Mais um empate inaceitável em casa contra uma equipa de nível muitíssimo inferior. Mesmo sendo uma competição em que as regras não são iguais para todos, o Benfica tem a obrigação de fazer muito mais e melhor do que isto, e é o principal culpado pelo resultado final.

Do jogo, já se torna repetitivo estar sempre a escrever o mesmo. É o Benfica com obrigação total de ganhar, frente a uma equipa que entra em campo só para defender. A entrada não foi má, pelo menos no que diz respeito ao ritmo que tentámos impor no jogo, mas mal chegámos ao golo, aos dezassete minutos, fiquei logo com a sensação de que tirámos o pé do acelerador. O golo, por sinal, foi bastante bonito, com o Pavlidis a matar no peito e a assistir de cabeça para o Sudakov rematar de primeira e em arco com o pé esquerdo. O Casa Pia, apesar da ronha dos nossos jogadores, foi completamente inofensivo e saímos para intervalo a ganhar mas com a certeza de que seria necessário marcar mais para evitar os filmes do costume. Ao intervalo trocámos o Berrenechea pelo Prestianni e voltámos outra vez com um pouco mais de intensidade, que foi recompensada à hora de jogo, num penálti convertido pelo Pavlidis após mão na bola a um cabeceamento do Ríos. Poder-se-ia pensar que estaria tudo encaminhado, mas nunca se pode menosprezar a atracção pelo abismo que a nossa equipa tem. Cinco minutos depois do golo, o Casa Pia subiu talvez pela primeira vez no jogo à nossa área e a equipa de arbitragem inventou um penálti (contra as recomendações existentes, que dizem que quando a bola ressalta do corpo de um jogador para o braço não se deve assinalar penálti). OK, não deveria ser penálti, mas o nervosismo que isto provocou na equipa não é normal. Pior foi quando o Trubin defendeu o penálti e, sem qualquer explicação racional, o Tomás Araújo chegou primeiro à bola e mandou um estouro para a própria baliza. E ainda pior foi a reacção a isso. O Benfica ficava a vencer por 2-1, mas a mim pareceu-me que para o Tomás Araújo o empate já era uma desfecho inevitável. O nervosismo conseguiu ir aumentando cada vez mais (repito, sem qualquer motivo racional para tal, porque o Casa Pia era uma equipa completamente inofensiva que não ameaçava a nossa baliza de forma alguma; isto não foi um jogo como aquele com o Gil Vicente, que merecíamos ter perdido) e ficou ainda pior quando a nove minutos do final tivemos um golo (bem) anulado ao Barreiro. Não sei se a bola cabeceada pelo Ríos entraria na mesma, mas já não é a primeira vez que o Barreiro 'invalida' golos com este tipo de movimentação ao segundo poste, desviando a bola quase em cima da linha. E depois, como um filme com um guião feito de chavões, em tempo de descontos o Ríos perde de forma absolutamente desnecessária a bola a meio campo e fica à espera de uma falta, enquanto a nossa defesa parecia um grupo de baratas tontas em pânico por a bola se aproximar, pela segunda vez no jogo, da nossa baliza. Terminou com o Trubin a interceptar um cruzamento que seguia directamente para os pés do Tomás Araújo (se calhar ficou com medo que ele resolvesse chutar para a própria baliza outra vez) e a deixar a bola solta à entrada da pequena área para que um adversário fizesse o empate.

O Benfica esta época perdeu oito pontos, seis dos quais em casa, fruto de três empates com equipas da parte baixa da tabela. Não há candidatura ao título que resista a isto. Ainda por cima quando em todos esses três jogos, o golo do empate foi consentido em período de descontos. Isto revela a falta de controlo emocional da equipa. Isto não é de hoje nem de ontem: há muito tempo que revelamos uma enorme incapacidade (ou falta de vontade) para matar ou fechar jogos em que somos claramente superiores durante a maior parte do tempo, e depois ficamos expostos a reveses quando o nervosismo vem ao de cima à menor contrariedade. Eu na maior parte das vezes chamo-lhe sobranceria, mas também se lhe pode chamar falta de empenho ou de brio. No Benfica nunca pode existir o conceito de 'já chega' ou 'é suficiente'. Sim, os dados estão viciados, as regras não são iguais para todos, o que se passou fim-de-semana foi apenas mais um exemplo daquilo que já é quase rotina, mas estamos mais do que fartos de saber isso. A final da taça da época passada deixou exposto de forma bem clara qual é o status quo actual do nosso futebol (para mim, pessoalmente, foi um momento pivotal, comparável à Supertaça que nos foi roubada em 1995). Precisamente por isso é que me custa aceitar que há tantos anos mantenhamos esta absoluta falta de killer instinct, insistindo em ficar à mercê de azares, erros próprios, ou artistas com uma agenda própria e que sabem quais as melhores decisões a tomar para progredir na carreira. Podemos e devemos fazer (muito) barulho pelos disparates com que vamos sendo presenteados sucessivamente por artistas de encomenda - aliás, fazer apenas barulho não chega, é preciso lutar para varrer a corja que aproveitou para se instalar nos lugares de decisão das estruturas do futebol português, perante a nossa indiferença, tolerância ou até mesmo, e nunca é demais repeti-lo, com o nosso incompreensível e inexplicável apoio - mas se não fizermos ainda mais barulho para corrigir a má atitude e mentalidade de quem defende as nossas cores e veste a nossa camisola, continuaremos cada vez mais expostos e à mercê de quem quer o nosso mal.
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