Que maravilha. Um jogo enorme do Benfica, uma exibição a roçar a perfeição, e uma goleada a uma equipa que costuma ter a solidez defensiva como imagem de marca - e que ainda não tinha perdido esta época. E acho que o principal motivo para não podermos considerar a exibição perfeita é porque, apesar dos quatro golos sem resposta, o resultado acaba por ser algo lisonjeiro para o Atlético de Madrid, que poderia ter saído vergado a uma derrota ainda mais pesada. Foi das formas mais eficientes que vi uma táctica de três centrais ser anulada nos últimos tempos.

Uma alteração no onze: regresso do Bah à titularidade, e foi o António Silva quem saiu da equipa, passando o Tomás Araújo para o centro da defesa. Contra uma equipa que costuma ser bastante agressiva na pressão, a boa saída de bola do Tomás Araújo terá certamente tido influência nesta decisão. Apesar de serem praticamente os mesmos jogadores, tacticamente o Benfica jogou de forma diferente, sinal claro de que o adversário foi estudado. Sem bola, o Aursnes ajudou muito a fechar a direita, enquanto que do outro lado era o Aktürkoglu a sacrificar-se bastante em tarefas de auxílio defensivo, o que muitas vezes até fazia com que o Carreras se juntasse mais aos centrais. Na frente, o Di María assumiu um papel um pouco mais vagabundo, em que apesar de ter preferência por cair sobre a direita, actuava mais como um segundo avançado. Defensivamente, estivemos perfeitos. O Atlético não só não fez um único remate na direcção da nossa baliza durante os noventa minutos, como nem sequer teve qualquer ocasião clara de golo (o mais perto foi um cruzamento que de forma fortuita levou a bola a bater na barra). A primeira ameaça do Benfica foi logo aos seis minutos, num canto do Di María que o Pavlidis cabeceou para uma grande defesa por instinto do Oblak. De um momento para o outro, começámos a ser extremamente perigosos nas bolas paradas - isto quando até se manteve o treinador das mesmas. Tendo em conta os especialistas em bolas paradas que temos no plantel (Kökçü, Di María, Beste) já não era sem tempo que voltássemos a fazer disto um dos nossos pontos fortes. O golo que inaugurou o marcador chegou cedo, aos treze minutos. Uma pressão bastante agressiva e eficaz sobre a zona defensiva do Atlético, feita pelo Bah, Di María e Aursnes, resultou numa recuperação de bola sobre a direita, para depois o Aursnes fazer (de pé esquerdo) um passe fantástico a rasgar toda a defesa para ir encontrar o inevitável Aktürkoglu do lado oposto, que mais uma vez soube aparecer na altura certa e no lugar certo para se mostrar letal. A perder, o Atlético viu-se obrigado a assumir o jogo, algo em que raramente parecem estar tão confortáveis. Tiveram períodos prolongados de posse de bola, mas conforme disse, fomos muito sólidos defensivamente e nunca a baliza do Trubin esteve em perigo. E mesmo a fechar a primeira parte, ocasião flagrante para o Benfica fazer o segundo golo. A defesa do Atlético ficou distraída e o Bah conseguiu encontrar o Di María solto nas suas costas com um lançamento de linha lateral. O remate do argentino foi interceptado pelo Witsel, mas a bola veio ter com o Pavlidis sobre a esquerda, que só com o Oblak pela frente com um remate enrolado fez a bola passar ao lado, depois de ainda tocar no poste.

O treinador do Atlético certamente não estava a gostar do que via e ao intervalo fez três alterações de uma vez, retirando três pesos pesados: Koke, Griezmann, e De Paul. A coisa não correu bem. Um dos jogadores que entrou, Gallagher, logo nos primeiros minutos pisou o Pavlidis na área e o árbitro, que inicialmente tinha mandado seguir o lance, alertado pelo VAR assinalou o respectivo penálti. O Di María não se atemorizou com o Oblak na baliza e converteu no segundo golo. Se o Atlético vinha para a segunda parte com intenção de mudar alguma coisa, este segundo golo foi um murro bem forte do qual nunca mais recuperou. Logo na saída de bola após o golo perdeu-a imediatamente, com o Di María a escapar pela direita e a fazer o cruzamento para um cabeceamento do Pavlidis que infelizmente saiu com pouca força. Na jogada seguinte, bola recuperada pelo Benfica na sua zona defensiva e passe soberbo do Kökçü a desmarcar mais uma vez o Di María pela direita, para um contra-ataque em forte superioridade numérica. Numa decisão incompreensível para um jogador com a sua experiência, o Di María acabou por atirar praticamente à figura do Oblak quando tinha o Pavlidis e o Aktürkoglu completamente sozinhos no meio da área para um golo certo. Falhado o KO no jogo, o Benfica começou a perder alguma intensidade porque todas estas correrias do Di María e o muito trabalho também defensivo do Aktürkoglu do outro lado tiveram influência, mas agora já não precisamos de esperar pelos minutos finais dos jogos para ver o nosso banco mexer-se. Já depois de uma primeira troca directa do Pavlidis pelo Amdouni, mais substituições feitas na altura certa e de forma certeira, com as trocas dos dois extremos pelo Rollheiser e o Beste. Com um ataque refrescado o Benfica começou a fazer miséria da defesa espanhola. Os nossos laterais foram-se soltando cada vez mais no ataque, a mobilidade do Amdouni trouxe novos problemas aos centrais adversários, e foi já sem qualquer surpresa que chegámos ao terceiro golo a quinze minutos do final. Confirmando mais uma vez a melhoria radical nas bolas paradas, pontapé de canto na direita marcado pelo Beste e ao segundo poste apareceu o Bah a cabecear para o golo - no lance teve tempo para cair, levantar-se e ainda ir marcar o golo. O quarto veio aos oitenta e quatro minutos, novamente de penálti, numa altura em que o Atlético já não mostrava qualquer capacidade para travar os nossos jogadores e parecia estar entregue - cada ataque parecia poder resultar em golo. O Beste desmarcou o Amdouni, que no um para um com o defesa ultrapassou-o, entrou na área e foi rasteirado. Converteu o Kökçü, num remate fortíssimo a não dar qualquer hipótese. Daí até final, num ambiente simplesmente infernal de total comunhão entre a equipa e as bancadas, o resultado só não atingiu níveis mais escandalosos porque o Oblak negou o golo a um grande remate do Beste à entrada da área (de pé direito) isto depois do Amdouni não ter conseguido acertar na bola quando estava em posição privilegiada, e mais tarde o mesmo Amdouni rematou e fez a bola passar rente ao poste, com o Oblak batido.

É uma sensação muito boa chegar ao final de um jogo e poder escolher praticamente metade da equipa como melhor em campo. Exibição monstruosa do Carreras, que está com uma confiança enorme. Foi certamente a melhor exibição que já fez no Benfica, seguro a defender, confiante e incisivo no ataque, a ganhar todos os duelos individuais que teve. O Aursnes, depois de um regresso algo titubeante à equipa após lesão, voltou ao nível a que nos habituou. Parecia estar em todo o lado, foi tacticamente perfeito, recuperou bolas, foi perigoso no apoio ao ataque e fez a assistência para o primeiro golo. O Kökçü está a mostrar porque motivo é o jogador mais caro contratado pelo Benfica. É o cérebro por onde passa uma boa parte do nosso jogo, e cada passe longo que faz parece resultar numa ocasião perigosa a nosso favor. Florentino (outra vez um pilar), Aktürkoglu, Di María, Bah, tantas boas exibições.
Era disto que o Benfica precisava. De uma exibição assim, de um resultado assim, de um momento de total comunhão com um Estádio da Luz efervescente para poder cortar de vez com a herança Schmidt, lançar a onda vermelha e arrancar definitivamente para uma época ao nível que ambicionamos. De uma noite à Benfica. Foi uma grande noite europeia na Luz, e uma exibição como o Benfica não fazia há pelo menos um ano e meio. Quem esteve na Luz esta noite e viveu o ambiente, percebeu certamente o quanto os benfiquistas desejavam voltar a sentir isto. Esperemos que a nossa equipa possa continuar neste rumo e a evoluir, porque a margem para erro é quase nula.
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