VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sábado, 6 de Junho de 2015

O ego e O erro

Ponto prévio:

 

Da mesma maneira que um pessoa burra não passa a inteligente só porque está vestida com uma camisola do Benfica, quem é bom enquanto está no Benfica não deixa de o ser só porque saiu do Benfica. Vá ele para onde for.

 

O que eu mais temia, tal como exprimi no outro post, aconteceu: Jorge Jesus não vai ser o nosso treinador para a próxima época. Espero estar redondamente enganado, mas temo que tenhamos cometido um erro histórico. Antes de qualquer outra coisa, na hora da saída, é mais do que justo deixar-lhe aqui o meu mais profundo agradecimento por todas as conquistas destes seis anos e pelo futebol magnífico que fomos apresentando.

 

Eu estou particularmente à vontade para dizer isto, porque no início tive sérias dúvidas acerca da sua competência e mesmo durante o seu percurso houve uma série de coisas que não me agradaram nada (uma, duas, três, quatro, cinco e, principalmente, seis). MAS, e este MAS é essencial, o homem ganhou títulos! E, se não se quiser valorizar o facto de ele ter aprendido imenso nestes seis anos e se ver a evolução da equipa (o que me fez defender a sua continuidade em 2013 mesmo depois do que aconteceu no Jamor), isto é que deveria contar para se tomar a decisão de renovar com ele. Porque isto é que é essencial: enriquecer o palmarés. Seja com que jogadores for, é isto que nos interessa. Tenha o treinador o feitio que tiver, seja bem ou mal educado, isso não fica para a história. O que fica são as conquistas. E essas existiram em barda, especialmente nas últimas duas épocas.

 

O presidente diz que tem uma “ideia clara” para o Benfica: “um treinador sem medo de apostar nos nossos miúdos, que seja capaz de fazer projecto integrado dos escalões de formação até ao futebol profissional”. Eu acho isto óptimo em tese, mas já agora convinha que garantisse títulos. Porque eu escolho na hora um título com 11 estrangeiros na equipa em vez de vitórias morais com 11 portugueses. Aliás, esta história da “formação” tem muito que se lhe diga: os próprios lagartos, nos últimos 33 anos, só ganharam o campeonato quando não “apostaram na formação”. Portanto, só foram campeões duas vezes. Obviamente. Como justificação para não manter o Jesus, é muito fraca.

 

Por outro lado, acusa-se o Jesus de não partilhar os títulos com a “estrutura”. Em primeiro lugar, queria pedir encarecidamente o favor de não utilizarem esta palavra, porque eu começo logo a hiperventilar. Durante anos, ouvimos dizer que o CRAC ganhava campeonatos por causa da “estrutura” e todos nós sabemos o que isso significava. Aí sim, é que a “estrutura” ganhava jogos e campeonatos, com ajudas alimentares que só os acéfalos ignoram. Portanto, por favor, utilizem lá outra palavra que essa tem a conotação que tem. Além de que não me parece que tenha sido a “estrutura” a inventar um Fábio Coentrão a defesa-esquerdo, um Enzo Pérez e um Pizzi a médio-centro, um Jardel a central de eleição, etc. (a lista é muito grande e todos nós a conhecemos). Voltando ao tema, as taças não estão no museu? Não são propriedade do Benfica? Não se fica com um treinador porque ele não fala de nós? De novo, uma justificação muito pobrezinha para uma não-renovação.

 

O que me parece de todo inexplicável é esta evidência: como é que não se renova com um homem que ganhou três campeonatos em seis anos, foi bicampeão (coisa que não nos acontecia há 31 anos), ganhou seis dos últimos sete troféus nacionais e nos levou duas finais europeias seguidas (não íamos a nenhuma há 24 anos e a duas consecutivas há 53 anos!)?! É preciso estar mesmo a olhar para o acessório para não ver o cerne da questão. Alguém de bom senso acredita que o Jesus não é o melhor treinador português a seguir ao Mourinho? Não é suposto termos os melhores no nosso clube? Como é que o Benfica se dá ao luxo de prescindir de alguém assim?!

 

A partir do momento em que o Benfica não manifesta um desejo expresso de renovar com ele, é natural que o Jesus se tenha virado para outras paragens. Por isso, não tomo esta ida para a lagartada como uma “traição”. Não, não é, porque o desinteresse inicial partiu (inacreditavelmente) de nós.

 

E o que me custa mais neste processo todo é que deixámos sair o treinador que mais bem colocado estava para nos dar o 35. Sim, porque o 34 é todo mérito dele (o que fez nesta época a famosa “estrutura” foi retirar-lhe seis titulares, mais o André Gomes e o Cardozo, e compensá-lo com dois craques trintões e um Talisca que só durou meio ano…). E o 35 para a próxima época é fundamental, porque um tricampeonato nosso significaria a implosão de Mordor. A “estrutura” deles não aguentaria um terceiro ano de seca connosco a sermos campeões. E é uma pena que não se tenha dado o devido valor a isto e lhes acabemos por oferecer um balão de oxigénio, que já nem eles esperavam ter. Repito: é isto que me custa mais nesta história toda.

 

Pouco me interessa neste momento se o Jesus vai resultar ou não na lagartada. Enquanto lá estiver um presidente que faz mosh à equipa de hóquei em patins, estamos relativamente seguros. Com a sede de protagonismo que ambos têm, vai ser inevitável o choque de personalidades. No entanto, já estou mais preocupado com a performance do CRAC. E na tal estocada final que lhes poderíamos dar na próxima temporada.

 

Independentemente das razões aduzidas pelo próprio, o que mais transparece nesta decisão é o Luís Filipe Vieira a querer provar que consegue ganhar sem o Jorge Jesus. Porque o futebol é mesmo a única modalidade campeã do Benfica em que o treinador não vai continuar. E uma coisa destas é muito difícil de explicar e mais ainda de entender. No fundo, tudo se resume a uma questão de ego. Qualquer argumento utilizado esbarra logo na evidência de que o homem foi (bi)campeão. E quem é campeão tem sempre razão. Mesmo que utilize o Ola John em vez do Gonçalo Guedes.

 

Para bem de todos nós, nada me daria mais prazer do que vir aqui no final da próxima época fazer o meu mea culpa e elogiar esta decisão temerária do nosso presidente. Seria muito bom sinal.

 

P.S. – Muito, MUITO feia a rábula de fazer desaparecer o Jesus da estrutura em 3D dos bicampeões na loja do Benfica (ganhámos este campeonato sem treinador, é…?). Reescrever a história é estalinista e só deveria ser apanágio de outro clube mais a norte. Lamentável! (Parece que voltámos ao tempo dos apagões e das regas…) Também vir a público fazer-se declarações sobre a idoneidade do Jorge Jesus é algo que os responsáveis do Benfica se deveriam abster de fazer. Ou não tivessem trabalhado com ele durante seis anos. Já o conheciam, não? Independentemente do que aconteça no futuro, Jorge Jesus já está na história do Benfica como o mais titulado treinador português que passou pelo clube e, por conseguinte, um dos melhores de sempre. Saibamos respeitar isso. (Mesmo que ele no futuro hipoteticamente não o faça.)

 

P.P.S. – Também eu tenho reservas MUITO sérias em relação ao Rui Vitória (nunca achei que o futebol do V. Guimarães fosse assim grande coisa). Por mim, por todas as razões (experiência de clube grande e de Champions, vencedor de títulos mesmo com um presidente desestabilizador e resposta proporcional aos lagartos) mas PRINCIPALMENTE porque é melhor treinador, iria buscar o Marco Silva. De caras.

publicado por S.L.B. às 18:00
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