Não vale a pena estar com meias palavras: era um jogo de sobrevivência para o Benfica, porque regressarmos do Porto a sete pontos da liderança seria um golpe demasiado forte nas ambições do Benfica - para além do enorme reforço de confiança que isso daria aos adversários. O primeiro objectivo era portanto não perder, e isso foi alcançado até com muito menos dificuldade do que eu antecipava.

Foi com o mesmo onze de Londres que entrámos, e mais uma vez fiquei com a sensação de ver uma equipa organizada em campo. O Porto este ano joga muito na base da pressão sobre o adversário - o que conseguem fazer de forma bastante eficaz - e transições muito rápidas assim que a bola é recuperada, sobretudo em zonas mais adiantadas. O Benfica conseguiu na maioria do jogo lidar bem com a pressão adversária e anulou os pontos que têm sido mais fortes no adversário. A colocação do Aursnes mais sobre a esquerda, num apoio mais directo ao Dahl, ajudou a conter a ala direita do Porto e a travar as subidas do Alberto Costa. O Sudakov, partindo também da esquerda, ocupou mais vezes a zona central no apoio ao Pavlidis. Outro dos médios, o Ríos, ocupou-se de controlar as movimentações do Froholdt, que provavelmente por consequência disso esteve muito menos influente do que aquilo que costuma ser no jogo do Porto. Como o Porto também (admitido pelo seu treinador) não quis arriscar demasiado com receio de ser surpreendido num contra-ataque, as equipas acabaram por encaixar uma na outra e assistimos a um jogo que, apesar de bastante disputado, acabou por ser até aborrecido de ver. Poucas finalizações e poucas situações de perigo - o primeiro remate à baliza que houve no jogo até foi do Benfica, num livre do Sudakov que o Diogo Costa segurou com facilidade. A resposta do Porto foi a melhor ocasião de golo da primeira parte, numa bola que acabou por sobrar solta no meio da área e que o Pepê atirou por cima. Perto do intervalo, a segunda ocasião de perigo, em mais uma bola que sobrou na área do Benfica depois de uma primeira tentativa de remate bloqueada sobre o nosso lado direito, e que o Gabri Veiga rematou contra o Trubin. A segunda parte foi ainda mais calma e o Benfica pareceu-me sempre bastante confortável no jogo. A única enorme excepção foi já no período de descontos, quando o Benfica (em particular, o Barrenechea) não matou uma transição logo no meio campo - e já sofremos vários dissabores nos últimos tempos por via disso - e o lance acabou com um remate colocado do recém-entrado Rodrigo Mora que levou a bola à barra da nossa baliza. O jogo foi típico de um nulo, e foi mesmo assim que acabou.

Achei que o António Silva fez um jogo bastante positivo, tendo conseguido controlar o Samu quase sempre sem grandes problemas. O Barrenechea também fez um jogo defensivamente bastante sólido. Mas acima de tudo acho que fomos uma equipa geralmente bem organizada e solidária.
Não foi particularmente surpreendente para mim que tenhamos conseguido anular os pontos fortes do Porto e não perder o jogo. Toda a gente sabe que observar bem os adversários para depois fazer isso é uma das especialidades do Mourinho. Nesta situação, e não tendo eu qualquer vontade de celebrar um empate, tenho que admitir que isto foi-nos útil. Em comparação com os tempos mais recentes, nos dois últimos jogos vi o Benfica jogar mais organizado como equipa. Agora quero ver se haverá evolução da equipa em jogos em que terá a obrigação de ter a iniciativa, desmontar defesas reforçadas, e vencer. Esse continua a ser o grande ponto de interrogação.
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