VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021

Derrocada

Resistimos durante setenta minutos, mas acabámos por sucumbir frente a uma equipa que nos é (muito) superior em todos os aspectos. A possibilidade de um resultado positivo era à partida muito remota, mas depois de termos conseguido aguentar aquele tempo foi pena termos claudicado com estrondo no período final da partida.

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Apresentando um onze previsível no qual a presença do André Almeida na direita foi talvez o único pormenor mais inesperado, desde o apito inicial que se assistiu ao cenário esperado. O Bayern completamente por cima no jogo, com o Benfica a tentar resistir para depois explorar algum contra-ataque através da velocidade do Rafa ou do Darwin. O Bayern não tem apenas muito bons jogadores, como acontece com outras equipas fortes. Eles próprios como equipa são muito fortes. A pressão que exercem sobre o adversário quando este tem a bola torna muito difícil fazer o que quer que seja: um ou mais jogadores caem em cima do portador da bola e os outros cortam-lhe quase todas as linhas de passe mais óbvias - cheguei a ver defesas nossos com a bola a serem pressionados de tal forma que nem sequer tinham a possibilidade de se voltarem para trás para atrasar a bola ao guarda-redes, porque essa linha de passe também estava cortada. A forma como cada jogador parece saber que zona deve ocupar sem bola, como antecipar o apoio que um colega deverá precisar faz com que seja quase impossível apanhá-los descompensados. Por isso o Benfica teve muito pouca bola, e quando tentava sair de forma organizada acabava por ter que recorrer quase sempre a uma bola longa na tentativa que o Yaremchuk a conseguisse ganhar para depois a endossar ao Rafa ou ao Darwin. Logo aos dois minutos apareceram três jogadores do Bayern sozinhos em frente ao Vlachodimos, que fez uma defesa estrondosa mas o lance acabou anulado por fora-de-jogo que deve ter sido tirado mesmo no limite - aliás, o fora-de-jogo deve ter sido a arma mais eficaz que tivemos para travar o Bayern durante muito tempo. Mas o jogo era quase de sentido único e sentia-se que o melhor que poderíamos fazer era aguentar o mais possível e esperar por um lance fortuito que nos favorecesse. Pela direita da nossa defesa o Coman fazia o que queria do André Almeida e entrava por aquele lado como queria - estar ali alguém ou não pouca diferença fazia, o que se comprovou quando o André Almeida saiu lesionado ainda na primeira parte e o Coman continuou a fazer exactamente o mesmo com o Diogo Gonçalves pela frente. O lance fortuito até aconteceu mesmo, quando o Darwin sobre a esquerda conseguiu ganhar o duelo individual ao Süle (talvez o elo mais fraco do Bayern devido à falta de velocidade) e fez um remate cruzado que se calhar na maioria dos casos daria golo, mas na baliza estava o Neuer e isso fez toda a diferença. Não foi esse lance que intimidou o Bayern, que continuou sempre muito por cima e a criar ocasiões de perigo, chegando mesmo a introduzir a bola na baliza já quase sobre o intervalo, mas o lance foi anulado pelo VAR porque o Lewandowski tinha utilizado o braço para marcar.

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Na segunda parte, mais do mesmo, com o Bayern logo aos dois minutos a criar mais uma grande ocasião de perigo, num remate do Pavard que o Vlachodimos desviou para os ferros da baliza. Pouco depois, a bola voltou a entrar na nossa baliza, mas o VAR voltou a salvar-nos ao detectar a posição irregular do Coman no início da jogada, antes dele fazer a assistência. Logo a seguir foi o Muller a acertar mais uma vez no ferro, mas o lance acabou por ser invalidado por fora-de-jogo. Com o Bayern sempre por cima, voltámos a criar uma rara situação de perigo numa saída para o contra-ataque na qual o Rafa conseguiu libertar o Diogo Gonçalves para subir pelo seu lado. Junto à área ele flectiu para dentro e de pé esquerdo fez um bom remate cruzado que mais uma vez poderia ter dado golo, não estivesse o Neuer na baliza. Teve pouco trabalho, mas das poucas vezes que foi chamado foi decisivo - e a segurança que mostra a sair da área e a jogar com os pés é também excepcional, permitindo sempre ao Bayern fazer superioridade na zona defensiva para trocar a bola e assim dar a volta às nossas tentativas de pressionar a saída de bola deles. A meio da segunda parte o Bayern retirou o lateral direito Pavard para colocar o Gnabry daquele lado, e foi de imediato previsível que aquilo que o Coman andava a fazer pelo lado direito da nossa defesa, o Gnabry viria agora fazer também para o outro lado. O canto do cisne do Benfica no jogo aconteceu pouco depois numa arrancada do Yaremchuk pela direita, em que conseguiu aguentar as cargas do Upamecano até entrar na área e depois fazer um remate cruzado em esforço, com a bola a passar muito perto do poste. Depois veio o pior. A vinte minutos do final o Otamendi fez uma falta desnecessária sobre o Lewandowski em zona proibida e o Sané, que na primeira parte já tinha tido um livre naquela zona que atirou para a bancada, desta vez marcou-o de forma irreprensível e fez cair finalmente a nossa resistência. Talvez como reacção à entrada do Gnabry o nosso treinador decidiu fazer entrar o Everton para aquele lado, substituindo o Yaremchuk e deslocando o Darwin para o meio. O resultado foi péssimo, porque o Darwin pareceu ser muito mais eficaz a estancar aquele lado do que o Everton, e acabámos por sofrer mais três golos que nasceram todos por ali. Três minutos depois de entrar, o Everton fazia autogolo, ao desviar de cabeça um cruzamento do Gnabry feito sobre a linha de fundo. O autogolo pode acontecer a qualquer um, o que o Everton fez de errado naquela jogada foi o péssimo acompanhamento defensivo ao Gnabry - ainda o passe não tinha sido feito para ele e já o Everton estava parado de braço no ar, em vez de marcá-lo. Depois fizemos três substituições de uma assentada - saíram o Rafa, o Darwin e o João Mário para entrar o Gonçalo Ramos, o Pizzi e o Taarabt e o descalabro consumou-se. Entendo que os jogadores em questão já deveriam estar esgotados, porque é muito difícil aguentar o ritmo que o Bayern impõe no jogo, mas sobretudo com a saída dos dois da frente perdemos os jogadores que ainda poderiam manter o Bayern em algum sentido. Pior ainda, entraram o Taarabt e o Pizzi - juro que o comentário que fiz na altura foi mesmo 'Com o Taarabt e o Pizzi em campo eles ainda conseguem chegar aos quatro'. E foi isso mesmo que aconteceu. Não que ache que estes jogadores tenham tido influência directa nos golos, simplesmente acho que se já é muito difícil jogar contra o Bayern, com jogadores que têm a intensidade e disciplina táctica destes dois tudo se torna ainda mais difícil. Aos quatro chegaram mesmo, marcando dois golos com excessiva facilidade em que apareceram em superioridade numérica bem no centro da área, em lances criados pelo lado esquerdo da nossa defesa.

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Os nossos jogadores lutaram enquanto puderam e não os podemos acusar de não terem dado tudo. Na minha opinião o Rafa e o Darwin foram dos melhores, e o Vlachodimos fez o que podia, sem ter quaisquer hipóteses nos golos sofridos.

 

De uma forma fria, empatar ou perder significaria exactamente o mesmo no que diz respeito às contas para o apuramento. Estas resumem-se a vencer o Dínamo em casa e a não perder em Barcelona, assumindo que ninguém conseguirá fazer frente a este Bayern e tirar-lhes pontos. Mas um empate, ou mesmo uma derrota por números menos expressivos, contra o Bayern teria um efeito psicológico importante. Em vez disso tivemos uma derrocada nos minutos finais que pode ser preocupante e que importa esquecer rapidamente. Foi bom voltar a estar no Estádio da Luz praticamente cheio e sentir o apoio constante dos adeptos à nossa equipa, que não esmoreceu sequer com o avolumar do resultado. Acho que toda a gente reconheceu que os nossos jogadores deram o que tinham, simplesmente o Bayern é de outro planeta, e por isso mesmo o aplauso à equipa no final. Agora é mesmo muito importante limpar as cabeças para o próximo jogo e regressar rapidamente ao caminho das vitórias.

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publicado por D`Arcy às 12:46
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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2021

Absurdo

Um resultado absurdo num jogo igualmente absurdo, no qual o Benfica acabou fortemente penalizado pela falta de eficácia (e também de sorte) na finalização, e onde o Portimonense acabou por sair com três pontos que pouco fez por justificar.

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Começando com um onze no qual, em relação ao que tinha defrontado o Barcelona, apenas se registou a troca forçada do Lázaro pelo Gilberto, o Benfica demorou a entrar no jogo frente a um portimonense que não demorou nada a mostrar ao que vinha. Perdas de tempo constantes, jogadores a deixarem-se ficar no relvado de cada vez que caíam, tentativas de arranjar quezílias, contestação a quase todas as decisões da equipa de arbitragem, enfim, foi o catálogo completo do antijogo por parte de uma equipa que parecia fazer de não perder este jogo uma questão de sobrevivência. Somado a isto, o autocarro firmemente estacionado em frente à baliza - que é obviamente perfeitamente legítimo, cabendo ao Benfica a responsabilidade de encontrar soluções para lhe dar a volta. E nisto não fomos particularmente eficientes desde o início, já que demorámos meia parte até conseguirmos finalmente fazer o primeiro remate à baliza. Mas esse primeiro remate até poderia perfeitamente ter dado logo golo, não fosse o guarda-redes do Portimonense dar logo aí início a uma exibição quase inacreditável, defendendo por puro instinto o remate à queima-roupa do Yaremchuk. O Portimonense ainda deu resposta num remate forte de meia distância do Boa Morte que obrigou o Vlachodimos a uma boa defesa, mas isso foi uma excepção no jogo, já que rapidamente se evidenciou a tendência para o Benfica somar oportunidades de golo desperdiçadas. Ou por aselhice, como foi o caso do Darwin, ou por inspiração quase divina do guarda-redes algarvio, que continuou a negar-nos o golo mesmo em situações em que isso parecia quase impossível - o Grimaldo ou o Rafa que o digam. O nulo ao intervalo já de alguma forma deixava no ar a sensação de que isto podia ser mesmo um daqueles dias em que corre tudo mal.

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A segunda parte depressa acentuou essa sensação, pois o Benfica até marcou cedo - num lance também algo caricato, em que o Yaremchuk rematou ao poste e a bola depois bateu nas costas do guarda-redes e entrou - e o golo acabou por ser prontamente anulado pelo VAR, devido à posição irregular do ucraniano. Parecia estar mesmo escrito que não teríamos vida fácil, e o resto do jogo descreve-se de forma simples: sentido praticamente único, com o Benfica a ver as oportunidades a esbarrarem sempre num dos inúmeros adversários que se acumulavam em frente à baliza. Só faltava o inevitável golpe de teatro do golo do Portimonense numa das raríssimas ocasiões em que elese se aproximassem na nossa baliza, mais previsivelmente nalguma bola parada, e foi isso mesmo que aconteceu aos sessenta e seis minutos. Num pontapé de canto do nosso lado direito um jogador deles saltou no meio de um cacho de jogadores e conseguiu cabecear a bola quase à figura do Vlachodimos, com esta ainda a bater no chão e a passar por baixo do corpo do nosso guarda-redes. Face à forma como o jogo tinha decorrido até aí, confesso que fiquei imediatamente com a sensação de que já não o conseguiríamos vencer. O resto do tempo encarregou-se de confirmar esta sensação. O Benfica continuou a carregar e fez tudo para chegar ao golo, mas era uma daquelas situações em que se calhar poderíamos ficar ali toda a noite a tentar que a bola não entraria. Ou passava ao lado, ou ia ao ferro, ou batia em alguém, ou o guarda-redes defendia, ou um jogador do Portimonense esticava-se em desespero e conseguia o desarme no último instante. O Otamendi conseguiu ver um defesa tirar a bola sobre a linha com o guarda-redes já batido, e já sobre o final do jogo acertar no ferro com o guarda-redes pregado ao relvado. Foi uma derrota amarga e injusta, mas o futebol tem sempre destas coisas.

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Acho que o Otamendi pode ser destacado por ter dado um exemplo de luta contra a adversidade e liderado a equipa na procura por um resultado mais justo. O Rafa também foi um dos que mais lutou.

 

É sempre mau perder, mas é importante não deixarmos que este resultado nos afecte. Há jogos em que ganhamos e no final podemos dizer que ganhámos, mas que a jogar assim nos arriscamos a perder. Depois há jogos como este, em que perdemos mas que no final sabemos que a jogar assim é muito difícil perder outra vez. E julgo que terá sido isso mesmo que o público da Luz reconheceu pela forma como se despediu da equipa. Se há coisa de que não podemos acusar a equipa desta vez é de não ter dado tudo pela vitória. As coisas acabaram por não correr bem, mas não foi por não terem tentado. E quando assim é, é muito difícil correr mal uma segunda vez.

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publicado por D`Arcy às 12:04
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Quarta-feira, 29 de Setembro de 2021

Brilhante

Foi uma grande noite europeia na Luz. Uma exibição brilhante do Benfica, em especial na segunda parte, permitiu ao Benfica vencer de forma claríssima o Barcelona. Face ao momento actual das duas equipas, creio que eram legítimas as esperanças num bom resultado, mas duvido que muitos de nós pensassem ser possível uma vitória por três golos sem resposta.

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Creio que o onze base do Benfica está encontrado, e por isso a equipa inicial não deverá ter surpreendido muito. Com o Diogo Gonçalves lesionado, há sempre a dúvida sobre quem ocupará o lado direito, e eu pensei que neste jogo esse papel seria entregue ao Gilberto, que tem jogado frequentemente nos confrontos europeus e dado boa conta do recado, mas um pouco inesperadamente a aposta foi no Lázaro. A nossa disposição táctica foi também na linha daquilo que temos vindo a apresentar nos últimos jogos, com o Rafa mais uma vez a actuar como um falso interior, a jogar entre linhas muitas vezes a par do João Mário, mas com bastante liberdade para se soltar nas alas. O início de jogo foi de sonho para o Benfica, pois decorridos dois minutos já o Darwin fazia explodir o vulcão da Luz - estar no estádio a assistir a um jogo destes, com este ambiente, faz-nos recordar a força que o Benfica perdeu com a pandemia, enquanto não pôde contar com o apoio dos seus adeptos nas bancada. No golo, o Weigl colocou a bola em profundidade na esquerda, onde o Darwin a recolheu, entrou na área pela lateral e já perto da linha de fundo, tendo depois flectido para dentro, tirando o defesa da frente para depois rematar rasteiro e puxado ao poste mais próximo. Logo a seguir foi o Yaremchuk quem se libertou novamente descaído para a esquerda, mas a tentativa de colocar a bola no poste mais distante saiu rasteira e foi fácil para o Ter Stegen. Mas depois o Barcelona conseguiu reagir e foi empurrando o Benfica para trás. Estávamos a revelar alguma dificuldade para controlar o meio campo do Barcelona, que aproveitava a superioridade numérica para trocar a bola e a mobilidade do Pedri e o De Jong para nos causar dificuldades. No banco o JJ bem gritava com o Rafa, que me pareceu que ele quereria que recuasse mais no terreno para contrariar este desequilíbrio, mas não estávamos a consegui-lo. O Barcelona criou algumas ocasiões de bastante perigo, umas delas que foram anuladas por posição irregular (ou seriam eventualmente, caso acabasse em golo) e outras por intervenções fantásticas dos nossos defesas centrais - o corte do Lucas Veríssimo é uma coisa extraordinária. Por volta da meia hora de jogo, acho que foi claro que o Barcelona não ficou reduzido a dez apenas porque era o Barcelona e o jogador em questão era o Piqué, porque já com um amarelo ele virou o Rafa. Até o Koeman no banco percebeu o que se passava e substituiu-o imediatamente. Isto, na minha opinião, foi efectivamente o fim do Barcelona no jogo. Porque a opção do Koeman foi recuar o Frenkie De Jong para central, e o meio campo do Barcelona não voltou a ser o mesmo, porque o Pedri deixou de ter acompanhamento. Com o Barcelona a ter mais bola mas já sem ser tão perigoso, pouco antes do intervalo vimos o Lázaro a ter que sair por lesão, sendo substituído pelo Gilberto, mas esta era uma noite feliz e esta alteração acabou por melhorar ainda mais as coisas para nós, porque o Gilberto entrou muito bem no jogo.

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A segunda parte nada teve a ver com a primeira. De uma forma simples, ela foi toda do Benfica. Em primeiro lugar, o Gilberto na direita conseguiu travar de forma muito mais eficaz as constantes tentativas do Memphis de entrar por aquele lado, levando-o até a procurar outros terrenos. Depois, a solução encontrada para equilibrar o meio campo foi um aumento da agressividade dos nossos centrais. Vimos frequentemente um deles a sair da linha para cair imediatamente em cima do médio que recebia a bola e pressioná-lo, de forma a que não se pudesse virar e jogar à vontade. Cheguei mesmo a ver várias vezes qualquer um dos três centrais a fazer isto sobre a linha do meio campo. Depois, as sucessivas recuperações de bola que o Benfica conseguia permitiam-lhe sair em transições rápidas, com especial destaque para o Darwin e o Rafa, para os quais o Barcelona não conseguia encontrar soluções, mostrando uma dificuldade enorme para controlar a profundidade. Resumindo tudo isto, a segunda parte só deu Benfica. O segundo golo podia aliás ter surgido bem cedo na segunda parte, quando o Darwin conseguiu antecipar-se a uma saída disparatada do Ter Stegen a meio do meio campo, e junto à linha lateral do lado direito atirou a bola para a baliza, com esta a ir embater no poste e a sair. O Barcelona apenas criou uma situação de perigo durante toda a segunda parte, na qual o Grimaldo conseguiu interceptar uma tentativa de remate do Sergi Roberto junto ao poste esquerdo. O Vlachodimos aliás acabou por não ter que fazer uma defesa durante todo o jogo, porque o Barcelona acabou com zero remates à baliza. Aos sessenta e oito minutos, ainda a perder apenas por um golo sem saber muito bem como, o Koeman voltou a mexer mal na equipa, fez três substituições de uma assentada que incluíram as saídas do Pedri e do Busquets, e perdeu o meio campo de vez. Ainda por cima, um minuto depois o Benfica chegou mesmo ao segundo golo. Isto numa altura em que eu até amaldiçoava o facto do Benfica ter desperdiçado uma situação em que de repente vi cinco jogadores do Benfica dentro da área quase sem oposição. A bola seguiu para a esquerda, à entrada da área o João Mário tabelou com o Yaremchuk e isolou-se por esse lado e tentou finalizar (quando tinha, surpreendentemente, o Gilberto em zona de finalização). O Ter Stegen conseguiu defender, mas a bola sobrou para o centro da área onde surgiu o Rafa a finalizar de trivela. E nesse momento acho que percebemos todos que não só o Benfica tinha o jogo ganho, como que muito provavelmente o resultado não ficaria por ali. É que logo a seguir o Yaremchuk atirou para fora quando estava em óptima posição, isto depois de mais uma transição em que os três da frente apareceram na área em boa posição. A quinze minutos do final trocámos o Grimaldo e o Yaremchuk pelo André Almeida e o Taarabt, e um par de minutos depois apareceu mais uma vez o Gilberto na posição de ponta-de-lança para cabecear um cruzamento do André Almeida, o que resultou num penálti claro por corte com a mão do Dest (assinalado pelo VAR). O Darwin concretizou com classe e nos minutos finais deu para tudo. Deu para as substituições do Darwin e do Rafa para os merecidíssimos aplausos, deu para o público gritar 'olés' (coisa que eu não aprecio nada e que acho uma falta de classe) e também para gritar pelo Messi, e deu para o Barcelona ficar finalmente reduzido a dez, por expulsão do Eric García.

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É difícil escolher o melhor em campo. Obviamente que o Darwin é um grande destaque pelos dois golos que fez, mas também pelas inúmeras dores de cabeça que causou à defesa do Barcelona. Mas para mim o melhor em campo foi mesmo o Rafa. Eu imagino que nesta fase já pareça um bocado repetitivo por estar constantemente a destacar o Rafa em todos os jogos, mas se eu já era admirador das características do Rafa, desde que ele assumiu estas novas funções mais interiores acho que tem sido absolutamente decisivo, e voltou a sê-lo hoje. Acho que o Barcelona nunca conseguiu encontrar solução para o parar, marcou um golo, causou inúmeros desequilíbrios e ainda conseguiu ter um compromisso defensivo exemplar, sendo sempre um dos primeiros (juntamente com os colegas do ataque) a pressionar e a tentar a recuperação. Jogo enorme também do Weigl (outro dos meus preferidos) que deve ter sido o jogador que mais correu e é um prazer ver a forma como lê o jogo e instintivamente consegue fazer as compensações defensivas quase de olhos fechados, e do João Mário, importantíssimo na ligação entre sectores. Finalmente, os nossos centrais foram quase perfeitos. Quem acabou por ser se calhar o elo mais fraco foi o Grimaldo, que esteve bastante apagado frente ao clube onde se formou.

 

Uma vitória importantíssima para prolongar e reforçar o óptimo momento que atravessamos. A nossa equipa parece estar com níveis de confiança altíssimos e cada vez mais entrosada - acho que ainda pode render mais e melhor. O Barcelona pode estar num péssimo momento, mas repito o que disse: o Barcelona não é uma equipa qualquer e vencer por três golos sem resposta é sempre muito motivante. Nesta competição seguem-se dois jogos contra o Bayern, que será um nível completamente diferente. Ainda há muito por jogar, mas é sempre bom colocar logo pontos no bolso na fase inicial.

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publicado por D`Arcy às 23:31
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Domingo, 26 de Setembro de 2021

Embalados

Uma vitória contra o Vitória na cidade-berço permite-nos continuar embalados no topo da tabela e manter o registo perfeito na Liga. Apesar da relativa tranquilidade com que os três pontos foram obtidos, confesso que deu para ficar alguma dose de irritação por ter a sensação que poderíamos ter acabado este jogo com uma goleada, caso os nossos jogadores tivessem sido capazes de ter maior frieza na altura da decisão.

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Houve apenas uma alteração, e forçada, no onze: Lázaro no lugar do Diogo Gonçalves no lado direito. Depois das vitórias dos principais perseguidores na véspera, entrámos em campo pressionados para manter a nossa almofada pontual confortável. E entrámos em campo decididos a garantir esses três pontos, porque a exibição do Benfica na primeira parte e a superioridade exibida em campo foram incontestáveis. O Vitória, apesar de não ser assim no papel, em campo apresentou-se com uma linha de cinco atrás - o Semedo juntava-se aos centrais - com uma linha média de quatro a jogar muito junta à defesa. Mas mesmo assim o Benfica conseguiu sempre encontrar espaços entre linhas, muito por culpa da constante mobilidade do Rafa nesse espaço. Já se tinha visto isso contra o Boavista, e neste jogo foi ainda mais claro o posicionamento dele como médio interior, actuando nas costas dos dois avançados e muitas vezes a par do João Mário. No fundo, a disposição táctica foi mais próxima de um 3-5-2. Onde pecámos mais, foi na decisão. Quando a bola chegava às zonas mais adiantadas, muitas vezes os nossos jogadores não tomaram as melhores decisões e perdemos assim a oportunidade de criar situações claras de finalização. Chegámos com dois golos de vantagem ao intervalo, mas acho que face ao que assistimos quase todos sentimos que o jogo já poderia estar mais do que resolvido nessa altura. O primeiro golo chegou à meia hora de jogo, com a assistência a surgir de um jogador inesperado: o Vertonghen subiu no terreno e com um passe metido no espaço entre o lateral direito e o central desse lado, deixou o Darwin e o Yaremchuk isolados. O ucraniano depois limitou-se a picar a bola com classe sobre o guarda-redes quando este lhe saiu ao caminho. O segundo golo apareceu a quatro minutos do intervalo, pelo mesmo autor. Foi ele quem pressionou o central do Vitória, causando a perda da bola. O Grimaldo soltou-a de imediato para o Rafa, que depois isolou o Yaremchuk. O defesa do Vitória ainda conseguiu evitar uma tentativa de finalização semelhante à do primeiro golo, mas a bola continuou na posse do ucraniano, que de ângulo quase fechado beneficiou da tentativa de corte de outro defesa sobre a linha de golo para fazer a bola entrar. Nesta fase o Vitória estava completamente perdido em campo, e nos poucos minutos até ao intervalo podíamos ter feito mais dois golos. Primeiro o Yaremchuk, novamente isolado pelo Rafa, que controlou mal a bola e depois finalizou mal. A seguir foi o Darwin quem se isolou mas a tentativa de chapéu ao guarda-redes saiu demasiado por cima.

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Era improvável que o Vitória não tentasse mudar alguma coisa para a segunda parte, porque se tudo continuasse igual à primeira um massacre era quase inevitável. Entraram por isso fortes e tiveram uma grande ocasião de golo logo nos instantes iniciais, quando o Marcus Edwards apareceu solto no meio da área para finalizar um cruzamento da direita e atirou para a bancada. Pouco depois o mesmo Edwards isolou-se e foi desarmado pelo Vertonghen quando já tinha ultrapassado o Vlachodimos, mas creio que o lance foi invalidado por fora de jogo. O jogo estava bastante partido nesta fase, o que o tornava algo enervante, pois com dois golos de vantagem eu desejava que o Benfica fosse capaz de congelar mais a bola e evitar este tipo de jogo - a possibilidade do Vitória de repente marcar um golo e deixar tudo em aberto tinha sempre que ser considerada. Ainda mais enervante eram as sucessivas saídas falhadas do Benfica para o ataque sempre que recuperava a bola. O Vitória estava muito exposto atrás, e de cada vez que o Benfica recuperava a bola e fazia bem a transição criava situações em que colocava os nossos jogadores em igualdade numérica ou até mesmo superioridade face aos defensores adversários. Por isso ficava-se com a sensação de que poderíamos marcar um golo em cada ataque que fazíamos, mas depois chegávamos à fase da decisão e ou o passe não saía, ou era mal feito, ou saía para o jogador errado. O caso mais gritante foi uma situação em que o Darwin e o Rafa fugiram pela esquerda, levando com eles dois defesas e deixando o Yaremchuk completamente sozinho a correr pelo meio. Bastaria colocar a bola para o meio e o ucraniano ficaria completamente isolado. Pois o Darwin conseguiu correr mais de metade do campo junto à linha sem sequer levantar a cabeça, acabando por perder a bola e a jogada. Se calhar foi 'vingança' por um lance na primeira parte no qual o Yaremchuk preferiu rematar à baliza quando estava descaído sobre a direita e tinha o Darwin completamente sozinho no meio. O que é certo é que o lance foi de tal forma gritante que levou o nosso treinador a descompor o Darwin, e pensou-se que seria ele a sair de imediato (até o Darwin pensou que iria sair). No entanto, foi o Yaremchuk a sair (entrou o Pizzi), o que a frio até poderá ter sido uma excelente decisão por parte do JJ, já que assim matou à nascença qualquer tipo de caso que quisessem criar. Finalmente aos setenta e três minutos lá fizemos uma transição bem feita com princípio, meio e fim, e obviamente com o Rafa no papel principal. Recolheu sobre a esquerda a bola que tinha sido cortada pelo Vertonghen, progrediu até perto da área para a zona frontal, e soltou-a para o João Mário, que tinha acompanhado bem o lance (com o Darwin a soltar-se pela esquerda). O remate à entrada da área ainda desviou num defesa mas entrou mesmo, e finalmente pudemos descansar mais um pouco - o que incluiu retirar os dois médios centro do campo. Cinco minutos depois do nosso terceiro golo, o Lucas Veríssimo cometeu um penálti disparatado e permitiu ao Vitória reduzir, o que de alguma forma os fez acreditar que seria possível a recuperação, mas apesar de muita correria e gritaria das bancadas, a verdade é que não conseguiram incomodar grandemente.

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O Yaremchuk é o homem do jogo pelos dois golos, e poderia até ter feito mais, pois teve ocasiões para isso. A dupla com o Darwin parece causar bastantes problemas aos adversários, e quando estiverem mais e melhor coordenados poderá ser ainda melhor. O outro homem em destaque foi o Rafa. Duas assistências e mais outros passes de qualidade para os colegas. Está constantemente em movimento entre linhas e a oferecer soluções de passe para os colegas, tendo depois a capacidade para se voltar rapidamente para a baliza e servir a dupla de ataque. É neste momento um dos jogadores mais importantes no bom momento do Benfica. A dupla do meio campo entende-se na perfeição, e a presença mais constante do Rafa no meio também os beneficia. O Darwin fez um jogo perfeitamente disparatado.

 

Segue-se o Barcelona para a Champions. Digo desde já que não concordo com o cenário que andam a tentar criar: hoje já assisti a 'experts' a dizer que o Benfica vai defrontar o 'pior Barcelona de sempre' e que tem a obrigação de ganhar. Isto serve para dois cenários: se o Benfica ganhar, então não é nada de especial porque é 'o pior Barcelona de sempre'. Se não ganhar, então é escandaloso por ser 'o pior Barcelona de sempre' e dá azo a tentar criar uma crise qualquer, já que até agora isso está complicado internamente. A verdade é que o Barcelona é sempre o Barcelona, mesmo sem o Messi, e é um clube com uma experiência enorme na Champions. Três ou quatro jogadores do plantel do Barcelona pagam todo o nosso plantel. Se acho que podemos ganhar e que devemos jogar para ganhar, acho. Mas a obrigação de ganhar? Nem por sombras.

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publicado por D`Arcy às 00:37
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Terça-feira, 21 de Setembro de 2021

Sexta

E vão seis seguidas. O bom início de época do Benfica continua apesar de toda a instabilidade criada em redor do clube. A vitória frente ao Boavista acabou por ser tranquila, apesar da boa réplica oferecida por um adversário que nunca baixou os braços, mesmo quando a superioridade do Benfica no jogo parecia ser difícil de contrariar.

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A maior parte do onze mais forte do Benfica já é relativamente fácil de adivinhar, restando sempre alguma dúvida em relação aos jogadores que alinharão no sector ofensivo. Ontem foram o Rafa, o Yaremchuk e o Darwin, com este último a cair diversas vezes sobre a esquerda e o Yaremchuk a vir mais para a direita. Mas em posse de bola vi muitas vezes o Benfica a jogar com um triângulo no meio campo, onde o Weigl era o vértice mais recuado e o Rafa, que jogou com bastante liberdade, fazia de interior esquerdo, com o João Mário a fazer o mesmo mais sobre a direita. Os laterais projectavam-se no ataque e os dois pontas-de-lança ficavam em zona de finalização, o que permitia maior presença na área para finalizar - a estes juntava-se muitas vezes um ou mesmo os dois 'interiores'. O Benfica iniciou o jogo naturalmente muito por cima, praticamente não permitindo ao Boavista ter bola. As ocasiões de golo não eram muitas, mas quando marcámos o primeiro ainda relativamente cedo (aos treze minutos) o Boavista ainda mal tinha entrado no nosso meio campo e antes disso já o Darwin tinha desperdiçado uma flagrante ocasião de golo, quando apareceu solto na área para finalizar um passe da direita do Yaremchuk. No golo, o Darwin estava mais uma vez solto de marcação bem no meio para cabecear o cruzamento perfeito do Diogo Gonçalves, sendo de destacar que também o João Mário estava naquela zona a criar uma situação de superioridade numérica sobre o defesa central do Boavista. Já sabemos que nestas coisas nunca se pode facilitar e bastou o Benfica relaxar um pouco por volta da meia hora para sofrer as consequências. No espaço de um minuto o Boavista, que até aí não tinha feito um remate, teve um primeiro remate de fora pelo Sauer, ao qual o Vlachodimos se opôs, e logo a seguir um passe mais arriscado do Otamendi para o Weigl permitiu ao Boavista pressionar e desarmar o alemão logo à entrada da nossa área, para depois o mesmo Sauer desferir um remate de primeira que não deu qualquer hipótese ao nosso guarda-redes. Foi um grande golo mesmo. Mas a reacção do público foi óptima no apoio à equipa e a reacção da equipa foi ainda melhor. No minuto seguinte beneficiámos de um livre sobre a direita e o João Mário cruzou largo para a zona do segundo poste, onde o Otamendi ganhou nas alturas e devolveu a bola para o primeiro poste e permitiu o cabeceamento precisamente do Weigl para voltar a colocar-nos em vantagem. De uma assentada a equipa recuperava a relativa tranquilidade da vantagem no marcador e o Weigl redimia-se do erro cometido instantes antes. Depois disso não voltámos a permitir qualquer aproximação do Boavista à nossa área até ao intervalo.

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Durante o descanso fizemos uma alteração forçada, tendo entrado o Lázaro para o lugar do lesionado Diogo Gonçalves. O Boavista veio para a segunda parte mais agressivo e a tentar pressionar mais alto, pelo que apesar do Benfica estar por cima no jogo nunca deu para me sentir completamente confortável com o resultado, isto apesar de a nossa defesa ter conseguido quase sempre manter o perigo longe da nossa baliza - até porque a partir de uma determinada altura o nosso velho 'amigo' Hugo Miguel começou a querer ganhar mais protagonismo e a enervar quer o público, quer a nossa equipa, permitindo o endurecer do jogo por parte do Boavista (o ponta-de-lança Musa, por exemplo, andou por ali alegremente a distribuir pancada até que finalmente viu um amarelo a quinze minutos do final). Era fundamental marcarmos um terceiro golo de forma a colocarmo-nos a salvo de qualquer contratempo. O Yaremchuk tinha dado o primeiro aviso, obrigando o guarda-redes do Boavista a uma defesa mais apertada, e pouco depois foi o Lucas Veríssimo a cabecear por cima após um cruzamento do Grimaldo, quando parecia ter tudo para marcar. O golo surgiu mesmo a fim de um quarto de hora jogado, e num lance aparentemente simples. O Benfica aliás tentou por diversas vezes este tipo de lances, em que um dos centrais colocava a bola longa nas costas da defesa adversária, sobre uma das faixas laterais. O Yaremchuk foi um dos jogadores que explorou estes lances sobre a direita, mas desta vez foi o Rafa quem aproveitou o grande passe do Lucas Veríssimo. O controlo da bola foi perfeito, e depois foi só entrar na área e soltá-la para o lado oposto, onde o Darwin apareceu à vontade para a empurrar para a baliza. O jogo ficou então muito bem encaminhado, e até poderíamos ter construído um resultado ainda mais confortável: o Darwin perdeu uma boa ocasião para o hat trick, quando se isolou pela esquerda depois de um bom passe do Grimaldo mas permitiu a defesa ao guarda-redes, e pouco depois foi o Everton, que tinha entrado para o lugar do Yaremchuk, a ver o mesmo Braccali negar-lhe o golo depois de um bom cabeceamento. Mas parece-me que um quarto golo talvez já fosse um castigo demasiado pesado para aquilo que o Boavista fez, sobretudo durante a segunda parte. O Benfica foi mais forte, mas o Boavista deixou uma boa imagem e fiquei especialmente impressionado com o médio Makouta.

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O Darwin acaba por ser o destaque pelos dois golos marcados, mas poderia ter marcado outros tantos já que teve ocasiões para isso. Apesar do erro que resultou no golo do Boavista, ainda assim achei que o Weigl foi um dos melhores, tal como o Otamendi (que também teve algumas responsabilidades nesse lance). O Lucas Veríssimo voltou a exibir-se num nível muito alto e o Rafa foi mais uma vez decisivo - é surpreendente pensarmos que só à sexta jornada foi titular pela primeira vez, mas mesmo saltando do banco tem sido sempre um jogador importantíssimo neste bom arranque.

 

Com a sexta vitória noutros tantos jogos ficámos ainda mais confortáveis no topo da tabela, já que o segundo classificado (Estoril) perdeu. A almofada pontual é agora de quatro pontos, o que significa que aconteça o que acontecer, continuaremos isolados no primeiro lugar no final da próxima jornada. Teremos uma deslocação difícil a Guimarães, e será fundamental continuarmos no registo de competência que temos tido até agora. Por cada semana que passamos no topo da tabela aumenta a nossa confiança e o nervosismo dos nossos adversários.

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publicado por D`Arcy às 14:05
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Quarta-feira, 15 de Setembro de 2021

Susto

Um jogo frustrante em que ficamos com a sensação que estaria perfeitamente ao nosso alcance ganhá-lo, e no qual acabámos por não ganhar para o susto pois poderíamos tê-lo perdido mesmo a acabar, comprovando mais uma vez o velho chavão de que quem não mata, morre.

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Optámos pelo esquema de três centrais de início, o que nesta fase já não é surpresa nenhuma. Com o Lucas Veríssimo suspenso, avançou o Morato para a titularidade. Na direita jogou o Gilberto, e na frente jogaram o Everton e o Yaremchuk, para além do inevitável Rafa. Aquilo que acabou por ser o jogo quase todo ficou bem visível logo nos minutos iniciais. O Dínamo parecia não ter problemas em aguardar pelo Benfica com todos os seus jogadores fechados atrás, tentando depois sair no contra-ataque sempre que possível, o que nem foram tantas vezes assim. Acho que nos primeiros cinco minutos nem devem ter passado do meio campo e só tocaram na bola para a chutar para onde estavam virados. Já o Benfica, mostrou as habituais dificuldades para dar a volta a uma equipa acantonada na defesa. A posse de bola foi avassaladora (a chegar perto dos 80%) mas era sobretudo circulação de bola de um lado para o outro sem conseguirmos colocar jogadores em situação de finalização. Sem surpresas, era quase sempre o Rafa quem conseguia criar acelerações e situações de desequilíbrio, mas demorou muito tempo até conseguirmos obrigar o guarda-redes adversário a intervir. Pelo contrário, o Vlachodimos teve que se mostrar atento logo na fase inicial, quando um mau passe do Otamendi resultou num livre à entrada da área que criou muito perigo. As melhores situações do Benfica tiveram a intervenção do Weigl: uma recuperação de bola muito alta colocou o Everton em situação perigosa dentro da área, mas o brasileiro embrulhou-se com os defesas e não conseguiu finalizar (num lance em que se calhar até poderia ter sido assinalado penálti); e nova recuperação de bola no meio campo adversário com um passe para o Yaremchuck rematar forte à entrada da área, só que à figura do guarda-redes. O Rafa também surgiu em boa posição depois de um livre estudado, mas a tentativa de chapéu saiu demasiado por cima.

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Na segunda parte manteve-se o mesmo cenário. O Benfica continuou sempre por cima e até criou a melhor oportunidade em todo o jogo para chegar à vantagem. Depois de uma insistência do Rafa, que nunca desistiu do lance, a bola sobrou dentro da área para o Yaremchuk, que rematou quase à queima-roupa para uma defesa do guarda-redes ucraniano com o pé, puramente por instinto. Pouco depois o nosso treinador mexeu na equipa, fazendo entrar o Darwin, o Lázaro e o Radonjic para os lugares do Yaremchuk, Everton e Gilberto, mas as alterações não trouxeram nada de novo. Aliás, até me pareceu que perdemos alguma coisa com elas - nem tanto por causa dos jogadores trocados, dado que nenhum dos jogadores que saiu estava a ter um rendimento relevante, mas o que é certo é que depois das alterações o Benfica não pareceu capaz de manter o adversário tão encostado à sua área, e ainda criámos menos ocasiões perigosas. O Rafa era o único que continuava a causar maiores dores de cabeça à defesa ucraniana, mas perto do fim arrumaram com ele num lance que me custa a compreender como é que o VAR não indicou que deveria ter sido mostrado um cartão vermelho. Para o final estava reservado o golpe de teatro. O Dínamo, que tinha sido inofensivo durante quase toda a segunda parte - o único lance de perigo tinha sido uma fuga pela esquerda da nossa defesa que resultou num cruzamento que o Otamendi apenas conseguiu desviar ligeiramente, mas o suficiente para atrapalhar a finalização do adversário no segundo poste - conseguiu nos três minutos de compensação ser mais perigoso do que as duas equipas juntas na soma dos noventa minutos anteriores. Primeiro, um remate de fora da área levou a bola a embater no ferro da baliza, na recarga ao mesmo o Vlachodimos fez uma defesa quase impossível, e depois o Otamendi na tentativa de corte ainda fez a bola bater no poste antes de sair. Na sequência do pontapé de canto que se seguiu, novamente o Vlachodimos a ter que se aplicar para evitar o golo depois de um cabeceamento ao segundo poste. E com o Dínamo a não sair da nossa área, mesmo a acabar um cruzamento largo desde a direita resultou num golo clássico, em que aparece um adversário solto do outro lado para finalizar. Parecia estar tudo perdido, mas o VAR desta vez interveio e assinalou a posição irregular do jogador que fez o cruzamento na altura em que recebeu a bola.

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Os melhores do Benfica foram, para mim, o Vlachodimos, que não teve muito trabalho mas as três intervenções que teve foram todas de alto nível e decisivas, o Weigl, que foi o patrão do meio campo, e o Rafa, que é sempre o jogador que acaba por estar envolvido na maior parte das situações de perigo que criamos, porque é aquele que traz mais imprevisibilidade ao ataque e causa desequilíbrios com as suas acelerações. Só foi pena ter falhado o controlo da bola num passe longo que o poderia ter deixado isolado. Não consigo compreender o motivo pelo qual foi o Otamendi o eleito como o melhor em campo no final.

 

Um ponto é melhor do que nada e normalmente um empate fora é considerado um resultado positivo na Champions. É positivo não termos sofrido golos mais uma vez, mas depois de termos assistido ao jogo é impossível não sentir alguma frustração, porque o Dínamo pareceu ser uma equipa perfeitamente ao nosso alcance. À partida a responsabilidade pelo apuramento neste grupo recai sobre o Bayern e o Barcelona, mas somarmos os seis pontos nos dois jogos com o Dínamo, para além de praticamente nos garantir o terceiro lugar, também poderia deixar alguma ambição para aproveitar alguma eventual instabilidade pós-Messi no Barcelona.

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publicado por D`Arcy às 11:16
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Domingo, 12 de Setembro de 2021

Eficácia

Foi um festival de eficácia, e graças a isso o Benfica goleou nos Açores e viu a sua vantagem para os mais directos rivais aumentar em dois pontos, ficando mais confortável no topo da tabela.

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Os compromissos das selecções forçaram algumas alterações na equipa, com o Lucas Veríssimo a ter que fazer um contra-relógio para chegar a tempo de jogar - como estará impedido de jogar em Kiev para a Champions, foi submetido a este esforço. Já o Otamendi, ficou em Lisboa, avançando o Morato para a titularidade. Nota ainda para o regresso do Diogo Gonçalves ao onze, e para a estreia a titular do Rodrigo Pinho, a maior surpresa na constituição inicial da equipa. Em termos tácticos houve alguma inovação, já que em vez de um mais habitual tridente ofensivo pareceu-me que jogámos com uma dupla de pontas-de-lança e com o Everton mais solto atrás deles, com a missão de jogar entre linhas. Sobre a primeira parte, infelizmente pouco há de positivo a dizer. Tivemos uma enorme superioridade na posse de bola, mas fomos completamente inofensivos no ataque, incapazes de encontrar soluções de finalização. O Santa Clara, com a pouca bola que tinha, conseguia ser mais perigoso em contra-ataques através de futebol directo. Foi com alguma felicidade que não nos vimos atrás no marcador, depois de vermos uma bola embater na barra no seguimento de um livre directo mesmo à entrada da área, que resultou de um corte muito perigoso do Vlachodimos quando um adversário se ia isolar. Só perto do intervalo é que o Grimaldo descobriu o Rodrigo Pinho com um passe para as costas da defesa e este, descaído sobre a esquerda, entrou na área e bateu o guarda-redes com um remate forte que entrou junto ao poste mais próximo. Uma vantagem feliz e que o Benfica pouco justificava nessa altura.

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A segunda parte foi uma história completamente diferente, que começou a ser escrita com a entrada do Rafa precisamente para o lugar do jogador que tinha desfeito o nulo. Já o escrevi antes, acho que o Rafa é o maior desequilibrador que o Benfica tem no plantel. Quando não há espaços, ele inventa-os, e a mobilidade dele consegue criar o caos nas defesas adversárias. Depois, a incrível eficácia do Benfica neste jogo continuou a mostrar-se - uma excepção, já que normalmente estamos mais habituados ao desperdício constante. Por isso a história da segunda parte pode escrever-se com os golos que o Benfica foi marcando, que lhe permitiram controlar o jogo completamente à vontade. Aos cinquenta e quatro minutos, passe do Everton a solicitar a corrida do Darwin, que se escapou à defesa e perante o guarda-redes finalizou facilmente. Dois minutos depois, o Rafa recebeu a bola vinda do Weigl, na rotação libertou-se da marcação e ainda de fora da área desferiu um remate forte e colocadíssimo, que fez a bola entrar junto ao poste com o guarda-redes pregado ao relvado. Aos sessenta e dois, o Darwin libertou-se sobre a esquerda e fez um remate meio enrolado que conseguiu tabelar em dois defesas e assim trair o guarda-redes. E finalmente aos sessenta e oito, com o Santa Clara já derrotado e quando já tínhamos trocado o João Mário e o Darwin pelo Gedson e o Yaremchuk, fechámos o resultado. Passe do Gedson a desmarcar o Grimaldo na esquerda e cruzamento tenso e perfeitamente medido para que o Yaremchuk se antecipasse ao defesa e ao guarda-redes e empurrasse para a baliza. Depois foi só mesmo gerir até final e deu para assistirmos à estreia do Lázaro, embora pouco se tenha visto nos minutos que esteve em campo.

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O melhor em campo foi para mim o Grimaldo, com duas assistências, a primeira das quais ajudou a desatar um nó que se previa cada vez mais complicado. O Rafa é outro dos destaques por ter revolucionado completamente o jogo com a sua entrada, tendo marcado o golo mais bonito da tarde. Os centrais estiveram bem, mas acho que o Morato merece ser mencionado por ter mais uma vez dado uma resposta muito convincente e mostrado que é uma opção perfeitamente válida sempre que um dos titulares estiver indisponível. No meio campo, o João Mário fez o jogo mais discreto desde que chegou ao Benfica, mas em compensação o Weigl esteve muito bem.

 

Estamos sozinhos no topo com um registo perfeito. E com os principais rivais a quatro pontos, isto significa que vão certamente começar os habituais ataques e acusações de favorecimento, com o intuito de criar o clima a que assistimos durante toda a época passada, porque esse é o cenário ideal para os nossos adversários - em caso de dúvida, decide-se contra o Benfica. A diferença é que esta época voltou a ouvir-se a voz benfiquista nas bancadas, e isso ajuda a diminuir a impunidade e o à vontade com que isso era feito. De qualquer maneira a situação actual não é caso para excessos de confiança: a época passada também começámos com cinco vitórias de enfiada e à sexta jornada - precisamente contra o Boavista, o nosso próximo adversário - caímos estrondosamente e depois foi o que se viu. É preciso continuar neste caminho e a fazer o nosso trabalho, sem ligar às provocações e distracções que nos atiram.

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publicado por D`Arcy às 22:12
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Domingo, 29 de Agosto de 2021

Unidos

Não eram esperadas tantas dificuldades, mas a vitória sobre o Tondela acabou por ter que ser arrancada a ferros, exigindo um grande esforço por parte dos jogadores e um emendar de mão por parte do treinador para dar a volta a um resultado negativo, com a recompensa a chegar quase em cima do final dos noventa minutos pelos pés de um herói improvável.

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O Benfica mudou bastante em relação à jornada memorável de Eindhoven. A começar pelo sistema táctico, regressando ao 4-4-2. O onze titular foi praticamente novo, pois dele saíram sete jogadores: Gilberto, Otamendi, Morato, Weigl, Taarabt, Rafa e Yaremchuk. Os sobreviventes foram Vlachodimos, Grimaldo, Lucas Veríssimo e João Mário, e a estes juntaram-se o André Almeida, Vertonghen, Meïté, Pizzi, Everton, Gonçalo Ramos e Darwin. É certo que era um jogo em que teoricamente seríamos muito favoritos, mas confesso que torci o nariz ao ver tantas mudanças numa equipa que tem dado muito boa conta de si, para um jogo que tinha sempre alguma carga psicológica adicional pelo facto de nos podermos isolar no primeiro lugar - a época passada vimos a equipa falhar diversas vezes em cenários destes. Como que para reforçar a minha desconfiança, logo nos primeiros dez minutos o Pizzi já tinha feito o suficiente para ser considerado o pior em campo. Inúmeras perdas de bola, passes falhados, pontapés de canto inconsequentes e um cartão amarelo eram um péssimo cartão de visita. Apesar da posse de bola do Benfica ser simplesmente avassaladora, deu para perceber que iria ser um jogo chato. O Tondela veio à Luz com o tradicional cocktail do autocarro com antijogo, que começou a praticar desde o minuto inicial em qualquer reposição de bola - o guarda-redes Niasse conseguiu ser amarelado ainda na primeira parte por queimar tempo. E o Benfica revelava uma enorme falta quer de mobilidade dos jogadores do ataque, quer de velocidade na circulação da bola para conseguir desposicionar o autocarro. Por isso foram pouquíssimas as situações de finalização que conseguimos criar. Para complicar ainda mais este cenário tradicionalmente difícil, o Tondela marcou no primeiro remate que fez no jogo, pouco depois dos vinte minutos. Foi um remate cruzado desferido de um ângulo apertado e bem colocado ao poste mais distante pelo Salvador Agra, mas a responsabilidade quase total no golo é mesmo para o Vlachodimos, que não podia ser batido num remate desferido daquele ângulo. Se a bola entrou, é porque ele cobriu mal a baliza. Em desvantagem no marcador aumentou o nervosismo e a qualidade do nosso jogo em nada beneficiou com isso. O jogo pelas alas nunca funcionou: na esquerda o Grimaldo esteve sempre retraído e o Everton só sabe vir para dentro, contribuindo para o afunilar do jogo que o Tondela agradecia. Do outro lado, o Pizzi fazia mais ou menos o mesmo e o André Almeida acompanhava-o no sub-rendimento. A defesa do Tondela limitava-se quase a rechaçar os ataque do Benfica e a tirar a bola da zona defensiva, que era depois recuperada por nós na zona do meio campo mas demorávamos demasiado tempo (quase sempre o Meïté) a fazê-la circular, o que dava todo o tempo do mundo ao Tondela para se reagrupar e preparar para o ataque seguinte. Só quase em cima do intervalo é que obrigámos o guarda-redes do Tondela a uma intervenção mais difícil, num remate do João Mário.

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Ao intervalo o JJ deve ter visto aquilo que toda a gente estava a ver, e fez de uma assentada três substituições que ganharam o jogo. Acho que ao longo dos muitos anos que acompanho o Benfica foram poucas as vezes em que concordei tanto com uma decisão de um treinador. Saíram o André Almeida, o Pizzi e o Meïté, entraram o Gilberto, o Rafa e o Weigl. E a diferença foi enorme, pois o Gilberto dinamizou muito a ala direita, o Rafa trouxe velocidade e desequilíbrios no ataque com as suas movimentações, e o Weigl deu capacidade de passe e distribuição de jogo no meio campo, permitindo até libertar mais o João Mário para apoiar o ataque. Logo na primeira jogada o Gilberto, de forma incrível, apareceu a cabecear por cima quando estava a meio metro da linha de golo. Foi o mote para uma presença muito mais constante do Benfica na área do Tondela e para ocasiões reais de golo começarem a surgir com frequência. O Niasse começou a evidenciar-se também por outros motivos que não a queima de tempo (com o amarelo, passaram a ser os colegas de equipa a ter que se atirar para o relvado e a lá ficarem enquanto não fossem assistidos) e negou o golo ao Gonçalo Ramos, ao João Mário e ao Grimaldo. O Tiago Martins e o VAR Hugo Macron fizeram vista grossa a um lance sobre o Rafa que seria penálti a favor de qualquer um dos suspeitos do costume - nada de novo, portanto: esta época vai ser mais do mesmo nesse aspecto particular. A troca do Darwin pelo Rodrigo Pinho nada acrescentou. Mas a resistência do Tondela acabou por começar finalmente a ruir a vinte minutos do final. Canto marcado de forma tensa pelo João Mário para a zona do primeiro poste, onde apareceu o Weigl a desviar de cabeça para o remate vitorioso do Rafa ao segundo poste, completamente solto. Às vezes dá jeito não marcar cantos à Pizzi, ou seja, em balão para a zona do segundo poste e normalmente a fugir da baliza. A partir daqui tínhamos quase meia hora (assumindo que o exagero de tempo que foi queimado pelo Tondela seria devidamente compensado, o que eu sinceramente duvido que acontecesse se o Benfica não estivesse em vantagem)  para chegar à vitória. O Tondela fechou-se ainda mais e chegou a parecer que iriam conseguir mesmo controlar o resultado, mas a dois minutos dos noventa o Benfica chegou à merecida recompensa. Numa iniciativa do Gilberto pela direita, combinou com o João Mário e já dentro da área aproveitou um corte incompleto de um defesa do Tondela para, com um remate rasteiro, fazer a bola entrar bem juntinho à base do poste e provocar uma explosão de alegria acompanhada de um enorme suspiro de alívio.

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Os três jogadores que entraram ao intervalo foram decisivos para esta vitória. Estiveram todos directamente envolvidos nos golos e trouxeram o abanão de que a equipa necessitava depois da má primeira parte. Dos que jogaram de início, o João Mário foi o melhor e esteve nas jogadas dos dois golos. O Pizzi esteve muito mal, e o Everton é um caso de estudo. Quando joga na esquerda, já toda a gente sabe o que vai acontecer quando a bola lhe chega aos pés. Sabe o público, sabem os colegas e sabem os adversários. Por mais que simule, tenta sempre fintar para dentro, por isso basta aos defesas acautelar essa possibilidade e em mais de 90% das vezes o resultado é a bola acabar a ser passada para trás, perdendo-se a jogada. Espera-se muito mais de um internacional brasileiro que era uma das figuras do Brasileirão.

 

O Benfica entrou nesta época num cenário muito complicado. Com o presidente detido, enfrentámos uma crise de liderança inédita. Os ataques ao clube vindos das mais diversas direcções, na tentativa de maximizar a instabilidade, têm sido constantes. Chegados ao final de Agosto na paragem para os compromissos das selecções, o que vemos é que o Benfica atingiu com sucesso o objectivo do empréstimo obrigacionista, dos oito jogos oficiais realizados venceu sete e empatou um, qualificou-se para a fase de grupos da Champions, e é líder isolado só com vitórias na Liga Portuguesa. Não era difícil pedir mais, era impossível. Por mais que nos tentem deitar abaixo, unidos nós sabemos e conseguimos ser sempre mais fortes. O regresso dos benfiquistas aos estádios são boas notícias para nós e péssimas para os nossos inimigos. Sentiu-se hoje e tem-se sentido em todos os jogos - contra o Gil Vicente, por exemplo, a sensação que tive foi que estivemos sempre a jogar em casa, e apesar das dificuldades sentidas hoje houve sempre uma enorme união entre o público e a equipa. Quem mais capacidade tem para nos deitar abaixo somos apenas e só nós próprios. E é por isso que se assiste a tanto esforço para constantemente nos desunir.

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publicado por D`Arcy às 21:10
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Terça-feira, 24 de Agosto de 2021

Heróico

Um apuramento que se pode considerar heróico. Perante um cenário já à partida complicado tudo ficou ainda pior quando à meia hora de jogo ficámos reduzidos a dez, mas a equipa uniu-se e com enorme solidariedade arrancou uma exibição defensiva muito boa, conseguindo segurar o nulo no marcador até final e carimbar assim a importantíssima passagem para a fase de grupos da Champions League.

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O nosso treinador surpreendeu um pouco com a opção pelo Taarabt no onze inicial, mudando ligeiramente o esquema táctico da equipa para um 5-3-2. O Morato manteve a titularidade, no meio campo formou-se um triângulo com o Weigl no vértice mais recuado a acompanhar quase sempre as movimentações do antigo colega Götze e o Taarabt e o João Mário a jogarem mais adiantados. Na frente, o duo de ataque foi formado pelo Yaremchuk, mais fixo, e o Rafa a jogar mais solto. Se se esperava um assalto do PSV à nossa baliza desde o início, não foi nada disso que se viu. O Benfica entrou em campo bastante tranquilo e o jogo foi equilibrado, com o PSV a não conseguir criar ocasiões de finalização em quantidade suficiente para nos deixar preocupados - lembor-me apenas de um remate à malha lateral. A melhor ocasião foi até do Benfica, que colocou vários jogadores em zona de finalização e viu a bola chegar até ao Rafa, que quase na pequena área viu o remate ser desviado no limite por um adversário e a bola passar por cima da baliza. Tudo mudou no entanto à passagem da meia hora, quando o Lucas Veríssimo viu um segundo amarelo perfeitamente escusado e foi naturalmente expulso. O Benfica enfrentava agora mais de uma hora de jogo em inferioridade numérica perante um adversário que ainda não tinha ficado em branco esta época. De forma algo surpreendente, o nosso treinador não reagiu de imediato da forma que seria mais esperada - a entrada do Vertonghen para recompor os três centrais - e em vez disso a equipa reorganizou-se e com grande espírito de entreajuda manteve uma solidez defensiva muito boa, conseguindo impedir que o PSV ameaçasse a nossa baliza com regularidade. Apenas enfrentámos uma situação mais complicada, numa iniciativa individual do Madueke, que conseguiu libertar-se e ficar na cara do Vlachodimos descaído sobre a esquerda, mas o nosso guarda-redes respondeu ao nível que exibiu sempre durante esta eliminatória.

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Com a equipa a responder tão bem, já não foi tão surpreendente que no regresso do intervalo continuássemos sem alterações. E o jogo foi dando razão ao nosso treinador, porque apesar do PSV ir intensificando a pressão e tendo cada vez mais bola, o Vlachodimos não estava a ser incomodado frequentemente - o autêntico muro que a nossa equipa construiu à frente da sua área revelava-se muito difícil de ultrapassar, e a frustração dos ex-holandeses ia claramente aumentando com o passar do tempo. A entrada do Vertonghen acabou por efectuar-se por troca com o Taarabt, e pouco depois fizemos duas trocas directas para refrescar a equipa - Yaremchuk pelo Gonçalo Ramos e Gilberto pelo André Almeida. Foi por essa altura que o PSV teve a melhor ocasião em todo o jogo, quando o Morato teve talvez a única grande falha em todo o jogo e deixou escapar a bola quando a tentou controlar em zona proibida. No contra-ataque, o Zahavi apareceu à vontade na área para rematar à barra com o Vlachodimos já batido. O Benfica refez-se do susto e continuou a suster com relativa facilidade os ataques cada vez mais desesperados do PSV - depois de muito tempo a tentar furar pelo meio em tabelas curtas, começavam agora cada vez mais a recorrer aos cruzamentos largos para a área, que era quase sempre resolvidos com facilidade pelos nossos centrais. Novas trocas para refrescar a equipa a um quarto de hora do final, que à partida me deixaram um pouco preocupado: o Everton entrou para o lugar do Rafa, que estava a ser muito importante na ajuda ao Grimaldo para fechar o lado esquerdo, e o Meïté substituiu o amarelado João Mário - neste caso a minha preocupação era que o Jorge Jesus fizesse a substituição habitual e retirasse do campo o Weigl, que estava a fazer um grande jogo, mas felizmente não o fez. Pouco mudou no jogo, e durante o tempo que se jogou até final, incluindo cinco minutos de compensação, o PSV chegou por duas vezes à nossa baliza: a primeira num remate muito forte de fora da área do Ramalho, que saiu à figura do Vlachodimos, e depois a cinco minutos do final um duplo remate do Vertessen, que se tinha escapado pela esquerda, tendo o Vlachodimos correspondido com duas defesas. Frente a uma equipa com um potencial atacante grande e reduzido a dez, acho que o Benfica defendeu muito bem. Era impossível sermos perfeitos e evitar que o adversário não criasse qualquer ocasião de golo, mas conseguimos mantê-los geralmente longe da nossa baliza e reduzir o perigo a um mínimo bastante aceitável.

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Acho que o destaque maior é mesmo a solidariedade defensiva da equipa, mas homens como o Vlachodimos, o Grimaldo, o Otamendi ou o Weigl fizeram um jogo de altíssimo nível e foram razões muito fortes para termos passado esta eliminatória.

 

Pela primeira vez esta época não marcámos qualquer golo e não vencemos um jogo, mas este empate foi tão saboroso como qualquer vitória. Nunca é demais realçar a importância estratégica deste apuramento, e o grande ímpeto motivacional que este resultado pode dar para o resto da época. Muitos houve que cantaram a nossa derrota assim que nos caiu em sorte o adversário mais forte que havia neste playoff, mas saíram-lhes as contas furadas e agora andarão ocupados a desvalorizar este PSV que tanto elogiaram anteriormente. Adoro quando o Benfica desilude esta gente. Agora, foco na liga e na quarta vitória consecutiva.

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publicado por D`Arcy às 22:53
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Quinta-feira, 19 de Agosto de 2021

Aberto

Uma vitória pela margem mínima que deixa tudo em aberto para a segunda mão. O resultado acaba por ser melhor do que a exibição, sobretudo na segunda parte, durante a qual não conseguimos manter o nível exibido na primeira e assim desperdiçámos uma vantagem mais confortável. Pelo menos como os golos fora já não contam como critério de desempate, o 2-1 final não é tão preocupante como seria anteriormente.

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Foram feitas as alterações esperadas para este jogo, sendo o onze apresentado o mais previsível, no qual o Morato ocupou a vaga do indisponível Vertonghen. Perante um PSV que joga sempre de forma bastante ofensiva, colocando vários jogadores em zonas adiantadas, o segredo para os conseguir ferir passaria sempre por conseguirmos defender bem e depois fazer transições rápidas para o ataque, espreitando também as bolas paradas, onde eles parecem ter fragilidades. Chegámos cedo ao golo, aos dez minutos, precisamente numa transição e através do Rafa a passe do Yaremchuk, com um remate rasteiro cruzado que fez a bola entrar bem junto do poste. O PSV teve sempre mais bola, mas o Benfica soube quase sempre controlar o adversário e evitar que criasse ocasiões de finalização, sendo as maiores dores de cabeça dadas pelo extremo direito Madueke, que deu imensos problemas ao Grimaldo. A primeira parte não poderia mesmo ter corrido melhor, porque perto do final chegámos ao segundo golo. Na sequência de um pontapé de canto, o Otamendi fez o primeiro cabeceamento para o meio da área e depois de um ressalto a bola sobrou para o Weigl, que não teve qualquer dificuldade em finalizar. Dois golos de vantagem ao intervalo era perfeito, mas o nível da segunda parte não acompanhou o da primeira. Até entrámos bem e poderíamos ter chegado ao terceiro golo numa jogada entre o Rafa e o Grimaldo, mas o guarda-redes do PSV adivinhou bem o lance e foi buscar o remate do Rafa. Quase na resposta, o Otamendi teve um mau passe para o João Mário numa saída para o ataque e a equipa foi apanhada em contra-pé, ficando imediatamente numa situação de inferioridade numérica de três defesas para quatro adversários. O portador da bola flectiu para o meio e à entrada da área rematou entre três jogadores nossos, com a bola a desviar levemente no Otamendi e a entrar bem encostada ao poste. O Benfica ou acusou muito este golo, ou então estoirou fisicamente, porque a partir daí o jogo passou a ser praticamente todo do PSV. Não conseguimos sair uma vez que fosse em ataque organizado, sendo frequentes o simples pontapé para a frente. Em termos de duelos individuais, perdemos quase todas as bolas divididas, pelo ar ou pelo chão. As quatro substituições feitas de uma assentada a vintem minutos do final pouco alteraram o cenário - o 2-2 foi sempre um cenário mais provável do que o 3-1, e o mais perto que esteve de acontecer foi num desvio do Lucas Veríssimo que teria acabado em autogolo se não fossem os excelentes reflexos do Vlachodimos. Foi por isso foi com alguma satisfação que ouvi o apito final de um árbitro que voltou a deixar uma má imagem junto dos benfiquistas - entrou para o aquecimento debaixo de assobios e deixou o jogo debaixo de assobios.

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Não consigo fazer grandes destaques na nossa equipa para além do Vlachodimos. Talvez o Rafa, por ter marcado um golo e por ser aquele de quem eu esperava sempre alguma coisa quando a bola lhe chegava em condições. O Veríssimo e o Otamendi não estiveram mal, mas este último fica marcado pelo lance do golo.

 

O mais importante é que partimos para a segunda mão em vantagem. Mas não creio que a estratégia para a segunda mão possa passar simplesmente pelo segurar desta magra vantagem, temos que jogar para marcar em Eindhoven se queremos passar este playoff. O PSV contava por vitórias todos os jogos disputados até agora e sai da Luz com esse registo estragado, enquanto que o Benfica mantém o registo perfeito. Nas últimas semanas o PSV foi-nos apresentado como a oitava maravilha do futebol, mas se a coisa correr de feição ao Benfica, estão agora a noventa minutos de serem considerados uma equipa perfeitamente banal.

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publicado por D`Arcy às 00:54
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