VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 5 de Abril de 2015

Recital

Mais do que um festival, o Benfica esta tarde deu um autêntico recital de futebol bonito frente ao Nacional, que derrotou sem qualquer tipo de dificuldade ou problemas, tamanha foi a superioridade exibida. Se queixas tenho, só mesmo se for porque acho que o resultado merecia ser mais dilatado, e por a equipa se ter dado mais ou menos por satisfeita ao fim de uma hora de jogo.

 

 

Onze sem qualquer surpresa, onde o Lisandro ocupou o lugar do nosso capitão, a cumprir um jogo de suspensão. Nota de maior destaque para o regresso do fantástico Gaitán à equipa, que tanta falta nos fez contra o Rio Ave. Com ele a música é mesmo outra, e passa a ser uma sinfonia. Sobre o jogo, o que dizer? Foi praticamente um passeio triunfal do Benfica na primeira parte, perante um Nacional sem capacidade nem argumentos para montar qualquer tipo de oposição digna desse nome - zero remates feitos, e poucas mais devem ter sido as vezes em que sequer se aproximaram da nossa baliza. Os madeirenses até vinham com intenção de complicar, tentando exercer uma pressão a campo inteiro em que até colocavam três jogadores a tentar pressionar a nossa saída de bola. Mas como é que se consegue marcar e anular toda a gente quando temos Gaitán, Jonas ou Salvio como autênticos diabos vermelhos à solta sobre o relvado? Sempre em movimento, com constantes trocas de posição, e depois quase imparáveis com a bola nos pés, seja em iniciativas individuais ou em trocas de bola ao primeiro toque com os colegas, é quase impossível travá-los. Quanto a nós, que temos o privilégio de ter tais artistas na equipa, é relaxar, apreciar o espectáculo, e começar a ver as oportunidades a surgir umas a seguir às outras. O Gaitán deu o primeiro aviso, a seguir foi o Jonas, de cabeça, e o sufoco continuou até dar resultados com vinte minutos decorridos. Foi mais uma vez o Jonas, que aproveitou uma iniciativa do Salvio em que este ganhou a linha de fundo e fez o passe atrasado para o remate vitorioso. O recital continuou e foi com toda a naturalidade que chegou um segundo golo dez minutos depois. Desta vez foi o argentino da esquerda a fabricar o golo: o Gaitán entrou por ali, deixou o defesa para trás, e passou a bola para a cabeça do Lima facturar já na pequena área (a bola foi colocada com tanta precisão que aquilo para mim foi um passe e não um centro). Dois golos já davam uma certa tranquilidade, mas isso não significou um abrandar da parte do Benfica, que pouco depois ficou à beira do terceiro golo em mais uma fantástica jogada colectiva que deixou o Jonas na cara do guarda-redes, mas o toque para tentar desviar a bola acabou por deixá-la nas mãos dele. Tivesse o Jonas estado um bocadinho mais inspirado na finalização e não teria saído de campo apenas com dois golos marcados, porque mesmo antes do intervalo mais uma linda jogada de equipa deixou-o com tudo para marcar, mas o cabeceamento que fez levou a bola direitinha às mãos do guarda-redes. Face a tanto e tão bonito futebol mostrado na primeira parte, os dois golos de vantagem à saída para o intervalo até sabiam a pouco. Claramente, a elaborada táctica psicológica do Nacional ao escolher o campo ao contrário (isto anda a tornar-se um hábito entre as equipas que nos visitam) não estava a resultar.

 

 

Mas o massacre continuou na reentrada para o segundo tempo. Um tiro do Eliseu deu início às hostilidades e depois, num curto espaço de tempo, o Salvio teve duas perdidas flagrantes em cabeceamentos que não acertaram no alvo (a segunda foi particularmente má) e até um autogolo esteve muito perto de acontecer, numa tentativa desesperada para evitar o que seria com toda a probabilidade um golo do Lima. Nesta altura eu ficava entusiasmado de cada vez que o Benfica tinha a bola em seu poder, porque a sensação que tinha era a de que cada ataque poderia resultar numa ocasião flagrante ou em golo. Foi uma mão cheia de oportunidades em pouco mais de dez minutos, e o óbvio acabou mesmo por acontecer: golo do Benfica. O Salvio transportou a bola pela direita até à entrada da área, passou-a para o lado e o Jonas rematou de primeira e muito colocado, levando a bola a bater ainda na trave antes de entrar e deixando o guarda-redes Gottardi pregado ao relvado. Golaço. Só depois deste terceiro golo é que os nossos jogadores terão achado que já era suficiente e que já tinham dado motivos de sobra para justificar a ida à Luz dos quase 49.000 benfiquistas que lá estiveram hoje, tendo então abrandado finalmente o ritmo e entrado num registo mais relaxado. A saída do Jonas também terá contribuído um pouco para algum menor fulgor do nosso jogos, que continuava no entanto a ser pontuado aqui e ali por algum pormenor de classe da parte do Salvio ou do Gaitán. Mas o relaxamento do Benfica acabou por resultar num golo sofrido, numa jogada que começou numa entrega de bola infantil do Eliseu ao adversário, e que acabou num remate fantástico do Tiago Rodrigues de fora da área, sem qualquer possibilidade de defesa para o Júlio César. Foi pena o golo sofrido, que assim pôs termo à bonita série de jogos consecutivos sem sofrer golos em casa. Logo a seguir o Nacional ainda fez o seu segundo remate no jogo, que passou ao lado, e até se chegaram a ouvir alguns assobios, mas o Benfica depressa se recompôs e voltou a tomar conta do jogo. Estivemos até perto de dilatar o resultado, num cabeceamento do Jardel e posterior recarga do Lisandro, mas sobretudo numa jogada em que o Salvio faz uma finta fabulosa e depois remata para defesa do Gottardi (ou se calhar a bola ainda foi ao poste, porque no estádio nem consegui perceber).

 

 

É difícil escolher um jogador para melhor em campo, porque houve vários destaques. O Gaitán mostrou claramente que tudo é diferente para muito melhor com ele em campo. O argentino encheu o campo com pormenores de classe e fez jogar toda a equipa. Sinceramente, e a exemplo de outros jogadores que passaram pelo Benfica nas últimas épocas, este campeonato já é demasiado pequeno para um jogador como ele. O Jonas destacou-se com os dois golos que marcou (e como disse, poderia ter marcado pelo menos o dobro), mas tal como o Gaitán é também muito importante por aquilo que faz a equipa jogar. Tem uns pés de veludo, com os quais faz o que quer com a bola. A forma como se movimenta em campo é de uma inteligência enorme, pelas linhas de passe que proporciona e os espaços que cria para os colegas: ele é em 2014/15 aquilo que foi para nós o Saviola em 2009/10. Hoje assistimos também ao Salvio no seu melhor, e a quem faltou apenas mais acerto na finalização. Mas ficou com duas assistências na conta pessoal. Muitos outros destaques podia fazer, mas menciono apenas mais dois: o Samaris, que é cada vez mais importante nesta equipa e mostrou que estão cada vez mais longe os dias de adaptação às novas funções, e o 'patinho feio' Jardel, que na ausência do Luisão deixou bem claro que também temos nele um líder para a defesa.

 

Foi muito importante esta demonstração de força e classe depois da enorme desilusão da última jornada. Temos ainda muito trabalho e duras batalhas pela frente no caminho para a revalidação do título. E exibições deste calibre deixam uma certeza: se jogarmos assim, nenhuma equipa em Portugal consegue fazer-nos frente.

publicado por D`Arcy às 01:34
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De Redpower a 5 de Abril de 2015 às 16:43
Belo jogo que fizemos ontem! Na Luz dificilmente nos batem se jogarmos sempre assim. Mas temos ainda jogos complicados fora de casa...

Incompreensíveis os assobios. Quando se assobia uma equipa que apresenta o futebol que nós apresentámos ontem, já não sei mais o que esperar. Acho que a paixão dos benfiquistas tira-os da razão muitas vezes, infelizmente. Hoje o Real Madrid deu 9, mas sofreu 1. Vergonhoso, como é que um clube como o Real Madrid sofre um golo do Granada? Realmente o futebol já não é como antigamente...

Adiante, agora é mais importante que nunca que todos se mantenham unidos e quando os jogadores fazem a parte deles como fizeram ontem, a nós cabe-nos fazer a nossa que é criar um inferno contra a equipa que defrontamos.

VAMOS BENFICA!
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