Uma vitória mais complicada do que seria de prever (quase exclusivamente por nossa culpa) que nos vale a liderança isolada à quarta jornada. Estamos agora sozinhos onde desejamos estar no final da época.

Uma alteração inesperada no onze, a troca do Gilberto pelo Bah, e um regresso, o do Otamendi para o lugar que tinha sido ocupado pelo António Silva. Logo na fase inicial a sensação não foi a melhor - o Paços tentou sempre ser uma equipa chata, e o Benfica foi menos agressivo e incisivo do que o habitual. Para além disso, aos quinze minutos o árbitro Soares Dias já tinha conseguido incendiar os ânimos no estádio e lançar uma espécie de nervosismo geral - não era muito difícil, porque o público já estava virado contra ele logo de início. Durante a primeira hora de jogo o Benfica foi anormalmente inofensivo em frente à baliza, enfeitando demasiado as jogadas e rematando muito pouco. Marcámos um golo pouco depois da meia hora, pelo o Otamendi, mas nem sequer o festejei porque logo em tempo real no estádio fiquei com a sensação de que o Rafa estaria em posição irregular no início da jogada, o que o VAR se encarregou de confirmar. E como tantas vezes acontece, bastou o Paços rematar um vez para fazer aquilo que o Benfica não conseguia, e chegar ao golo. A seis minutos dos quarenta e cinco, um remate de fora da área no seguimento de um canto foi desviado de cabeça pelo Koffi já dentro da área, não dando quaisquer hipóteses de defesa ao Vlachodimos. O Paços fazia o seu primeiro golo da época, e o Benfica sofria o seu primeiro golo. O melhor que o Benfica fez foi a reacção a este golo. Noutros tempos o mais normal seria a equipa vir abaixo, mas hoje a reacção foi boa e até jogámos melhor e fomos muito mais incisivos depois de sofrermos o golo. Claro que ajudou muito termos empatado o jogo praticamente na resposta, pelo que o Paços não teve tempo para aproveitar a vantagem para aumentar o nosso nervosismo. Bom toque do Rafa a desmarcar o Neres pela direita, e depois uma intervenção muito má do guarda-redes do Paços permitiu que o remate frouxo do Neres lhe passasse por baixo do braço, com a bola a rolar lentamente para dentro da baliza. Logo a seguir, remate rasteiro do João Mário de fora da área, com a bola a embater no poste. E já em período de compensação, para espanto de todos os presentes, o Artur Soares Dias assinalou penálti a favor do Benfica. Uma bola cruzada por alto pelo João Mário, disputa da mesma no ar entre o Bah e o guarda-redes, com este a atingir o Bah na cabeça. Confesso que não me pareceu dos lances mais evidentes de penálti (já vi o Soares Dias ignorar vários bem mais claros a nosso favor) e se não tivesse sido assinalado pelo árbitro de campo, duvido que o VAR o assinalasse. O João Mário encarregou-se de o transformar em golo, e levar assim o Benfica em vantagem para o intervalo.

Ao contrário da primeira parte, o Benfica entrou forte na segunda e determinado em resolver cedo o jogo. Logo nos primeiros minutos voltámos a ter um golo anulado, numa boa jogada desenvolvida pela direita que deixou o Bah entrar na área para marcar, mas o dinamarquês estava mais uma vez em posição irregular. Continuou o Benfica a carregar, e ao fim de dez minutos chegou mesmo o terceiro golo, pelo Gonçalo Ramos a antecipar-se a um defesa e ao guarda-redes para finalizar o cruzamento do João Mário da esquerda, naquela que foi uma das melhores jogadas do Benfica no jogo. A partir daqui, o Benfica dedicou-se afincadamente ao desperdício, não marcando o quarto golo em diversas ocasiões por culpa exclusivamente própria. Pouco depois de terceiro golo, o Gonçalo Ramos isolou-se pela direita, correu meio campo sozinho, e permitiu a defesa ao guarda-redes. Foi pouco depois substituído pelo Musa, que ao contrário do que aconteceu no Bessa não teve uma entrada feliz no jogo, sendo apenas mais um a juntar-se ao esforço colectivo para desperdiçar ocasiões de golo e somando algumas finalizações bastante más. Depois achei que houve talvez alguma sobranceria da parte do Benfica, que diminuiu a intensidade do seu jogo e continuou a desperdiçar as ocasiões que criava, muitas vezes por excessos individuais da parte dos jogadores. Trocámos o Neres e o Rafa pelo Diogo Gonçalves e o Henrique Araújo, e estes foram mais dois jogadores que não entraram bem. Até o Henrique Araújo esteve anormalmente desastrado a finalizar, atirando para a bancada numa ocasião em que estava na marca de penálti, ou demorando muito tempo noutra até permitir a intervenção de um defesa. Entretanto, e logo a seguir a estas duas entradas e quando faltavam dez minutos para o final, o Paços fez o seu segundo remate no jogo (tecnicamente foi o terceiro, mas apenas porque se contabilizaram dois no lance do primeiro golo - o remate inicial que ia para fora e o desvio para o golo) e marcou o segundo golo. Um lance simples em que um adversário entra pela esquerda da nossa defesa, e passa a bola entre as pernas do Morato, com o Otamendi a perder infantilmente a marcação ao Koffi e este a empurrar com facilidade para o golo. Não houve um terceiro remate que pudesse custar-nos a vitória nem qualquer ocasião de perigo imediato para a nossa baliza, mas houve obviamente nervosismo no estádio à espera do apito final.

Destaques no Benfica, habituais, para o João Mário, Florentino, Rafa ou Neres - embora no caso deste último, apesar do golo marcado e de ter criado diversos desequilíbrios, eu achar que foi excessivamente individualista em várias ocasiões e complicou aquilo que deveria ser fácil. Na fase final da primeira parte, por exemplo, desperdiçou duas jogadas que quase tinham a obrigação de acabar em golo, nas quais o Benfica contra-atacou com evidente superioridade numérica e tudo se perdeu por se ter agarrado à bola em vez de a soltar na altura certa. O Bah melhorou na segunda parte, mas fiquei com a sensação de que não deu ao lado direito a dinâmica a que o Gilberto nos habituou, o que foi surpreendente para mim. O mais anormal para mim foi o jogo mais apagado do Enzo, com vários passes falhados e algumas perdas de bola.
No cômputo geral, fiquei satisfeito com a vitória e a subida ao primeiro lugar, mas não gostei muito. Não podemos sofrer dois golos nos únicos dois remates do adversário, ainda por cima quando esse adversário se apresentou desfalcado e ainda nem sequer tinha marcado ainda qualquer golo esta época. E acima de tudo, não podemos marcar três golos mas desperdiçar mais do dobro de ocasiões flagrantes para marcar. Este tipo de desperdício normalmente paga-se caro. Fizemos vinte e sete remates (creio que terá sido o jogo em que mais rematámos esta época) e o aproveitamento para tamanha produção ofensiva terá obviamente que ser melhor se quisermos evitar dissabores.
P.S.- Estarei ausente nas próximas semanas, pelo que não irei escrever nada sobre os nossos próximos dois jogos.
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