VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quarta-feira, 16 de Março de 2022

História

Uma vitória para a história, obtida com muito trabalho defensivo e contra todas as probabilidades. Foi preciso fazer ao Ajax aquilo que já vimos muitas equipas ditas pequenas fazer-nos na Luz, mas a táctica resultou em pleno e estamos de regresso a uns quartos de final da Champions, com tudo aquilo de positivo que isso traz, em termos de prestígio e de dinheiro.

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O onze inicial do Benfica foi o esperado, sem nenhumas surpresas especiais para um jogo desta importância. Até o Taarabt, apesar dos erros nos últimos jogos, manteve a titularidade. A primeira parte foi basicamente um monólogo do Ajax. O jogo disputou-se quase exclusivamente no nosso meio campo, sem que conseguíssemos esboçar qualquer tipo de saída para o contra-ataque que colocasse o Ajax em sentido. A inspiração dos jogadores mais defensivos não encontrou eco nos nossos jogadores mais atacantes, que no entanto ajudaram sempre que possível na defesa - em especial o Gonçalo Ramos. Convém no entanto referir que o domínio territorial avassalador por parte do Ajax não se reflectiu numa chuva de ocasiões de perigo para eles. A nossa equipa conseguiu defender quase sempre de forma eficaz e apesar de ter naturalmente sofrido por estarmos a ser constantemente pressionados, foram poucos os sobressaltos. Houve espírito de entreajuda na defesa, com toda a gente a correr sempre muito para fechar espaços e os dois centrais praticamente a não terem falhas. Quando foi necessário, a linha do fora de jogo foi eficaz e isso ficou provado num golo anulado ao Ajax ainda nos primeiros minutos do jogo. A segunda parte, para a qual regressou o Meïté no lugar do Taarabt, foi pouco diferente. Sempre o Ajax a ter a iniciativa do jogo e o Benfica a resistir, mas fiquei com a sensação de que o Ajax ainda foi menos perigoso do que tinha sido na primeira parte - a entrada do Meïté teve alguma influência nisto, porque me pareceu que ele veio para o jogo com instruções específicas para estar mais em cima do Gravenberch, por que uma boa parte do jogo ofensivo do Ajax tinha passado na primeira parte. Acho que apenas um cabeceamento do Antony foi um momento mais tenso, e não me recordo do Vlachodimos ter sido obrigado a fazer qualquer defesa mais apertada (fez uma no último lance do jogo, que acabou por ser invalidado por fora-de-jogo). Só quando o Benfica trocou o Everton pelo Yaremchuk, com a já cada vez mais habitual passagem do Darwin para a esquerda, é que começámos a conseguir aparecer algumas vezes no ataque, e numa dessas situações o Gonçalo Ramos sofreu uma falta no lado direito do nosso ataque, na zona lateral da área. Em quase todos os lances de bola parada o Ajax já tinha mostrado ser vulnerável, com os nossos jogadores a conseguirem frequentemente ganhar a bola pelo ar. E isso acabou por confirmar-se neste lance: o cruzamento do Grimaldo saiu perfeito para a zona central da pequena área, onde o Darwin ganhou ao seu marcador directo e antecipou-se à saída desastrada do guarda-redes para marcar. Faltavam treze minutos para o final, e apesar de ser previsível sofrimento até final, tendo em conta a forma como o jogo tinha decorrido até então era bastante previsível que este golo tivesse decidido a eliminatória. O que se veio a confirmar; o Ajax continuou a atacar mas nem sequer me pareceu que a pressão fosse mais intensa, e a nossa defesa foi conseguindo lidar com eficácia com aquilo que lhe iam atirando (eu tenho a impressão que o Weigl foi quase mais defesa central do que médio neste jogo). Como referi antes, houve grande espírito de entreajuda e toda a gente correu até à exaustão - na fase final havia vários jogadores no limiar da exaustão. Os sete minutos de compensação correram muito mais rápido do que eu esperava, com apenas aquele sobressalto no lance final do jogo e o momento mais tenso foi mesmo a nosso favor, quando o Yaremchuk se isolou mas depois não teve velocidade suficiente para seguir até à baliza e fazer o golo que poria imediatamente um ponto final na eliminatória.

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Acho que foi uma vitória de toda a equipa, na qual sobretudo os defesas estiveram bem. Os centrais cometeram muito poucos erros, e mesmo os laterais, que nem sempre são sólidos a defender, fizeram um trabalho muito positivo - basta ver o quão pouco influentes acabaram por ser o Tadic e o Antony (que contra a lagartagem tinha praticamente desfeito a defesa deles sozinho). E mais um golo decisivo para o Darwin. Por mim podem criticá-lo à vontade. É verdade que ainda tem vários defeitos e muito para melhorar, mas para mim é já um avançado de topo e aquilo que pagámos por ele está mais do que justificado.

 

Depois de no playoff termos deixado de fora um PSV que nos iria certamente golear (e que passou a ser fraquíssimo mal foi eliminado), eliminámos agora a equipa que teve o melhor rendimento na fase de grupos, num jogo muito semelhante à segunda mão dessa eliminatória com o PSV, com a diferença que agora éramos obrigados a marcar para o fazer e conseguimo-lo. Aguardo obviamente agora que o Ajax passe a ser classificado como uma equipa banal. Agora é voltarmos à Liga portuguesa e focar-nos em vencer o Estoril. Já agora, tendo em conta a quantidade de pedidos de penáltis por parte dos jogadores e público do Ajax neste jogo, tenho quase a certeza que com um VAR português teríamos sido eliminados.

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publicado por D'Arcy às 01:31
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27 comentários:
De Luis Agostinho a 17 de Março de 2022
Para mim o Weigl foi o mais valioso jogador do Benfica, não só fez o meio-campo, com muito pouco apoio, como muitas vezes fez de terceiro central. O Darwin marcou o golo, mas o Weigl fez o trabalho de sapa.
De D'Arcy a 18 de Março de 2022
Nem de propósito, o Weigl acabou de ser convocado para a Mannschaft. É o regresso à selecção após alguns anos de ausência - mesmo no Dortmund ele já não era convocado há algum tempo.

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