Pela segunda vez sob a orientação do Nélson Veríssimo conseguimos ganhar dois jogos seguidos. A exibição voltou a não ser brilhante, mas aos poucos continua a ir-se notando uma diferença na atitude da equipa, que não se deixou abater com um golo sofrido contra a corrente do jogo e conseguiu dar a volta ao resultado.

Com o Otamendi e o Weigl de regresso após cumprida a suspensão, o Morato e o Meïté saíram do onze para lhes dar lugar. A outra alteração foi a saída do Darwin, que já não tinha treinado durante a semana, entrando o Yaremchuk. O jogo descreve-se de forma simples: domínio territorial quase absoluto por parte do Benfica, nem só por mérito do Benfica mas também porque essa foi a postura do Portimonense desde o apito inicial. Jogou-se quase sempre exclusivamente no meio campo dos algarvios, que se acantonavam em frente à sua área e esperavam pelo Benfica para eventualmente explorar alguma oportunidade para contra-atacar. Diga-se que esta estratégia resultou em pleno na primeira volta, já que conseguiram arrancar uma vitória no Estádio da Luz, mas qualquer um que se recorde minimamente desse jogo sabe que a vitória do Portimonense nesse jogo caiu literalmente do céu e não foi qualquer resultado de uma estratégia de sucesso, mas sim do absurdo desperdício do Benfica. E aqui até chegou a dar a ideia que a coisa poderia acontecer outra vez, porque aos vinte e cinco minutos de jogo, e numa altura em que ainda não tinha feito absolutamente nada, o Portimonense apanhou-se em vantagem no primeiro remate que fez. O golo nasce numa asneira monumental do Taarabt, que regularmente nos recorda que aquilo de positivo que ele oferece à equipa como titular é contrabalançado pelo perigo que também causa. Um passe suicida no meio campo meteu a bola directamente nos pés de um adversário e apanhou a equipa completamente descompensada. Mas ainda assim, também ficaram muito mal no lance os nossos centrais, porque o Portimonense estava completamente enfiado na defesa e na altura em que recuperou a bola tinha apenas um único homem na frente, para os nossos dois centrais. Nenhum deles se incomodou em marcar em cima o único adversário que tinham pela frente, que se escapou facilmente entre os dois e marcou à saída do Vlachodimos. Não é que até à altura o Benfica também tivesse produzido muito em termos ofensivos, mas era a única equipa a ter a iniciativa no jogo. Pouco depois a nossa claque resolveu assinalar o seu aniversário atirando tochas para dentro do campo, o que resultou numa interrupção de longos minutos durante a qual o árbitro chegou a ordenar a saída das equipas do campo. A somar a isto uma outra interrupção anterior devido a uma lesão de um apanha-bolas, no total tivemos 15 minutos de tempo de compensação adicionados. E foi até durante esse período que o Benfica se tornou mais perigoso no ataque, acabando por chegar ao empate no sétimo minuto de compensação. Numa insistência após um pontapé de canto a bola sobrou para o Grimaldo à entrada da área, que com um remate rasteiro de primeira fez o golo que já era mais do que justificado na altura. São só pequenas coisas, mas a simples reacção dos nossos jogadores nos festejos do golo do empate foi suficiente para perceber a mudança de atitude que mencionei anteriormente.

Entrámos muito bem na segunda parte, a dar sequência ao bom final da primeira (na qual ainda estivemos perto de voltar a marcar, num livre do Grimaldo que fez a bola passar muito perto da baliza com o guarda-redes já completamente batido) a carregar sobre o Portimonense, e rapidamente fomos recompensados. Foram apenas necessários cinco minutos para consumarmos a reviravolta no marcador e ficarmos em vantagem. O lance nasceu novamente num pontapé de canto, no qual uma insistência do Everton permitiu-lhe recuperar a bola à entrada da área. A bola passou pelo Yaremchuk e seguiu para o Rafa que entrou pela direita, rematou cruzado e o guarda-redes apenas conseguiu sacudir a bola, com esta a sobrar para o Gonçalo Ramos empurrar para a baliza quase em cima da linha de golo. Houve protestos em barda da parte do Portimonense, sem qualquer razão, e confesso que achei no mínimo interessante esta atitude que eles tiveram durante os noventa minutos. Qualquer decisão por parte do árbitro, assinalada a favor ou contra, resultava imediatamente em protestos, com diversos jogadores do Portimonense a rodearem o árbitro aos gritos e o banco a saltar para ajudar a festa - já no primeiro golo que marcámos esta atitude resultou na expulsão do forcado que orienta o Portimonense devido aos protestos por uma ilegalidade qualquer que na realidade alternativa em que vivem terão visto, mas que na nossa não existiu. Após ficar em desvantagem o Portimonense foi obrigado a abandonar a postura defensiva e tentou ser mais agressivo no ataque, tendo ainda provocado um susto grande quando o Wellington esteve perto de bisar, mas rematou por cima quando apareceu em boa posição para fazer bem melhor. Mas no geral o Benfica conseguiu controlar o jogo relativamente bem, e as substituições que foram feitas ajudaram a consegui-lo, com as entradas primeiro do Meïté e depois do Paulo Bernardo. Ao contrário daquilo que foi feito no Bessa, onde quando quisemos controlar o resultado não reforçámos o meio campo e pagámos caro por isso. A entrada do Darwin apenas para os minutos finais ainda assim contribuiu para deixar o Portimonense mais em sentido, pelo que nem sequer passámos por qualquer aperto daqueles que costumam ser típicos dos instantes finais dos jogos em que o resultado ainda está por decidir.

Sem jogadores que se destacassem muito dos demais, ainda assim escolho o Grimaldo e o Rafa como os melhores. O Grimaldo, para além de ter marcado o golo do empate, deu sempre profundidade ao nosso ataque pelo lado esquerdo, tendo o Rafa feito o mesmo pelo outro lado. Continuo a achar que o Rafa perdeu protagonismo ao jogar mais encostado à linha ao invés de explorar mais os terrenos centrais, como fazia com o JJ, mas nos últimos jogos tem vindo a subir de rendimento e neste jogo voltou a ser importante.
Levamos agora quatro vitórias nos últimos cinco jogos para a Liga - não fosse aquela segunda parte lamentável contra o Boavista teríamos cinco vitórias consecutivas - e mantemos acesa a esperança de chegarmos ao segundo lugar. Mas ainda há um longo caminho a percorrer e muito a melhorar para que essa possibilidade possa ser encarada de forma mais concreta. Mas pelo menos parecemos estar orientados para o caminho certo.
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