Tivemos tudo para que fosse um jogo memorável, que praticamente garantiria o nosso apuramento para a próxima fase da Champions, mas a noite acabou por ser inglória, por culpa tanto de erros próprios como de outros factores, a que infelizmente já vamos estando demasiado habituados nesta competição (os recentes jogos com o Inter, por exemplo, ainda me estão atravessados).

A equipa quase que não mudou. Apesar da recuperação do Di María este manteve-se fora do onze, e o único a sair foi o Barreiro, autor do inesperado hat trick no último jogo. Para o seu lugar entrou o Aursnes. Se queríamos alimentar alguma esperança de um resultado positivo neste jogo, teríamos que ser o Benfica que há poucos meses atrás tinha banalizado o Atlético de Madrid, e o início de jogo não poderia ter sido melhor para nos dar esperança de que isso pudesse acontecer. Mal se tinha completado o primeiro minuto de jogo e chegámos ao golo, numa jogada bonita e simples. Abertura muito larga do Tomás Araújo para o Carreras, a variar o flanco de jogo, e já na zona lateral da área o espanhol fez o cruzamento de primeira. O Schjelderup arrastou um defesa para a zona do primeiro poste e deixou a bola passar, para o Pavlidis aparecer em posição mais frontal a finalizar de primeira, com a bola a bater ainda no poste antes de entrar. Início perfeito, e o Benfica a mostrar ter o adversário bem estudado. Seria quase impossível tentar disputar o jogo olhos nos olhos com o Barcelona, mas aproveitando a linha de defesa muito subida deles, assim que eles ultrapassavam a nossa primeira linha de pressão defendíamos num bloco baixo e tentávamos sair rapidamente para o ataque em poucos toques. O dois a zero só não apareceu logo a seguir porque o Aursnes, servido novamente pelo Carreras, conseguiu de forma inacreditável atirar para fora quando estava completamente sozinho em frente à baliza. Apesar da imensa superioridade na posse por parte do Barcelona estávamos a conseguir defender bem e a evitar que eles criassem grandes ocasiões. Mas aos treze minutos, numa jogada sem grande perigo o Tomás Araújo falhou o tempo de entrada e acabou por cometer um penálti escusado, que o Barcelona aproveitou para empatar o jogo. Seguiram-se alguns minutos de desorientação, nos quais o Barcelona só não se colocou em vantagem porque o Trubin fez uma defesa impossível. Mas a noite ia ficar marcada pelos disparates, e aos vinte e dois minutos o guarda-redes do Barcelona contribuiu com um épico, saindo de forma desmiolada da baliza para abalroar um companheiro de equipa e deixando a bola à disposição do Pavlidis para que este marcasse de baliza aberta. E à meia hora de jogo, novo contra-ataque do Benfica em que o Aursnes soltou para o Aktürkoglu sobre a direita e depois dele ter picado a bola sobre o guarda-redes acabou por ser ainda tocado por este quando tentou saltar sobre ele. Penálti convertido pelo Pavlidis, que obteve assim um hat trick que na minha cabeça era ainda mais improvável do que o hat trick do Barreiro no último jogo. Até ao intervalo, o jogo continuou na mesma. Intenso domínio territorial do Barcelona e o Benfica a sair sempre que podia de forma rápida, com o nosso lado esquerdo (Carreras/Schjelderup) em evidência.

Devo dizer que apesar da vantagem de dois golos ao intervalo nunca senti que o jogo estivesse seguro, pois tenho bem noção da capacidade ofensiva e do valor da equipa que tínhamos do outro lado. O que eu não esperava é que fôssemos nós a dar tantos tiros nos pés e a sabotar, sobretudo na parte final do jogo, o tão bom trabalho que tínhamos feito na primeira parte. Mas a segunda parte até começou exactamente nos mesmos moldes da primeira, como Benfica a desperdiçar logo na fase inicial a possibilidade de fazer um quarto golo. O Schjelderup deixou o Aursnes isolado para correr em direcção à baliza, e sinceramente nem consegui perceber o que é que ele conseguiu fazer para não marcar golo (não percebi no estádio e ainda não tenho estômago para ver qualquer resumo do jogo). O que é certo é que a bola acabou nas mãos do guarda-redes e nem me pareceu que o Aursnes tivesse chegado a rematá-la. Pouco depois, a primeira alteração no Benfica, com a troca do Aursnes pelo Barreiro. O jogo parecia estar minimamente controlado, mas aos sessenta e quatro minutos o Trubin faz um disparate inacreditável. Completamente à vontade e sem estar pressionado por ninguém, com todo o tempo do mundo para meter a bola onde quisesse, decide-se por chutar a bola para a frente mas enviou a bola demasiado baixa, com esta a ir bater na cabeça de um adversário (que estava à vontade a uns vinte metros da baliza) e a ir directamente para a baliza. Uma óptima forma de dar novo ânimo ao adversário. Mas os disparates ainda não tinham terminado no jogo, e apenas quatro minutos depois tivemos a felicidade de vermos a asneira retribuída: um cruzamento tenso do Schjelderup perto da linha de fundo acabou por ser desviado para a própria baliza por um defesa do Barcelona, evitando o poker do Pavlidis. Portanto, estamos a vencer o Barcelona por 4-2 a vinte e dois minutos do final, e achei eu que bastaria um mínimo de competência para fechar o resultado. Aos setenta e um minutos, duas alterações na equipa que me pareceram desastrosas. Saíram os dois alas, Schjelderup e Aktürkoglu, e entraram o Bah e o Di María. Tenho a certeza que os dois jogadores que saíram estariam esgotados, dado aquilo que correram até então. Mas isto não me pareceu nada o jogo ideal para o Di María (que se foi colocar à esquerda), que tem muitas qualidades mas a intensidade defensiva não é uma delas, ainda por cima com um terreno na altura já pesadíssimo. Praticamente não se viu nada do argentino enquanto esteve em campo, excepto para falhar um golo isolado aos noventa minutos. Depois, a mudança da defesa para uma linha de cinco também não resultou de todo. Para piorar, aos setenta e seis minutos o Yamal resolveu atirar-se para o chão mal sentiu a mão do Carreras no ombro e o artista holandês de serviço fez-lhe a vontade e assinalou um penálti ridículo. 4-3, e ainda tempo mais do que suficiente para o Barcelona chegar ao empate. Que surgiu, quase inevitavelmente, a quatro minutos dos noventa, num canto marcado à maneira curta em que conseguimos deixar um adversário saltar à vontade sem marcação na pequena área. Depois ainda veio a tal ocasião do Di María, a passe do Amdouni, e o golpe de teatro surgiu já depois dos quatro minutos de compensação dados. O Benfica beneficiou de um livre no ataque, e na sequência do mesmo o Barreiro foi claramente carregado pelas costas na área. O árbitro nada assinalou, e a bola foi afastada na direcção do Raphinha, que correu metade do campo para marcar o golo da vitória do Barcelona. Sinceramente, nem alimentei quaisquer esperanças de que o árbitro fizesse a coisa correcta. Nunca teria coragem para, nos últimos momentos de um jogo, anular o golo da vitória do Barcelona para assinalar penálti a nosso favor, e foi isso mesmo que aconteceu (e já que mencionei os recentes jogos contra o Inter, diga-se que foi este mesmo árbitro que a época passada não quis assinalar um penálti escandaloso a nosso favor contra o Inter, por falta sobre o Neres, num jogo que acabámos por perder por 1-0).

O homem do jogo é o surpreendente Pavlidis, de quem nunca esperei que fizesse sequer um golo ao Barcelona, quanto mais três. Um penálti, outro foi oportunismo de estar no sítio certo, e o primeiro deles foi aquilo que se espera de um ponta-de-lança. Outros destaques no Benfica foram para mim o Carreras, o Florentino e os dois alas, Schjelderup e Aktürkoglu - o Benfica caiu muitíssimo quando estes dois saíram.
Repito o que escrevi no post anterior - isto não foi nenhum hino ao futebol, foi sim um festival de disparates por parte das duas equipas, culminado com um disparate tremendo da equipa de arbitragem. O lance final só não foi assinalado como devia simplesmente porque não quiseram ou não tiveram coragem. Não gosto nem acredito em vitórias morais, para mim isto foi uma derrota que a vinte minutos do final me parecia impossível de acontecer, e que muito provavelmente nos acabará por custar a continuidade na prova. Espero apenas que a forma como conseguimos perder este jogo não tenha efeitos no estado anímico da equipa.
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