VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Domingo, 22 de Abril de 2018

Desnecessário

Foi um sofrimento atroz e absolutamente desnecessário. Uma vitória arrancada a ferros, já em período de descontos, num jogo que podia (e devia) ter acabado numa goleada. Mas níveis de eficácia na finalização absolutamente inacreditáveis e inaceitáveis acabaram por deixar o resultado na incerteza até ao final e poderiam ter resultado na perda de pontos.

 

 

A lesão do Jonas no aquecimento em Setúbal continua a revelar-se uma coisa complicada de debelar, e mais uma vez não pudemos contar com o melhor marcador do campeonato e jogador mais decisivo da nossa equipa. E tendo em conta a abrupta queda de rendimento que se verificou na nossa equipa desde que isto aconteceu, estava preparado para mais do mesmo no Estoril. De forma até algo surpreendente para mim, não foi isso que vi. O Benfica entrou bem no jogo e dominou por completo a primeira parte. Boa capacidade de pressão e recuperação da bola em zonas adiantadas, jogo quase constantemente disputado no meio campo adversário, e o Estoril sempre muito bem controlado e incapaz de causar grandes calafrios à nossa defesa. Em cima disto, um golo logo na fase inicial (dez minutos) a ajudar a criar um cenário ideal, em que não se previam dificuldades de maior para o Benfica vencer este jogo. Foi um passe do Zivkovic a permitir ao Rafa explorar o espaço entre o lateral e o central, para depois entrar na área a finalizar bem com um remate cruzado. O Estoril é uma equipa que apesar da péssima posição na tabela é bastante aguerrida, sobretudo quando joga em casa, e essa postura já nos tinha criado bastantes dificuldades no jogo da primeira volta na Luz. Por isso o facto de os termos tão controlados durante a primeira parte apenas abona a favor da qualidade da nossa exibição. Infelizmente também foi logo na primeira parte que se começou a ver a principal pecha na nossa exibição: a má finalização/decisão junto à baliza adversária. À medida que o tempo passava, víamos o Benfica a desperdiçar ocasiões e jogadas para se colocar numa situação muito mais tranquila no encontro, e já se sabe que quando isto acontece e o resultado se mantém teimosamente equilibrado à medida que o tempo avança a probabilidade de termos chatices vai aumentando exponencialmente. O magro resultado que se verificava ao intervalo era portanto lisonjeiro para o Estoril e penalizador para o Benfica, que no entanto só se podia queixar de si mesmo e da sua incapacidade para transformar o domínio em golos.

 

 

Cedo se viu que a segunda parte seria bastante diferente da primeira. Sem nada a perder, o Estoril lançou-se para cima do Benfica e deixou logo um sério aviso nos minutos iniciais, quando chegou a um golo que só pela intervenção do VAR foi invalidado. Claro que o balanceamento ofensivo do Estoril também deixava mais espaço para o Benfica explorar, mas se houve uma coisa que se manteve constante da primeira para a segunda parte foi a péssima finalização da nossa parte. Continuámos a desperdiçar ocasiões flagrante para dar um golpe decisivo no jogo e a teimar em deixar-nos ao alcance de algum golpe de infortúnio, o que até se ia tornando mais provável tendo em conta que, ao contrário da primeira parte, o Estoril agora conseguia aparecer mais frequentemente em terrenos junto da nossa baliza. E pouco depois da hora de jogo o pior dos cenários concretizou-se, com o Estoril a alcançar o golo do empate na sequência de uma bola parada. Depois da marcação de um livre lateral, o Halliche antecipou-se a um quase estático André Almeida na zona do segundo poste e finalizou sem hipóteses para o Varela. E logo a seguir a coisa só não ficou ainda pior porque a sorte protegeu-nos, e um remate cruzado que desviou no Rúben acabou por bater no poste. Da nossa parte, a finalização desastrosa continuava a dar cartas e vimos o Rafa falhar duas ocasiões escandalosas, uma delas completamente isolado e a outra numa recarga a um primeiro remate de Jiménez que o guarda-redes defendeu por instinto. O Estoril, depois de obtido o empate, mudou de atitude a passou a focar-se quase exclusivamente em explorar o contra-ataque, com os seus jogadores a cederem à tentação do antijogo e a começarem a ficar lesionados com muito mais facilidade. O Benfica trocou o apagado Cervi pelo Salvio e posteriormente o Pizzi pelo Seferovic. Embora seja uma substituição que se compreende pelo resultado, esta última não resultou e achei o período menos inspirado do Benfica no jogo foi precisamente depois de colocar o segundo avançado em campo, já que deixámos de ser tão perigosos no ataque e o nosso futebol perdeu o rumo. Foi apenas no período de compensações e em fase de desespero, quando o Jardel já actuava como avançado, que o Grimaldo fez o cruzamento para o Salvio aparecer na zona central e à ponta-de-lança antecipar-se de cabeça ao central adversário, enviando a bola cruzada para o poste mais distante e garantindo os três pontos.

 

 

Para mim o melhor jogador do Benfica no jogo foi o Zivkovic. Jogou, fez jogar, transportou, distribuiu, assistiu e recuperou. Correu do primeiro ao último minuto e encheu o campo. Poderia ter sido acompanhado pelo Rafa, mas mais uma vez muito daquilo que ele fez de bom fica indelevelmente manchado pela finalização. Começou bem ao marcar o primeiro golo mas depois desperdiçou três ocasiões de golo feito, duas delas completamente isolado em frente ao guarda-redes. Tivesse ele melhor capacidade de finalização e já há muito que não estaria no Benfica, por troca com uns contentores de euros. Também gostei do jogo que fez o Jiménez, embora tal como o Rafa tenha pecado na finalização, já que apesar de talvez não terem sido tão flagrantes teve ocasiões suficientes para ter saído da Amoreira com um ou mais golos marcados. Por último o Fejsa, que como sempre não sabe jogar mal.

 

Conseguimos evitar aquilo que com toda a probabilidade seria o KO na luta pelo título. A probabilidade de o conquistarmos continua a ser diminuta depois do enorme erro cometido na recepção ao Porto, mas temos a obrigação de continuar a lutar até ao último segundo por todos os pontos em disputa. Infelizmente agora a bola já não está do nosso lado, e o máximo que podemos fazer é cumprir a nossa obrigação e esperar por um deslize dos nossos adversários.

 

P.S.- Mais uma arbitragem ordinária de um dos árbitros mais perigosos que há para o Benfica - o lagartão Hugo Miguel. Ele nem sequer disfarça, e de cada vez que é nomeado para um jogo nosso eu espero o pior. Inacreditável a tolerância para a pancadaria a que os nossos jogadores foram sujeitos, sobretudo na primeira parte. O Ailton nem sequer meia parte deveria ter ficado em campo, quanto mais ter feito os noventa minutos, e no entanto foi-lhe permitido quase tudo, o que incluiu uma agressão à cotovelada ao Jiménez dentro da área (seria penálti) que o deixou a sangrar da cara - antes já o tinha varrido por trás num lance para amarelo alaranjado. A única coisa positiva disto é que não será possível ter esta criatura a arbitrar mais uma vez o nosso jogo contra o seu clube do coração, mas suspeito que acabará por ser o seu colega na paixão clubística e parceiro no crime no jogo da primeira volta (Tiago Martins) a arbitrar esse jogo.

tags:
publicado por D`Arcy às 15:49
link do post | comentar | ver comentários (13)
Domingo, 15 de Abril de 2018

Desilusão

Uma enorme desilusão. É a única forma que encontro para descrever o jogo de hoje. E a desilusão nem é tanto pelo resultado; o que me deixou realmente desiludido foram a exibição e atitude da nossa equipa, em especial na segunda parte, numa ocasião única e muito difícil de repetir na história do nosso clube.

 

 

O anúncio da ausência do Jonas já não deixava bons augúrios, e só desejei que pelo menos não repetíssemos a má exibição do outro jogo em que não pudemos contar com ele - a semana passada, em Setúbal. A primeira parte nem foi má de todo, já que o Benfica foi a equipa mais dominante, ainda que apenas tenhamos conseguido criar um par de ocasiões, num remate do Cervi e numa ocasião flagrantíssima desperdiçada pelo Pizzi já perto do intervalo (a que o Porto respondeu de imediato com uma do Marega). Mas quando esperava que o Benfica viesse para a segunda parte ainda mais incisivo em busca de uma vitória que nos colocaria numa posição privilegiada para obtermos um feito ímpar na história do nosso clube, aquilo que vi foi uma equipa na qual o receio de perder parecia que claramente se sobrepunha ao desejo de ganhar. Então a partir da hora de jogo a exibição foi deplorável. Fomos uma equipa sem garra, sem crença, que via os adversários a ganhar quase todas as bolas divididas, quase todas as segundas bolas porque os nossos jogadores ou se encolhiam, ou desistiam dos lances. Quando perdiam a bola na frente, a maior parte deles deixava-se lá ficar ou recuava a passo. O Porto ficou com diversas bolas em que dois jogadores nossos que podiam ficar com ela encolhiam-se ambos à espera que fosse o outro à bola. Perante uma equipa que basicamente tem dois planos de jogo, o plano A que é mandar bolas compridas para os avançados, e o plano B que é passar a bola ao Brahimi, não soubemos apresentar qualquer tipo de soluções e ficámos simplesmente a ver o tempo passar, à espera do apito final. O Porto foi ganhando confiança e crença e foi recompensado mesmo sobre o apito final com um golo obtido num remate do Herrera em posição frontal de fora da área. Num lance de insistência em que a multidão de jogadores nossos que andavam por ali foram demasiado moles para meter o pé ou afastar a bola. De uma forma simples, ganhou a equipa que mais quis ganhar.

 

Acho que a grande excepção na nossa equipa foi o Fejsa. Esse meteu sempre o pé, o corpo, a cabeça e o que mais podia, mas não pode estar em todo o lado. O Varela não teve qualquer culpa (ou hipóteses) no golo e fez um dos jogos mais seguros que o vi fazer no Benfica. O Pizzi foi basicamente um empecilho. Desperdiçou a oportunidade mais flagrante do Benfica em todo o jogo, teve uma atitude péssima durante a maior parte do tempo (foi um daqueles que referi que se deixava constantemente ficar na frente de cada vez que perdia uma bola) e ainda passou uma data de tempo a refilar com os colegas, não sem bem porquê.

 

Já escrevi várias vezes que consigo aceitar de forma mais ou menos pacífica dias maus ou menos inspirados. O que nunca consigo aceitar bem são falhas na atitude. O Benfica tinha hoje, em sua casa, perante um estádio repleto de adeptos fiéis, uma ocasião única na sua história para se colocar na melhor posição possível para uma conquista inédita na vida do nosso clube. Era difícil pedir condições mais propícias. E a resposta foi uma equipa sem chama, sem crença, longe daquilo que uma ocasião destas pedia. O (previsível) resultado foi deixarmos de ser senhores do nosso destino e entregarmos esse privilégio ao principal adversário. O campeonato ainda não acabou e nada está definitivamente decidido, mas isto foi um erro que tem uma enorme probabilidade de vir a ser irreparável.

tags:
publicado por D`Arcy às 23:35
link do post | comentar | ver comentários (55)
Domingo, 8 de Abril de 2018

Estrelinha

Se há jogos a que se pode aplicar a expressão gasta de 'estrelinha de campeão', está foi um deles. Não fizemos uma boa exibição, em especial na segunda parte, mas soubemos lutar e a vitória acabou por nos cair no colo mesmo a fechar o encontro, garantindo a manutenção da liderança isolada.

 

 

As coisas começaram a correr mal logo no aquecimento quando o Jonas, melhor jogador e marcador do nosso campeonato, se lesionou e ficou de fora da partida. Para o seu lugar avançou o Jiménez, que mesmo sendo uma espécie de décimo-segundo jogador, atravessa um dos melhores momentos da sua carreira no Benfica. E continuaram a correr mal quando o Setúbal se colocou em vantagem logo no dealbar do jogo: um cruzamento largo da direita para a esquerda da nossa defesa, onde surgiu o Costinha sem oposição para rematar cruzado e fazer o golo. A reacção do Benfica foi boa, e aos poucos fomo-nos acercando da baliza adversária em busca do golo do empate. Um remate perigoso do Cervi, depois uma grande defesa do guarda-redes a um cabeceamento do Jardel, nova oportunidade para o Cervi, até que aos vinte e oito minutos chegou mesmo o golo do empate, que nessa altura já se justificava. Foi um cruzamento largo do Rafa a partir da direita, que fez a bola atravessar toda a área até ao Jiménez surgir sozinho do outro lado, junto ao poste, para marcar. O Benfica estava nesta fase por cima do encontro e continuou a carregar até ao intervalo em busca do empate, mas a tarefa não era fácil. A exemplo do que fez o nosso adversário a semana passada, o Setúbal fechava-se atrás com duas linhas muito juntas a deixar muito pouco espaço para explorar, e nas ocasiões em que conseguia recuperar a bola tentava sair rápido para o ataque - numa ocasião chegou mesmo a introduzir a bola na nossa baliza, mas o lance foi bem invalidado por fora-de-jogo.

 

Para a segunda parte esperava uma pressão fortíssima do Benfica logo desde o apito inicial, de forma a obter um golo o quanto antes e evitar o nervosismo inerente a ver-se o tempo passar e um resultado que não nos interessava de todo a persistir. Não foi isso que aconteceu. Após uns minutos iniciais em que a equipa revelou vontade mas pouco acerto, não tenho problema nenhum em reconhecer que foi o Setúbal quem esteve melhor e justificou a obtenção do segundo golo - construiu aliás ocasiões para o fazer. A defender, o nosso adversário continuava quase irrepreensível, a conseguir bloquear quase completamente as faixas e a obrigar os nossos alas a vir para dentro e a afunilar o jogo. Durante largos minutos, aliás, parecia que a única forma que o Benfica encontrava para chegar ao ataque eram bolas longas, quase sempre condenadas ao insucesso. O facto de termos três dos jogadores mais importantes na recuperação da bola extremamente limitados por receio de um amarelo que os retiraria do próximo jogo (Fejsa e Jardel) ou até mesmo deste (Rúben Dias) limitava seriamente a nossa agressividade, o que fez com que por diversas vezes víssemos o Edinho a conseguir receber bolas no nosso meio campo defensivo sem qualquer tipo de pressão, pois os centrais nem sequer encostavam nele. Num curto espaço de tempo passámos por três calafrios que poderiam ter resultado em golo para o Setúbal, em especial num falhanço clamoroso do Edinho, que atirou por cima quando parecia mais fácil marcar. À medida que o jogo caminhava para o final o Benfica arriscou tudo, colocando o Seferovic e o Salvio em campo e colocando o Cervi como lateral esquerdo enquanto que o Setúbal apostava mais na defesa e fazia entrar jogadores mais defensivos. Mas o nosso jogo ofensivo continuava a ser quase sempre bloqueado e o recurso às bolas longas mantinha-se. Numa delas, a cinco minutos do final, os centrais adversários atrapalharam-se e o Salvio seguiu isolado para a baliza, rematando por cima. Já no período de descontos, noutra delas o alívio do defesa adversário ressaltou no Jiménez e sobrou para o Salvio, que foi derrubado em falta dentro da área. Nestas alturas é sempre reconfortante saber que se tem na equipa um jogador que nunca falhou um penálti na carreira, e o Jiménez fez questão de mostrar porquê. É que o guarda-redes do Setúbal adivinhou o lado e a bola só entrou porque foi colocadíssima para junto da base do poste. Um golo importantíssimo a dar-nos uma vitória quando se calhar já poucos a esperariam.

 

Homem do jogo, obviamente, Raúl Jiménez. Dois golos e a habitual atitude de lutar por todas as bolas, que acabou por resultar no lance do penálti. De resto nem consigo fazer outros destaques. Foi um jogo difícil e chato, e não deu para grandes brilhos individuais numa equipa que claramente se sentiu orfã do melhor jogador da Liga, aquele que acaba por servir de elo de ligação para quase todas as dinâmicas ofensivas.

 

Na minha opinião foi das exibições menos conseguidas do Benfica nos últimos meses, mas estamos numa fase em que o mais importante é conquistar os três pontos mesmo que para isso seja necessário jogar feio. Era fundamental ganhar hoje, era fundamental consolidar a liderança isolada e não dar uma nova alma aos nossos adversários. Era fundamental entrar em campo na próxima jornada para defender esta liderança e não para a conquistar a outros. E assim estamos um pequeno passo mais perto do inédito pentacampeonato.

tags:
publicado por D`Arcy às 02:26
link do post | comentar | ver comentários (14)
Segunda-feira, 2 de Abril de 2018

Paciência

Foi uma vitória da paciência. Perante uma equipa montada com um único objectivo em mente, que era tapar todos os caminhos possíveis para a sua baliza, só mesmo um jogo muito paciente da parte do Benfica é que permitiu ultrapassar a boa organização defensiva do Vitória e conquistar mais três pontos.

 

 

O onze titular não teve qualquer surpresa. A pausa para os inúteis jogos da inútil equipa da FPF teve a consequência positiva de permitir a recuperação completa do Rúben Dias (e ainda do Salvio, que começou no banco) e por isso jogámos com a equipa que tão boa conta tem dado de si nos últimos jogos. Ficou evidente ndesde o início que tínhamos uma tarefa complicada pela frente. O Peseiro é um treinador experiente, que evidentemente estudou bem a nossa equipa e montou a sua de forma a bloquear completamente o nosso jogo ofensivo, com duas linhas sempre muito juntas e organizadas, deixando o Raphinha sozinho na frente. Perante uma equipa que voluntariamente entregava a iniciativa de jogo e que se limitava a defender é sempre complicado conseguir jogar de forma positiva, por isso estou um pouco dividido sobre a quem atribuir a maior quota parte de culpa pela enfadonha primeira parte. Por um lado achei que o nosso futebol foi demasiado lento e previsível para conseguir ter ambições legítimas em ultrapassar a muralha defensiva do Vitória, mas por poutro lado compreendo que pode ser muito difícil encontrar soluções contra um adversário com esta postura. E claro que num jogo assim há sempre o risco acrescido de sofrer um golo numa das raras ocasiões em que o adversário consegue ir à frente, sobretudo nos lances de bola parada. Isso esteve perto de acontecer, quando na sequência de um canto o Vitória introduziu mesmo a bola na nossa baliza, mas felizmente o lance foi anulado por fora de jogo. Quando o nulo ao intervalo parecia ser o mais provável -  o mais ajustado, porque não me recordo de uma boa ocasião de golo para o Benfica na primeira parte, nem de uma defesa do guarda-redes do Vitória - apareceu um penálti providencial. O penálti é claríssimo por uma mão flagrante de um defesa do Vitória na sequência de um pontapé de canto, mas foi mesmo caído do céu. O Jonas não desperdiçou esta oportunidade soberana e assim saímos para intervalo em vantagem, e com uma boa parte do problema que o Vitória representava resolvido.

 

 

Seria expectável que a perder o Vitória arriscasse um pouco mais mas nada disso aconteceu, pois mantiveram a mesma postura defensiva. O que até tem alguma lógica. O Peseiro foi o último treinador a vencer na Luz, com o Porto, e na altura fê-lo exactamente desta forma. Jogou sempre à defesa, e apesar do Benfica ter marcado primeiro conseguiu dar a volta ao resultado graças à eficácia de marcar nas poucas oportunidades que construiu e um guarda-redes numa noite diabólica. Mas o Benfica veio um pouco mais agressivo e conseguiu logo nos primeiros minutos criar duas grandes ocasiões de golo, ambas na sequência de diagonais do Grimaldo para o centro a aproveitar dois bons passes de rotura para as costas da defesa. O domínio do Benfica foi ainda mais evidente durante toda a segunda parte, mas o nervosismo permanecia pelo facto de não conseguirmos obter o golo da tranquilidade. O Vitória não existia em termos atacantes, mas há sempre a possibilidade de algum lance fortuito ter consequências desastrosas. E isso até poderia ter acontecido, porque do nada um pontapé para as costas da nossa defesa deixou o Raphinha a correr isolado em direcção à nossa baliza. O auxiliar assinalou posição irregular mas o árbitro (bem) deixou o lance seguir, porque poderia depois verificar a regularidade ou não do mesmo pelo VAR. Felizmente o Varela conseguiu evitar que a bola entrasse na nossa baliza, porque o lance seria mesmo validado. Era necessário acabar com estes sustos e para isso recorremos ao 'descomplicador' do costume. A vinte e um minutos do final o Jiménez entrou para o lugar do Cervi (mais apagado do que tem sido habitual) e nove minutos depois fazia, de letra, o cruzamento junto da linha de fundo para o Jonas encostar de cabeça para o golo. O lance tinha começado numa recuperação de bola do Grimaldo quando o Vitória tentava sair para o ataque. Até final mais duas boas situações para o Benfica, uma para o Zivkovic depois de interceptar um mau passe da defesa adversária e outra para o Seferovic, que tinha entrado para os últimos minutos.

 

 

Num jogo em que não houve exibições individuais de encher o olho o Jonas acaba por ser o homem do jogo por ter marcado os dois golos que definiram o resultado. Mas a destacar alguém acabaria por escolher o Grimaldo, curiosamente por ter sido o jogador que mais deu nas vistas no ataque. Para além dos golos, a maior parte dos lances de perigo do Benfica saíram dos pés dele. De lamentar apenas os amarelos ao Jardel e ao Fejsa, tendo este último parecido claramente exagerado. Assim ficam ambos à beira de uma suspensão que os deixaria de fora do jogo com o Porto, o que pode sempre condicionar as escolhas para o nosso próximo jogo.

 

Mais um adversário que se empenhou afincadamente em conquistar um ponto - que neste caso de pouco lhe serviria, já que o Vitória está numa posição tranquila na tabela e praticamente não tem objectivos a conquistar. Foi difícil, mas ultrapassámos mais um obstáculo e somámos a oitava vitória seguida. Segue-se um jogo tradicionalmente complicado em Setúbal, mas se mantivermos esta atitude e a onda vermelha em movimento, conseguiremos receber o Porto na posição de dependermos de nós para ficarmos no primeiro lugar.

tags:
publicado por D`Arcy às 00:25
link do post | comentar | ver comentários (21)
Domingo, 18 de Março de 2018

Incontestável

Era a última saída do Benfica até ao Norte esta época e previa-se uma tarefa complicada. Mas se alguma complicação houve, foi exclusivamente da nossa responsabilidade. Porque o adversário ou o péssimo relvado nada puderam fazer para impedir um jogo de sentido único do primeiro ao último minuto, no qual o Benfica dominou todos os seus aspectos de forma incontestável.

 

 

O natural regresso do Pizzi ao onze foi a única alteração na equipa. E logo nos instantes iniciais deu para perceber que a intenção do Benfica era ir atrás da vitória e não esperar que esta lhe caísse no colo. Imediatamente vimos o Benfica instalar-se no meio campo adversário, e mesmo jogando num relvado cujo estado deixava muito a desejar - pesado, irregular, onde a bola prendia e não rolava, sendo que pelo menos podemos estar gratos pelo facto de não ter chovido durante o jogo - conseguimos fazer um jogo onde a toda a (pouca) largura do campo, com ambos os laterais muito subidos no terreno e a conseguir com bastante frequência explorar com sucesso as alas, com os nossos jogadores a ganharem por diversas vezes a linha de fundo e assim a poderem cruzar com relativo à vontade para a área. Já o destino e direcção desses cruzamentos é que nem sempre foi o melhor, porque encontravam quase sempre algum dos muitos adversários acantonados à frente da sua baliza. Mas mesmo assim a aparentemente permeabilidade da equipa do Feirense a defender deixava-me a impressão de que os golos seriam uma inevitabilidade neste jogo, e só mesmo muita inépcia na finalização da nossa parte é que poderia impedir isso de acontecer. Convenhamos no entanto que durante a primeira parte até tivemos exemplos de que essa inépcia estava presente, a começar pela primeira ocasião em que o Rafa se apanhou isolado em frente ao guarda-redes, fez tudo bem, e atirou a bola ao poste. Mas eu nem posso estar a descrever as ocasiões flagrantes de golo de que o Benfica dispôs neste jogo, porque se o fizesse nunca mais sairia daqui. O facto é que mesmo com total supremacia no jogo e com as ocasiões a surgirem fomos para intervalo ainda empatados, mas com o Feirense reduzido a dez depois de uma expulsão quase a fechar a primeira parte antevia-se um verdadeiro massacre na segunda parte.

 

 

E foi mais ou menos isso que aconteceu, tendo apenas o resultado ficado muito longe de corresponder ao que vimos no campo. Já escrevi antes que não posso estar a descrever ao pormenor todas as ocasiões flagrantes de golo que o Benfica criou porque foram demasiadas, mas mesmo que o Benfica tivesse concretizado apenas metade delas, muito provavelmente teríamos saído de Vila da Feira com a maior goleada desta liga. Foi preciso esperar pela hora de jogo e pela entrada do Jiménez para desfazer o nulo. E foi literalmente esperar pelo mexicano, porque ele marcou no primeiro toque que deu na bola, aproveitando um ressalto em si próprio após um mau corte de um defesa adversário. A direcção queria 'três bancadas pintadas de azul' e proibiu a entrada de símbolos do Benfica para as tais bancadas, mas quando aconteceu o golo percebeu-se que o que havia eram três bancadas e meia de benfiquistas (meia bancada atrás da baliza do Feirense é que parecia estar ocupada por alguns azuis que se calhar não conseguiram bilhete para o derby da invicta). Normalmente eu sou sempre desconfiado e acho que um jogo nunca está resolvido até ao apito final, mas com o que tinha visto até então pareceu-me que seria impossível o Feirense recuperar - o Varela não tinha feito uma única defesa. Mas mesmo achando que o jogo estava resolvido, o desperdício contínuo do Benfica no ataque era suficiente para aumentar os meus níveis de irritação, pelo que foi com bastante satisfação que vi finalmente o Rafa aproveitar mais uma ocasião flagrante para marcar o segundo golo. Desmarcado pelo Jiménez ainda antes da linha do meio campo, correu isolado em direcção à baliza, evitou o guarda-redes e rematou para a baliza deserta. Ainda havia mais quinze minutos para jogar e portanto, para manter a tendência, mais quinze minutos de desperdício. Num jogo onde ainda vimos a bola bater no poste mais duas vezes os grandes mistérios para mim foram: como é que o Jonas acabou o jogo em branco, e como é que o Rafa acabou o jogo apenas com um golo marcado. Antes do final, nota ainda para mais uma expulsão de um jogador do Feirense, um rapaz que começou o jogo como se estivesse a jogar futsal, celebrando cada intercepção como se tivesse ganho o jogo. Nesta ocasião, varreu o André Almeida pela raiz com uma entrada de sola e foi festejar para o chuveiro.

 

 

O jogador em maior destaque voltou a ser o Rafa. Acho que mais de metade das jogadas mais perigosas do Benfica tiveram a sua intervenção. Mas ser o jogador em maior destaque não é o mesmo que ser o melhor em campo. Seria impossível classificar a exibição dele como negativa, apenas tenho dificuldade em classificar como melhor em campo um jogador que tem seis ocasiões flagrantes de golo, cinco das quais isolado em frente ao guarda-redes, e marca apenas um golo. De resto, atirou duas vezes ao poste, deixou-se desarmar por um defesa vindo de trás noutra, e por duas vezes permitiu a defesa ao guarda-redes. De qualquer forma, e como já tinha previsto há umas semanas, é um dos grandes dinamizadores do nosso jogo de ataque e a jogar assim o Salvio não terá uma tarefa fácil para regressar ao onze. O homem do jogo para mim é mesmo o Jiménez. Voltou a ser decisivo após entrar. Marcou o golo que desfez o nulo, assistiu o Rafa para o segundo e ainda esteve envolvido em diversos outros lances de perigo, tendo enviado uma bola ao poste. O Benfica beneficiou muito de uma presença mais constante dentro da área adversária e o mexicano entra sempre com muita vontade de mostrar serviço, o que acaba por contagiar toda a equipa. De resto, os suspeitos do costume como o Fejsa, o Cervi ou o Zivkovic (sobretudo quando se encostou à esquerda) fizeram um bom jogo, mas no cômputo geral toda a equipa esteve bem.

 

Mais uma etapa ultrapassada. Faltam sete, e em relação à última, agora já só dependemos de nós próprios para chegar ao objectivo do penta. Daqui até final da época iremos andar perto de casa, e será necessário que os benfiquistas daqui respondam presente de forma tão convicta como os benfiquistas do Norte o fizeram. Com o apoio de todos e da forma como estamos a jogar, será muito difícil travarem-nos.

tags:
publicado por D`Arcy às 18:42
link do post | comentar | ver comentários (7)
Domingo, 11 de Março de 2018

Difícil

Uma vitória muito difícil num jogo contra uma equipa que veio à Luz para jogar um futebol troglodita e focado quase em exclusivo em destruir, sem qualquer tipo de ambição que não jogar para o pontinho como se toda a sua existência disso dependesse.

 

 

Tínhamos uma indisponibilidade para este jogo. O Pizzi tinha forçado o quinto amarelo contra o Marítimo e o jogador escolhido para o substituir foi o João Carvalho. Já escrevi em várias crónicas que há jogos que me dão uma má sensação logo nos minutos iniciais, e este foi mais um desses. Primeiro porque, perante uma equipa orientada pelo José Mota, um dos dinossauros do futebol português, só se poderia esperar um futebol jurássico. Ou seja, uma equipa completamente enfiada no último terço do terreno, muito pouco interessada em fazer algo mais que não destruir ou queimar tempo, com os jogadores a chutar a bola para a bancada para onde quer que estivessem virados (por algum motivo tivemos tantos pontapés de canto durante o jogo - quando os defesas estava voltados para a sua baliza, aliviavam a bola nessa direcção). Segundo, porque hoje não entrámos no jogo da forma mais entusiasmante. Eu compreendo que deva ser difícil e até frustrante tentar jogar futebol contra uma equipa que se apresenta em campo com a disposição descrita, mas faltou intensidade ao nosso futebol. Faltaram acelerações, movimentações sem bola e até mesmo agressividade. E um futebol mais mastigado e previsível facilitou a tarefa ao adversário. Foram poucas as ocasiões que conseguimos criar durante a primeira parte, e foram até poucos os remates que fizemos, com ou sem perigo. Os maiores safanões no jogo foram quase sempre dados pelo Rafa, que na direita conseguia quase sempre ganhar muito facilmente em velocidade ao adversário directo. Infelizmente, quando optou pelo remate não o fez na melhor direcção, e quando tentava servir alguém havia pouca presença dentro da área, e no meio da floresta de pernas avense havia sempre alguém pronto para aliviar para onde estivesse virado. Estes jogos têm o perigo acrescido de que na menor das ocasiões para fazer a bola chegar perto da nossa área (uma bola parada, normalmente) o adversário desloca a horda de destruidores da sua área para a nossa e pode criar perigo, e de facto ainda apanhámos um susto quando um desses lances resultou numa enorme confusão junto da nossa baliza - acabou por ser assinalado um fora de jogo, mas nem sequer percebi se foi logo ao matulão que primeiro ganhou a bola nas alturas ou se foi posteriormente.

 

 

A segunda parte, apesar de começar praticamente com o Zivkovic a desperdiçar a melhor ocasião de golo até à altura, rematando ao lado uma bola que tinha sobrado dentro da área, parecia trazer mais do mesmo. As coisas só começaram realmente a mudar quando o nosso treinador, ainda antes de se completar uma hora de jogo, fez a alteração que se impunha: troca do João Carvalho pelo Jiménez. A partir desse momento passámos a ser muito mais perigosos, e as ocasiões de perigo começaram a suceder-se junto da baliza do Aves. Tal como na primeira parte, também passámos por um enorme susto quase na única vez que o Aves passou do meio campo, com o Paulo Machado a rematar para as nuvens quando estava solto na marca de penálti (este é Super dragão, por isso provavelmente não o vão acusar de estar a facilitar). Mas todos os caminhos do jogo apontavam para a baliza do Aves, onde o Adriano ia alternando momentos brilhantes com ataques de dores súbitas que obrigavam a intervenção médica. E ao minuto setenta e dois, numa altura em que a equipa já parecia começar a acusar algum nervosismo com a manutenção do nulo no marcador, finalmente conseguimos derrubar a muralha defensiva do Aves. Depois de mais uma intervenção brilhante do Adriano, a um bom remate do Fejsa de fora da área (nesta fase o Aves estava tão recuado que até o Fejsa e o Jardel apareciam a jogar junto da área adversária) a bola sobrou para o Cervi na esquerda, que de imediato assistiu para o Jonas, em posição frontal, se limitar a empurrar a bola para a baliza. E para acabar de vez com todas as dúvidas, quatro minutos depois chegou o segundo golo. Desta vez foi o Rúben Dias a aproveitar o ressalto de mais uma boa defesa do Adriano, desta vez a um remate do Jiménez na sequência de um pontapé de canto. Obviamente que o jogo estava nesta altura mais do que decidido. De uma equipa que só vinha para defender pouco se poderia esperar depois de se apanhar a perder por dois golos. Quem ainda não tinha acabado era o Adriano, que com mais uma defesa incrível ainda conseguiu 'roubar' o terceiro golo ao Jardel já perto do final do jogo, após mais um pontapé de canto marcado pelo Cervi (eu já estava a gritar golo).

 

 

Não havendo exibições propriamente de encher o olho, eu destacaria alguns dos suspeitos do costume. O Rafa,  Zivkovic e o Cervi, por terem sido jogadores que tentaram sempre acelerar o jogo e jogar um futebol mais incisivo, em direcção à baliza adversária - mesmo que por vezes, ao tentarem fazer isto, tenham caído em alguns exageros individuais. O Fejsa foi o pêndulo do costume e fiquei bastante irritado com o amarelo que viu já no período de compensações. Também quero mencionar o Jiménez, porque a sua entrada voltou a ser bastante importante para resolver uma situação complicada. A nossa equipa passou a ser bastante mais perigosa com ele em campo, e mais uma vez esteve directamente envolvido nas jogadas dos golos. Por último, umas palavras sobre o João Carvalho. Voltou a ter uma oportunidade depois de ter desiludido no Restelo, e na minha opinião voltou a não a aproveitar. Para mim não está em causa a qualidade dele, porque sei que a tem. Mas se quer um lugar no plantel do Benfica precisa de conseguir jogar com outra atitude. Sobretudo de jogar com muito mais confiança e não ter medo de arriscar. Não pode é passar a maior parte do tempo a esconder-se do jogo e a disputar cada lance como que a medo.

 

Está ultrapassado mais um adversário que vendeu cara a derrota. Com mais sofrimento do que aquilo que provavelmente a maior parte de nós esperaria, mas nunca ninguém disse que o caminho seria fácil. Temos que continuar a fazer a nossa parte e a não dar tréguas aos nossos adversários. Tenho a sensação de que nunca se conjugaram tantos esforços dos nossos inimigos dentro e fora do campo para nos derrotar. Só dando o nosso melhor como clube, só fazendo de todos um, poderemos fazer-lhes frente.

tags:
publicado por D`Arcy às 04:08
link do post | comentar | ver comentários (10)
Domingo, 4 de Março de 2018

Serenata

Foi debaixo de um autêntico dilúvio que o Benfica decidiu presentear-nos com uma espécie de serenata à chuva, que incluiu um recital a solo do Jonas, e esmagar o Marítimo por cinco golos sem resposta mesmo sem ter jogado sempre com o prego a fundo.

 

 

A repetição do onze titular tem sido uma constante nas últimas jornadas, e um sintoma da estabilidade que a equipa construiu. Por isso já nem é necessário ouvir a constituição da equipa para saber quem vai jogar. O mau tempo que se fez sentir durante quase todo o dia e em especial à hora do jogo podia ser mais um adversário a ter em conta. O relvado da Luz é bom e aguenta muito mas há limites, e gostando esta equipa de jogar um futebol rápido e de trocas constantes de bola, um terreno mais pesado em teoria não seria o ideal. O período inicial do jogo nem sequer fazia antever uma vitória tão folgada. Não custa nada admitir que durante o primeiro quarto de hora o Marítimo - que teve a esperteza saloia de nos pôr a atacar para a baliza grande na primeira parte - em nada foi inferior ao Benfica, e teve até algum ascendente no jogo. Tentaram jogar com uma linha de pressão bastante alta, a condicionar a nossa saída de bola, e causaram-nos dificuldades. O Benfica tem tido no lado esquerdo e em especial quando o Grimaldo, o Zivkovic e o Cervi começam a trocar a bola entre eles um dos factores mais desequilibradores dos últimos jogos, mas durante esta fase tentávamos sobretudo atacar pelo lado direito, provavelmente porque o Marítimo estava avisado e vigiava de perto as subidas do Grimaldo e as movimentações do Zivkovic. Mas quando se tem na frente um jogador como o Jonas, às vezes basta meia oportunidade para começar a resolver uma tarefa que se prevê complicada. Bastou aos dezasseis minutos uma bola solta na área resultante de uma intervenção em esforço do André Almeida junto da linha de fundo para que o Jonas rematasse de primeira e fizesse o primeiro golo, e a partir daqui começou a escrever-se uma história completamente diferente neste jogo. 

 

 

Até porque seis minutos depois o lado esquerdo funcionou e uma combinação entre o Zivkovic e o Grimaldo deixou o espanhol sozinho em frente ao guarda-redes para uma finalização com classe. E este foi para mim o momento em que o jogo virou por completo. Ao ver-se a perder por dois golos com apenas vinte e dois minutos decorridos o Marítimo assustou-se, esqueceu-se por completo daquilo que tinha feito bem na fase inicial e recuou as linhas para junto da área, parecendo ter pressentido que uma goleada estava iminente. Mas hoje o Benfica estava em dia de se redimir de jogos onde a finalização esteve menos inspirada, e com o Jonas a jogar desta forma de pouco serve recuar linhas e jogar pelo seguro. Ele não precisa de quase nada para inventar um golo, como o comprovou aos trinta e cinco minutos. É daqueles golos que qualquer descrição que eu tente fazer não lhe faz justiça: é preciso vê-lo. Cruzamento largo do André Almeida para a área e o Jonas, apesar de estar atrás do defesa, consegue chegar com o pé à bola antes para lhe dar um toque de primeira que a fez passar sobre o guarda-redes, tocar na barra e entrar na baliza. Certamente um dos melhores golos desta liga. E o livro ainda não estava fechado na primeira parte, porque pouco antes do intervalo uma tabela entre o Jonas e o Rafa acabou com este a ser derrubado dentro da área. Penálti claro, e expectativa para ver se o Jonas interrompia a série negra de três penáltis seguidos falhados (Rio Ave, para a taça, Belenenses e Boavista). Problema resolvido com mestria, porque nem com asas o guarda-redes chegaria à bola, que foi rematada para o ângulo superior direito da baliza. Quatro golos em quarenta e cinco minutos e um jogo competentemente resolvido com rapidez, o que era conveniente quando a chuva não dava sinal de querer abrandar e o terreno ia ficando cada vez mais difícil.

 

 

A segunda parte foi naturalmente de gestão de esforço, feito com posse de bola. Era evidente que com mais golo ou menos golo, o Benfica iria vencer este jogo. O Marítimo não estava interessado em apanhar uma goleada histórica e o Benfica não estava interessado em despender demasiados esforços à procura de mais golos. E tudo ficou ainda mais definitivo quando o Marítimo, ainda antes de findo o primeiro quarto de hora, se viu reduzido a dez jogadores. Mérito para a actuação do VAR neste lance, que alertou o árbitro para a entrada brutal do Gamboa sobre o Zivkovic - pitons em riste ao joelho do pequeno maestro do nosso meio campo. Apesar do terreno não ser propício a grandes toques artísticos, a equipa do Benfica pareceu procurar divertir-se a jogar futebol e a tentar construir lances bonitos. O Cervi e o Zivkovic dão uma dinâmica impressionante ao nosso jogo ofensivo, e à medida que o Rafa vai ganhando confiança começa a entrar também neste carrossel, onde os jogadores surgem um pouco por toda a zona de ataque de forma imprevisível. A vitória estava tão assegurada que foi possível o luxo de dar descanso a jogadores imprescindíveis como o Fejsa ou o André Almeida - entrou o Douglas para o lugar dele, que já não víamos jogar há bastante tempo. Não deu para avolumar muito o resultado, porque o Marítimo parecia fazer ponto de honra em não sofrer mais golos e a chuva continuava a não abrandar, mas o único golo que marcámos valeu bem a pena. A nove minutos do final mais um golaço de levantar o estádio, da autoria do Zivkovic. Na esquerda e já dentro da área evitou um defesa puxando a bola do pé esquerdo para o direito, e depois com o seu pé menos forte colocou a bola em arco no ângulo do lado oposto, com o guarda-redes a não poder fazer mais do que ficar a ver a bola a entrar. Golo mais do que merecido para um jogador que voltou a fazer uma grande exibição. Pena, pena, só mesmo que o Cervi não tenha conseguido acertar com a baliza para fazer o sexto golo já perto do final, a culminar uma jogada que envolveu trocas sucessivas de bola entre vários jogadores, incluindo dois toques de calcanhar.

 

 

Não há forma de evitar considerar o Jonas o homem do jogo. Absolutamente decisivo e letal. O seu segundo golo (terceiro do Benfica) é uma obra de arte apenas ao alcance de jogadores especiais. Mesmo o primeiro golo, que começou a resolver a questão, é muito bom, quer pelo repentismo do remate, quer pela colocação do mesmo (a bola entrou bem junto do poste). Na vertente qualidade/preço, é provavelmente a melhor contratação do Benfica das últimas décadas e é um privilégio poder continuar a ver este jogador com a noss camisola. O Fejsa é outro dos destaques, e para mim um dos jogadores mais fundamentais deste Benfica. Merecida a ovação de pé quando foi substituído. Menção também para o Zivkovic. Sou suspeito para falar sobre ele, porque confesso que sempre tive uma predilecção especial pelo futebol deste jogador. Não vou cometer a injustiça de dizer que o Benfica ficou a ganhar com a troca do Krovinovic por ele (para mim jogavam os dois) mas se perdemos algumas coisas com a lesão do Krovinovic, ganhámos outras com a entrada do Zivkovic para aquela posição. Tem sabido aproveitar a oportunidade para agarrar o lugar e está a tornar-se um jogador fundamental. Outro jogador que está a aproveitar a oportunidade e vai ganhando confiança a olhos vistos é o Rafa. Mais um jogo positivo e vai ganhando influência à medida que soma minutos nas pernas. Por último, uma referência (mais uma) ao André Almeida. Duvido que, por exemplo, consiga ir ao Mundial porque não é um jogador suficientemente mediático para isso; é humilde e nunca se coloca em bicos de pés. Mas nem posso reclamar dele ser injustiçado pela generalidade do público e imprensa quando somos muitos de nós, benfiquistas, os primeiros a injustiçá-lo. Não é um artista capaz de malabarismos com a bola, mas poucos fazem aquilo que têm que fazer com a eficácia que ele o faz. Soma sete assistências para golo e dois golos marcados no campeonato, ao mesmo tempo que continua a ser um dos mais competentes defesas dos principais campeonatos europeus (a sério, quem não acreditar que vá ver as estatísticas). Para mim é imprescidível nesta equipa, e a assistência para o primeiro golo diz tudo sobre a forma como encara cada lance.

 

Mais uma vitória, mais uma goleada, mais uma exibição a reforçar os níveis de confiança da equipa e adeptos. Não se afigura fácil o caminho para o penta, mas vamos lutar por ele com todas as nossas forças. O fundamental é continuar neste caminho e manter a pressão, para que à menor escorregadela do líder possamos voltar a depender exclusivamente de nós próprios.

tags:
publicado por D`Arcy às 03:35
link do post | comentar | ver comentários (10)
Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

Crença

A coisa ainda esteve tremida em Paços e foi preciso esperar até quase ao final para que o mini-estádio da Luz pudesse explodir de alegria. Mas tal só foi possível porque a nossa equipa também revelou uma enorme crença até final, e foi recompensada com a vitória frente a uma equipa que tudo fez para conseguir um resultado positivo contra nós.

 

 

Nesta fase da época já não há surpresas na constituição da equipa. Quando há alterações é devido a ausências forçadas, e como do último jogo para este não se verificou mais nenhuma, alinhámos com o mesmo onze que tinha vencido confortavelmente o Boavista. Já escrevi noutras ocasiões que há jogos que logo nos minutos iniciais me dão um mau pressentimento, como se fosse possível adivinhar logo que as coisas vão correr mal. E este foi um desses jogos. Porque o Benfica não teve um daqueles arranques fulgurantes, muito pelo contrário. Contra um Paços que se fechava com os onze atrás da bola e que depois conseguia sair rápido para o ataque, o Benfica não estava a conseguir fazer a pressão alta funcionar nem engatar aquelas combinações rápidas no ataque. O lado esquerdo não estava com o dinamismo do costume, até porque o Zivkovic andava a aparecer muitas vezes mais pela direita. E depois havia a atitude dos jogadores do Paços. Desde o apito inicial que se percebeu que estavam dispostos a jogar o futebol mais feio que fosse preciso, desde que isso lhes garantisse um resultado positivo. Deixavam-se cair ao menor toque (às vezes nem eram necessários toques, como foi bastante evidente um lance logo nos primeiros minutos) aproveitando que o árbitro apitava a tudo, ficavam no chão o máximo de tempo que podiam e tentavam arranjar discussões e quezílias com os nossos jogadores à menor oportunidade - e os nossos jogadores nisso foram pouco inteligentes, porque em vez de voltar as costas iam na conversa. E se essa disposição já era notória desde o início, então depois do Paços chegar ao golo logo aos nove minutos pior ficou. Uma perda de bola do Grimaldo na saída para o ataque foi bem aproveitada para um contra-ataque por aquele lado e um passe atrasado para o remate de primeira, já no interior da área. A tarefa complicava-se, e a pouca inspiração e lentidão no ataque deixava-me apreensivo. Até porque quando conseguíamos criar alguma ocasião para marcar a finalização deixava muito a desejar. Ainda estou, por exemplo, a tentar perceber como é que o Jonas conseguiu não marcar depois de aparecer completamente sozinho a dois metros da linha de golo para cabecear um cruzamento perfeito do Cervi. O que é certo é que apesar do Benfica ter crescido nos minutos finais, a primeira parte acabou connosco em desvantagem.

 

 

A segunda parte foi basicamente um massacre constante. Foi daqueles jogos em que se pode perfeitamente usar o velho jargão do 'aluga-se meio campo', porque o Paços não saiu da sua metade. Acantonaram-se em frente à área, reforçaram a táctica de tentar o mais possível impedir que se jogasse, e agarraram-se à vantagem com unhas e dentes. O Benfica foi carregando, muitas vezes com mais vontade do que qualidade, mas o golo parecia estar difícil de aparecer. E com tanta gente de amarelo dedicada exclusivamente à defesa, justificava-se reforçar os números no ataque, pelo que foi com naturalidade que ainda antes de completado o primeiro quarto de hora já abdicávamos do Zivkovic para lançar o Jiménez. O mexicano acabou por ter um papel decisivo no golo do empate, que apareceu aos setenta e dois minutos, mas ainda mais decisiva foi a intervenção do Rafa. Na direita, conseguiu interceptar um passe, depois fez uso da sua melhor característica, a velocidade, para ganhar vantagem sobre o defesa que tinha acabado de entrar e fez o passe atrasado para o remate do Jiménez. A bola parecia levar a direcção certa, mas acabou por bater nas pernas do Jonas e ficar à disposição do nosso melhor marcador, que muito perto da baliza a atirou lá para dentro, tendo ainda tocado no poste. Metade do trabalho estava feito, mas faltava a outra metade e esta adivinhava-se ainda mais complicada porque o Paços ainda reforçou mais o antijogo. A quatro minutos do final tivemos que dar o tudo por tudo no ataque e trocámos o Grimaldo pelo Seferovic. E dois minutos depois (foram dois minutos depois porque estivemos todo esse tempo com o jogo parado, primeiro porque mais um jogador do Paços ficou caído no relvado, e depois porque três quartos da equipa do Paços rodeou o árbitro e andou a discutir uma bola ao solo) os três avançados foram mesmo decisivos para concluir a reviravolta: bola longa do Rúben Dias para a esquerda do ataque, o Jiménez recuperou e meteu no Seferovic, e este fez um passe fantástico para o interior da área que permitiu ao Jonas aparecer na zona do primeiro poste a concluir com um remate rasteiro de primeira. Não foram necessários nove minutos de compensação para chegarmos à vitória, mas o árbitro ainda deu sete - na minha opinião, justificados, mas tenho sérias dúvidas que esses sete minutos tivessem sido dados se não tivéssemos marcado aquele golo aos oitenta e oito minutos. E estes sete minutos ainda foram movimentados: um jogador do Paços foi expulso por agressão ao Jonas, e para fechar da melhor maneira possível o Rafa viu a sua boa exibição compensada com um golo, concluindo com um bom remate cruzado uma jogada na qual o Jiménez ganhou a bola nas alturas.

 

 

E eu escolho mesmo o Rafa como o homem do jogo. Sim, o Jonas marcou dois golos e foi decisivo, mas o Rafa não foi menos importante. Parece estar a ganhar confiança com a porta da titularidade que ficou aberta com a lesão do Salvio, e tem vindo sempre a melhorar. O primeiro golo, que começou a desatar este nó complicado, surge por inteiro mérito seu e o terceiro golo é uma finalização muito boa - o que até pode parecer estranho de dizer quando estamos a falar do Rafa, tendo em conta o seu historial recente neste particular. Menção obrigatória para o Jiménez também. Foi muito importante a sua entrada, e ele acabou por estar directamente envolvido nas jogadas dos três golos. Mas mais do que o brilho individual deste ou daquele jogador, para mim o mais importante foi mesmo a atitude da equipa durante toda a segunda parte. Só assim conseguimos conquistar os três pontos esta noite.

 

Vai ser assim, não tenho dúvidas, até ao final. Todas as equipas vão tentar jogar assim contra nós. A defender com unhas e dentes, a recorrer ao antijogo, com uma atitude quezilenta e a tentar armar confusão, como se houvesse ali uma motivação extra qualquer. Vamos precisar de manter esta atitude e esta comunhão entre adeptos e equipa para fazer frente a isto e mantermos viva a esperança no penta.

tags:
publicado por D`Arcy às 01:09
link do post | comentar | ver comentários (19)
Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

Evidente

Uma vitória tão evidente quanto natural, e o espelho fiel da enorme superioridade da equipa do Benfica sobre a do Boavista. Nem mesmo uma noite menos inspirada do melhor marcador do campeonato evitou mais uma goleada.

 

 

Durante toda a semana pairou a incógnita sobre a presença do Jonas neste jogo. Mas ele foi mesmo presença no onze inicial, que voltou a contar com o Rafa na posição do Salvio. O nosso início de jogo não foi tão pressionante como tem sido, mas não foram necessários muitos minutos para ficar convencido que dificilmente a vitória nos escaparia. Porque bastava a bola ir até à esquerda que o trio Grimaldo-Cervi-Zivkovic mostrava que estava em mais uma noite inspirada, e que era quase impossível o Boavista travá-los. As triangulações entre eles acontecem a uma velocidade vertiginosa e são feitas quase de olhos fechados, de tal forma que provavelmente nove em cada dez investidas por aquele lado vão acabar com um jogador a isolar-se em direcção à área ou a ganhar a linha de fundo para servir alguém à entrada ou no interior da área. O Boavista, por seu lado, até tentava de forma vã pressionar a nossa saída de bola mas o sucesso era nulo. E em termos ofensivos ficava-se pelo mesmo rendimento: nem um remate, nem uma jogada sequer de perigo - o que era também uma consequência natural de quase não terem bola. De qualquer forma era necessário traduzir a nossa superioridade em golos, porque recordava-me bem do que aconteceu no jogo da primeira volta, em que dominámos por completo a primeira parte, fomos para o intervalo com a magra vantagem de um golo, e depois quase sem saber como o Boavista deu a volta ao resultado e deu-nos a nossa única e extremamente injusta derrota no campeonato. 

 

 

Foi naturalmente pelo lado esquerdo que surgiu uma grande ocasião para ganhar vantagem, quando o inevitável Cervi foi derrubado dentro da área com quinze minutos decorridos. Mas o Wagner conseguiu defender o penálti marcado pelo Jonas (não me pareceu mal marcado, simplesmente o guarda-redes adivinhou o lado e fez uma boa defesa). Mas não foi preciso esperar muito pelo golo, que surgiu apenas três minutos depois: canto marcado na esquerda pelo Cervi, cabeceamento do Jardel a devolver a bola para a zona do primeiro poste, e cabeçada para o golo do Rúben Dias (e se não fosse ele, ainda lá estaria o André Almeida para finalizar). Se há algo a apontar à exibição do Benfica no primeiro tempo, foi o facto de apesar de ter tanto domínio, ter enfeitado demasiado as jogadas junto da área adversária. É certo que não é fácil encontrar espaços para rematar frente a um adversário que defende quase todo o tempo com onze, mas pareceu-me que houve situações em que exagerámos nas tabelas e nos passes quando parecia mais aconselhável o remate, mesmo de fora da área. Porque ainda estava escaldado com o jogo da primeira volta, desejava pelo menos mais um golo antes do intervalo, e foi mesmo a fechar a primeira parte que ele apareceu. Mais um canto do Cervi na esquerda, desta vez a encontrar o Jardel bem no centro da área para um cabeceamento colocado e sem hipóteses de defesa. Apesar da dinâmica apresentada e da enorme superioridade sobre o Boavista, foi em dois lances de bola parada que conseguimos marcar. E apesar do Boavista meter onze jogadores dentro da área para defender os cantos, não conseguiram marcar eficazmente o melhor cabeceador da nossa equipa.

 

 

A ganhar por dois ao intervalo frente a um adversário incapaz de atacar, a perspectiva era naturalmente de uma goleada. Mas os minutos iniciais até acabaram por mostrar um pouquinho de Boavista, que conseguiu mesmo fazer finalmente um remate no jogo - foi um remate disparatado e que não causou perigo nenhum, na sequência de um pontapé de canto marcado 'à futsal' com um balão para a entrada da área a pedir um remate de primeira, mas foi para todos os efeitos um remate. Achei que houve um período durante o qual o Benfica perdeu dinâmica no ataque, talvez por culpa da experiência de, primeiro, trocar os extremos, e depois disso ter o Pizzi a jogar mais sobre a esquerda e o Zivkovic sobre a direita. A coisa funciona melhor quando temos os três canhotos perto uns dos outros, parece-me. O que é certo é que houve ali um período em que o jogo ficou demasiado partido para o meu gosto. Não que isso se tenha traduzido em qualquer pressão da parte do Boavista, mas achei a nossa equipa um pouco menos ligada e a dar mais espaços no meio campo, com o jogo numa toada de parada e resposta em que toda a gente parecia ter demasiado espaço e tempo para jogar. Por vezes até deu a sensação de alguma sobranceria, já que as situações mais complicadas para nós resultaram de erros individuais: numa o Jardel deixou-se desarmar perto da área, e na outra uma má reposição de bola da parte do Varela acabou num remate que passou perto do poste. E houve tempo também para a tradicional má saída a um cruzamento pelo nosso guarda-redes, que deu origem a alguma confusão na nossa área até que o Varela agarrasse finalmente a bola. Mas depois voltámos à fórmula inicial, e tudo regressou à normalidade. O Jonas não estava mesmo num dia inspirado e falhou um par de situações que normalmente concretizaria, mas os defesas do Boavista acabaram por fazer o trabalho por ele, e num lance às três tabelas fizeram com que uma bola cruzada pelo Grimaldo acabasse dentro da própria baliza. Foi aos setenta e sete minutos, e logo a seguir o Jonas cedeu o lugar ao Jiménez. Que ainda foi atempo de marcar, mesmo sobre o minuto noventa, aparecendo à boca da baliza para emendar um bom passe rasteiro do André Almeida. E não fosse o João Carvalho (tinha entrado para o lugar do Pizzi) ter decidido tentar ele próprio o golo e poderia ter marcado um segundo, já que estava em posição privilegiada para receber o passe.

 

 

Destaques óbvios para o Cervi (duas assistências e ainda um penálti que foi desperdiçado), Grimaldo e Zivkovic. Os três baixinhos canhotos são o motor do futebol ofensivo da equipa e quando jogam desta forma é praticamente impossível travá-los. A quantidade de lances de perigo que conseguem criar é tanta que mais cedo ou mais tarde um golo acaba por surgir. Destaque também para a dupla de centrais, que tal como contra o Rio Ave acabou o jogo com dois golos distribuídos entre si. A isto o Jardel somou uma assistência e o Rúben um par de bons cortes a evitar males maiores, como no lance em que o Jardel perdeu a bola. Menção ainda para o Fejsa, importantíssimo como sempre, e para o André Almeida, que apesar de ainda haver quem seja incapaz de lhe reconhecer a importância e o valor que tem, insiste em desempenhar a sua função de forma exímia. Hoje somou a sexta assistência para golo na Liga, a somar a dois golos marcados - nada mau para um defesa lateral. E se aqueles que insistem em colocar um defesa direito como prioridade absoluta em qualquer janela de transferências se derem ao trabalho de consultar os dados estatísticos sobre a eficácia dele nas acções puramente defensivas, são capazes de ter uma surpresa.

 

Mais uma etapa ultrapassada com distinção e mais uma demonstração de vitalidade da nossa equipa. Estamos a atravessar o momento de forma ideal para enfrentar a fase decisiva do campeonato, e se o conseguirmos manter certamente teremos uma probabilidade enorme de celebrar no final. 

 

P.S.- Mais uma exibição deplorável do jovem prodígio verde da arbitragem nacional. Depois do magnífico desempenho como VAR no último derby, hoje voltou a mostrar que pelo menos um critério mantém: mãos dentro da área nunca dão penáltis a favor do Benfica. Já o critério disciplinar, parece ser avisar os adversários do Benfica e amarelar os jogadores do Benfica. Só ele conseguirá explicar como é que o Boavista conseguiu acabar o jogo sem um amarelo enquanto que os jogadores do Benfica viram dois por lances sem qualquer perigo disputados ainda dentro do meio campo adversário. Parece-me mesmo que o critério que ele segue é em qualquer lance em que o possa fazer, decidir a favor do adversário do Benfica. A forma como ele conseguiu transformar uma cacetada no Cervi em canto quando o jogador do Boavista nem toca na bola é digna de qualquer manual de arbitragem.

tags:
publicado por D`Arcy às 03:28
link do post | comentar | ver comentários (13)
Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

Talento

Chegou a parecer que seria surpreendentemente fácil - a surpresa porque face ao que já tinha visto do Portimonense nos dois jogos contra nós esta época e ainda aquilo que fez nos últimos jogos, esperava um jogo dificílimo - mas acabou por ser necessário sofrimento, muito suor e o talento do Cervi para sairmos de Portimão com os três pontos.

 

 

Sabíamos que haveria um alteração forçada no onze devido à ausência do Salvio, e a escolha para o lugar foi o Rafa. De resto, os jogadores que já nos habituámos a ver como primeiras escolhas, com o Zivkovic a repetir a titularidade nas funções do Krovinovic. O início de jogo foi aquilo que tem sido o hábito desta equipa nos últimos tempos. Pressão alta e agressiva, trocas de bola rápidas no ataque, com especial destaque para as combinações na esquerda entre o Grimaldo e o Cervi, com a colaboração frequente do Zivkovic ou do Jonas, e o adversário empurrado para junto da sua área. às vezes costuma-se dizer de uma forma algo exagerada que uma equipa nem passou do meio campo, mas durante praticamente toda a primeira meia hora de jogo foi mesmo isso que aconteceu com o Portimonense. Neutralizámos por completo o jogo deles, e apresentámos uma dinâmica muito difícil de acompanhar na procura do golo. Golo que apareceu muito cedo, com apenas seis minutos decorridos. Um passe a rasgar do Zivkovic pelo meio da defesa do Portimonense, uma grande recepção do Rafa que obrigou um defesa a um corte no limite, mas a bola foi ter com o Cervi que sobre a esquerda desferiu um remate muito forte para fazer a bola entrar entre o guarda-redes e o poste. Obtida a vantagem, o resto da primeira parte foi quase toda como descrevi antes. Uma superioridade evidente da parte do Benfica, que no entanto não se traduziu no avolumar do resultado, e um Portimonense praticamente inofensivo, quase sempre remetido para bem dentro do seu meio campo e com muito pouca posse de bola. Apenas na fase final do primeiro tempo é que o nosso adversário pareceu começar a acordar e a dar alguns sinais de vida. Não nos causaram grandes problemas na defesa, mas o meio campo começou a ganhar cada vez mais os duelos físicos e as bolas divididas, permitindo-lhes ter um pouco mais de bola e jogar mais longe da sua área.

 

 

Para nosso mal, as indicações dadas no final da primeira parte não só se mantiveram como se acentuaram na segunda. O Portimonense entrou mais agressivo e ganhou superioridade na zona do meio campo, impondo o maior poderio físico da maioria dos seus jogadores e passando a ganhar os duelos individuais, bolas divididas e segundas bolas. Não se tratou de um caso em que éramos submetidos a pressão intensa e as ocasiões de golo se sucediam junto da nossa baliza - a melhor ocasião até foi mesmo nossa, mas o André Almeida, em posição privilegiadíssima, escorregou na altura do remate a enviou a bola para a bancada - mas era notótio que já não tínhamos o controlo absoluto da partida, passando a ter menos bola e sendo menos perigosos no ataque. Por outro lado, com o Portimonense a aparecer mais no jogo, a possibilidade de surgir o golo do empate era maior. E a meio desta segunda parte sofremos uma dupla contrariedade: o Jonas teve que sair lesionado, e quase de seguida o golo do empate apareceu mesmo, na sequência de um pontapé de canto. Víamo-nos agora sem o nosso melhor marcador em campo, e a precisar de voltar para a frente do marcador. Confesso que vi as coisas mal paradas nessa altura, até porque o golo do empate motivou ainda mais o nosso adversário. Durante alguns minutos o jogo ficou como que partido e bastante aberto, podendo um golo cair para qualquer uma das equipas - novamente o André Almeida, em posição frontal, fez um remate rasteiro e com pouca força para as mãos do guarda-redes, e do outro lado vimos um adversário em óptima posição rematar torto e ao lado da nossa baliza. Mas a doze minutos do final, o destino sorriu-nos. Acabadinho de entrar, o Galeno (jogador emprestado pelo Porto - se calhar está comprado) meteu a mão à bola e no livre resultante, ainda bem longe da baliza, o Cervi inventou um remate magistral que fez a bola ainda beijar o poste antes de entrar na baliza. Logo a seguir o nosso treinador emendou a mão e em vez de meter o Seferovic, que estava pronto para entrar, colocou em campo o Samaris para equilibrar a luta a meio campo. E à excepção de um lance no qual o Varela teve uma péssima saída a um cruzamento, não passámos por grandes calafrios. Para fechar da melhor maneira, já durante o período de compensação do período de compensação o Zivkovic, à segunda e na conclusão de uma jogada em que ele progrediu todo o meio campo adversário com a bola antes de combinar com o Diogo Gonçalves, fez o terceiro golo.

 

 

O homem do jogo é sem qualquer dúvida o Cervi. É um jogador de quem é impossível não gostar, quanto mais não seja pela atitude que tem em campo. Disputa cada bola como se fosse a última, corre os noventa minutos como se tivesse acabado de começar o jogo, e a isto alia uma capacidade técnica acima do normal. Não costuma marcar muitos golos, mas hoje apareceu na altura certa para fazer dois e carregar a nossa equipa até à vitória. Outro destaque que faço é o Zivkovic. Tinha a convicção de que ele seria a melhor solução para o lugar do Krovinovic ainda antes dele jogar, e depois de dois jogos a titular nessas funções julgo que poucos não partilharão dela. Tal como no caso do Cervi, a atitude ajuda muito. E depois tem a qualidade técnica para segurar a bola e a visão de jogo para fazer passes que rasgam qualquer defesa. Bem fez por merecer o golo que marcou (embora nesse lance até tenha sido algo egoísta, porque tinha o Jiménez em óptima posição). Uma menção também para o Fejsa. Já estamos tão habituados a vê-lo fazer aquilo que faz que às vezes até pode nem parecer nada de extraordinário, mas o Fejsa é provavelmente o factor mais importante para que consigamos pressionar os adversários da forma que o fazemos. Por diversas vezes ele é literalmente o meio campo do Benfica, por si só. Por último: o Rafa não soube aproveitar mais esta oportunidade. Esteve no lance do primeiro golo, mas no resto do jogo foi uma desilusão para mim.

 

Mais um difícil obstáculo ultrapassado, mas um passo dado no caminho que temos que percorrer até ao nosso objectivo. A equipa está estabilizada, a fórmula está encontrada, a dinâmica está instalada. A cada passo dado, a confiança aumenta.

tags:
publicado por D`Arcy às 02:12
link do post | comentar | ver comentários (10)

escribas

pesquisar

links

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

arquivos

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

tags

todas as tags

posts recentes

Desnecessário

Desilusão

Estrelinha

Paciência

Incontestável

Difícil

Serenata

Crença

Evidente

Talento

origem

E-mail da Tertúlia

tertuliabenfiquista@gmail.com
blogs SAPO

subscrever feeds