Quando aos vinte e cinco minutos de jogo o Benfica já vencia por dois golos e realizava uma exibição agradável, pensei que poderia escrever que finalmente tínhamos tido direito a um jogo minimamente normal para aquilo que esperamos do nosso clube e uma vitória tranquila. Obviamente que estava enganado.

O mesmo onze da supertaça para defrontar em nossa casa o último classificado Portimonense. Uma entrada agradável do Benfica no jogo perante um Portimonense pouco mais do que inofensivo, suportada por um Rafa em alta rotação, acabou por resultar num golo ainda na fase inicial do jogo. O Waldschmidt deu o primeiro sinal, e aos treze minutos uma boa combinação Rafa/Waldschmidt permitiu libertar o primeiro para entrar na área descaído pela esquerda e depois fazer a assistência para uma finalização fácil do Darwin de baliza aberta. O mesmo Darwin, na jogada anterior, já tinha falhado completamente o remate depois de assistido pelo Grimaldo, quando estava numa óptima posição na área. Continuou a dar só Benfica e o Waldschmidt, em boa posição, conseguiu rematar com o seu pior pé directamente para as mãos do guarda-redes. A sequência natural das coisas foi o segundo golo do Benfica. Nova combinação entre o Rafa e o Waldschmidt pelo meio, atrapalhação da defesa do Portimonense a afastar a bola e esta a sobrar novamente para o Rafa, que em posição frontal dentro da área finalizou com um remate rasteiro. Tudo normal, Benfica completamente por cima do jogo e o Portimonense inofensivo - durante toda a primeira parte fizeram um único remate à nossa baliza, bem de fora da área e à figura do Vlachodimos. Tudo portanto a correr da melhor forma e a encaminhar-se para um final de tarde tranquilo para os benfiquistas, provavelmente com um ampliar natural do resultado. Mas infelizmente já nos vamos habituando a que isso não aconteça, e nos minutos finais da primeira parte começámos logo a ver alguns sinais pouco motivadores quando me pareceu que estávamos nitidamente a abrandar o ritmo.

Esses sinais foram-se agravando no início da segunda parte. Nos minutos iniciais ainda tivemos uma ocasião soberana para fazer o terceiro golo, que teria muito provavelmente acabado de vez com o jogo. Mas de uma forma que se poderá considerar escandalosa o Darwin, completamente à vontade bem no meio da área depois de receber um passe do Waldschmidt, e só com o guarda-redes pela frente, conseguiu acertar no poste. Depois o jogo foi piorando progressivamente, passando a segunda parte a ser francamente desinteressante e mal jogada. O Benfica simplesmente pareceu não querer incomodar-se muito. Os jogadores deixaram de correr muito às bolas ou de meter o pé nas divididas. Não é um termo que eu goste de usar, mas pareceu-me claramente displicência e até mesmo desleixo. O Portimonense, sinceramente, não parece ter capacidade para grande coisa. No final o seu treinador pareceu estar convencido que fizeram um grande jogo, mas o que eu vi foi um Portimonense a ter bastante mais bola muito pelo facto do Benfica não se esforçar sequer para contrariar isso, mas a não conseguir fazer nada com ela. A segunda parte foi morníssima e o Vlachodimos nem sequer foi posto à prova durante a maior parte do tempo, nem a nossa baliza passou por qualquer perigo. Aliás, até aos minutos de descontos a melhor ocasião de perigo foi nossa, num remate do Nuno Tavares já dentro da área que obrigou o guarda-redes a uma defesa apertada. Não quero com isto esconder que jogámos mal - nós na segunda parte jogámos a um nível inadmissível para o Benfica - mas o Portimonense nunca foi dominador. A jogada mais 'perigosa' do Portimonense foi a cerca de um quarto de hora do final quando um jogador deles tentou sacar um penálti à Taremi na Supertaça (é desviar a bola e arrastar as pernas para cima do guarda-redes). Como nós fizemos o favor de não ganhar o jogo tranquilamente, isso já deu motivo para as habituais manobras para fazer crer que o Benfica é que é a equipa mais beneficiada pelas arbitragens. E não ganhámos o jogo tranquilamente porque se a segunda parte foi toda jogada com uma displicência inadmissível, então o período de compensação foi simplesmente lamentável. O Benfica não foi capaz de manter um mínimo de posse de bola, nem sequer de mantê-la afastada da sua área. Por isso num cruzamento de insistência, ainda fizemos o favor de deixar o Portimonense reduzir, com um autogolo de cabeça do Gilberto que não deu qualquer possibilidade de defesa ao Vlachodimos. Depois foi o natural nervosismo nos minutos que restavam e ainda mais a compensação sobre a compensação (foram dados dois minutos para além dos cinco que tinham sido dados inicialmente, mas o Portimonense queria ainda mais) mas acabou por ser mesmo só nervosismo, porque ocasiões concretas de perigo não foram nenhumas.

Melhor do Benfica foi o Rafa, naturalmente, com um golo e uma assistência. O Waldschmidt também não esteve mal, já que participou em ambos os golos e ainda ofereceu mais um ao Darwin, que se encarregou de o desperdiçar. Em relação ao Darwin, acho que está praticamente completo o processo de transformação e adaptação dele ao nosso futebol. Recebemos um avançado rápido, móvel e explosivo. Agora já está muito mais fixo, a encostar-se frequentemente aos defesas, toma más decisões e a finalização está cada vez pior. Acho que temos uma espécie de fábrica de clones do Seferovic no Seixal.
A segunda parte do Benfica foi pobre demais para ser admissível. É incompreensível a falta de chama desta equipa e a ausência de vontade em ser feliz. O Benfica, assim o querendo, é muito superior ao Portimonense e, conforme o demonstrou durante a primeira parte, poderia ter ganho facilmente este jogo. Mas a partir de um determinado momento a equipa pareceu achar que já chegava e que não valia a pena esforçar-se mais. Isto não tem explicação. Os minutos finais então foram de um completo desleixo. Isto já é mais do que falta de vontade, é mesmo falta de profissionalismo. Lá vamos ganhando e mantemo-nos a dois pontos da liderança, mas isto não deixa qualquer confiança para o futuro. Não é que os adversários directos estejam muito melhor - quando ganham à rasca contra equipas do fundo da tabela são sempre postos nos píncaros, enquanto que o grau de exigência para o Benfica é muito maior e somos sempre severamente criticados mesmo quando ganhamos - mas com o mal dos outros posso eu bem.
bola nossa
-----
-----
Diário de um adepto benfiquista
Escolas Futebol “Geração Benfica"
bola dividida
-----
para além da bola
Churrascos e comentários são aqui
bola nostálgica
comunicação social
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.