Regresso do nosso treinador ao banco e regresso também, finalmente, às vitórias. Os três pontos frente ao Famalicão foram conseguidos graças a uma entrada muito forte no jogo, que nos valeu dois golos madrugadores, mas depois assistimos à cada vez mais habitual quebra na segunda parte.

Uma só alteração no onze: Darwin no lugar do Pizzi, para forma dupla de ataque com o Seferovic. O Everton voltou a alinhar do lado direito e tal como no último jogo, deixou boas indicações a actuar nesse lado (continuo sem saber porque motivo ele saiu ao intervalo no jogo contra o Vitória). Foi ele o principal responsável pelo golo marcado logo aos dois minutos de jogo, quando após tabelar com o Taarabt entrou pela área e foi ultrapassando a floresta de jogadores que lhe apareceram pelo caminho, até fazer uma tentativa de remate de ângulo apertado que saiu enrolado e por isso acabou por ser mais um passe para que o Darwin empurrasse para o golo, já quase em cima da linha. Ainda tivemos que esperar pela habitual busca do VAR por qualquer coisa que desse para anular o golo, mas foi mesmo validado. Um óptimo tónico para uma equipa de confiança abalada e que tantas dificuldades tem tido para marcar golos. Mas não ficámos por aí, continuámos a praticar um futebol agradável e agressivo, sem deixar o Famalicão respirar, e aos sete minutos já a bola estava novamente dentro da baliza do Famalicão. Um livre sobre a esquerda, marcado de forma curta para o Taarabt, que progrediu até à entrada da área e rematou cruzado, fazendo a bola passar por entre vários jogadores adversários. O guarda-redes apenas conseguiu sacudir a bola e esta foi ter com o Otamendi, que fez a recarga para o golo. Mais uma vez tivemos que esperar que o golo passasse pelo crivo do VAR, o que aconteceu e assim vimo-nos com dois golos de vantagem ainda mal o jogo tinha começado. Uma raridade nos dias que correm. O Benfica jogava de forma agradável, com o Everton na direita e o Cervi na esquerda, nas suas habituais combinações com o Grimaldo, a darem largura ao nosso jogo e a resultar em cruzamentos frequentes. Houve agressividade na recuperação, em parte dada também por um maior adiantamento do Weigl nessas acções. O alemão teve um posicionamento interessante: mais adiantado no terreno quando a equipa estava em posse, e depois na construção juntava-se frequentemente aos centrais, para permitir o adiantamento dos laterais, e caía mais frequentemente para o lado direito, ficando o Otamendi na posição central. O Benfica teve uma ocasião flagrante para fazer o terceiro, quando um cruzamento do Grimaldo encontrou o Taarabt sozinho e em posição privilegiada, mas o marroquino cabeceou por cima da baliza. Ainda antes da meia hora de jogo o treinador do Famalicão terá percebido que a continuar assim acabaria por ser goleado e por isso fez logo uma alteração táctica, com a entrada de um avançado mais fixo e reorganizando a equipa de forma a reforçar o meio campo. A reacção do Famalicão ficou-se por um único remate durante a primeira parte, que no entanto foi bastante perigoso: na sequência de um livre, o alívio de cabeça defeituoso do Taarabt levou a bola até aos pés do Gil Dias, que acertou no poste. Mas a alteração táctica surtiu efeito, pois nos minutos finais da primeira parte o Benfica já não conseguiu ser tão perigoso, embora também tenha ficado a sensação de que abrandámos o ritmo de jogo. Também fizemos algo que não me agradou, que foi a troca de extremos, o que resultou na habitual tendência para o afunilamento e perda de profundidade pelas alas.

Na segunda parte pareceu-me que o Benfica entrou com pressa de marcar o terceiro golo e resolver rapidamente o assunto, com o Darwin a fazer a primeira ameaça. Mas fomos progressivamente perdendo gás - nisto, não excluo completamente a possibilidade da COVID ter alguma influência e que os nossos jogadores ainda tenham dificuldade em manter um ritmo constante durante os noventa minutos. Mas por outro lado, como também assistimos a cenários destes ainda no período antes deles ficarem doentes, não podemos saber quais as causas efectivas para este abrandamento. Houve também um factor que me pareceu ter influência, que foi o amarelo mostrado ao Taarabt pouco depois de decorridos dez minutos. Com isto o marroquino passou a retrair-se mais nas disputas de bola e a evitar meter o pé em muitas bolas divididas, o que permitiu ao Famalicão ganhar alguma superioridade na luta a meio campo. Neste aspecto acho que demorámos algum tempo a reagir e a reforçar o meio campo quando começou a ser cada vez mais visível que estávamos a perder essa zona. O Famalicão foi ganhando confiança e começou a conseguir chegar à nossa baliza - o Vlachodimos foi obrigado a fazer a primeira defesa já depois da hora de jogo. Nessa altura fez o Benfica a primeira alteração, com a entrada do Pizzi para o lugar do Cervi e o consequente fixar do Everton na esquerda. A manutenção dos dois pontas-de-lança da nossa parte também me pareceu ter sido prolongada em demasia, já que eles começaram a ficar cada vez mais fora do jogo. Ainda assim, foram eles quem construiu a melhor ocasião de golo de toda a segunda parte. O Seferovic isolou-se descaído pela esquerda (boa triangulação entre ele, o Darwin e o Everton) e assistiu o Darwin, que sobre a linha da pequena área conseguiu atirar por cima. Na minha opinião a jogada também mostrou alguma falta de confiança do suíço, que podendo ele próprio progredir para o golo preferiu esperar pela chegada do colega em vez de arriscar o remate. Durante os cinco minutos finais e o tempo de compensação, acho que o Famalicão fez mais remates do que tinha feito durante todo o jogo, com um deles, já sobre o minuto noventa, a obrigar o Vlachodimos a uma defesa apertada para canto. A resposta do Benfica foi um remate cruzado do Everton que poderia ter sido mais puxado ao poste mais distante, mas que ainda obrigou o guarda-redes do Famalicão a esforçar-se. No final, a vitória assenta bem ao Benfica, mas temos que resolver o problema das quebras nas segundas partes, porque creio que todos temos noção que se o Famalicão tivesse conseguido marcar um golo, os minutos finais do jogo teriam sido aflitivos.

Sem exibições deslumbrantes, acho que o Otamendi, o Taarabt e o Everton terão sido dos melhores. Depois de um mau início, o Otamendi tem tido exibições cada vez mais regulares na defesa, e mesmo quando os jogos não correm de feição tem sido ele a evitar males maiores. Ontem marcou o primeiro golo pelo Benfica, e gostei do discurso dele na flash, com ênfase na necessidade de uma mudança de mentalidade. Apesar do pouco tempo de Benfica, parece ser um jogador com personalidade de líder, e parece-me que aquele balneário anda com falta disso desde que o Luisão se retirou e o Rúben saíu. O Taarabt deve ter feito o melhor jogo pelo Benfica do último ano. Esteve nas jogadas dos dois golos e foi bastante útil na luta do meio campo até ser amarelado, altura em que passou a esconder-se mais. O Everton fez a excelente jogada do primeiro golo e continuo a gostar mais de o ver quando joga na direita, onde tem facilidade em causar desequilíbrios e ganhar a linha. Na esquerda tem demasiada tendência a vir para o meio, o que é previsível para os adversários e afunila o nosso jogo.
Não foi uma daquelas vitórias convincentes que afastariam de vez o mau momento, mas foi um primeiro passinho na direcção certa. Continuamos ainda com muitos problemas por resolver. Confesso no entanto que até gostei de ver um Jorge Jesus mais combativo nas entrevistas pós-jogo, concorde-se ou não com o que ele disse. Mas é pelo menos melhor do que aquele Jorge Jesus anormalmente amorfo que andámos a ver nas últimas semanas, antes de ficar doente. Espero que o discurso e mudança de atitude passem também para o plantel.
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