VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2015

Segundo

Não conseguimos o empate frente ao Atletico Madrid, que nos garantiria o primeiro lugar no grupo, e agora ficaremos numa expectativa maior sobre o que é que o sorteio nos poderá reservar para a próxima fase. Era relativamente previsível, apesar da surpresa que conseguimos no jogo em Madrid. Mas ontem ganhou a equipa mais forte.

 

 

A inovação para este jogo foi colocar o Jonas como homem mais avançado, com o Gaitán solto nas suas costas para permitir um maior reforço do meio campo. Mas o Atletico também jogou com muita gente no meio campo, abdicando de um avançado fixo.  A equipa dispunha-se, quando não tinha bola, num 4-1-4-1, que ocupava muito bem quase todos os espaços e pressionava a saída de bola de uma forma como vi muito poucas equipas fazer na Luz. É uma equipa muito bem orientada, na qual os jogadores sabem bem o que têm que fazer em campo, e por isso mesmo se explica que consiga bater-se de igual para igual com Real Madrid ou Barcelona tendo um orçamento muito menor (que é, no entanto, muito superior ao nosso). O Benfica acabou por ter mais posse de bola, mas foi quase sempre muito estéril, porque não conseguimos jogar com velocidade suficiente para ultrapassar a organização dos espanhóis. Durante muito tempo a posse de bola foi no nosso meio campo defensivo, com a bola a viajar entre os nossos defesas, guarda-redes, ou médios centro sem sermos capazes de ultrapassar a pressão feita pelo Atletico, que nos bloqueava quase por completo a saída de bola. Os espanhóis, por sua vez, saíam muito rapidamente para o ataque com três ou quatro jogadores assim que a recuperavam, e conseguiam causar perigo. Foi asism que chegaram ao golo, numa jogada rápida pela direita na qual conseguiram libertar um jogador para aparecer completamente à vontade na área e finalizar. Da parte do Benfica, sinceramente, não me recordo de um único remate feito durante a primeira parte.

 

 

Para a segunda parte apostámos numa presença mais fixa na área (Mitroglou) que poderia ter marcado logo na primeira intervenção que teve, aos trinta segundos. Faz tudo bem, tirou o adversário da frente, mas depois não acertou com a baliza. Estivemos um pouquinho melhor, mas não houve muitas diferenças para aquilo que vimos na primeira parte, pois o Atletico parecia continuar a conseguir manter o jogo sob controlo. E chegou mesmo ao segundo golo, num desvio subtil ao primeiro poste após centro vindo da direita. Não me parece que o Júlio César tenha ficado isento de culpas neste lance, já que tentou antecipar demais o cruzamento e acabou por desguarnecer demasiado o primeiro poste. Talvez devido à vantagem confortável, o Atletico pareceu afrouxar um pouco a pressão sobre o portador da bola, e foi nessa fase que o Benfica acabou por estar melhor no jogo. Conseguimos reduzir a um quarto de hora do final pelo Mitroglou (muito bom trabalho dentro da área, à ponta de lança, a receber e a rodar para marcar) e depois disso, muito mais com coração do que cabeça, conseguimos submeter o Atletico a alguma pressão e o empate até chegou a estar perto de acontecer em algumas ocasiões, como numa cabeçada do Jiménez (que tinha entretanto substituído o Jonas) que passou rente ao poste, ou num remate de longe do Renato Sanches, quase da mesma zona de onde tinha marcado à Académica, que também levou a bola a passar muito próxima do alvo. Foi uma fase mais atípica do jogo, mas bem mais interessante de ver (por uma questão de emotividade, não pela qualidade do futebol) do que aquela enfadonha primeira parte. Infelizmente a nossa pressão final acabou por não dar em nada, e vimos assim o primeiro lugar fugir-nos.

 

 

É difícil fazer um destaque no jogo de ontem. O Renato Sanches deu nas vistas, mas parece-me que se está a colocar demasiado peso nos ombros dele. O entusiasmo do público de cada vez que ele tem uma boa intervenção acaba por contagiá-lo, e isso leva-o a cometer alguns exageros de individualismo que lhe via na equipa B e à consequente perda de bola - embora, verdade seja dita, muitas vezes ele subia praticamente sozinho, já que os colegas não o acompanhavam, e depois ficava sem qualquer opção de passe.

 

O segundo lugar deixa-nos expostos a algumas equipas que seria muito bom evitar, embora, vendo as coisas de um forma pragmática, eu nunca achei que as nossas probabilidades de sucesso na próxima fase da Champions fossem particularmente altas, mesmo que terminássemos no primeiro lugar. Quando muito haveria uma ou duas equipas que nos permitiriam acalentar esperanças legítimas de qualificação (o Gent, por exemplo), mas a maior parte das equipas que passaram seriam sempre um obstáculo difícil. A Champions é para fazer dinheiro, e neste momento o objectivo mínimo está alcançado. Tudo o que vier a mais, será um bónus.

publicado por D`Arcy às 00:17
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