VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quarta-feira, 3 de Outubro de 2018

Masoquismo

Um supremo exercício de masoquismo. É a melhor forma que encontro para descrever o jogo disputado na Grécia frente ao AEK que colocou um ponto final na série de maus resultados do Benfica na fase de grupos da Champions. Um jogo em que tivemos tudo para conquistar uma vitória tranquila, e de repente parecia que tudo fazíamos para deixar que essa vitória nos escapasse por entre os dedos.

 

 

O Benfica apresentou-se com o Conti no lugar do Jardel, Gedson no do Gabriel, e com o Rafa a manter a titularidade, tendo sido o Cervi a sair da equipa para permitir o regresso do Salvio. Este era um jogo que teria que ser ganho se queríamos manter intactas as nossas possibilidades de apuramento, e a entrada dificilmente poderia ter sido melhor. Dois golos no primeiro quarto de hora colocaram-nos numa situação muito confortável e deixaram o AEK completamente abananado. O primeiro surgiu aos seis minutos, numa recarga do Seferovic a um remate do Gedson, e o segundo aos catorze, num improvável cabeceamento do Grimaldo, que surgiu ao segundo poste para finalizar um bom cruzamento do Pizzi. Tudo a correr sobre rodas, Benfica completamente à vontade no jogo perante um adversário que parece ser manifestamente mais fraco. Só que depois disto, veio a face mais feia do Benfica, a que já nos vamos habituando. É como se fosse um combate de boxe, em que acertamos com um directo e um uppercut no adversário, ele fica ali meio zonzo quase a cair, e em vez de darmos o murro decisivo para o K.O. decidimos recuar para o nosso canto. Isto até poderia não ser dramático se - e reforço este 'se' - o Benfica já tivesse mostrado ser uma equipa capaz de gerir jogos e resultados. Não é. O Benfica tem dois modos: ou está em cima do adversário, ou então quando decide 'gerir' simplesmente recua as linhas para cima da área e entrega quase por completo a iniciativa de jogo ao adversário (e também uns 75% do domínio territorial). Ora um adversário que levou dois golos logo a abrir e que nessa altura devia era estar a pensar como evitar ser goleado em casa, de repente apanha-se com espaço para respirar, tempo para organizar ideias, e progressivamente vai-se aproximando da nossa baliza e até começando a acreditar que se calhar é possível conseguir um resultado positivo. Foi isto que vimos acontecer, com o AEK a tornar-se cada vez mais perigoso à medida que  tempo decorria (enquanto o Benfica se entretinha a passar a bola para os lados e para trás, deixando de ameaçar o que quer que fosse no ataque) até que a pressão fosse mesmo real e intensa nos minutos imediatamente antes do intervalo. O Odysseas mais uma vez foi dizendo 'presente', mas como o masoquismo ainda não era suficiente o Rúben Dias conseguiu ver um segundo cartão amarelo (justo e perfeitamente escusado) mesmo a fechar a primeira parte, para animar ainda mais um adversário que já tínhamos feito o favor de ressuscitar. Não estarei a exagerar se disser que nesta altura já me vinha à cabeça aquele jogo contra o Besiktas em que chegámos ao intervalo a vencer 3-0 para acabarmos por empatar 3-3. 

 

 

Para a segunda parte voltou o Lema no lugar do Salvio. Uma alteração a contribuir para encolher ainda mais o jogo e logo à partida, pelo menos intuitivamente, errada. Se estamos a jogar com menos um jogador parece-me que seria intuitivo ter em campo jogadores com garra, não alguém como o Pizzi que quando as coisas correm mal tem muito pouca reacção e que desiste de praticamente todos os lances divididos. A defender também não ajuda muito. O André Almeida estava a ter um jogo mau e precisava de toda a ajuda possível, coisa que o Pizzi era incapaz de fazer - e aquele lado depressa se tornou uma autêntica avenida, por onde o lateral esquerdo sueco do AEK andou a passear à vontade. Com o Benfica a jogar em modo de contenção máxima, nem foram precisos vinte minutos para os gregos marcarem dois golos e empatarem o jogo. O primeiro nasce de um cruzamento (claro) do lado direito da nossa defesa e depois, no centro da área, um jogador grego chega primeiro à bola, isto apesar de estar lá sozinho contra cinco defesas do Benfica. Acho que vale a pena assinalar que no início da jogada, antes do passe ser feito para o lateral esquerdo do AEK, o Pizzi teve a possibilidade de afastar a bola, mas em vez disso e fiel à intensidade que um jogo nestas condições exigia, preferiu ficar parado e levantar o braço a pedir uma falta inexistente. O segundo nasce de um cruzamento para a zona do segundo poste, seguindo-se depois o clássico toque de cabeça para o poste oposto onde apareceu um colega a finalizar à vontade. Este golo aconteceu imediatamente a seguir ao nosso treinador se ter rendido às evidências e ter trocado o Pizzi pelo Alfa Semedo, passando o Gedson a fechar o lado direito. Por esta altura o Benfica era uma equipa perdida em campo, incapaz de alinhavar uma jogada de ataque e a abrir brechas na defesa com uma enorme frequência. O AEK poderia perfeitamente ter-se colocado em vantagem, pois dispôs de uma ocasião com dois jogadores isolados em frente ao Odysseas. Resolveu a situação o nosso guarda-redes, com mais uma grande defesa, valendo-nos também que o jogador deles tenha decidido rematar em vez de passar a bola ao colega que estava completamente sozinho à frente da baliza. Não marcou o AEK, marcou o Benfica quase na resposta. Uma recuperação de bola do Alfa Semedo sobre a linha do meio campo, progressão até perto da área, e tendo em conta que pouco mais poderia fazer (só estava lá por perto o Seferovic) um remate ainda bem de fora da área, rasteiro e cruzado, que levou a bola a entrar bem juntinha à base do poste mais distante. Um grande golo. Foi aos setenta e cinco minutos de jogo, e foi o primeiro remate que o Benfica fez na segunda parte (e não sei se não acabou por ser mesmo o único). O AEK acusou, e de que maneira, o golo, o Benfica finalmente sossegou um pouco, e com o Gedson finalmente a conseguir estancar um pouco as investidas do Hult pela esquerda e ainda a entrada do Cervi para os minutos finais, lá conseguimos levar o jogo até final sem mais nenhum sobressalto.

 

 

A destacar alguém neste jogo começo pelo Odysseas. Mais intervenções de grande dificuldade que evitaram que o resultado tivesse sido pior, e a mostrar que o Benfica pode contar com ele. De resto, acho que o Grimaldo e o Fejsa não estiveram mal. Menção também para o Alfa, pelo golo e por ter ajudado a colocar alguma ordem numa equipa que até à sua entrada parecia estar tacticamente à deriva. Mal, mesmo muito mal, o André Almeida. O seu lado foi sempre uma dor de cabeça para nós. É certo que enquanto o Pizzi esteve encarregue de ajudar a fechar a direita praticamente não teve apoio, mas mesmo durante a primeira parte foram vários os erros e desatenções. O Rúben vê o primeiro amarelo numa falta que vai cometer ao lado direito (aliás, o segundo também). Por falar no Rúben, ele não pode cometer um erro daqueles e comprometer a equipa com a sua expulsão. É jovem e impetuoso, mas aquela falta era perfeitamente evitável e deveria ter abordado o lance de outra forma sabendo que já tinha amarelo. O Pizzi foi outro jogador com uma má actuação, salvando-se apenas o passe para o golo do Grimaldo. Num jogo em que estamos reduzidos a dez não podemos dar-nos ao luxo de ter em campo um jogador com uma atitude tão macia e quase desinteressada.

 

Estão garantidos os três pontos, agora é preciso dar seguimento a isto. O outro jogo do grupo teve um resultado pouco interessante para nós, já que seria melhor se o Bayern limpasse todos os seus jogos contra os outros adversários do grupo. Tudo se configura para que o Ajax seja o principal adversário na luta pelo apuramento, e por isso os próximos dois jogos deverão deixar muita coisa definida. Entretanto, é pensar no próximo jogo contra o Porto. Pelo menos já fiquei a saber que me deixam ir ao estádio vê-lo. Já não é mau.

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publicado por D`Arcy às 01:01
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