Empatámos a três com o Shakhtar e ficámos pelo caminho. Uma eliminação europeia que se fica a dever em muito à forma quase anedótica como a nossa equipa defendeu. Nem é um apontar de dedo exclusivo à defesa, mas sim à equipa num todo, porque é como equipa que se defende. E quando uma equipa defende assim, torna-se demasiado fácil marcar-lhe golos.
Dyego Sousa e Chiquinho no onze, Vinícius no banco e Samaris na bancada. A entrada do Benfica no jogo foi excelente. Arrisco mesmo dizer que devem ter sido os melhores dez minutos que vi o Benfica fazer nos últimos dois meses. E o desfecho lógico disso foi o golo que nos colocava desde logo no comando da eliminatória. Uma iniciativa individual muito boa do Pizzi, a partir da esquerda para o meio e finalizada com um remate cruzado para o poste mais distante. Infelizmente nem deu para saborear a situação de vantagem, porque praticamente de seguida o Shakhtar marcou, naquela que deve ter sido a primeira vez que passou efectivamente do meio campo. Tudo simples: passe longo para a esquerda, Rafa inadmiss´ivelmentemente nas covas a não acompanhar a subida do lateral, e na tentativa de evitar a finalização ao adversário que surgiu no centro da área para dar seguimento ao cruzamento pareceu-me que o Rúben Dias acabou por marcar na própria baliza. O Shakhtar voltava à vantagem na eliminatória com zero remates feitos. O Benfica abanou e não voltou à exuberância daqueles primeiros minutos, mas continuou por cima no jogo. Havia no entanto aquela sensação de permanente insegurança, porque bastava o adversário aproximar-se um pouco da nossa baliza (algo que pouco fizeram na primeira parte) para pressentirmos o perigo: bastou um balão metido à toa para dentro da área para que o Grimaldo mais uma vez ficasse muito mal na fotografia, permitisse a antecipação de um adversário quando tinha o lance perfeitamente controlado, e a bola acabasse por ainda bater no poste. Mas o que jogámos justificava a vantagem, e esta chegou num cabeceamento do Rúben Dias depois de um pontapé de canto marcado pelo Pizzi. Saída para intervalo com a eliminatória empatada e sabendo que bastaria marcar um golo para passarmos.
Nem foi preciso esperar muito na segunda parte para que isso acontecesse. Logo nos primeiros minutos uma pressão mais agressiva sobre a defesa ucraniana resultou num mau passe para o guarda-redes (aliás a defesa ucraniana tremia frequentemente sempre que o Benfica fazia isto) que foi interceptado pelo Dyego Sousa para depois deixar a bola para o Rafa fazer um remate à entrada da área a levar a bola a entrar bem junto ao ângulo superior. Um grande golo, e o Benfica novamente em vantagem na eliminatória. E mais uma vez, nem deu para apreciar devidamente esse momento ou corrigir o que quer que fosse de forma a segurar essa vantagem. Porque foi literalmente bola a meio campo, pontapé de canto, golo. Uma entrada de um médio vindo de trás que não foi devidamente acompanhada e cabeceamento fácil para o golo. Em três situações, o Shakhtar marcou dois golos. Assim é quase impossível ganhar o que quer que seja. E aqui achei que apesar de precisarmos apenas de mais um golo para voltar à situação de vantagem, perdemos definitivamente a eliminatória. O Shakhtar começou a gerir a posse de bola de forma muito mais cautelosa, e veio ao de cima aquele que me parece ser um dos problemas mais evidentes do Benfica actualmente, que se agravou com a ausência do Gabriel: uma gritante falta de agressividade. Quase não há jogadores que metam o pé, que encostem nos adversários, que façam mesmo falta se tal for necessário. A marcação é quase sempre feita à zona. Talvez por isso mesmo haja tanta vontade em ver o Samaris no onze ou a titularidade do Cervi acabe por ganhar mais relevância (duvido que tivessemos sofrido o primeiro golo com ele em campo), já que eles acrescentam algo que está claramente em falta neste momento. E isto é ainda mais notório na reacção à perda da bola. Eu gostaria que quando perdêssemos a bola imediatamente houvesse quem caísse em cima do portador da bola para o impedir de se voltar para a nossa baliza, ter tempo para pensar ou organizar a saída de bola. Em vez disso os nossos jogadores preocupam-se sobretudo em regressar à posição (alguns deles fazem-no inclusivamente a passo) e deixam os adversários demasiado à vontade para jogar. E por isso foi sem surpresa que o Shakhtar chegou ao empate, que acabou com as dúvidas na eliminatória. O Seferovic ainda foi a tempo de entrar e fazer aquilo que esta época faz melhor: um minuto depois de estar em campo já tinha falhado um golo quase certo, cabeceando para fora quando estava completamente sozinho ao segundo poste. Mas de um modo geral da nossa parte houve apenas muita correria sem grande critério, claramente insuficiente para dar a volta à situação.
Para não variar o Taarabt e o Rúben foram dos melhores. O Pizzi esteve melhor do que nos últimos jogos, mas foi desaparecendo na segunda parte. Mal os dois laterais, quase sem um cruzamento feito com sucesso e com deficiências a defender.
A Europa acabou esta época e agora temos que nos voltar para a defesa da liderança no campeonato. Mas será preciso mudar muito, porque a jogar desta forma será muito difícil que não tenhamos dissabores em breve.
bola nossa
-----
-----
Diário de um adepto benfiquista
Escolas Futebol “Geração Benfica"
bola dividida
-----
para além da bola
Churrascos e comentários são aqui
bola nostálgica
comunicação social
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.