VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 29 de Abril de 2018

Lamentável

Um resultado lamentável, consequência de uma exibição no mesmo registo. Não há muito que eu possa escrever para explicar ou justificar o que se passou. Perder contra o Tondela na Luz e sofrendo três golos é um resultado que fala por si, de tão mau que é.

 

 

É fácil falar depois, mas a verdade é que quando ouvi a constituição da equipa, ainda fora do estádio, fiquei logo um pouco apreensivo. As nossas exibições desde que ficámos privados do contributo do Jonas têm sido aquilo que se viu, mas quando soube que iríamos jogar sem aquele que eu considero o outro fulcro da equipa (Fejsa) pensei no pior. O Jonas decide, o Fejsa equilibra. Não sei se foi uma questão de precaução pelos amarelos (duvido, porque o Rui Vitória não costuma fazer isso) ou se não estavam em condições de alinhar, mas saber que o Jardel e o Fejsa ficavam de fora diminuiu bastante a minha confiança para este jogo. Até porque o Luisão tem infelizmente a má tradição de regressar sempre bastante mal de uma longa ausência - e isso voltou a verificar-se hoje. Os minutos iniciais como que confirmaram as minhas baixas expectativas, já que com mais de dez minutos passados não tínhamos feito um remate ou sequer criado um lance de perigo. Mas as coisas até pareceram poder endireitar-se, já que no primeiro remate que fizemos, aos doze minutos, marcámos. Foi o Pizzi, após passe atrasado do Rafa. E nos minutos que se seguiram estivemos claramente por cima na partida, tendo o Cervi desperdiçado uma boa ocasião para ampliar a vantagem. Só que se a equipa já não me inspirava muita confiança na defesa, pior foi quando o André Almeida pediu para sair e deu o seu lugar ao Douglas. Imediatamente a seguir, à meia hora de jogo, o Tondela empatou. Tudo começou num mau passe do Cervi na saída para o ataque, que colocou a bola nos pés de um adversário, e depois a bola foi rapidamente colocada na zona central da nossa defesa, onde o Luisão ficou nas covas e o jogador do Tondela aproveitou a cratera existente entre ele e o Douglas para marcar à vontade. Nove minutos depois, a reviravolta completa no resultado. Começa numa displicência do Varela, que demora a aliviar a bola e depois já apertado cede um lançamento perto da nossa área, e no seguimento do mesmo o Luisão perde o duelo aéreo e a bola sobra para a zona do segundo poste, onde mais uma vez está um jogador adversário completamente solto dentro da área (e estava lá mais outro) para marcar. Para quem gosta de bater no André Almeida, reveja este lance - porque eu tenho quase a certeza de que ele não iria marcar o Luisão e deixar dois adversários soltos na sua zona.

 

Fomos para o intervalo a perder e sinceramente, a forma como a nossa equipa reagiu ao segundo golo já me fazia prever o pior. É que naqueles minutos até ao intervalo jogámos como se faltassem dois minutos para acabar o jogo, a querer fazer tudo muito depressa e atabalhoadamente.  Para a segunda parte veio o Salvio no lugar do Cervi, e continuámos a jogar da mesma forma. Mas ainda assim foi o suficiente para criar ocasiões para chegar bem cedo ao empate (é inacreditável o lance em que o Salvio remata para a bancada um centro do Douglas, quando estava sozinho em frente à baliza). Ao fim de alguns minutos deu-se a previsível entrada do Seferovic. O que já não era nada previsível foi a escolha do jogador que saiu - Zivkovic. Eu sei que estou a falar como treinador de bancada, mas dado o facto que era a nossa última substituição, e que o Tondela tinha praticamente abdicado do ataque e se dedicava a acumular gente dentro da área e na zona central, eu teria tirado mesmo o Luisão - ficaria o Samaris como central de emergência. Ou na pior das hipóteses sairia o Samaris mesmo, se eventualmente a esperança fosse que o Luisão pudesse resolver numa bola parada - pouco provável, já que nem nisso o nosso capitão mostrou inspiração. Portanto, tirámos um dos jogadores mais criativos da equipa para reforçar a presença no ataque. Só que não. Nós conseguimos ver os nossos dois avançados mais tempo junto às linhas laterais do que dentro da área - o Seferovic acrescentou exactamente zero ao nosso jogo, o que aliás é o que ele tem feito em todos os últimos jogos em que tem entrado. De qualquer maneira as perspectivas já eram muito más mesmo. Para além de facilitarmos a vida ao Tondela, insistindo frequentemente em tentar entrar pela sobrepovoada zona central com tabelas inúteis, o Tondela nesta fase já se dedicava afincadamente ao antijogo puro, com os jogadores a cair como moscas e a simular lesões, enquanto que a nossa equipa estava em campo sem qualquer rumo. E quando conseguíamos mesmo criar alguma ocasião, estávamos num daqueles jogos em que não havia maneira da bola entrar. Para acabar de vez com quaisquer ilusões, a dez minutos do final do jogo e em mais um lance com participação do Luisão, que perde o lance e se deixa ultrapassar infantilmente pelo adversário dentro da área, o Tondela fez o terceiro golo, conseguindo assim marcar três golos em quatro ocasiões criadas (a outra só não deu golo porque o Varela fez uma boa defesa). O Salvio ainda conseguiu atenuar o resultado já no período de descontos, mas a derrota estava selada.

 

Não há obviamente destaques, nem vou escolher bodes expiatórios. Quando perdemos em casa contra o Tondela é porque toda a gente, mas toda mesmo, esteve muito abaixo daquilo que é exigível. A exibição da nossa equipa hoje literalmente não teve ponta por onde pegar.

 

É uma forma muito triste de nos despedirmos quase de forma definitiva do título de campeão nacional. E pior ainda, agora é o segundo lugar que está em sério risco. Com a perda do Jonas, parece que perdemos também completamente o rumo. Não voltámos a fazer uma exibição consistente, e de forma inacreditável deitámos fora o objectivo do penta com duas derrotas consecutivas em casa depois de, se a memória não me falha, uns dois anos sem perder na Luz. Foi tudo muito mau, e quem gere o nosso futebol terá que analisar isto e retirar as devidas conclusões.

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publicado por D`Arcy às 10:42
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65 comentários:
De António Matos a 29 de Abril de 2018 às 12:54
Um novo GABINETE DE CRISE precisa-se urgentemente.
A 1.ª medida a ser tomada, se é que ainda vai a tempo, é a de evitar que a preparação da próxima época, seja feita como esta, em cima dos joelhos, na retrete, enquanto se aliviavam os intestinos.
Basta recordar a forma como foi tratado o tema “guarda-redes”, para ficar com uma ideia do amadorismo e laxismo reinante.
A contratação de 2 jogadores, sem ritmo e até sem qualidade, a poucas horas do fecho de mercado, é mais um episódio lamentável e demonstrativo da leviandade e incapacidade de quem dirige o clube. Mas a culpa do fracasso lamentável e vergonhoso (v. campanha da LC), em que se vai traduzir o exercício desportivo prestes a terminar, não é apenas da “estrutura”, uma “estrutura” tantas vezes gabada, mas cuja fragilidade está à vista de todos.
A culpa é também dos benfiquistas complacentes e apáticos, que aceitam todas as incongruências de quem dirige, sem levantar cabelo e que apenas erguem a voz, aos consócios que vivem mais intensamente o clube, chegando ao cúmulo do despropósito, de os considerarem rivais disfarçados.
A manter-se a linha de orientação traçada - redução do passivo e aposta na formação -, preparemo-nos para uma longa travessia do deserto.

De Dias Pereira a 29 de Abril de 2018 às 20:53
Caro António Matos</i>,
Boa noite.
Porque também sempre o tenho dito, revejo-me na sua afirmação:
A culpa é também dos benfiquistas complacentes e apáticos, que aceitam todas as incongruências de quem dirige, sem levantar cabelo e que apenas erguem a voz, aos consócios que vivem mais intensamente o clube, chegando ao cúmulo do despropósito, de os considerarem rivais disfarçados.
Esses manuéis que passaram o tempo a branquear a miserável gestão desportiva - e não só!... - que Luís Filipe Vieira, Domingos Soares de Oliveira e seus pares, e Rui Vitória, e a sua equipa técnica, vêm fazendo nos últimos (largos...) tempos, estiveram, objectivamente, a ajudar a afundar o Benfica, e a malbaratar a fé e a crença da nação benfiquista.
Quem, à falta de argumentos, se limitou a rotular e a insultar aqueles que apenas estavam a ver o que estava à vista de todos, bem pode agora, depois desta época miserável, entreter-se em ir barrar a passagem desses maus benfiquistas em direcção ao Marquês.
Aceito, ou melhor dizendo, tolero, idiotas; mas não aceito, nem tolero, gente hipócrita e mal intencionada.
É preciso que todos os benfiquistas se unam e remem todos na única direcção que me parece correcta, que é a de devolver o Benfica aos benfiquistas, depurando-os de tantas sanguessugas e de gente que se serve do Benfica, sem propriamente o servir.
Se a nossa voz - a sua, como a de tantos outros benfiquistas genuínos que aqui costumam participar, como o E Pluribus Unum - se fizer ouvir, e se a nossa força se fizer sentir, talvez ainda haja esperança para o Benfica, aquele que me fez apaixonar por si, um dia, já bem distante.
E nesses tempos - talvez porque em situações despropositadas, como esta que hoje vivemos, a força dos benfiquistas se fazia efectivamente sentir - gente que tivesse conduzido o Benfica a uma situação destas, não tinha outra coisa a fazer do que colocar o lugar à disposição e/ou afastar-se... antes de ser afastada pelos sócios.
Saudações benfiquistas!
Viva o Benfica!
De Dias Pereira a 30 de Abril de 2018 às 00:10
Boa noite.
Quero pedir desculpa pelo facto do texto que aqui deixei (29 de Abril de 2018 às 20:53) ter ficado todo em formato negrito. Um erro no uso da linguagem de formatação foi a causa disso.
As minhas desculpas ao D'Arcy e a quem visita este blog.
Saudações benfiquistas!
Viva o Benfica!
De António Matos a 30 de Abril de 2018 às 11:49
Caro Dias Pereira,

Enquanto alguns benfiquistas, continuarem a confundir “crítica” com “ingratidão”, vai manter-se o "status quo" vigente, i.e. dificilmente aceitarão, que se ponham a descoberto os defeitos de LFV e de RV.
Os do presidente, porque não só salvou o Benfica de uma morte anunciada, como conseguiu revitalizá-lo.
Os do treinador, porque ganhou 2 campeonatos, nos seus dois primeiros anos.
Vamos aguardar os próximos acontecimentos. Mas receio que se empatarmos ou vencermos em Alvalade, o "laissez faire, laissez passer" vai continuar.
“Quartel-general no Seixal, está tudo bem, nada está mal”

Saudações benfiquistas.

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