VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

Lisonjeiro

Face ao que jogámos, a derrota por 2-1 na Ucrânia acaba por ser um bom resultado, que permite trazer a discussão da eliminatória para a Luz na próxima quinta-feira. Mas será necessário melhorar muito se queremos ter qualquer possibilidade de passar.

 

 

Para este jogo as mudanças passaram pelas entradas do Seferovic e do Chiquinho no onze para os lugares do Vinícius e do Rafa. Uma pequena novidade táctica na colocação do Chiquinho sobre a direita, com o Pizzi no apoio directo ao avançado - o que na prática significou não termos ataque, porque à ineficácia e indiferença do Seferovic juntou-se um Pizzi que vem jogando quase sempre a passo e a complicar tudo. O Florentino também regressou, mas isso era uma inevitabilidade face à suspensão do Weigl. De uma forma geral, as melhorias exibicionais que se viram no jogo contra o Braga (apesar da derrota) desapareceram todas neste jogo. Estamos no meio de um ciclo pobre em termos de futebol jogado, e o jogo de hoje esteve ao nível dos piores que temos feito. Defendemos pessimamente e atacámos ainda pior. Ainda mantivemos uma certa solidez durante a primeira meia hora de jogo, mas depois começámos a meter água por todos os lados. Um fora de jogo no limite evitou o golo do Shakthar ainda na primeira parte, depois de um erro clamoroso do Florentino, mas nessa altura já o Shakhtar ia conseguindo criar diversas ocasiões de perigo. E a tendência não só se confirmou como ainda se acentuou no regresso para a segunda parte. Até ao ponto em que nem o Vlachodimos ou o poste conseguiram impedir o inevitável golo ucraniano, num remate rasteiro muito colocado ainda de fora da área. Tivemos a felicidade de pouco depois chegar ao empate e ao importante golo fora de casa, porque a reacção ao golo sofrido até foi positiva. Uma boa iniciativa do Tomás Tavares permitiu-lhe marcar à boca da baliza depois de uma insistência do Cervi, mas o VAR anulou o golo para assinalar penálti sobre o Cervi, que o Pizzi converteu. Era um resultado muito bom e muito lisonjeiro também. Mas depressa voltámos a entregar o ouro ao bandido com mais um erro defensivo inacreditável. O Rúben Dias, quando tentava proteger a saída de bola pela linha final, deixou-se desarmar e o passe atrasado que se seguiu permitiu uma finalização fácil. Na fase final, já com o Vinícius e o Rafa em campo, ainda tentámos acelerar um pouco o jogo e pressionar mais, mas sem quaisquer efeitos práticos.

 

Para não variar, em termos individuais safa-se o Vlachodimos. Não fosse ele e regressaríamos a Lisboa com muito poucas hipóteses de discutir a passagem. O Taarabt voltou também a ser dos poucos a conseguir dar alguns safanões no jogo ofensivo da equipa, mas em contraponto cometeu diversas falhas no aspecto defensivo. A defesa no geral esteve péssima. Pela direita o Ismaily passou vezes sem conta pelo Tomás Tavares, o Rúben ofereceu um golo, o Ferro voltou a cometer vários erros e o Florentino esteve pavoroso. Na frente, já não há palavras para classificar o Seferovic. É um jogador completamente descrente, que não ataca uma bola, não tenta antecipar um lance e simplesmente limita-se a esconder-se atrás dos defesas na esperança que de alguma forma ele deixe passar a bola. O Pizzi está claramente muito abaixo de forma e complica mais do que ajuda - por mais de uma vez tivemos lances de ataque que morreram nos seus pés quando se exigia dar muito melhor continuidade aos mesmos.

 

Não consigo prever qual o nosso futuro nesta eliminatória. Se jogarmos aquilo que sabemos e já mostrámos esta época, passamos facilmente. Se mantivermos o mesmo registo dos últimos jogos, seremos inevitavelmente eliminados. O que me preocupa mais é que este jogo não mostrou grande evolução ou sinais de que podemos deitar para trás das costas a fase menos positiva. É urgente regressar às vitórias o quanto antes.

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publicado por D`Arcy às 22:22
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Domingo, 16 de Fevereiro de 2020

Incompetência

Continuamos a sequência de exibições menos conseguidas e perdemos pela segunda vez consecutiva na liga, algo que não acontecia há largos meses. Foi uma derrota algo absurda, apenas possível pela conjugação de muita incompetência em diversos aspectos.

 

 

Nada de assinalável no onze apresentado: foi o esperado, no qual o Weigl regressou à titularidade e o Florentino regressou à bancada. Jogámos no esquema táctico habitual frente a um Braga que se apresentou com três defesas centrais e dois laterais projectados para o ataque,  que se dispunha em 3-4-3 quando em posse. Com excepção do guarda-redes e de um dos centrais, o execrável Raúl Silva (não é de ontem, detesto este tipo desde os tempos do Marítimo) que se dedicaram a perder tempo desde o apito inicial, a atitude do Braga foi tentar jogar o jogo pelo jogo. Tentavam sempre sair a jogar, o que acabou por lhes provocar vários calafrios sempre que o Benfica conseguia fazer a pressão de forma exigida. Infelizmente, cedo se começou também a perceber que estávamos em dia não no que à finalização diz respeito. O Rafa deu o sinal inicial quando, depois de recuperar bem uma bola depois de pressionar um defesa, ficou isolado e nem sequer conseguiu acertar na baliza. Foi só uma situação, à qual se seguiram outras do Cervi, do Pizzi, e sobretudo do Vinícius, que ontem esteve absolutamente desastrado na finalização - e não só isso, como parece andar a aprender com o Seferovic a deixar-se apanhar quase sempre em posição irregular. O golo que ele falha quando depois de um centro do Pizzi apareceu completamente sozinho em frente à baliza, nem sendo necessário tirar os pés do chão para cabecear, é inacreditável. O Braga, pese a tentativa de jogar e atacar, na verdade só conseguia chegar perto da baliza do Benfica de uma forma: qualquer livre conquistado no meio campo do Benfica era despejado para a área. Em bola corrida o Benfica até conseguiu controlar de forma bastante eficaz o Braga, inclusivamente quando tentavam entrar pelo nosso lado esquerdo - e foram diversas as tentativas de solicitação de entradas do Esgaio por aquele lado. Infelizmente para nós, já em tempo de descontos, lá arrancaram mais um livre ameio do nosso meio campo e depois do Vlachodimos ter salvo o golo com uma grande defesa, no canto que se seguiu nada conseguiu fazer perante um cabeceamento à queima-roupa do Palhinha, que surgiu solto entre os nossos centrais. Uma falha de marcação imperdoável.

 

 

Neste momento o meu raciocínio quando o Benfica chega ao intervalo de um jogo em desvantagem é sempre o mesmo: que consigamos marcar antes que o Seferovic entre. Nem é só pelo Seferovic em si - embora o absoluto desastre que ele tem sido esta época já seja suficientemente desmotivante - é sobretudo pelas mudanças tácticas que essa substituição acarreta. E normalmente, quando nada resulta dessa substituição (o que é o mais normal) depois vamo-nos enterrando cada vez mais à medida que novas alterações vão sendo feitas. O Benfica até começou bem a segunda parte, com o Vinícius a acertar no poste logo nos primeiros minutos. O jogo foi decorrendo com o Benfica naturalmente mais em cima do Braga, e poucos minutos depois vimos o Rafa a isolar-se em direcção à baliza, descaído sobre a direita. Com imenso tempo para decidir o que fazer, hesitou, hesitou, e acabou por preferir tentar um passe para o Vinícius no meio, que foi facilmente interceptado. Parece-me que o facto de não ter tentado finalizar será um reflexo da falta de confianção. Depois disto, começou o disparate que eu temia. Entrada do Seferovic, saída do Cervi, o nosso lado esquerdo desapareceu e a partir daqui foi sempre a descer. A única ocasião de real perigo que conseguimos criar foi uma iniciativa individual do Pizzi, que foi ultrapassando vários adversários pela zona frontal da área até rematar de pé esquerdo para um grande defesa do guarda-redes. Houve ainda outra situação em que o Pizzi se isolou pelo meio, e pressionado por um defesa tentou ultrapassar o guarda-redes em vez de rematar, acabando o lance por se perder. O Braga também criou uma grande ocasião, mas felizmente o remate do Ricardo Horta saiu quase à figura do Vlachodimos, que defendeu por instinto. Depois fizemos entrar o Chiquinho para o lugar do Weigl, o que na prática significou fazer o único jogador que estava a ser capaz de acelerar e causar desequilíbrios (Taarabt) recuar para junto dos centrais e assim afastá-lo da zona de decisão. Finalmente, para os minutos finais, o golpe fatal, que foi exactamente igual ao do Dragão: fazer entrar o Dyego Sousa. Gosto muito do Lage, acho que percebe de futebol a rodos e certamente muito mais do que eu, mas por mais voltas que dê à cabeça não consigo perceber esta opção dos três avançados. Ainda por cima duas vezes seguidas. É que depois não só deixamos de construir o que quer que seja como nem sequer conseguimos fazer a bola chegar à área através de futebol directo - tenho sérias dúvidas que o Dyego tenha sequer chegado a tocar na bola. Por isso o apito final chegou sem sobressaltos e voaram três pontos, dando oportunidade para o Raúl Silva ter mais uma atitude de desrespeito para com o Benfica, acabando expulso já depois do fim do jogo.

 

 

No Benfica acho que posso destacar o Vlachodimos, que não teve quase trabalho nenhum, mas no pouco que teve fez duas grandes defesas e nada podia fazer no golo. Também o Taarabt voltou a ser dos jogadores com nota positiva. O Tomás Tavares estava em crescendo quando saiu da equipa, e neste jogo pareceu ter revertido ao estado inicial, quase incapaz de ter qualquer tipo de contribuição na manobra ofensiva da equipa. O Pizzi claramente precisa de descanso. Está num momento muito mau - basta atentar que das primeiras três ou quatro vezes em que tocou na bola no jogo acabou por perdê-la para o adversário - mas como num momento fugaz pode sempre decidir, acaba por ter lugar cativo. O Rafa também está claramente longe do melhor. E agora até o Vinícius parece estar longe do ideal em termos físicos, para além de ter desperdiçado ocasiões que não são nada habituais nele. Basta ver que de cada vez que perdíamos uma bola no ataque este trio (Rafa, Pizzi e Vinícius) deixavam-se lá ficar e recuavam a passo, o que era logo meio caminho andado para que algum deles voltasse a ser apanhado em posição irregular.

 

Estamos a atravessar a pior fase da era Lage. Parece-me que a equipa está em défice físico e também numa crise de confiança. A exibição na primeira parte até nem foi das piores, mas quem falha tanto no ataque num jogo destes acaba inevitavelmente por sofrer as consequências, e uma vez em desvantagem a falta de confiança vem ao de cima e torna tudo pior. Uma vez mais voltamos a fazer aquilo em que parecemos ser especialistas: dar vida e confiança a um adversário que estava quase de rastos. Fazer as coisas da maneira mais fácil não é para nós. Espero bem que saibam dar a volta a esta situação rapidamente, porque agora a margem de manobra acabou.

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publicado por D`Arcy às 18:32
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Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2020

Sofrimento

E pronto, lá conseguimos chegar à final da Taça de Portugal. Foi à custa de transpiração e mais uma exibição pouco conseguida, que nos obrigou a todos ao sofrimento enquanto esperávamos pelo apito final.

 

 

Algumas alterações num regresso a um onze mais rotinado, com o Cervi de volta e apenas com a surpresa da titularidade do Florentino em vez do Weigl - a presença do Tomás Tavares era uma certeza face à lesão do André Almeida. A primeira parte nem foi má de todo. Achei que jogámos como era necessário jogar. Estávamos em vantagem e não havia necessidade de nos lançarmos numa correria desenfreada à procura do golo, mas tivemos quase sempre maior iniciativa no jogo e conseguimos gerir aceitavelmente a posse da bola. O Famalicão ameaçava em contra-ataques, sem surpresa nenhuma quase sempre pelo nosso lado esquerdo, onde o nosso Diogo Gonçalves fazia a cabeça em água à nossa defesa. O Ferro jogou vários anos ao lado dele, o Grimaldo treinou com ele no ano em que o Diogo fez parte do plantel principal, e já deveriam conhecê-lo o suficiente para não serem sistematicamente ultrapassados. O Benfica por mais de uma vez desperdiçou lances de contra-ataque de dois para dois ou até mesmo de dois para um porque o passe final foi sempre mal feito: ou saía demasiado curto, ou demasiado longo. Mas aos vinte e quatro minutos fizemos o mais importante, que era marcar primeiro - se tivesse sido o Famalicão a fazê-lo ficariam imediatamente em vantagem na eliminatória e não sei se o Benfica teria capacidade para inverter a situação. Mérito maior para o Cervi, que acreditou num cruzamento de recurso feito pelo Vinícius na esquerda, já quase sobre a linha final. O Cervi conseguiu, quase em cima do guarda-redes, tocar a bola de calcanhar para trás e o Pizzi atirou para a baliza desprotegida. Parabéns também à magnífica realização da SportTV, que conseguiu repetir o lance várias vezes a partir de uma câmara que insinuava que poderia ter havido falta do Vinícius no início da jogada (só mostrava o Vinícius a meter o pé e depois cortava o resto) - aliás, a realização foi notoriamente tendenciosa, não se cansando de repetir lances inócuos na esperança de inventar polémica. Em vantagem, foi tempo para o Vlachodimos brilhar, impedindo por duas vezes o empate. Sempre pelo lado esquerdo. Primeiro foi o Martínez que roubou a bola ao Ferro, isolou-se, e o Vlachodimos fez uma defesa milagrosa com o pé. Depois foi o Diogo Gonçalves que pegou na bola, passou por todos os que lhe saíram ao caminho (Grimaldo, Ferro, Florentino), foi por ali fora isolado, e mais uma vez o nosso guarda-redes levou a melhor. Já no período de descontos o Famalicão introduziu mesmo a bola na baliza no seguimento de um livre indirecto. O lance acabou anulado por posição irregular e ainda bem, porque duvido que quer a queda do Rúben, quer o choque com o Vlachodimos nesse lance tivessem sido considerados falta. A anulação do golo levou ao desespero muito morcão que claramente infestava as bancadas em Famalicão.

 

 

O pior deste jogo foi mesmo a nossa segunda parte. É difícil explicar o que aconteceu. Nós simplesmente recuámos as linhas para junto da área e literalmente desaparecemos no ataque. Entregámos completamente a iniciativa de jogo ao Famalicão, e dedicámo-nos a defender a vantagem, mesmo sabendo perfeitamente que um golo do Famalicão relançaria completamente a eliminatória. É que isto foi assim praticamente desde o apito para o recomeço, com o Vlachodimos a ser novamente obrigado a negar o golo ao inevitável Diogo Gonçalves. O mal menor era que, à excepção das entradas do Diogo Gonçalves pela esquerda, o Famalicão raramente conseguia submeter-nos a uma pressão intensa: jogávamos com as linhas mais encostadas à área mas o ritmo de jogo nem era particularmente intenso e o Famalicão não conseguia penetrar, e assim era obrigado a recorrer aos remates de fora da área. Felizmente que esses nunca levaram a direcção da baliza, mas foram vários aqueles que não passaram muito longe. A meio da segunda parte o Chiquinho rendeu o apagadíssimo Rafa e trouxe um bocadinho mais de animação. A única resposta digna desse nome do Benfica foi um contra-ataque conduzido pelo Vinícius, uma vez mais na situação de dois para um. A bola foi passada para o Pizzi, que à entrada da área se atrapalhou com ela e o lance perdeu-se. Depois aconteceu o que se temia: a doze minutos do final o Famalicão chegou mesmo ao empate. Já não será surpresa nenhuma dizer que o lance surgiu pela esquerda. Passe para o Diogo Gonçalves, que passou pelo Grimaldo como se ele nem lá estivesse e depois fez o cruzamento rasteiro para o Martínez se antecipar aos nossos centrais e marcar já dentro da pequena área. Esperava agora um sofrimento ainda maior, mas felizmente para nós o Famalicão não conseguiu criar mais nenhuma ocasião de perigo e continuou apenas a recorrer às tentativas de remates de fora da área para chegar à nossa baliza. O Benfica já tinha feito o Samaris entrar para o lugar do Cervi nos minutos finais, e já nos descontos trocou o Vinícius pelo Seferovic. Uma substituição para queimar tempo, mas mesmo assim o suíço ainda conseguiu dar mais uma demonstração do momento deplorável que atravessa, ao desperdiçar uma ocasião flagrante para acabar de vez com as dúvidas. Depois de uma jogada de insistência do Chiquinho, este deixou a bola para o Seferovic ficar completamente sozinho em frente ao guarda-redes. O Seferovic rematou de pé direito ao lado da baliza, numa atitude que quase pareceu displicente. Não sei se ele anda amuado por ter perdido a titularidade, mas não é assim que a vai conseguir reconquistar. Acabou por ser um ponto final a condizer com a qualidade de jogo que apresentámos na segunda parte.

 

 

Melhor do Benfica, obviamente o Vlachodimos. E tal como na primeira mão, o nosso melhor jogador de campo foi o Diogo Gonçalves, que estava do outro lado. Depois daquilo que o vi fazer nos dois jogos contra nós terei alguma dificuldade em perceber se não lhe for dada uma oportunidade para pelo menos fazer a próxima pré-época. Sobretudo quando sabemos que nos faltam alternativas ao Pizzi na direita. Uma menção também para o Rúben Dias, que devia servir sempre de exemplo pela atitude com que se entrega a cada jogo. Pode não ter braçadeira, mas tem a atitude de um líder. E falta de atitude também é algo de que o Cervi não pode ser acusado. Quanto ao resto, há jogadores que neste momento estão a atravessar o pior momento da época. Pouca inspiração, e nalguns casos parece até que estão visivelmente fatigados. Há os casos flagrantes do Grimaldo e do Ferro, mas também o Rafa esteve apagadíssimo e o Pizzi está no mesmo registo há alguns jogos - e é por demais evidente que quando não há Pizzi, há muito pouco Benfica. O próprio Vinícius parece estar muito cansado.

 

Estamos a atravessar o período mais complicado da época. É imperioso dar a volta a esta situação o mais depressa possível, para que não coloquemos em causa sobretudo o objectivo principal, que é a renovação do título de campeão. Vai ser necessário jogar muito, mas mesmo muito mais do que isto para levarmos de vencida o Braga já no próximo jogo. Quanto à Taça, e um previsível encontro com o Porto na final, prevejo já o habitual circo para que a final não se jogue lá, e depois um novo embate contra o Artur Pasteleiro ou então, como prémio especial de fim de carreira, uma despedida em grande do Xistra.

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publicado por D`Arcy às 15:51
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Domingo, 9 de Fevereiro de 2020

Douradinho

Um clássico com um cheiro douradinho a anos noventa. Como aliás é normal por aqueles lados. Aliás, a minha experiência até me diz que eles gostam mais de ganhar assim, talvez porque lhes traga uma pontinha de nostalgia pelos tempos em que punham e dispunham disto tudo.

 

Não querendo centrar tudo na actuação de Artur 'Pasteleiro' e Tiago 'cinco cêntimos' Martins (que já tão boa conta tinha dado de si no jogo da Taça contra o Rio Ave, e cuja nomeação para este jogo foi uma clara provocação ao Benfica) obviamente que também temos culpas próprias numa derrota que nos deixou com uma margem de manobra mais pequena no topo da tabela. Como treinador de bancada, custou-me compreender a saída do Cervi da equipa precisamente neste jogo. A opção foi pelo Rafa na ala com o Chiquinho no apoio ao Vinícius. Acho que o Cervi dá mais solidez defensiva, que seria importante num jogo destes. O Porto entrou mais forte, a jogar da sua forma típica, com muita intimidação física e perante um Benfica encolhido chegou cedo ao golo. A resposta do Benfica foi a melhor possível, chegando ao empate pelo Vinícius pouco tempo depois, numa recarga oportuna a um cabeceamento do Chiquinho (mais uma vez ficámos com a sensação de que o VAR andou a esforçar-se ao máximo para tentar encontrar um motivo para anular o golo). O Porto foi melhor na primeira parte, mas onde acabámos por deitar tudo a perder foi nos minutos imediatamente antes do intervalo. Primeiro veio o penálti absurdo, assinalado pelo VAR Tiago 'cinco cêntimos', e que depois o Artur Pasteleiro não teve coragem para contrariar. Não só o Ferro é claramente empurrado pelo Soares, como ainda vê um penálti assinalado depois de lhe cabecearem a bola contra o braço, quando está de costas. So para comparação de critérios: este mesmo VAR, há um par de épocas atrás, foi aquele que conseguiu não assinalar qualquer penálti a favor do Benfica num jogo em que três jogadores do Sporting (Coentrão, Piccini e William) jogaram a bola com a mão dentro da sua área. Aqui considerou o lance de tal forma evidente que contrariou a decisão do árbitro de campo e o obrigou a ir ver as imagens. Mas pronto, penáltis destes contra o Benfica quando vamos ao Porto já é um hábito e não seria por isto que tínhamos o jogo perdido. O pior foi que pouco depois demos um enorme tiro no pé, quando o Marega entrou pela esquerda e o corte do Rúben Dias ao cruzamento foi ainda desviado pelo Vlachodimos para dentro da própria baliza. Segundo golo que surgiu pela esquerda, a reforçar a minha insatisfação pela ausência do Cervi (se calhar não teria feito diferença nenhuma). A entrada na segunda parte foi forte e teve o melhor desfecho possível, com novo golo do Vinícius a reduzir a diferença. O Porto dedicou-se muito a queimar tempo e a segurar a vantagem, e o Benfica melhorou bastante da primeira para a segunda parte. Mas não conseguimos chegar ao empate, até porque as substituições operadas pelo Bruno Lage não resultaram. Em especial a entrada do Dyego Sousa - jogar com três pontas de lança não fez qualquer sentido e deixámos de jogar tanto com a bola no pé, sendo incapazes de criar uma ocasião de real perigo.

 

Enfim, há que reagir já no próximo jogo. Falhámos uma oportunidade para praticamente matar este campeonato, mas outras surgirão. A vantagem ficou mais reduzida mas ainda nos permite margem de manobra. O Porto ganhou mais crença (deu direito a volta olímpica e tudo) mas continua a depender de terceiros e nós dependemos apenas de nós. Uma derrota não pode comprometer a nossa forma de trabalhar nem desviar-nos do nosso caminho.

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publicado por D`Arcy às 00:17
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Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2020

Desleixada

Foi uma exibição algo desleixada da nossa parte perante uma equipa suficientemente boa para saber tirar partido disso, e só não digo que fizemos os mínimos para sair em vantagem para a segunda mão das meias finais porque ainda foi preciso correr bastante nos minutos finais para inverter o marcador.

 

 

Bruno Lage promoveu quatro alterações em relação ao último onze, que tinha derrotado o Belenenses com alguma dificuldade: Jardel, Gabriel, Chiquinho e Seferovic entraram para os lugares de Ferro, Weigl, Rafa e Vinícius. Sobre a primeira parte do jogo, nem sequer vou falar grande coisa. Foi demasiado lenta e desinteressante, com poucas ocasiões de golo (ainda que as poucas que aconteceram, uma para cada equipa, tenham sido flagrantes). Na segunda parte o Benfica entrou um pouco mais decidido, com o Ferro no lugar do Jardel (imagino que a troca tenha sido por problemas físicos) e chegou ao golo cedo. Aos oito minutos, um penálti marcado pelo Pizzi a castigar um corte com a mão colocou-nos em vantagem no marcador. A nossa equipa pareceu ficar motivada com o golo e um segundo parecia ser o cenário mais provável. Mas foi precisamente durante aquele que estava a ser o melhor período da nossa equipa que sofremos o golo do empate, apenas sete minutos depois. Um lance em que ficou exposto de forma evidente o risco que é jogarmos com a dupla Gabriel/Taarabt no meio campo e consequentemente sem um médio defensivo como o Weigl ou o Florentino. A bola entrou no espaço entre a nossa defesa e o meio campo e deixou o Ferro exposto, tendo depois uma troca de bola rápida pela esquerda permitido uma finalização fácil ao jogador do Famalicão. A reacção do Benfica foi fazer entrar o Rafa e o Vinícius, por troca com o Chiquinho e o Cervi. Estas alterações fizeram-nos mais perigosos no ataque, mas também acabaram por ter uma consequência negativa. Sem o Cervi na esquerda para compensar as subidas do Grimaldo (ou um médio defensivo que o fizesse) um mau cruzamento do espanhol no ataque resultou numa bola perdida e um contra-ataque por esse lado, onde mais uma vez o Ferro se apanhou sozinho para dois adversários e inevitavelmente um deles ficou isolado para colocar o Famalicão em vantagem. 

 

 

O Ferro tem sido frequentemente criticado, mas o que eu vejo é que ele é muitas vezes o jogador mais exposto da equipa quando as frequentes subidas do Grimaldo não são devidamente compensadas, e ele não faz milagres - pouco antes do primeiro golo do Famalicão houve uma jogada quase igual pela esquerda que só não terminou em golo porque o Ferro conseguiu interceptar o passe do Diogo Gonçalves. A dezassete minutos do final o Benfica via-se agora em desvantagem em casa. Felizmente demorámos apenas cinco minutos a restabelecer a igualdade, numa recarga do Rafa a um remate do Vinícius (um lance que mostrou de forma evidente porque motivo o Seferovic não tem a menor possibilidade de se assumir como alternativa válida ao brasileiro). O jogo nesta fase estava partido, com o Benfica a procurar o golo quase sem ter preocupações defensivas, e dava a sensação que podia acontecer mais um golo para qualquer uma das equipas - o Vlachodimos evitou o terceiro do Famalicão pouco depois de termos chegado ao empate. Mas para os minutos finais o Famalicão fez entrar mais um defesa central, tornou-se ainda mais defensivo e cedeu à tentação de recorrer ao antijogo, com os seus jogadores a tentar queimar tempo com simulações e demoras na reposição de bola. Isto resultou numa maior pressão ainda por parte do Benfica, que acabou por chegar ao golo no penúltimo minuto da compensação. Um cabeceamento do Gabriel na zona do primeiro poste, após pontapé de canto do Grimaldo.

 

 

O melhor jogador do Benfica em campo é capaz de ter sido o Diogo Gonçalves. Pena foi que na ocasião ele estivesse com a camisola do Famalicão vestida. Com a nossa camisola, o melhor foi novamente o Taarabt. E talvez o Rúben também tenha estado um pouco melhor do que a generalidade. O Pizzi está a atravessar um momento de menor fulgor, tal como o Grimaldo, que está a falhar quase todos os cruzamentos (felizmente acertou com o último que fez). O André Almeida faz o mesmo do outro lado, diga-se. O Seferovic está numa forma lamentável e deixa-se apanhar em posição irregular na maioria dos lances.

 

Não foi a exibição mais desejável para nos reforçar a confiança em vésperas de um jogo decisivo, mas pelo menos conseguimos partir para a segunda mão em vantagem. Agora é prepararmo-nos o melhor possível para o caldinho que nos espera no Porto.

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publicado por D`Arcy às 10:47
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Sábado, 1 de Fevereiro de 2020

Preguiçoso

Uma exibição a meio gás de um Benfica algo preguiçoso acabou por ser suficiente para somar mais três pontos, mas o B SAD ainda conseguiu assustar e foi preciso acabar o jogo a segurar a vantagem.

 

 

O André Almeida estava em risco de suspensão mas jogou mesmo, sendo a única alteração no onze a entrada do Taarabt para o lugar do Gabriel. Quanto ao jogo, não gostei. O Benfica entrou nele sem grande intensidade, com uma atitude que quase parecia sobranceira, como se tivesse a certeza que mais cedo ou mais tarde os golos acabariam por aparecer. Ritmo muito baixo por parte da nossa equipa, com alguns jogadores quase alheados do jogo, e foi até o Belenenses quem esteve melhor durante a primeira fase. O Benfica até teve o primeiro remate perigoso, num livre do Grimaldo, mas a resposta do Belenenses, também de livre, foi ainda mais perigosa e obrigou o Vlachodimos à defesa da noite. A partir dos vinte e cinco minutos o Benfica finalmente pareceu acordar e acelerou um pouco, e bastou isso para começar a desatar o nó. O André Almeida deu o primeiro aviso na sequência de um pontapé de canto, e pouco depois da meia hora o golo chegou mesmo. Tudo nasceu numa iniciativa individual do Taarabt, que progrediu pelo meio com a bola controlada e deixou para trás metade da equipa adversária. Perto da área soltou para o Cervi na esquerda, que cruzou para o cabeceamento do Vinícius à barra. O B SAD não conseguiu afastar a bola e foi o mesmo Vinícius quem a foi recuperar, para depois marcar num remate rasteiro e cruzado que fez a bola passar pelo meio de uma floresta de pernas. O Benfica continuou a carregar e o Rafa obrigou, com um remate de longe, o guarda-redes adversário a uma grande defesa. E aos trinta e oito minutos, chegou o segundo golo. No segundo pontapé de canto consecutivo a bola seguiu da esquerda para o segundo poste, onde o André Almeida a devolveu de cabeça para o meio da área para um remate fulminante de primeira do Taarabt. Finalmente o primeiro golo do marroquino pelo Benfica. Parecia que vinte minutos de alguma velocidade seriam suficientes para ganhar o jogo.

 

 

O pior é que a segunda parte do Benfica foi muito má. Simplesmente o Benfica quase que abdicou de atacar e não havia qualquer tipo de pressão sobre os adversários; as marcações eram feitas à distância com os olhos. Deixámos o B SAD ter bola e ir ganhando confiança, e apesar do jogo parecer estar controlado tinha a sensação que um golo do adversário poderia mudar tudo. Já a época passada tínhamos conseguido desperdiçar uma vantagem de dois golos frente a esta equipa e convinha não deixarmos que a história se repetisse. Só que não havia maneira da nossa equipa acordar, e então a partir da hora de jogo o B SAD começou a dar sérios avisos que poderia chegar ao golo, com situações a serem salvas no limite pelo Vlachodimos ou a nossa defesa. Nem mesmo assim acordámos, e a vinte minutos do final o golo apareceu mesmo - um autogolo do Ferro, na sequência de um contra-ataque, quando tentava interceptar um cruzamento. Nesta altura já o Chiquinho tinha rendido um completamente inoperante Pizzi, e foi mesmo ele quem, oito minutos depois, fez o terceiro do Benfica. Um passe vertical do Rúben Dias para o Vinícius, que com um excelente toque de primeira deixou o Chiquinho isolado. Depois foi só contornar o guarda-redes e colocar a bola na baliza deserta, apesar de pressionado por um defesa. Agora sim, parecia que estava tudo terminado. Mas mais um lance displicente da nossa equipa permitiu ao B SAD regressar ao jogo. Displicência sobretudo por parte do Rafa, que acabou por perder a bola para um adversário e depois agarrou-o até que este caísse na área. Sinceramente, pareceu-me que a falta foi feita fora da área e que o penálti assinalado foi manhosíssimo, mas de alguma forma o VAR conseguiu confirmar o penálti e assim voltámos a ficar apenas com um golo de vantagem a cinco minutos do final. Foram penosos os minutos que decorreram até ao apito final, não porque o B SAD tenha causado grande perigo (não me lembro sequer de um remate ou ocasião mais perigosa) mas sim porque nós jogámos muito mal. Fomos incapazes de acalmar o jogo ou manter a posse de bola, e em vez disso os nossos jogadores chutavam para onde estavam virados ou entregavam rapidamente a bola ao adversário com maus passes.

 

 

Melhor em campo claramente o Taarabt. Fez a jogada do primeiro golo, marcou o segundo, e quando perdeu gás a produção do Benfica no jogo caiu a pique. Quem melhor o acompanhou foram o Vinícius e também o Cervi. Pelo oposto, jogadores importantes como o Pizzi e o Rafa estiveram francamente desinspirados esta noite.

 

O mais importante foi conseguido: os três pontos, que asseguram que iremos jogar ao Porto com pelo menos sete pontos de vantagem. Mas este foi dos jogos com menor intensidade que vi o Benfica de Bruno Lage fazer, e isso podia ter-nos custado bem caro. O jogo na próxima terça não pode servir de justificação para termos desligado tão cedo.

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publicado por D`Arcy às 00:04
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Domingo, 26 de Janeiro de 2020

Consolidação

Mais uma vitória fora de casa obtida de forma inquestionável e alicerçada sobretudo numa primeira parte de grande qualidade, e de grande importância na consolidação da liderança. Não houve qualquer tipo de relaxamento e voltámos a encarar o jogo e o adversário com a máxima seriedade, o que tem sido uma das chaves para a sequência de bons resultados.

 

 

É de assinalar que, apesar do jogo ser disputado longe da Luz, o Benfica jogou literalmente em casa pois as bancadas estavam preenchidas de vermelho. Houve uma mudança no onze, não muito surpreendente, com o Rafa a entrar para o lugar do Chiquinho. O Benfica entrou a todo o gás, apostado em marcar cedo, contra um Paços extremamente aguerrido que tentava pressionar alto e disputar cada bola como se fosse a última. Mas cedo as ocasiões de golo se começaram a acumular para o lado do Benfica, enquanto que o Paços só conseguia ter posse de bola em zonas mais recuadas e quase nunca conseguia incomodar o Vlachodimos. Um livre do Grimaldo deu início às hostilidades, obrigando o guarda-redes do Paços a uma defesa apertada para canto. Na sequência do mesmo, o Vinícius cabeceou à barra. A pressão do Benfica inevitavelmente acabou com o Pizzi a introduzir a bola dentro da baliza do Paços, aos dezoito minutos, mas o lance acabou por ser anulado após revisão do VAR. Percebemos depois que foi por uma suposta posição irregular do Vinícius, que fez o passe para o golo, de 4 centímetros. É simplesmente absurdo, porque uma margem destas torna a coisa aleatória. Basta parar a imagem um centésimo antes ou depois para ser posição irregular ou não. Este tipo de lances vai completamente contra o que deveria ser o espírito do VAR, e só ajuda a matar o futebol. Enfim, o Benfica não abanou e continuou a procurar o golo que já justificava. O Rafa ia conseguindo encontrar espaço entre a defesa e o meio campo do Paços e era uma ameaça constante, e foi mesmo ele quem começou a desatar o nó. A cinco minutos do intervalo, um bom passe do Rúben Dias lançou-o em direcção à baliza e depois ele com o pé direito tirou um defesa do lance e com o esquerdo rematou para o golo. Um pormenor muito interessante no lance é a movimentação do Pizzi, a fugir para a linha e a arrastar o lateral com ele de forma a abrir o espaço entre este e o central por onde o Rafa entrou. Antes do intervalo ainda poderíamos ter chegado ao segundo golo, que só foi evitado por uma excelente defesa do guarda-redes a um remate do Pizzi.

 

 

Entrada na segunda parte a matar, para chegarmos cedo ao segundo golo. Canto conquistado logo no primeiro minuto, e quando o Paços tentou sair para o ataque na sequência deste a bola foi recuperada e o Ferro fez um lançamento longo para as costas da defesa, para o inevitável Rafa. Progressão pela direita e cruzamento rasteiro para o Vinícius encostar para o golo. Tudo simples e eficaz. Minutos depois o Benfica voltou a introduzir a bola na baliza do Paços, pelo Vinícius depois de um excelente passe do Weigl, mas o golo foi novamente anulado por posição irregular do nosso avançado. Depois disto fiquei com a sensação que o Benfica optou claramente por gerir a vantagem e o jogo. O Paços nunca baixou os braços e continuou a ser uma equipa aguerrida na procura de um golo que lhes permitisse voltar à discussão pelo resultado, mas o Benfica controlou o jogo com relativa facilidade. Apesar da maior posse de bola, creio que não estarei enganado se disser que não só o Paços não conseguiu criar uma única ocasião de perigo como nem sequer terá chegado a rematar à nossa baliza até ao final do jogo - só me recordo de um único remate do Paços na segunda parte, na sequência de um canto, por volta dos cinco minutos. Para o quarto de hora final o Benfica optou por colocar um terceiro médio em campo (Taarabt) por troca com o Pizzi, o que nos permitiu ter um pouco mais de posse e também reaproximar-nos na baliza adversária. Pouco depois fizemos uma troca directa de avançados, entrando o Seferovic para o lugar do Vinícius. Isto na prática resultou num momento Bryan Ruiz por parte do Seferovic, que depois de um cruzamento do Grimaldo na esquerda (desmarcado por um grande passe do Gabriel), completamente sozinho e a um par de metros da linha de golo, enviou a bola para a bancada.

 

 

Melhor do Benfica, outra vez o Rafa. Marcou o golo que inaugurou o marcador e fez a assistência para o segundo, o que já seria mais do que suficiente. Mostrou ser a opção certa para a posição de segundo avançado, e a sua velocidade e mobilidade permitem-lhe explorar os espaços que se vão abrindo nas costas dos médios mais recuados. Vinícius também muito bem, a fazer o tipo de movimentações que víamos o Seferovic fazer a época passada, com mais um golo para a conta pessoal e uma assistência que lhe foi retirada por quatro centímetros. Mas no geral acho que toda a equipa fez uma exibição sólida, confiante e equilibrada.

 

O Paços é uma equipa que luta pela permanência e o Benfica entrava neste jogo confortavelmente instalado no topo da tabela. Mas este jogo era particularmente importante. Primeiro, porque não queríamos desperdiçar logo na jornada seguinte a vantagem que alcançámos na anterior. E depois porque, face à situação conturbada que o Porto atravessa neste momento, a última coisa que interessava era perder pontos e assim dar um novo fôlego ao nosso perseguidor mais directo. Assim sendo, missão totalmente cumprida.

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Sábado, 18 de Janeiro de 2020

Estocada

Não foi, longe disso, a final, mas o Benfica esta noite desferiu certamente uma valente estocada na disputa pela conquista do título de campeão desta época. Para tal, venceu em Alvalade e beneficiou da derrota do segundo classificado em casa frente ao Braga, passando agora a ter sete pontos de vantagem sobre o Porto.

 

 

Estou habituado a sair satisfeito da casa do Sporting. Desde a primeira vez que fui a Alvalade ver o Benfica, na já longínqua época de 1988/89 (vitória por 2-0 com golos de Valdo e Abel Campos) que não falho um jogo nosso lá, e foram muitas mais as vezes em que o Benfica saiu de lá com um resultado positivo (não fui verificar, mas acho que então no novo estádio a vantagem do Benfica é ainda mais notória). Somando isto à incrível sequência de resultados positivos do Benfica, em particular nos jogos fora de casa, obviamente que as minhas expectativas eram as melhores para este jogo. Antes do mesmo começar, uma notícia motivadora com a derrota do Porto - isto obviamente que não retirava ao Benfica a obrigação de vencer, mas certamente que deve ter ajudado a confiança saber que no caso de uma eventual derrota a vantagem no topo da tabela manter-se-ia. Para o nosso onze, a minha dúvida era apenas saber qual seria a dupla do meio campo, com três candidatos para duas posições. Ficou o Taarabt no banco e jogaram o Weigl e o Gabriel. De resto, o esperado. O Benfica entrou muito bem no jogo. Durante quase toda a primeira parte o Benfica conseguiu ter sempre uma linha de pressão muito alta, a perturbar a saída de bola do Sporting. Duas situações de perigo logo nos primeiros dois minutos foram um bom mote (remate do Cervi já com o guarda-redes fora da baliza que foi interceptado pelo Ilori e remate do Vinícius que passou pouco por cima). A verdade é que qualidade é coisa que não abunda na equipa do Sporting. Bruno Fernandes, Acuña e Mathieu (e não consigo incluir o grande ausente Coates neste grupo; acho-o péssimo) apesar do peso da idade, são as excepções, mas o resto é quase confrangedor. Mas no meio desta falta de qualidade, ainda assim um jogador como o Doumbia consegue destacar-se por ser ainda pior. É inacreditável que um jogador destes consiga ser titular no Sporting. Acho que só no primeiro quarto de hora deve ter perdido a bola para jogadores do Benfica em posições comprometedoras uma meia dúzia de vezes - quando não era ele, era o Wendel a fazer o mesmo. Os nossos médios caíam em cima dos jogadores do Sporting logo no seu meio campo defensivo e o Sporting revelava grandes dificuldades para construir jogadas. Mesmo assim, tinha a sensação de que o Benfica não estava a jogar com o prego a fundo no ataque, parecendo até que havia aquela atitude que por vezes acontece de achar que mais cedo ou mais tarde o golo acabaria por aparecer. É perigoso num jogo destes. O Sporting, apesar de adeptos e equipa (nem vou falar das claques) parecerem de costas voltadas - acho que poucas foram as vezes que fui a Alvalade e senti uma tão grande resignação da massa adepta, que ficou longe de preencher as bancadas - quereria certamente dar uma demonstração de brio e mostrar que os dezasseis pontos que separam as duas equipas na tabela eram exagerados. E foi quase do nada que o Sporting criou a melhor ocasião de golo da primeira parte: uma bola longa metida pelo Bruno Fernandes ainda do seu meio campo que o Ferro não conseguiu interceptar, permitindo ao Camacho rematar ao poste de ângulo apertado. Estava dado o aviso, mas o cariz do jogo pouco se alterou. O Benfica mais por cima no jogo, ainda que sem criar grande volume de situações de perigo e o Sporting incapaz de pegar no jogo e a responder em situações esporádicas. Pelo Benfica, um remate do Pizzi que foi bem defendido pelo Maximiano para canto, uma bola cruzada pelo André Almeida a que o Vinícius ficou a centímetros de chegar e um remate do André Almeida às malhas laterais foram as melhores situações, e pelo Sporting um cabeceamento do Camacho à figura do Vlachodimos, mas que ainda o obrigou a empenhar-se. Nos minutos finais o Benfica abrandou um pouco, mas achei que o amarelo mostrado ao Gabriel (justo pela reacção, mas num lance em que para variar o sempre impune Bruno Fernandes conseguiu não ser amarelado também, apesar de ter feito falta para isso) teve alguma influência, já que fez com que ele se retraísse um pouco na pressão agressiva que vinha exercendo sobre os médios do Sporting.

 

A segunda parte começou por ser interrompida durante cinco minutos devido ao arremesso de tochas para o relvado por parte das claques do Sporting. Talvez ajude a compreender o porquê do Bruno Fernandes, tendo ganho o sorteio no início do jogo, ter estranhamente escolhido não atacar para aquela baliza na segunda parte, ao contrário daquilo que é tradição em Alvalade. O Benfica veio para a segunda parte com menor intensidade do que na primeira, já não pressionando tão alto. Parecia até que alguém tinha informado os jogadores da derrota do Porto e que portanto até um empate já seria um resultado positivo. O Sporting aproveitou isto para começar a ter melhor saída de bola, e a partir da hora de jogo teve o seu melhor período, conseguindo empurrar mais o Benfica para dentro do seu meio campo. Não me recordo de nenhuma ocasião flagrante de golo (houve um remate mais perigoso do Doumbia de fora da área e um outro do Ilori que acabou por ser mais um passe para as mãos do Vlachodimos) mas durante uns bons dez ou doze minutos o Benfica quase não saiu para o ataque e foi o Sporting quem pressionou mais. As coisas voltaram a mudar quando aos setenta e três minutos o Chiquinho cedeu o seu lugar ao Rafa - que foi mesmo jogar como segundo avançado. O nosso jogo estava a precisar de um desequilibrador como ele, que logo na primeira vez que tocou na bola deixou dois adversários pelo caminho e levou a bola até à area adversária. E não foi preciso esperar muito tempo para o Rafa deixar a sua marca. Aos oitenta minutos, depois de um lançamento lateral a bola foi para dentro da área do Sporting, onde depois de uma série de ressaltos o tanque Vinícius, a meias com o Ilori, deixou a bola no Rafa que finalizou com um remate rasteiro e colocado para o primeiro golo do jogo. Aproveito para dizer que é simplesmente inadmissível que o jogo tenha ficado interrompido durante uns bons três minutos para que o VAR confirmasse a legalidade do golo - a funcionar assim o VAR em nada contribui para melhorar o espectáculo. Ainda faltava muito tempo para o final do jogo, até porque o árbitro deu dez minutos de tempo de compensação (completamente justificados) mas este golo matou completamente o Sporting. Ainda para mais porque todas as substituições operadas pelo Silas falharam rotundamente e ainda pioraram as coisas, enquanto que as substituições do Lage resultaram - para além do Rafa, a entrada do Taarabt para os minutos finais deu ao Benfica uma superioridade bastante evidente no meio campo, remetendo o Sporting para o pontapé para a frente. O Benfica ficou de tal forma confortável no jogo que nem quando foram anunciados os tais dez minutos de compensação deu para me sentir nervoso, mesmo sendo a vantagem no marcador mínima. E claro, deu para fechar com chave de ouro com mais um golo do Rafa. Para reforçar o acerto das alterações feitas pelo Bruno Lage, o Seferovic entrou a três minutos do final e ainda foi a tempo de assistir o Rafa para uma bela finalização de trivela, isto depois de um mau alívio do Ilori.

 

Homem do jogo, evidentemente, o Rafa. É confortável pensar que o Benfica está na posição em que está mesmo tendo estado privado durante meses de um dos melhores e mais desequilibradores jogadores do nosso plantel e da Liga Portuguesa. O Gabriel fez um jogaço, apesar de por vezes me parecer sentir-se tão à vontade que caiu em exageros individuais em vez de soltar logo a bola de forma mais simples. Se calhar não se falou ou falará muito do Weigl, mas eu gostei da actuação dele e achei que esteve muito bem tacticamente. A forma como lê o jogo e ocupa os espaços que deve ocupar foi o motivo pelo qual o contratámos, e tenho enormes expectativas para ver o que poderá fazer quando já estiver mais familiarizado com os colegas (faço desde já o disclaimer que sou parcial em relação a este jogador, que já admiro há anos desde que ele chegou ao Dortmund). Mas para já, vendo o jogo de hoje, quem é que poderia adivinhar que ele só chegou há um par de semanas? Por último, uma palavra para o Rúben Dias: centralão.

 

Os nossos adversários mais directos depositavam enormes esperanças para esta jornada, alimentando a expectativa de verem reduzida a diferença que nos separa para um único ponto (ou na pior das hipóteses para uma diferença que pudesse ser recuperada quando nos receberem). Em vez disso acabam a jornada a sete, e pior do que isso, sem matéria para o insolvente vir perorar e tentar intoxicar a opinião pública. No jogo deles, dispuseram de dois penáltis que se encarregaram de falhar. No nosso, nem sequer um lancezinho para conseguirem chamar à primeira página do Nojo a unanimidade do sempre imparcial Tribunal Dourado. Foi uma boa jornada, obviamente, mas a procissão ainda só vai a meio. Isto está longe de estar resolvido e nós próprios somos o melhor exemplo que sete pontos são perfeitamente recuperáveis. Vão continuar a combater-nos com todas as forças dentro e fora do campo (basta ver as nomeações para os dois jogos de hoje para se perceber quanta força está a ser feita fora do campo). Não podemos relaxar ou perder o nosso foco nem por um instante que seja.

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publicado por D`Arcy às 06:01
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Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2020

Pasteleiro

Foi difícil, mas após mais uma dura batalha contra um adversário já de si complicado, que tal como na eliminatória anterior se apresentou reforçado com um Artur 'Pasteleiro' Soares Dias ao seu melhor nível e adicionalmente com o Tiago 'Cinco Cêntimos' Martins em excelente forma no VAR, conseguimos por duas vezes recuperar de um resultado negativo e finalmente, graças a um herói algo improvável que saltou do banco, dar-lhe a volta para confirmarmos a passagem às meias-finais da Taça de Portugal.

 

 

Foram três as alterações na equipa, todas mais ou menos esperadas. Zlobin na baliza, Tomás Tavares na direita da defesa, e regresso do Taarabt ao meio campo, sendo o Gabriel poupado já a pensar no jogo de sexta-feira. O Rio Ave, já se sabe, é uma equipa complicada. Neste jogo a estratégia passou muito por manter a posse de bola pacientemente em zonas recuadas de forma a chamar a equipa do Benfica a subir no terreno, para depois tentar transições rápidas com bolas longas para as costas da defesa. E a estratégia começou a dar frutos muito cedo, já que entrámos praticamente a perder. Depois da bola metida o Zlobin ficou a meio caminho da saída e o Rúben Dias acabou por derrubar o adversário à entrada da área. Na marcação do livre directo, golo do Rio Ave aos três minutos de jogo. Eu sei que esta observação pode estar influenciada pelo facto de não ter confiança absolutamente nenhuma no Artur Soares Dias (aliás, para ser sincero, eu acho mesmo que ele entra em campo com o objectivo deliberado de nos prejudicar) mas fiquei com toda a sensação de que a nossa barreira foi colocada seguramente a uma distância maior do que a regulamentar, e por larga diferença. O Benfica revelava dificuldades em encontrar espaços para fazer o habitual jogo interior perante um adversário sempre bem estruturado, e o jogo pelos flancos era pouco explorado - isto foi sobretudo evidente do lado esquerdo, onde as constantes desmarcações do Grimaldo eram quase sempre ignoradas. O Ferro ainda tentou alguns passes para aquela zona no período inicial mas saíram-lhe quase sempre mal e depois simplesmente deixou sequer de tentar, optando sempre por passar a bola para a direita. O Grimaldo deve ter sentido saudades do Gabriel. De qualquer forma foram necessários apenas dez minutos para restabelecer a igualdade. Depois de uma investida pela direita, uma insistência do Vinícius desmarcou o Cervi por esse lado e ele finalizou bem de pé direito. Parecia que estava reencontrado o rumo da normalidade e o Benfica tinha o aparente controlo do jogo, tentando chegar à vantagem. 

 

 

Até que, com meia hora de jogo, o Chiquinho foi claramente derrubado pelo Filipe Augusto dentro da área. A poucos metros da jogada e com visão clara do lance, o pasteleiro mandou seguir e no contra-ataque que se seguiu, nova bola metida nas costas da defesa, nova saída abortada do Zlobin, e golo do Rio Ave num cabeceamento a meia altura que fez a bola sobrevoar o nosso guarda-redes. No VAR, Cinco Cêntimos bem perscrutou o lance com a sua bengala branca mas não detectou qualquer irregularidade, e de uma possível vantagem passámos para uma situação de desvantagem. Até seria compreensível que uma equipa perdesse um pouco a compostura perante um cenário destes, mas honra seja feita à nossa equipa, que pouco abanou e continuou a tentar fazer o seu jogo. Podíamos ter chegado novamente à igualdade poucos minutos depois, mas o guarda-redes do Rio Ave negou o segundo golo ao Cervi com uma excelente defesa. Perto do intervalo, para enorme surpresa, o Soares Dias assinalou penálti do Filipe Augusto sobre o Taarabt. A surpresa deve-se a dois motivos: o primeiro, pelo simples facto do Soares Dias assinalar um penálti a favor do Benfica; o segundo, porque até eu lá de cima do terceiro piso da bancada consegui ver que não era penálti. Mais uma vez a minha ideia pré-concebida das intenções do Soares Dias nos nossos jogos teve de certeza influência, mas logo na altura disse que ele só tinha assinalado penálti porque tinha a certeza que o VAR reverteria a decisão. Cinco Cêntimos fez o seu trabalho, e obviamente que não houve penálti (e ainda bem). E assim até podem continuar a nomear o pasteleiro para os nossos jogos, porque como podem ver ele não tem nada contra o Benfica e até tentou beneficiar-nos.

 

 

A segunda parte trouxe-nos um Benfica ainda mais pressionante e um Rio Ave que pouco conseguia passar do meio campo, dedicando-se com mais afinco a defender a vantagem alcançada na primeira parte. Findo o primeiro quarto de hora o Benfica fez a substituição que veio a revelar-se decisiva para o resultado final do jogo. Saiu o Ferro e entrou o Seferovic, recuando o Weigl para a defesa (funções que ele desempenhou por diversas vezes no Dortmund, embora fosse mais num esquema táctico de três centrais). Foram precisos apenas três minutos para a substituição surtir efeito: bola longa do Rúben para o interior da área e o Vinícius assistiu de cabeça para o remate vitorioso de primeira do suíço. Uma boa jogada de combinação da nossa dupla de avançados, que foi obviamente sujeita a intenso escrutínio pelo VAR mas não conseguiram arranjar aquele frame que lhes permitiria inventar qualquer coisa para anulá-la. A pressão do Benfica não abrandou, o Pizzi voltou a cair na área depois de empurrado nas costas pelo Filipe Augusto (que nesta altura já teria certamente percebido que com esta dupla de árbitro/VAR tinha basicamente impunidade para tudo dentro da área) mas obviamente que nada se passou. Mas sete minutos depois do golo do empate, surgiu o terceiro. Boa combinação entre o Pizzi e o Tomás Tavares na direita, com o primeiro a ganhar a linha de fundo e a parecer ter perdido o controlo da bola, para depois ainda conseguir em esforço fazer o centro atrasado que o Seferovic finalizou com um remate de primeira, com o pé direito. Depois de obtida a vantagem e com pouco mais de vinte minutos por jogar, o Benfica abrandou um pouco a pressão e recuou linhas, mas o Rio Ave raramente conseguiu incomodar a nossa baliza. Foi mesmo o Benfica quem esteve mais perto de voltar a marcar, já perto do final, num remate do Chiquinho que embateu com estrondo na barra. De assinalar ainda o regresso à competição do Rafa, que entrou para fazer os minutos finais e proporcionar ao Cervi uma merecidíssima ovação.

 

 

O Cervi foi o melhor jogador em campo, com um golo e sobretudo uma intensidade e entrega ao jogo que devem servir de exemplo para todos. Um jogador que foi dado como dispensável há uns meses quis ficar e lutar por um lugar, e quando a oportunidade surgiu agarrou-a com unhas e dentes. Hoje foi aplaudido de pé. Jogo muito bom também do Taarabt e do miúdo Tomás Tavares. O Chiquinho foi outro que teve uma excelente atitude e bem merecia que aquela bola que acabou na barra da baliza tivesse entrado. O Weigl ainda está naturalmente a integrar-se, mas é um jogador que tem muita calma com a bola nos pés e sabe quase sempre o que fazer com ela. Quando teve que recuar para a defesa, fê-lo sem quaisquer problemas e acabou por acrescentar a qualidade de passe naquele sector que o Ferro estava incapaz de dar. Jogo infeliz do Zlobin, que hesitou na saída nos dois lances dos golos adversários e que acho que acabou sem fazer uma única defesa. Os dois remates que foram à nossa baliza resultaram em golo.

 

Acaba por ser um resultado excelente porque agrada a toda a gente. Aos benfiquistas, porque permitiu o apuramento para as meias-finais da taça. Aos nossos inimigos e maldizentes agrada também porque nos dias que corrrem, com o Benfica a ganhar tão frequentemente os seus jogos, quando ganha apenas por um golo de vantagem já é uma espécie de vitória moral para eles, e assim já se sentem à vontade para criticar ferozmente como se de uma derrota se tratasse. Na próxima sexta há mais, e temos que enfrentar o habitual jogo da época para os nossos vizinhos. Estão a dezasseis pontos mas vão comer a relva pelos fruteiros do Porto, pedem despenalizações, atrasam transferências, o que interessa é dar a ajudinha aos fruteiros. Ajuda aos fruteiros nesse jogo também virá certamente com mais uma nomeação ao nível da deste jogo. Um Hugo Macron, um Jorge Sousa ou um Godinho servirão perfeitamente.

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Sábado, 11 de Janeiro de 2020

Massacre

A prova de que não há jogos ganhos à partida. Apesar de favoritíssimo no papel, o líder Benfica teve que suar as estopinhas para arrancar a vitória frente a um Desportivo das Aves que está isoladíssimo no último lugar da tabela. Mas bem podemos queixar-nos e nós próprios por todo este sofrimento, porque a finalização esta noite foi simplesmente atroz.

 

 

Algumas surpresas no onze: face à suspensão do Taarabt, o Weigl foi titular. O Jota e o Seferovic ocuparam os lugares do Cervi e do Vinícius. Houve também o regresso do André Almeida após lesão, que ocupou o seu lugar na direita e relegou para o banco o jovem Tomás Tavares. O jogo iniciou-se com o Benfica no comando, conforme esperado, mas com o Aves, onde alinhavam três ex-jogadores nossos (Mangas, Estrela e Zidane), a explorar quase sempre o adiantamento do Grimaldo para contra-atacar por esse lado. E foi precisamente por aí, já depois de um primeiro aviso, que surgiu o golo deles, aos vinte e dois minutos. O Ferro foi à dobra, entrou à queima e acabou ultrapassado pelo iraniano Mohammadi, que depois progrediu em direcção à baliza e finalizou com um remate forte de ângulo muito apertado. A partir deste momento, o Aves acabou no jogo em termos ofensivos e passámos a assistir a uma inacreditável sucessão de ocasiões de golo falhadas por parte da nossa equipa. Em várias delas houve mérito quer do guarda-redes Beunardeau, que teve uma noite incrivelmente inspirada, quer dos defesas do Aves, que conseguiam de alguma forma interceptar os remates no limite, cortar bolas em cima da linha, ou antecipar-se aos nossos jogadores. Mas noutras o demérito foi muito nosso, com finalizações a deixarem muito a desejar - como a situação em que o Pizzi recebeu um passe do Grimaldo e, completamente sozinho na marca de penálti atirou para fora, ou as várias situações em que o Seferovic conseguiu sempre acertar no guarda-redes quando estava isolado. Fosse como fosse, o certo é que fomos para o intervalo a perder.

 

 

Regressámos para o segundo tempo já com o Vinícius no lugar do Jota - o Pizzi foi encostar-se à esquerda e o Chiquinho foi para a direita. A segunda parte foi simplesmente exasperante. Um daqueles jogos à antiga, com o Aves a jogar nos 25 metros à frente da sua baliza, completamente dedicado à defesa e sem qualquer tipo de iniciativa de ataque. Infelizmente, o avassalador volume ofensivo do Benfica (foram mais de 30 remates e 17 pontapés de canto) continuava a esbarrar na determinação dos jogadores do Aves e a ser sabotado pela deficiente finalização dos nossos jogadores. Findo o primeiro quarto de hora o Cervi entrou para o lugar do Weigl, dando à equipa um pendor ainda mais ofensivo - o Chiquinho foi para o meio e o Pizzi regressou à direita, ficando o Gabriel como médio mais recuado. Nesta altura assistia-se mais a um jogo de probabilidades: com tanto volume ofensivo, o cenário mais provável era mesmo que o Aves acabasse por ceder e a bola entraria finalmente na baliza. Mas isso só aconteceu a quinze minutos do final, num penálti marcado pelo inevitável Pizzi. A falta foi cometida sobre o Vinícius e o Pizzi não tremeu - o penálti teve mesmo que ser muito bem marcado, porque o Beunardeau adivinhou o lado e acho que ainda deve ter tocado na bola com a ponta dos dedos. Conseguido o empate, o massacre não abrandou - e massacre é mesmo o único termo que consigo encontrar para descrever o jogo (e também aquilo a que a nossa paciência foi sujeita) Há muito tempo que não via tanto caudal ofensivo num jogo, infelizmente para tão pouca produtividade. O golo da salvação acabou por aparecer ao minuto oitenta e nove, e o herói improvável foi o André Almeida (que chegou a ser expulso pelo Xistra, valendo a intervenção do VAR para reverter a decisão). Depois de uma sequência de três pontapés de canto seguidos, o Cervi entrou na área pela esquerda, colocou a bola no meio para o Vinícius, e este de costas para a baliza trabalhou bem e deixou-a para o remate do André Almeida, que ainda assim só entrou porque a bola ainda tabelou num defesa do Aves que tentava o corte em desespero.

 

 

Para mim o homem do jogo foi o Vinícius. Entrou ao intervalo e esteve nos dois golos do Benfica. Boas exibições do Rúben Dias e do Gabriel, e o Weigl deixou boa impressão enquanto esteve em campo, sobretudo se tivermos em conta que apenas tem uma semana de trabalho com a equipa. O Ferro teve uma exibição sofrível, já que fica ligado ao golo do Aves. O Seferovic foi simplesmente pavoroso na finalização, capítulo no qual foi aliás acompanhado pelo Pizzi.

 

São mais três pontos e quinze vitórias em dezasseis jogos. Não foi daqueles jogos que me tivessem deixado muito satisfeito, mas estaria mais preocupado se a equipa tivesse jogado mal e não fosse capaz de criar ocasiões. Assim a minha insatisfação deve-se sobretudo ao mau aproveitamento das situações criadas - normalmente tanto desperdício paga-se caro. Depois da eficácia que nos valeu os três pontos em Guimarães, hoje estivemos no extremo oposto da escala.

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publicado por D`Arcy às 05:07
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