VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quarta-feira, 2 de Outubro de 2019

Brindes

Mais um jogo na Champions e mais um cenário e desfecho que infelizmente já se vão tornando hábito para o benfiquistas. Quando vejo o Benfica jogar na Champions as minhas expectativas já são sempre baixíssimas, e os jogos, quer estejamos a jogar bem ou mal, resumem-se a esperar pelo momento em que vamos dar um brinde ao adversário e ele vai inevitavelmente marcar.

 

 

Para hoje houve uma aposta em jogadores mais experientes como o Jardel e o Fejsa, o regresso do Gabriel e o adiantamento do Taarabt para o apoio mais directo ao Seferovic. A excepção forçada foi o jovem Tomás Tavares no lugar do lesionado André Almeida. O jogo começou praticamente com uma ocasião de golo para o Zenit e outra para o Benfica na resposta, um cabeceamento do Seferovic que passou perto do poste. Isto não foi exemplo para o resto do jogo, que foi muito mais calmo e com poucas ocasiões. O Benfica voltou por diversas vezes a exibir padrões vitorianos de jogo, com muitas trocas de bola sem progressão. Talvez a intenção fosse tentar manter a posse de bola, mas fazer apenas isso e não ter outro objectivo não faz muito sentido. Continuo a notar grandes diferenças em relação à época passada. Nessa altura atacávamos o espaço vazio, ou seja, os jogadores sem a bola faziam movimentações para esses espaços, o que permitia ao colega com bola fazer passes para lá. Hoje o que eu vi foi passes quase sempre feitos para os pés de colegas quase estáticos, e se não houvesse linha de passe quase nem havia a tentativa de criar uma, e o jogador que tinha a bola que se arranjasse. Conforme disse, para mim estes jogos limitam-se a ser uma espera pelo brinde, por aquele erro quase de principiante que na Champions resulta quase sempre no golo adversário. E ele aconteceu, obviamente. Quando tudo indicava que a melhor opção seria mesmo afastar a bola da nossa área, tentámos fazer uma saída sob pressão com um passe do guarda-redes para o Fejsa, que estava de costas voltadas para o meio campo adversário e com adversários por perto. Foi de imediato pressionado, perdeu a bola, o Jardel estava perto da linha da pequena área e por isso assegurou que o avançado russo que estava acampado na área ficava em jogo, e golo. Uma história tantas vezes vista. A entrada na segunda parte foi má, com os russos a ameaçarem o segundo golo, e só depois da hora de jogo é que melhorámos um pouco com as trocas do Pizzi e do Fejsa pelo Caio e o Vinícius. Não que os referidos jogadores tenham jogado particularmente bem (o Vinícius não fez absolutamente nada para além de falhar um golo quase feito nos instantes finais do jogo) mas a equipa num todo pareceu ganhar alguma dinâmica. Só que por outro lado o meio campo com Gabriel e Taarabt deixava mais espaço livre nas suas costas, que o adversário podia explorar. E num contra-ataque o Rúben Dias fez auto-golo (mais um brinde) e a equipa perdeu a compostura de forma inadmissível. Levámos logo com um terceiro, num lance que já nem nos iniciados se admite - um livre marcado rapidamente para as costas da defesa, com um adversário a ficar isolado. E não levámos logo a seguir o quarto porque o lance em que mais uma vez um adversário ficava isolado foi anulado por um fora-de-jogo de centímetros. A dez minutos do final o De Tomas rendeu o calamitoso Seferovic e ainda conseguiu dar um ar da sua graça, marcando o primeiro golo pelo Benfica - um pontapé bem de fora da área que levou a bola ao ângulo.

 

 

Acho que o único jogador do Benfica que se destacou foi o Gabriel. Ele bem tentou fazer o nosso jogo fluir, recuperou bolas, distribuiu jogo, e perto do final até apareceu na área adversária a tentar o golo de cabeça. Mas por vezes parecia estar a jogar sozinho.

 

Estamos no último lugar do grupo e a continuar assim até a Liga Europa será um objectivo muito difícil de alcançar. Honestamente, a sensação que tenho quando nos vejo jogar na Champions é que estamos completamente fora do nosso ambiente, como um peixe fora de água. E depois as exibições e resultados acabam por reforçar esse sentimento. Não é algo propositado, é simplesmente o acumular de maus resultados e exibições nos últimos anos que faz com que seja assim. Custa-me ver a equipa parecer quase sempre descrente em si própria nestas ocasiões.

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publicado por D`Arcy às 23:13
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Domingo, 29 de Setembro de 2019

Caro

O ponto está muito caro por estes dias. E esta noite, num jogo que em termos exibicionais teve períodos que até se poderiam encaixar numa fase menos boa da era Rui Vitória, confirmámos isso mesmo. Somámos os indispensáveis três pontos mas foi preciso suar muito, e resta por saber qual o preço exacto que pagámos por eles.

 

 

Voltámos ao onze mais habitual, sendo a maior novidade a aposta no Gedson para segundo avançado, relegando o De Tomas para o banco de suplentes. O jogo previa-se complicado frente ao mais do que esperado autocarro do Setúbal e infelizmente não foram necessários muitos minutos para se ficar com a certeza de que seria mesmo assim. Achei aliás que o lance em que, logo nos primeiros minutos, o Seferovic se isolou e conseguiu ir a correr direito ao guarda-redes e chutar desastradamente a direito contra ele (apesar do lance depois ser anulado por fora-de-jogo) foi um presságio para a falta de inspiração ofensiva da nossa equipa. O Setúbal foi jogar claramente para o nulo. Não admira que tenha apenas um golo marcado no campeonato, porque não mostrou a menor intenção de procurar o golo. Foi simplesmente defender com unhas e dentes, com um bloco muito baixo e toda a gente atrás da linha da bola, recorrendo ao antijogo se fosse necessário - logo na primeira parte já o guarda-redes se dedicava a perder tempo em qualquer reposição de bola. Só que perante equipas destas exige-se que o Benfica procure o golo de forma mais decidida do que o fez, porque senão apenas está a facilitar o trabalho à equipa adversária. Em relação ao Benfica que conquistou o último campeonato graças a uma segunda volta brilhante, este Benfica parece ter perdido objectividade. O que caracterizava o Benfica da época passada era uma procura incessante do golo, transições rápidas que faziam a bola chegar a zonas de finalização através de futebol vertical e simplicidade de processos, e depois muita gente a aparecer nessas zonas para resultar em muitas finalizações por jogo. Esta noite vi demasiada complicação de processos. Muitos passes desnecessários sem progressão (daí virem-me à memória jogos da era Rui Vitória) e a lentidão daí resultante a permitir sempre ao adversário reorganizar-se e preparar-se para cada ataque nosso. E se compreendo que por vezes a progressão era dificultada pelo autocarro do Setúbal e éramos mesmo obrigados a fazer a bola circular, também achei que essa circulação foi quase sempre feita sem muita velocidade, e nas ocasiões em que tínhamos oportunidade para sair mais rápido complicámos quase sempre o processo. E quando a bola era metida para zonas mais próximas da baliza adversária, havia muita falta de presença na área - por diversas vezes andava lá o Seferovic sozinho (quando não estava em fora-de-jogo) no meio de cinco ou seis adversários. Por isso, mesmo tendo o jogo tido sentido único e sendo quase todo disputado no meio campo do Setúbal, o nulo ao intervalo não era surpresa.

 

 

Alteração imediata para a segunda parte, com a troca do Fejsa pelo Gabriel na tentativa de acrescentar maior capacidade de passe para desposicionar a camião TIR sadino. E o Benfica até melhorou mesmo e imprimiu mais velocidade ao seu jogo, mas curiosamente foi nessa altura que o Setúbal conseguiu pela primeira vez no jogo criar uma ocasião de maior perigo e fazer o seu primeiro remate, num contra-ataque que consistiu numa iniciativa individual pela direita que terminou num remate à malha lateral. Continuava a ser muito difícil ao Benfica ultrapassar o autocarro de Setúbal, e só à passagem da hora de jogo, quando o Vinícius rendeu o Pizzi, é que o Benfica conseguiu finalmente aumentar de forma notória a pressão sobre a baliza adversária. E não demorou muito até obter resultados directos disso, pois apenas quatro minutos depois de ter entrado o Vinícius conseguiu finalmente derrubar a muralha sadina. Na sequência de um canto marcado pelo Grimaldo o Makaridze fez uma defesa incrível a um primeiro remate do Ferro, tendo o Rafa recuperado a bola. Depois de ganhar a linha de fundo tentou o centro, o Makaridze tentou afastar a bola mas deixou-a ao alcance do Vinícius, e este com um bom trabalho individual antecipou-se à tentativa do guarda-redes de agarrar a bola e depois de se virar fez um remate algo enrolado que levou a bola a entrar bem junto do poste. O mais difícil estava feito, até porque o Setúbal não parecia mostrar capacidade para atacar e colocar a nossa baliza em risco. Foi aliás o Benfica a estar completamente por cima no jogo, entusiasmado pelo golo e pelo apoio nas bancadas. Pensei que caminharíamos para uma vitória mais ou menos tranquila, provavelmente com pelo menos mais um golo marcado, mas a dez minutos do final o lagartito do apito resolveu entrar em acção e dar mais emoção ao jogo - já tinha ficado com a impressão de que tinha ignorado um possível penálti sobre o Rafa quando este foi abalroado na área. Numa bola dividida em que o Taarabt entra em carrinho, joga a bola e acerta também no adversário, resolve expulsá-lo. A partir daqui o Benfica passou a jogar com nove, porque o Vinícius foi fechar a esquerda e foi literalmente um jogador a menos, incapaz de acompanhar o lateral daquele lado ou prestar qualquer tipo de auxílio a defender. O amarelo mostrado ao Vlachodimos mostrou a intenção do lagarto Martins: chegado a casa fui contar o tempo, e ele conseguiu amarelar o nosso guarda-redes por perda de tempo quatro segundos depois da bola ter saído pela linha final. Isto depois de ter permitido ao Makaridze tudo e mais alguma coisa no que diz respeito à perda de tempo. Mas o Setúbal é uma equipa demasiado rotinada a defender e portanto muito pouco capaz no que diz respeito a procurar o golo. Apesar do domínio territorial exercido até ao final e do natural nervosismo dos adeptos, o número de ocasiões de perigo criadas durante o tempo que passou até ao lagarto Martins desistir de tentar dar uma pequena alegria às suas hostes no meio de tanta desgraça foi exactamente zero. Não vou dizer que foi por causa do árbitro que o Benfica teve tantas dificuldades em vencer este jogo, mas a opinião com que fico (mesmo dando o desconto que tenho péssima opinião deste árbitro) é que foi uma arbitragem claramente desastrada e mesmo tendenciosa.

 

 

É muito difícil escolher algum jogador a destacar na exibição do Benfica esta noite. Gedson foi uma aposta falhada a segundo avançado. O Seferovic dividiu o seu tempo entre estar fora-de-jogo e falhar ocasiões. O Pizzi esteve apagadíssimo, o Taarabt, apesar de tentar passes de ruptura, quase sempre deu mais um toque na bola e atrasou o jogo o tempo suficiente para permitir a intercepção a um adversário. Talvez o Rafa, como de costume, tenha o mérito de tentar criar desequilíbrios mesmo que através de iniciativas individuais.

 

Como disse no início, vamos esperar para ver qual o preço a pagar por esta vitória. O André Almeida teve que ser substituído antes do final. O Rafa, um dos nossos jogadores mais influentes, terminou o jogo em grandes dificuldades, sobretudo por causa de uma trancada que levou no tornozelo num lance que não mereceu por parte da arbitragem o mesmo critério que utilizou em relação ao Taarabt. De qualquer forma parece-me que é evidente para todos, incluindo o Bruno Lage, que temos que melhorar a nossa produção ofensiva. Senão vamos ter grandes dificuldades contra todas as equipas que se fecham assim atrás quando jogam contra nós. Que são quase todas as equipas do nosso campeonato.

 

P.S.- Já acabavam com a parvoíce do fogo de artifício e labaredas e outras coisas tais, não? Andar a atirar foguetes antes do jogo é estar a pedir para depois ir apanhar as canas. Que desperdício de dinheiro numa coisa perfeitamente inútil. Já basta ter que levar com música aos berros que nem deixa uma pessoa ouvir ou apreciar as manifestações do público como aplausos à equipa ou vaias ao lagarto que arbitrou. Hoje em dia parece que já nem sequer temos tempo para festejar um golo do Benfica sem levar logo com música aos berros e o speaker aos gritos em cima.

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publicado por D`Arcy às 01:18
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Quarta-feira, 25 de Setembro de 2019

Descolorida

Exibição descolorida de uma equipa secundária do Benfica e um nulo final que até podemos considerar um pouco feliz, já que o Vitória poderia perfeitamente ter ido em vantagem para o intervalo e parece-me que seria particularmente complicado para o Benfica recuperar dessa situação.

 

 

Foi uma equipa do Benfica muito transfigurada, na qual houve apenas três 'sobreviventes' da última equipa do campeonato: Rúben Dias, Taarabt e Seferovic. De resto, Zlobin na baliza, Jardel na dupla com o Rúben Dias, e laterais entreges aos miúdos Tavares, Tomás e Nuno. Samaris, Gedson, Jota e Caio completaram o onze. Ao ver a constituição da equipa pensei que o plano fosse entregar uma ala ao Jota e colocar o Gedson no apoio mais directo ao avançado, mas de início foi ao contrário, tendo o Gedson jogado na direita. Mas a meio da primeira parte trocaram mesmo de posição, e o nosso jogo até melhorou um bocadinho. Não muito, porque em geral o nível foi sempre abaixo do exigível. Na minha opinião faltaram várias coisas ao nosso futebol: envolvimento ofensivo dos laterais, velocidade nas transições, agressividade e verticalidade. Acho que na primeira parte em termos ofensivos nos ficámos por um remate do Gedson para a bancada e uma cabeçada do Jardel para fora num canto. O Vitória apostou numa estratégia paciente, não se importando de ficar a trocar a bola atrás por longos períodos de forma a chamar a equipa do Benfica e depois tentar a transição rápida. Mesmo antes do intervalo podia ter chegado ao golo, num lance caricato em que a nossa equipa foi pouco expedita a afastar a bola da sua área e a bola acabou por bater nos ferros duas vezes - instantes antes já a bola tinha embatido no poste depois de uma defesa do Zlobin. Na entrada para a segunda parte não houve alterações na equipa, mas notei um maior atrevimento dos laterais. Conseguimos também controlar melhor o jogo, e o Vitória viu-se muito menos no ataque do que aquilo que tinha acontecido durante a primeira parte. Mas o Benfica só ficou realmente por cima no jogo quando, entre os sessenta e os sessenta e cinco minutos de jogo, o Rafa e o regressado Gabriel renderam o Jota e o Samaris. O Rafa veio trazer velocidade e o Gabriel a qualidade de passe que lhe conhecemos, permitindo variações de flanco e passes a rasgar para as costas da defesa adversária. Durante os vinte e cinco minutos finais começámos a criar ocasiões de perigo e a estar no ataque de forma mais consistente e prolongada - nos minutos finais já com o De Tomas no lugar do Caio - mas não houve acerto para chegar ao golo. As ocasiões do Caio, do Seferovic e do Rafa (as duas últimas resultantes de subidas do Tomás Tavares pela direita, realçando a importância do envolvimento ofensivo dos laterais) mereciam melhor finalização.

 

 

A primeira parte do Benfica teve tão pouco de relevante que acho que o Rafa e o Gabriel conseguiram ser dos melhores jogadores do Benfica, apesar de terem jogado menos de meia hora. Dos que jogaram de início, talvez o Taarabt mereça o destaque por ter sempre jogado a uma rotação mais alta que os restantes.

 

Não foi o melhor começo para a Taça da Liga, e é provável que o apuramento possa vir a decidido pela diferença de golos. Vamos ter que jogar mais e melhor do que isto para no próximo sábado ultrapassarmos uma das defesas mais complicadas da Liga - em seis jogos apenas sofreram golos num deles.

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publicado por D`Arcy às 23:46
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Domingo, 22 de Setembro de 2019

Uff!

Uma vitória arrancada no último suspiro de um jogo complicadíssimo, em que a qualidade do nosso futebol esteve bastante longe daquilo que esperamos da nossa equipa. Por falta de inspiração nossa (apenas dois remates em vinte e um levaram a direcção da baliza) e também por mérito do Moreirense.

 

 

O Benfica apresentou um onze mais próximo do habitual, com os regressos à titularidade do André Almeida, Rafa, Seferovic e Fejsa, em comparação com a equipa que jogou na Champions. O Cervi passou directamente do campo para a bancada. A entrada do Moreirense no jogo foi bastante boa e serviu imediatamente de aviso para o Benfica que não teria uma noite fácil. Só ao fim de um quarto de hora é que o Benfica deu o primeiro verdadeiro sinal de perigo, numa boa jogada entre o Seferovic e o Pizzi, que terminou com um remate deste último às malhas laterais quando estava um muito boa posição. Esse lance pareceu despertar o Benfica, que nos minutos que se seguiram conseguiu encostar o Moreirense bem atrás, recuperando quase sempre a bola ainda dentro do meio campo adversário e raramente permitindo qualquer saída para o ataque. vi diversas vezes os nossos centrais bem metidos no meio campo adversário, e o Fejsa a recuperar bolas à entrada da área adversária, o que era indicativo da atitude da equipa. Mas no que diz respeito a criar situações de golo e rematar à baliza não conseguimos ser competentes - devemos ter feito no máximo meia dúzia de remates durante a primeira parte, o que é manifestamente pouco em jogos destes contra equipas que se fecham bem atrás. Houve pouca velocidade no nosso jogo, que só parecia ser dada quando a bola chegava aos pés do Rafa. No lado direito achei o André Almeida demasiado encolhido, e faltou profundidade por esse lado.

 

 

A segunda parte começou da pior forma possível, com o Moreirense a chegar à vantagem logo nos instantes iniciais. Um cruzamento a partir da direita sofreu um desvio no centro e fez a bola ir cair do lado oposto, onde estava um adversário completamente à vontade para finalizar com um remate cruzado. A partir daqui a nossa tarefa ficou exponencialmente mais complicada. Com bastante mérito para o Moreirense também, diga-se. Foi uma constante durante todo o jogo a forma organizada como jogaram, com os jogadores sempre muito solidários, conseguindo assim limitar muito o nosso jogo. Fiquei sempre com a sensação de que não conseguíamos encontrar espaço para jogar, especialmente espaço entre linhas, que é algo em que o Benfica insiste sempre muito. Mas esse espaço simplesmente não existiu durante quase todo o jogo. A meio do segundo tempo trocámos o Fejsa pelo regressado Gedson e pareceu-me que foi uma alteração benéfica para o nosso jogo. De qualquer forma o cenário continuou a parecer muito negro para as nossas cores. Falta de vontade ou atitude nos nossos jogadores não me pareceu que faltassem, mas faltava sim inspiração e espaço para chegar ao golo. Até que a cinco minutos do final o Rúben Dias despejou a bola para a área, um defesa do Moreirense desviou-a e fez com que fosse ter com o Rafa, que de cabeça e parecendo quase que um bocado por acaso fez o empate. E de repente os benfiquistas que ocupavam a maior parte das bancadas pareceram acreditar que ainda seria possível chegar á vitória, e essa crença que incendiou as bancadas passou para a equipa. A dois minutos do final ainda fizemos entrar o Jota para o lugar do André Almeida e passámos a jogar apenas com três defesas (ou na prática dois, já que o Grimaldo era mais extremo do que defesa). O bom do Soares Dias fez o que lhe competia e, com o jogo empatado, deu três minutos de compensação, que isto de seis, sete, oito minutos quando se está empatado é só para alguns. Para azar dele, já no período de compensação o Rúben Dias voltou a fazer um despejo para a área e a bola seguiu para a ponta esquerda. Aí, o Jota recolheu-a e fez um cruzamento perfeito para que o Seferovic, entre os dois centrais do Moreirense, cabeceasse para a vitória. E como os três minutos já tinham sido dados, o jogo acabou logo a seguir - aposto que se o 2-1 tivesse surgido antes do minuto noventa o Amigo Soares Dias teria dado uns seis minutos de compensação.

 

 

Num jogo com vontade mas pouco brilho da nossa equipa acho que o melhor em campo foi o Rafa. Fez o importante golo do empate e durante todo o jogo foi quase sempre o principal responsável por imprimir velocidade e verticalidade ao nosso jogo, indo à procura dos espaços que teimavam em não aparecer.

 

E também com jogos destes que se ganham títulos. Foi importantíssimo regressarmos a Lisboa com os três pontos, até porque não custa muito imaginar o circo e o chinfrim que se montaria em redor da nossa equipa se isso não acontecesse. A julgar pela forma por vezes quase vil como o nosso treinador foi atacado depois da derrota na Champions, por ter tomado opções que pareceram pouco menos que inevitáveis (até uma 'guerra interna' vi um canal descobrir no Benfica) é óbvia a sede de sangue que têm as hienas que rondam o nosso clube.

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publicado por D`Arcy às 16:38
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Terça-feira, 17 de Setembro de 2019

Pormenores

Um jogo esforçado da nossa equipa, mas que acabou no cenário que infelizmente se vem tornando habitual na Champions. Contra uma equipa mais forte, falhar nos momentos decisivos é quase sempre fatal.

 

 

O onze do Benfica teve surpresas, com a estreia do Tomás Tavares na lateral direita, o Jota a fazer dupla na frente com o De Tomas, e o Cervi a jogar pela primeira vez a titular esta época. No meio campo, repetiu-se a dupla Fejsa/Taarabt. Na primeira parte conseguimos manter o jogo equilibrado e dividir o jogo com o actual líder da Bundesliga, ainda que se notasse que quando o Leipzig forçava mais tinha a capacidade para nos empurrar para trás, remetendo-nos a tentativas de saídas em contra-ataque. O Tomás Tavares cedo mostrou que não acusava muito a pressão do jogo, ainda que durante a primeira parte se limitasse quase sempre a tarefas defensivas, arriscando muito pouco. Talvez por cautela, o Pizzi esteve quase sempre muito encostado à direita, preocupado em fechar aquele lado e apoiar o lateral, e a equipa mais uma vez se ressentiu da sua ausência em funções de organização. O Jota esteve menos feliz, complicando diversas vezes as jogadas por algum excesso de individualismo, e o principal destaque acabou por ser mais uma vez o Taarabt, por quem acabava por passar quase todo o nosso futebol. Na segunda parte o Leipzig pressionou, esteve mais por cima no jogo e começou a ser preocupante a facilidade e frequência com que conseguiam colocar bolas nas costas da nossa defesa. Mas o Benfica conseguia manter os alemães em sentido com boas saídas para o ataque. Mas eu confesso que quando estou a ver os nossos jogos na Champions tenho sempre a sensação que num pormenor ou outro eles acabam sempre por cair para o lado do adversário. Por isso nem estranhei quando, depois de uma boa ocasião do Pizzi, o Leipzig marcou num lance básico. O Werner apanhou uma bola solta na área e rematou de pronto para o golo. Faltavam pouco mais de vinte minutos para jogar e podíamos ter chegado ao empate poucos minutos depois. Uma excelente iniciativa do Taarabt deixou o Cervi completamente isolado, mas este limitou-se a fazer um remate rasteiro à figura do guarda-redes. Mais uma vez a questão dos pormenores: o golo do Leipzig resultou de uma ocasião muito menos flagrante do que esta do Cervi, e erros destes ao nível da Champions pagam-se caros. O Benfica fez então entrar o Seferovic e o Rafa para os lugares do Pizzi e Cervi (antes já se tinha estreado o David Tavares, que substituiu o Jota). Só que o Leipzig chegou ao segundo golo a dez minutos do final, depois de mais uma bola metida nas costas da nossa defesa que resultou numa finalização fácil do Werner. O jogo parecia decidido, mas quatro minutos depois o Benfica reduziu pelo Seferovic, na sequência de uma boa jogada: o Tomás Tavares desmarcou o Rafa, que depois fez o passe rasteiro para a finalização do suíço. Feio o gesto de mandar calar os adeptos - se ele acha que não são justificadas as críticas às suas últimas exibições então está completamente iludido. A Luz animou-se e ainda se chegou a acreditar no empate, mas o Leipzig soube controlar o jogo até final.

 

 

Para mim os melhores do Benfica foram o Taarabt e o Vlachodimos. Também gostei do jogo do Rúben Dias, e o Tomás Tavares teve uma estreia positiva - não sei se teve instruções específicas para jogar da forma como jogou, mas tendo em conta aquilo que lhe conheço gostaria de o ter visto ser um pouco mais atrevido no ataque - o nosso golo resultou de uma subida dele, e também deu uma óptima oportunidade ao Pizzi.

 

Mais uma vez tivemos uma falsa partida na Champions. Não vou agora estar a criticar as escolhas do treinador para este jogo - tenho a certeza que jogaram aqueles que estavam em melhores condições para este jogo, e não acho que tenha sido por eles que o perdemos. Se fazem parte do plantel então têm que estar preparados para jogar quando forem chamados. Perdemos contra uma equipa com outro andamento um jogo que acabou decidido em pormenores. Não estou satisfeito, obviamente, mas não vou fazer uma tempestade por causa disto. Agora o importante para mim é ganhar o próximo jogo na liga.

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publicado por D`Arcy às 23:49
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Segunda-feira, 2 de Setembro de 2019

Resposta

A melhor resposta possível ao mau jogo da semana passada: vitória convincente numa das saídas mais complicadas no campeonato. Sem sermos brilhantes, voltámos pelo menos a ser uma equipa mais ligada, mas voltámos a exibir uma das facetas mais preocupantes do nosso futebol: a extrema falta de inspiração da nossa dupla de avançados, que só à sua conta deve ter desperdiçado uma meia dúzia de ocasiões flagrantes de golo.

 

 

Notas de destaque na nossa equipa para o regresso do André Almeida e a presença do Taarabt no meio campo para formar dupla com o Florentino. Quanto ao jogo, após um período inicial em que ambas as equipas estiveram algo expectantes, tornou-se depois relativamente aberto, com as equipas a tentar chegar rapidamente à frente quando tinham a bola. Mas apesar do jogo ser repartido em termos de posse de bola e ataques, o Benfica conseguiu quase sempre ser muito mais perigoso, sobretudo quando foi capaz de subir a linha de pressão bem para dentro do meio campo do Braga. Uma diferença óbvia e para melhor no nosso jogo foi dada pela presença do André Almeida na direita. Mesmo sem precisar de fazer um grande jogo, termos um lateral com a capacidade de conduzir a bola e cruzar com o pé direito deu-nos logo muito mais profundidade por aquele lado e não fomos uma equipa tão balanceada para a esquerda, como tinha sucedido nos últimos jogos. No meio, o Taarabt foi extremamente agressivo nas tarefas defensivas, o que é uma faceta que definitivamente não lhe associava. Uma característica essencial para um 'numero oito' e uma demonstração que está mesmo um jogador transfigurado com o Bruno Lage. Logo nos minutos iniciais a arbitragem não viu um corte grosseiro de um jogador do Braga com a mão quando o De Tomas tinha a possibilidade de se isolar após um pontapé longo do Vlachodimos. O Benfica chegou ao golo aos vinte e cinco minutos, num penálti marcado pelo Pizzi depois do Florentino ter sido pontapeado na cara. Em vantagem, o Benfica começou a criar ocasiões de golo sucessivas e suficientes para ficar mais descansado no jogo, mas só o Seferovic conseguiu desperdiçar três escandalosas quando o que parecia mais fácil era marcar. O que nos podia ter custado caro, porque o Braga não criou muitas ocasiões de golo mas quando criou uma, o Ricardo Horta acertou no poste quando estava em muito boa posição para marcar.

 

 

Se podíamos recear uma segunda parte complicada, depressa ficámos descansados. Ao fim de apenas seis minutos já tínhamos dilatado a vantagem para três golos. Primeiro com mais um golo do Pizzi, logo aos dois minutos. Uma boa jogada colectiva do Benfica, a fazer circular a bola em jogo interior para libertar o André Almeida na direita, que depois fez o cruzamento a meia altura para a área, onde surgiu o Pizzi a finalizar muito bem de primeira e com o pé esquerdo. Nada melhor para o André Almeida do que assinalar o regresso à equipa com uma assistência para golo, a exemplo daquilo que tantas vezes fez a época passada. Quatro minutos depois, um autogolo do Bruno Viana quando tentou interceptar um cruzamento do Seferovic, que fugiu pela esquerda, para o De Tomas. O jogo ficou praticamente decidido aí, apesar de ainda haver muito tempo para jogar. Mas o Benfica estava muito confortável no jogo, e apesar do Braga nunca ter deixado de tentar chegar ao golo a verdade é que não conseguia criar muito perigo, enquanto que o Benfica ia tendo cada vez mais espaço para tentar contra-atacar com sucesso. Já com o Jota em campo, no lugar do De Tomas, o Benfica deu uma expressão ainda mais dilatada ao marcador e chegou ao quarto golo a cerca de um quarto de hora do final. Novo autogolo, desta vez do Esgaio, quando cortou de forma desastrada um cruzamento do Jota que seguia na direcção do Seferovic ao segundo poste. Uma vitória bastante folgada num campo onde muitos antecipavam que passássemos por dificuldades e o resultado ideal para espantar os maus espíritos criados com a exibição da semana passada.

 

 

Os melhores do Benfica foram a dupla do meio campo, Taarabt e Florentino. Uma boa parte do nosso jogo passou sempre pelos pés do marroquino, que ainda mostrou a agressividade defensiva suficiente para podermos vê-lo finalmente como uma alternativa válida ao Gabriel. O Florentino fez mais uma exibição ao nível do que tem vindo a mostrar e que o tornam neste momento praticamente um titular indiscutível. À medida que ganha experiência e confiança está também a aventurar-se cada vez mais em zonas próximas da área adversária. O Pizzi voltou a ser decisivo e mais uma vez se confirma que quando ele se ausenta de um jogo, como na semana passada, somos muito diferentes para pior. Uma menção também para o Ferro, que na minha opinião fez um jogo muito bom, dando também uma óptima resposta à exibição menos feliz no Clássico.

 

Vamos para a primeira pausa no campeonato no segundo lugar, um ponto atrás do surpreendente Famalicão. Depois do enorme apagão da semana passada foi bom ver o Benfica responder desta forma e voltar a ganhar confortavelmente. Esperemos que entretanto o Gabriel possa recuperar da lesão para que nos apresentemos mais fortes no regresso.

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Sábado, 24 de Agosto de 2019

Aberração

Um Benfica que foi uma autêntica aberração e uma exibição a todos os níveis deplorável - a pior, a larga distância de qualquer outra, da era Lage - resultaram numa derrota justa com o Porto.

 

 

Nem vale a pena estar a dissertar muito sobre o que se passou. O Porto foi sempre melhor e uma equipa muito mais sólida durante os noventa minutos. A vitória deles foi simplesmente fácil. Bastou-lhes manter os jogadores atrás da linha da bola, com as linhas bem juntas, e sair para o ataque com dois ou três jogadores, que mesmo assim criavam mais perigo do que qualquer ataque organizado do Benfica. O Benfica hoje simplesmente não existiu, nem como equipa, nem ao nível das individualidades. Quando num mesmo jogo temos Grimaldo, Pizzi e Rafa completamente apagados torna-se muito difícil conseguir o que quer que seja. Raramente conseguimos alinhar três passes seguidos, ao passo que ao Porto bastava meter o guarda-redes ou os centrais a despejar bolas para a frente, que a maioria delas era ganha pelos avançados e quando isso não acontecia a segunda bola era quase sempre deles. Ninguém do Benfica está imune às críticas, incluindo o Bruno Lage, que revelou uma estranha falta de capacidade de reacção perante um jogo que estava claramente a correr mal. Hoje ficou brutalmente evidente o enorme erro de casting que é o Nuno Tavares na direita num jogo de maior dificuldade: raramente o nosso lateral direito conseguiu incorporar-se no ataque, porque ficava logo fora do lance no momento da recepção - incapaz de fazer uma recepção orientada com o pé direito, ao fazê-lo com o esquerdo direccionava logo a bola para o meio e facilitava ao adversário a tarefa de fechar a ala. Não que o Grimaldo do outro lado tenha feito melhor. Apareceu mais vezes no ataque, sobretudo na segunda parte, mas acho que não conseguiu acertar um único cruzamento. A insistência numa dupla de avançados que claramente revela dificuldades em funcionar junta também se notou hoje. O Seferovic está num mau momento de forma, mas é o De Tomas quem tem sido sempre o sacrificado para jogar como segundo avançado e é sempre ele a ser substituído. Em relação ao Pizzi, é difícil encontrar palavras para descrever o quão má foi a sua actuação. E todos sabemos que há um Benfica com Pizzi e outro sem ele. Pior ainda do que a falta de qualidade na exibição foi a atitude. O Pizzi passou uma boa parte do jogo a passo, mais interessado em discutir do que em jogar, encostado ao defesa do seu lado e sem vontade de assumir o jogo. Sem Gabriel no meio campo e sem o Pizzi a querer assumir as despesas de construção a nossa equipa foi um deserto de ideias, porque não seriam certamente o Samaris e o Florentino a conseguir desempenhar essa tarefa - hoje deu também para ver que a lesão do Gabriel deixou um vazio para aquela zona do meio campo, porque o Taarabt não conseguiu mostrar ser uma opção válida. Não me recordo de uma única ocasião de perigo que tenhamos construído em todo o jogo. Depois foi um acumular de erros individuais na defesa. O primeiro golo do Porto resulta de um cabeceamento do Ferro, que completamente à vontade na área conseguiu acertar num colega, com a bola a sobrar para o Zé Luís encostar. O segundo foi uma jogada básica e eficaz, que já tinha sido tentada antes. O Marega deixado 1x1 com o Ferro, bola para as costas da defesa e bastou ganhar em velocidade e corpo para ficar isolado.

 

Foi a primeira derrota da era Lage para a Liga, e foi inteiramente merecida. Pior, com isto fizemos o favor de reviver uma equipa moribunda que ficaria numa situação muito complicada em caso de derrota. Mas parece que fazer as coisas da forma mais fácil não é para nós. Enfim, esta equipa já nos deu alegrias e motivos de sobra para confiarmos que isto não passou de um dia muito mau frente a um adversário com a lição muito bem estudada. Que nos sirva de lição a nós.

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publicado por D`Arcy às 22:33
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Domingo, 18 de Agosto de 2019

Retranca

Com alguma dificuldade foi ultrapassado um adversário complicado, no qual tantas esperanças foram depositadas pelo facto de na época passada ter conseguido não perder na Luz quase sem saber como. Desta vez tentaram a mesma estratégia da retranca, mas nem mesmo com o inestimável apoio da dupla que o ano passado nos surripiou a possibilidade de conquistar a Taça da Liga (Veríssimo & Xistra) a B SAD conseguiu repetir a graça.

 

 

Apresentámo-nos no Jamor com o mesmo onze que tinha iniciado os dois jogos oficiais da época. De imediato de para perceber o primeiro factor que iria complicar a tarefa: um péssimo relvado, que tanto travava a bola como alterava a sua trajectória. Depois, logo nos minutos iniciais, vimos o De Tomas falhar depois de ficar isolado por um passe do Pizzi, e na recarga o Seferovic, com a baliza à sua mercê, não acertou na bola. Este lance acabou por ser o mote para a exibição da nossa dupla de ataque esta noite. Completamente desinspirados na finalização e ambos a parecerem até algo desligados do jogo. Do outro lado, uma B SAD a fazer exactamente o mesmo que tinha vindo fazer à Luz quando lhes caiu um empate no colo. Toda a gente bem enfiada lá atrás, longos períodos a trocar a bola entre os três homens mais recuados (dois centrais e um líbero) sem qualquer intenção aparente de progressão, e depois umas tentativas de saída para o ataque através de futebol directo - esta tendência foi-se agravando à medida que o empate persistia no marcador. Não estávamos a fazer dos nossos melhores jogos, mas conforme disse, a tarefa também foi em muito dificultada pelo péssimo relvado (quando começar a chover muito provavelmente volta a ser impossível jogar no Jamor) e no ataque as coisas complicavam-se rapidamente perante a floresta de pernas que acampava à frente da baliza, e quando essas eram ultrapassadas o guarda-redes também se exibiu em bom plano. Era imperioso marcar primeiro, porque de certeza que à atitude ultra-defensiva do adversário se juntaria rapidamente antijogo caso se apanhassem em vantagem. Não era por falta de ocasiões que não marcávamos, mas quase todas elas surgiam pelos pés da dupla de avançados, que esteve simplesmente desastrada. Rafa e Pizzi eram aqueles que iam inspirando a nossa equipa no ataque, com as costas sempre muito bem guardadas pelo Florentino, que voltou a exibir-se a um nível muito alto. E já mesmo a fechar a primeira parte, tal como sucedeu no tal empate da época passada, quase por acaso a B SAD ia marcado. Foi simplesmente um chutão para a frente, onde estava um único jogador deles, mas o Rúben Dias tropeçou e deixou que o adversário se isolasse. Valeu-nos o Vlachodimos, que parece começar a especializar-se em situações onde o adversário lhe aparece isolado pela frente.

 

 

Na segunda parte a pressão do Benfica intensificou-se e a B SAD encolheu-se ainda mais. Desde o recomeço que o jogo se disputou praticamente todo dentro do meio campo da B SAD, cujos jogadores acabavam por passar a maior parte do tempo a aliviar bolas da sua defesa, incapazes de sair a jogar em ataque organizado devido à pressão. Xistra & Veríssimo tiveram oportunidade para olimpicamente ignorar um penálti sobre o Rafa logo nos primeiros minutos e assim manter a esperança na B SAD. Faltava o golo para fazer ruir a muralha, e este acabou por surgir ainda antes de findo o primeiro quarto de hora. Inevitavelmente, Rafa e Pizzi na sua origem. A primeira tentativa de combinação do Pizzi com o Grimaldo foi interceptada, mas quando o adversário tentou sair a jogar foi de imediato pressionado pelo mesmo Pizzi e o Rafa, que recuperaram a bola à entrada da área. Depois combinaram entre eles, com o Rafa a vir da esquerda para o meio até conseguir rematar cruzado para o ângulo superior contrário. Um belíssimo e merecidíssimo golo. Depois deste golo a B SAD lá se soltou um bocado e tentou vir um pouco para a frente, mas o Benfica teve sempre um controlo quase absoluto sobre o jogo. A cerca de quinze minutos do final trocámos o De Tomas pelo Chiquinho, uma troca que na minha opinião só pecou por tardia. Incrivelmente, após mais uma falha individual completamente atípica, o empate quase que podia ter acontecido. Dentro da área o Nuno Tavares, mesmo sem grande pressão, falhou um alívio (onde foi notória a falta de pé direito) e a bola sobrou para um adversário, que felizmente rematou frouxo e cruzado para fora. Este lance como que serviu de aviso para o Benfica, que agora com o Chiquinho a dar acompanhamento ao Pizzi e ao Rafa, voltou a carregar sobre o adversário à procura do golo da tranquilidade. Que surgiu, a cinco minutos do fim, naquela que provavelmente terá sido a melhor jogada colectiva do Benfica em todo o jogo, e que terminou com uma tabelinha entre o Chiquinho e o Seferovic para o suíço empurrar para a baliza deserta. Mas a dupla Xistra & Veríssimo conseguiram puxar o jogo atrás até quase ao momento em que o Benfica saiu do autocarro e descobriram um fora de jogo de centímetros do Seferovic, o que lhes deu uma desculpa para anularem o lance. É bom ver que também já estão em forma logo no início da temporada. Mas felizmente acabou por não fazer diferença. Logo de seguida, e já em período de compensação, mais uma bola recuperada pelo Florentino seguiu para o Rafa, este progrediu com ela da esquerda para o meio e deixou-a no Pizzi na direita, que com um remate rasteiro e cruzado a fez entrar junto ao poste mais distante. Game over.

 

 

Melhor em campo para mim, e sem quaisquer dúvidas, o Rafa. É o MVP deste início de época. Aquele de quem eu espero sempre uma aceleração ou um rasgo quando a bola lhe chega aos pés. Mesmo nos períodos mais complicados foi sempre ele a pegar na bola e a tomar a iniciativa de partir para cima dos adversários, obrigando-os diversas vezes a recorrer à falta para o travar, depois dele já ter deixado dois ou três pelo caminho. Está numa forma fantástica. Foi bem acompanhado pelo Pizzi, que num estilo diferente vai descobrindo espaços e colegas desmarcados para lhes proporcionar ocasiões de golo. Tal como o Rafa, acaba o jogo com um golo e uma assistência. O Florentino voltou a fazer um jogo enorme e está a crescer a olhos vistos como jogador. Está cada vez mais confiante e a aumentar a sua zona de acção, aparecendo muito mais frequentemente a pressionar e a recuperar bolas em zonas mais adiantadas do terreno, arriscando também mais no passe. O Ferro fez mais um jogo muito sólido. Boa entrada do Chiquinho no jogo, e uma palavra final para o Odysseas: guarda-redes de equipa grande é isto. Acho que teve apenas que fazer uma defesa digna desse nome em todo o jogo, e que defesa foi. Literalmente defendeu um golo.

 

Está ultrapassado mais um obstáculo complicado, e agora podemos focar atenções no importante jogo que se segue. Teremos uma ocasião única para ganhar uma vantagem substancial sobre o nosso adversário mais directo praticamente na partida do campeonato, mas todo o cuidado será pouco. Acima de tudo, nunca pensarmos que a tarefa estará facilitada: no futebol há poucas fórmulas mais perigosas do que uma equipa com o orgulho ferido a defrontar outra com excesso de confiança. Teremos que encarar este jogo com a humildade e o profissionalismo do costume para termos as melhores hipóteses de alcançar o resultado que todos desejamos.
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publicado por D`Arcy às 00:27
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Domingo, 11 de Agosto de 2019

Bis

Segundo jogo oficial da época, e porque os bons hábitos são para manter, segunda goleada. Um bis dos números da Supertaça. Os resultados volumosos parecem ir acontecendo de forma quase natural, quase que uma conclusão lógica para a forma como abordamos os jogos.

 

 

Não sei se o problema é meu, mas mais uma vez nem achei que o Benfica tivesse feito uma exibição assim tão boa. Só que a constante de sermos capazes de criar ocasiões de golo com bastante frequência durante um jogo nas quais colocamos sempre diversos jogadores em situação de finalizar aumentam muito as possibilidades de concretização. E depois há aquele pormenor de não tirarmos o pé do acelerador nas fases finais dos jogos, mesmo com o resultado feito, o que faz com que marquemos golos nessa altura (desconfio que é por isso que agora os árbitros estão a dar apenas um minuto de compensação quando os jogos justificariam bastante mais tempo). Quanto ao jogo, começámos  a jogar para a baliza grande porque o Paços achou engraçado tentar a falta de educação de trocar a ordem de escolha dos campos. Não faço ideia porque motivo acham que isso lhes traz algum tipo de vantagem, porque regra geral o resultado para quem tenta isso é mau - basta recordar que o Nacional o ano passado também o fez. Para mim é simplesmente falta de educação - e como ser-se convidado para ir a casa de alguém e sentarmo-nos no lugar do anfitrião. Enfim. Em termos de futebol, nem começámos mal, com um par de jogadas em que o De Tomas cruzou rasteiro para que o Seferovic só tivesse que desviar para o golo, mas o suíço não conseguiu chegar à bola em ambas as ocasiões. Um canto de laboratório também permitiu um remate ao Grimaldo que ficou perto do golo. Depois o Paços foi conseguindo acertar marcações e fechar os caminhos para a baliza e o jogo tornou-se mais feio e complicado. O Paços tentava sair através de bolas longas e em certos períodos o Benfica teve dificuldade em ganhar as segundas bolas depois destas serem cortadas pela defesa, ou tocadas pelo Tanque que jogava no ataque do Paços. A ausência do Gabriel fez-se notar porque o Samaris não tem a mesma capacidade de passe, e por isso a bola demorava mais a chegar aos flancos, o que dava tempo ao adversário para fechar. Na direita, o Nuno Tavares revelava sempre alguma dificuldade para dar profundidade devido à 'falta' de pé direito. Mas pouco depois do meio da primeira parte, e numa altura em que o Benfica ensaiou algumas vezes o Pizzi a encostar mais na direita permitindo ao Nuno flectir para o meio, surgiu o golo que desbloqueou o nulo. O Pizzi deixou a bola no Nuno, que bem fora da área a ajeitou e depois desferiu um remate que fez a bola entrar bem juntinho do poste mais distante. Um golaço na estreia para um jogador que tem tudo para se impor no Benfica, sobretudo quando jogar na sua posição natural. Cinco minutos depois, penálti assinalado a nosso favor depois de um corte claro com a mão dentro da área, e o Pizzi concretizou com facilidade. Até ao intervalo, ainda houve uma boa ocasião para o Samaris, mas ele inclinou-se todo para trás no momento do remate e a bola foi para a bancada.

 

 

Tendo em conta que o Paços, apesar da boa vontade, não criou uma ocasião real de golo (a única que criou foi anulada por posição irregular) a sensação era que o Benfica voltava para a segunda parte com o jogo praticamente resolvido. Mas deste Benfica habituámo-nos a esperar futebol de ataque e golos até ao apito final, por isso todos antecipávamos ver o resultado ampliar-se. O início do segundo período confirmou isso mesmo, com o Samaris a desperdiçar uma ocasião flagrante de golo, depois foi o De Tomas, e a seguir o Seferovic, quando tentou finalizar um contra-ataque com o pior pé, o direito. Em todas estas ocasiões o jogador que finalizou tinha ao seu lado um colega solto de marcação - pena o egoísmo revelado. Depois aos sessenta e cinco minutos, quase em simultâneo, duas situações que acabaram por ter influência no avolumar do resultado. Primeiro, um jogador do Paços foi expulso por acumulação de amarelos, ao travar a saída do Nuno Tavares para um contra-ataque. Depois, o Chiquinho rendeu o De Tomas e veio dar outra dinâmica ao ataque. Cinco minutos depois, surgiu o terceiro golo. O Nuno Tavares (a aparecer mais vezes adiantado na segunda parte) descobriu o Chiquinho na área, que cruzou para o Seferovic empurrar para a baliza. E passados outros cinco minutos, o quarto, desta vez com o Nuno Tavares a assistir o Pizzi para um remate cruzado de ângulo muito apertado, que fez a bola entrar junto ao poste mais distante. Depois deste golo o Benfica fez duas alterações, continuando a apostar no ataque. Estreia do Vinícius, que entrou juntamente com o Jota, rendendo o Rafa e o Samaris - o Chiquinho passou para o meio campo e o Vinícius foi formar dupla no ataque com o Seferovic, ficando o Jota na esquerda. Jota que esteve muito perto de marcar o seu primeiro golo oficial pela equipa principal, mas o guarda-redes conseguiu desviar para canto. Não marcou ele, marcou o Vinícius no minuto seguinte, quando faltavam seis para acabar. Cruzamento rasteiro do Nuno Tavares na direita, e finalização ao segundo poste para se tornar no segundo jogador a marcar esta noite na estreia para a Liga pelo Benfica.

 

 

Homem do jogo, para mim, o Nuno Tavares. Apesar das dificuldades por estar a jogar adaptado a uma posição que não é a sua, o golo que começou a demolir a resistência do Paços e duas assistências na estreia no Estádio da Luz é simplesmente brilhante. O Pizzi também merece destaque, pois marcou dois golos e, apesar do mérito ser quase todo do Nuno Tavares, para todos os efeitos a assistência para o primeiro golo é dele. O Florentino voltou a estar em bom nível.

 

Um óptimo resultado na estreia para a Liga, para ajudar a afastar cada vez mais aquela maldição que tivemos durante várias épocas de quase nunca ganharmos estes jogos. E melhor ainda quando complementada com a derrota de um dos adversários directos contra outra equipa recém-promovida. Agora é começar já a pensar no jogo contra a única equipa que a época passada conseguiu tirar-nos pontos desde que o Bruno Lage tomou o comando. Todo o cuidado é pouco.

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publicado por D`Arcy às 02:38
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Domingo, 4 de Agosto de 2019

Manita


Foi uma forma muito boa de regressar aos jogos oficiais. Mais um troféu conquistado e uma manita a uma equipa que merece sempre uns resultados destes. E nem me vou alongar muito. Sinceramente, o Benfica nem sequer fez um jogo por aí além. Jogámos com a equipa esperada, que incluiu a adaptação do Nuno Tavares à lateral direita e a dupla atacante De Tomas/Seferovic. O jogo foi repartido durante o primeiro tempo, em que jogámos contra o vento, e o melhor jogador do mundo e arredores conseguiu ameaçar a nossa baliza um par de vezes (mas o lance mais perigoso foi um quase autogolo do Ferro, que o Vlachodimos defendeu). O Benfica foi aquilo a que nos habituou com o Bruno Lage: sempre ameaçador nas transições, nas quais consegue facilmente criar situações em que surgem quatro, cinco ou até mais jogadores na zona de finalização. A cinco minutos do intervalo o Pizzi, esse jogador banal que nem sequer teve lugar no onze ideal da Liga da época passada, com um cruzamento largo descobriu o Rafa na zona do segundo poste, que com um toque de primeira nos colocou em vantagem. Na segunda parte, demorámos quinze minutos a chegar ao segundo golo e depois foi simplesmente assistir ao completo desmoronamento do Sporting. Uma recuperação de bola do Rafa logo à entrada da área adversária, e passe para o banal Pizzi fazer o golo. Três minutos depois, livre directo do Grimaldo e três a zero. A resposta do Sporting foi o melhor jogador do mundo e arredores a jogar sozinho e a divertir-se a atirar bolas para a bancada. Eu diria que com base neste jogo ele se desvalorizou uns cinquenta milhões. Nada de muito grave, ainda dá para o vender por uns cento e cinquenta. Neste momento a goleada era quase uma certeza, só restava saber por quanto. O quarto golo surgiu mais uma vez pelo banal Pizzi num remate cruzado, depois de mais uma assistência do Rafa. O quinto foi sendo adiado até ao apito final, altura em que uma insistência do Seferovic depois de ter falhado o golo deixou a bola para uma recarga enrolada do Chiquinho. Isto depois de sobre o minuto noventa um jogador do Sporting ter sido expulso, o que claramente mostra a forma como o Sporting foi roubado pela arbitragem (a sério, vejam o relato do jogo no canal deles se se quiserem rir um bocado). Estranhamente, a presença do melhor jogador do mundo e arredores em campo não foi suficiente para golear o Benfica, e em vez disso foi o banal Pizzi a fazer dois golos e uma assistência e a ser considerado o homem do jogo.

 

Destaques do Benfica: Pizzi (dois golos e uma assistência), Rafa (um golo e duas assistências) e Florentino (um monstro no meio campo).

 

Foi bom ganhar de forma convincente, e se calhar ainda melhor porque nem jogámos assim tanto - por exemplo, a época passada jogámos muitíssimo melhor para o campeonato em Alvalade e só vencemos por 4-2, quando justificámos um resultado muito mais dilatado. Mas parece-me evidente que temos um plantel superior ao do Sporting. Agora é importante não deixarmos que este resultado conduza a qualquer tipo de euforias, porque há claramente ainda muito trabalho pela frente.

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publicado por D`Arcy às 23:25
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