciais. Gostei também do Corchia, que depois de não ter tido problemas em alinhar pela equipa B nos últimos jogos para ganhar ritmo mostrou neste jogo que é uma alternativa perfeitamente viável ao André Almeida. Finalmente uma palavra para o Seferovic, que trabalhou até á exaustão e marcou um golo que pode ser decisivo na eliminatória.

 

Cumprida esta tarefa, está na hora de regressar ao futebol português que não nos merece. A confiança é alta por via das últimas exibições e resultados, mas será necessário o máximo de concentração e atitude competitiva para o jogo contra o Aves. Vamos enfrentar uma equipa treinada por uma das personagens mais detestáveis do futebol português, que odeia o Benfica e que seguramente usará de todos os meios para nos travar. E tenho poucas dúvidas que de fora do campo ainda virão umas nomeações cirúrgicas para nos dificultar ainda mais a tarefa. Um ponto é muito pouco e anda por aí muita gente demasiado nervosa.

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publicado por D`Arcy às 00:11
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4 comentários:
De Anónimo a 15 de Fevereiro de 2019 às 10:05
Bom dia,
Comentário de excelência como de excelência foi a exibição da nossa equipa.

Jovens com categoria que mostraram que também têm lugar na equipa.
Demonstração de categoria do nosso técnico, que aposta em todos os jogadores do plantel.

Demonstração de categoria do nosso presidente que aposta na juventude dos nossos técnicos e jogadores que compõem o Seixal.

Agora ir a Aves jogar e ganhar o jogo para mantermos a esperança da reconquista do título.

Saudações benfiquistas.
De Redpower a 15 de Fevereiro de 2019 às 12:52
Que orgulho do nosso Benfica e dos nossos jovens! É importante estar por trás deles, pois o talento do Seixal anda nas bocas do mundo, com tudo o que de mau isso pode trazer.

Venha o próximo!

VAMOS BENFICA!
De E Pluribus Unum a 15 de Fevereiro de 2019 às 17:16
À BENFICA!!!!!!!!!!!!!!!!! E de facto, HÁ Benfica.

Graças a Deus - ou melhor, graças à Natureza - que chegou alguém ao nosso Glorioso e Inigualável SPORT LISBOA E BENFICA e foi capaz de colocar as Verdadeiras ÁGUIAS a voar nas alturas.

Apenas faltou colocar em campo o nosso craquezinho João Filipe (Jota), para a noite de Istambul ter sido perfeita. Que pena não se ter estreado na Europa com um vitória histórica para o nosso amado Clube. Histórica, por que foi a primeira vez que ganhámos na Turquia - e logo ao seu maior e mais importante clube -, mas sobretudo porque jogámos inicialmente com 6 (SEIS) jogadores com a MARCA MAIOR da Escola de Formação de Jogadores Profissionais do SPORT LISBOA E BENFICA.

BENFICA BENFICA BENFICA Sempreeeeeeeeeeeeeeee o MAIOR E O MELHORRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR.


Live the Eagles. They are the reference of Criation.
They are absolutly SUBLIME.

BENFICAAAAAAAAAAAAAAAA
BENFICAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
BENFICAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
De Dias Pereira a 16 de Fevereiro de 2019 às 15:05
Bom dia.
Foi, realmente, um jogo que nos encheu de orgulho. Porque merecemos a vitória. Porque o fizemos com grande personalidade e sem tibiezas. Porque estivemos em campo com uma equipa jovem e promissora, que mostrou qualidade e atitude.
Contudo, confesso que, ao saber qual seria a formação inicial, temi que as coisas corressem mal, com tamanha ousadia. É que, jogar em Istambul, com uma equipa de reconhecida qualidade - embora não da primeira linha do futebol europeu... - com presença habitual na Champios League, num ambiente que se reconhece ser tradicionalmente muito difícil, não é tarefa de pouca monta. E o facto do nosso histórico de jogos em solo turco - onde nunca vencemos - ser bastante desfavorável, também não era nada animador...
Na verdade, até me pareceu que a aposta numa formação inicial tão distante do senso comum seria, no fundo, um indício de que não se apostava nada na continuação na prova...
Depois de se iniciar o jogo, comecei a perceber que o treinador acreditava que - como confirmou à posteriori... - aquela era, para ele, a equipa mais indicada para disputar a partida.
Não tenho a certeza se um meio campo formado por outras unidades não teria tido um desempenho ainda melhor. Mas sei que este funcionou bem, mesmo se, a espaços, se falharam alguns passes - que acabaram por causar algum desassossego... - e, aqui e ali, as saídas para o ataque não estiveram ao nível dos últimos jogos. Gedson e Florentino estiveram globalmente bem, surpreendendo a forma como não se intimidaram, fosse a defender, fosse a atacar. Nas alas, Salvio e Cervi estiveram, na minha opinião, bastante abaixo do que têm feito os titulares dos últimos jogos. Se a ideia era os extremos terem bola, consegui-se isso; se era produzirem volume de ataque, ficou-se aquém do pretendido.
Na frente, tanto João Félix como Seferovic estiveram à altura, embora Seferovic continue a ser algo perdulário e, por vezes, a não tomar as melhores opções na fase da concretização das jogadas. Foi, apesar disso, um mouro de trabalho, e deixou tudo em campo, tendo chegado ao fim do jogo completamente esgotado. João Félix voltou a estar em bom nível, precisando, talvez, de ser mais lesto a libertar a bola, sob pena de se expor desnecessariamente a assédios físicos dos adversários. E, bestas como o Jorge Andrade existem em todos os cantos do mundo...
Na defesa residiam os meus maiores medos. Se a dupla de centrais era inevitável - e, até, nos dava confiança, pelos jogos recentes... - a aposta em Corchia e Yuri Ribeiro parecia-me uma temeridade. E foi, de facto, na defesa que, individualmente, as coisas estiveram mais periclitantes. Corchia não complicou, a defender, mas esteve muito discreto a atacar - embora tenha, até, tentado marcar, na parte final do jogo. Yuri Ribeiro, pelo contrário, esteve um pouco melhor a atacar, mas esteve menos bem a defender. Na verdade, o lado esquerdo da nossa defesa foi sempre o mais permissível, e as coisas podiam até ter corrido bem pior do que correram, tais as debilidades que revelámos. Cervi, e depois Krovinovic, ajudaram a tapar aquele lado, mas Yuri Ribeiro tinha que ter estado melhor. Aliás, até no golo do Galatasaray se lhe podem atribuir algumas culpas, pelo modo como aborda o lance, mau grado a diferença de altura com o seu oponente...
Creio que, globalmente, a resposta foi muito boa, apesar da exibição não ter estado à altura das últimas realizadas.
A eliminatória ainda não está ganha, e é preciso não relaxar.
Nem na próxima 5.ª feira, nem no jogo da Vila das Aves, onde nos espera um adversário duro de roer, uma execrável figurinha como seu treinador, e, certamente, mais duas outras equipas que, muito provavelmente, tudo farão para travar a nossa caminhada.
É por isso que é fundamental não baixar a guarda e ser intenso e determinado, do primeiro ao último minuto.
Força, Benfica!
Viva o Benfica!
Saudações benfiquistas!

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