Estivemos muito perto de ver acabar mais um jogo e fugir um objectivo mínimo a que nos propusemos, ficando a lamentar-nos do quão perdulários fomos na finalização. Felizmente, já muito perto do final, do banco saltou um herói improvável que deu justiça ao resultado e garantiu a nossa sobrevivência nas provas europeias.

Não foi surpresa para ninguém a aposta na mesma disposição táctica, tendo o nosso treinador optado por mexer o mínimo possível na estrutura da equipa. Face à ausência forçada do António Silva, e quando muitos especulavam com a entrada do João Victor no onze e a deslocação do Aursnes para a esquerda ou a entrada do Jurásek para colocar o Morato ao lado do Otamendi, a opção foi pela troca directa do António Silva pelo Tomás Araújo, mantendo tudo o resto na mesma. Agora é fácil dizer isto, mas confesso que mesmo com a minha contínua irritação pela utilização do Morato como lateral, tinha ainda uma boa dose de confiança de que seríamos capazes de sacar o resultado desejado. Isto porque no jogo da Luz achei que mesmo com a expulsão e os penáltis madrugadores fomos bastante superiores a este adversário, sendo a má finalização (que surpresa) a maior responsável por termos perdido esse jogo. E neste jogo a nossa equipa surgiu personalizada e a jogar de forma solta e agradável, mas há coisas que teimam em não mudar e quando o Rafa, ainda na fase inicial do jogo, desperdiçou uma ocasião em que surgiu isolado em frente ao guarda-redes depois de assistido pelo Tengstedt e rematou para fora lá fiquei a pensar se não iríamos assistir a uma reedição de um filme tantas vezes visto esta época. Uma vez mais foi pelo lado direito que mais jogámos, com o Di María e o Aursnes a serem dos principais responsáveis pela criação de lances de perigo. Na defesa, ainda permitimos alguns remates ao Salzburgo mais na fase inicial, que criava perigo sobretudo através de futebol mais directo. Fundamental seria sermos nós a marcar o primeiro golo, o que aconteceu pouco depois da meia hora de jogo: um pontapé de canto marcado pelo Di María, o Otamendi atacou a bola ao primeiro poste em luta com um defesa mas ninguém tocou na bola, e esta acabou por entrar directamente na baliza austríaca. Injecção de confiança para o nosso lado e certamente dúvidas a instalar-se no Salzburgo, que com uma equipa bastante jovem e inexperiente não estaria imune a estas coisas. Melhor ainda ficou o cenário quando o Rafa finalmente acertou com a baliza e no período de compensação nos deu a vantagem de dois golos necessária para o apuramento.O lance começa com o Tengstedt a pressionar o jogador do Salzburgo que tentava sair a jogar pela zona central, o que permitiu ao João Neves recuperar a bola. Apesar de ter sofrido falta ainda conseguiu colocar a bola no Di María mais sobre a direita, que desmarcou o Rafa nas costas da defesa adversária e este desta vez não complicou, rematando cruzado para o poste mais distante.

Depois do que aconteceu no último jogo contra o Inter era natural que mesmo assim houvesse desconfiança em relação ao que a segunda parte traria, mas nem foi preciso um minuto para perceber que, ao contrário desse jogo, o Benfica não vinha para descansar à sombra do resultado ou fazer qualquer tipo de gestão. Aparecendo com o Musa no lugar do Tengstedt, a intenção do Benfica era claramente ir à procura de mais golos para resolver de vez o assunto. Só que mais uma vez o fantasma do desperdício regressou para nos assombrar, sempre com o Rafa a destacar-se neste particular. Só nos minutos iniciais: Rafa remata para a bancada, o Musa quase na pequena área e pressionado por um defesa acaba por não conseguir o desvio para a baliza , o Kokçu rematou para fora, o mesmo fez o Di María, e para finalizar em beleza, o Rafa consegue de forma absolutamente incrível acertar no guarda-redes quando, a passe do inevitável Di María, estava completamente sozinho em frente à baliza e na pequena área. O Salzburgo durante toda a segunda parte pareceu quase baralhado e sem capacidade para responder à pressão alta que o Benfica exerceu, e que neste jogo de facto funcionou, condicionando muito a saída de bola do adversário. Mas a resposta do Salzburgo às ocasiões desperdiçadas pelo Benfica foi terrível: vai pela primeira vez à frente, remate à entrada da área e a bola desvia no Tomás Araújo tornando-se indefensável para o Trubin. Benfica novamente eliminado e a precisar de mais um golo. Que continuámos a perseguir de forma decidida. A segunda parte foi completamente dominada pelo Benfica, com os austríacos a conseguirem apenas sair esporadicamente em contra-ataque, aproveitando o espaço que o Benfica concedia mais atrás por estar a jogar quase sempre no meio campo adversário. A irritação e frustração iam no entanto aumentando à medida que o tempo corria e as ocasiões de perigo se iam acumulando enquanto a bola teimava em não entrar. O Di María acertou no poste num remate cruzado típico dele, o Rafa atirou mais uma vez para fora quando estava em óptima posição na área - tem a desculpa de ter tentado a finalização de primeira e de pé esquerdo - e uma vez mais o Rafa, a passe do Di María e depois de se libertar com classe da marcação directa, isolou-e e atirou contra o guarda-redes. Começava mesmo a parecer que seria mais uma daquelas noites, mas o Benfica nunca baixou os braços e continuou à procura de ser feliz, já com o Gonçalo Guedes no lugar do Kokçu - o nosso treinador repetiu a substituição do jogo com o Farense, mas desta vez retirou o turco em vez do João Neves. Para o período de compensação (e após mais algumas ocasiões falhadas e o que me pareceu um penálti sobre o Di María, que provavelmente passou em claro porque o lance foi mesmo sobre a linha de fundo) aposta deliberada no ataque com a entrada do Cabral para o lugar do João Mário. Nesta altura o Benfica jogava numa espécie de 3-1-6, já que o Otamendi jogava ao lado dos pontas-de-lança e o João Neves era por si só o meio campo. Também não era necessária mais gente atrás porque o Salzburgo estava completamente remetido à sua área. E foi dos pés do João Neves que nasceu a jogada do terceiro golo: um grande passe para as costas da defesa, sobre a direita, onde apareceu o Aursnes vindo de trás numa arrancada imparável para dentro da área e perto da linha de fundo cruzar a bola (de primeira e sem a deixar sequer cair no relvado, note-se) para o Cabral, que no meio se tinha libertado da marcação e estava sozinho na pequena área. O cruzamento saiu um pouco atrasado e o Cabral finalizou da melhor maneira que podia: de calcanhar. Uma grande jogada, um grande golo, e o final perfeito para um jogo que o Benfica mereceu ganhar pelo resultado que precisava, e tudo fez para o conseguir.

Destaque maior no Benfica para o Di María. Dando sequência ao jogo que já tinha feito contra o Farense, desta vez esteve ainda melhor. Tentou o golo de várias formas, esteve na maior parte dos ataques do Benfica, e criou inúmeras oportunidades para os colegas. Acaba o jogo com um golo de canto directo e uma assistência para o Rafa, mas poderiam ter sido bem mais (quer golos, quer assistências). Esteve muito bem acompanhado quer pelo Aursnes, que esteve imparável pela direita (e à medida que se vai familiarizando cada vez mais com a posição, começa a fazer pensar que o Bah poderá ter sérias dificuldades em recuperar o lugar) e pelo João Neves, o dínamo do meio campo e um dos responsáveis pela pressão alta do Benfica ter sido eficaz. E o passe dele no lance do terceiro golo é simplesmente sublime. Nota para a estreia do Tomás Araújo como titular na Champions: acho que não haverá muitas dúvidas sobre o valor dele, mas provou que é uma opção muito válida. Fez um jogo bastante tranquilo e eficiente, não parecendo acusar qualquer tipo de pressão.
Mais uma vez, seria muito bom que conseguíssemos aproveitar este jogo e este resultado para nos motivarmos e arrancarmos finalmente para um registo mais consentâneo com aquilo que fizemos a época passada, mas também já tivemos aquela injecção enorme de moral no dérbi e a seguir fomos empatar com o Moreirense. A nosso favor o facto de desta vez, para além da atitude da equipa, a exibição ter sido de facto bastante mais convincente. Veremos como aproveitamos isto nó próximo jogo em Braga, que será muito decisivo. Podemos ter vários motivos de queixa do nosso futebol esta época, mas a verdade é que até agora não temos grandes razões de queixa dos jogos mais importantes.
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