Foi mais uma noite europeia memorável. Surpreendendo muita gente, após dias muito conturbados o Benfica apareceu em Turim como uma equipa altamente personalizada e realizou uma das exibições mais sólidas desta época. A vitória, que coloca o Benfica nos playoffs com estatuto de cabeça de série, foi indiscutível e raramente foi sequer colocada em causa.

Nas opções iniciais do Bruno Lage houve algum estranheza pela escolha do Bah para ocupar a lateral esquerda face à ausência do Carreras, com o Tomás Araújo a voltar a ocupar a direita. O resto da equipa escalada foi mais ou menos o que se esperava. Os minutos iniciais deram logo para perceber que o Benfica conseguia chegar facilmente à área adversária: logo nos primeiros seis minutos, por três vezes o Benfica entrou na área com perigo, duas pelo Schjelderup e outra em que por pouco o Pavlidis não conseguiu chegar à bola passada pelo Di María. Pelo meio, uma boa oportunidade da Juventus que o Trubin parou com segurança. O Benfica foi sempre uma equipa muito solidária e com grande atitude competitiva, com os jogadores próximos uns dos outros a permitir ganhar quase sempre as segundas bolas, para depois sair de forma rápida e apoiada na transição. A Juventus tinha mais bola, mas apostava sobretudo em tentar metê-la nos pés do Conceição na direita e raramente conseguia causar grande perigo. Quando Bah não era suficiente, estavam lá o Schjelderup e o Florentino para ajudar a prevenir problemas. Se a entrada do Benfica no jogo já dava confiança, esta aumentou ainda mais quando chegámos ao golo ainda cedo, com dezasseis minutos decorridos. Na insistência a um pontapé de canto a nosso favor o Aursnes fez um passe longo para as costas da defesa italiana, onde o Bah conseguiu controlar a bola na perfeição e na área deixou a bola à disposição do Pavlidis para que este marcasse só, em frente ao guarda-redes. Se calhar por causa desta confiança reforçada, vi o resto da primeira parte muito descansado. Nunca me pareceu que a Juventus tivesse capacidade para nos ameaçar seriamente e nunca senti o resultado em perigo. Nervos só mesmo quando, mesmo a fechar a primeira parte, o Pavlidis desperdiçou uma oportunidade soberana que o Aursnes lhe ofereceu e só com o guarda-redes pela frente rematou de forma a permitir-lhe a defesa.

Na segunda parte a Juventus tentou colocar mais velocidade no jogo e pressionar mais. O Benfica recuou um pouco as linhas, mas a defesa manteve-se organizada e conseguimos lidar com quase tudo o que a Juventus tentou, acabando os italianos por recorrer sobretudo a remates exteriores. Houve um par de situações mais perigosas, numa delas o remate saiu às malhas laterais e na outra o Trubin mergulhou para ir agarrar a bola junto ao poste, num desviou que saiu bastante colocado mas sem muita força. Talvez tenha demorado um pouquinho mais do que o esperado, mas a cerca de vinte minutos do final o nosso treinador mexeu na equipa e fê-lo muito bem. Trocou os alas Schjelderup e Di María pelo Aktürkoglu e o Barreiro e o Benfica voltou a ganhar maior agressividade na pressão e conseguiu subir as linhas, afastando a Juventus da nossa área. Para mim estas alterações acabaram mesmo por ser o momento decisivo que me deixou com poucas dúvidas de que a vitória não nos fugiria. O que acabou por se confirmar a dez minutos do final, numa jogada de transição que eu achei muito bonita. Começa desde a nossa defesa, num passe vertical do António Silva para o meio campo, e acaba com um passe do Pavlidis da direita para a zona frontal da área, onde o Aktürkoglu faz uma simulação e deixa a bola passar para a subida do Kökçü, que controlou de pé esquerdo e rematou de direito de forma indefensável. O golo matou de vez a Juventus e o resultado até poderia ter sido mais confortável, porque até final foi o Benfica quem esteve sempre mais perto de voltar a marcar.

Num jogo em que o Pavlidis acabou por ser o destaque por causa do golo e da assistência, achei que quase toda a gente esteve muito bem. Em particular o nosso meio campo, onde o Florentino foi enorme e o Aursnes pareceu de regresso ao nível consistente a que nos habituou. Os nossos centrais estiveram num nível altíssimo, com o António Silva a fazer um jogo quase perfeito e a limpar tudo o que lhe apareceu pela frente.
Enorme satisfação pela exibição e resultado, que se prolonga ao ouvir o som das muitas facas a serem embainhadas novamente. Mas não consigo deixar de pensar que a jogar com esta atitude e disciplina táctica (que também apresentámos contra o Barcelona) nenhuma equipa em Portugal nos conseguiria criar muitos problemas. Por isso é que custa tanto ver jogos como este último com o Casa Pia, porque fica a sensação de que a culpa daquilo que aconteceu é quase exclusivamente nossa por não termos feito aquilo que já provámos saber fazer. Nem é jogar sempre ao nível desses jogos da Champions, porque isso é difícil, é mesmo a questão da atitude. São estas oscilações na atitude competitiva que são difíceis de compreender.
bola nossa
-----
-----
Diário de um adepto benfiquista
Escolas Futebol “Geração Benfica"
bola dividida
-----
para além da bola
Churrascos e comentários são aqui
bola nostálgica
comunicação social
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.