VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

Pela memória de Carlos Alhinho (um testemunho especial)

 

No dia 01 de Maio de 2008, escrevi este texto pela memória de Carlos Alhinho [link].

 

Passado aproximadamente um ano, econtrei-me com o seu filho, o 'Kaika', numa sentida homenagem que, juntamente com um grupo de amigos de diferentes clubes, organizámos em memória do Carlos Alhinho.

 

Nessa homenagem cimentou-se ainda mais o meu respeito pela família do Carlos Alhinho e pela memória de um campeão, de uma Glória do futebol português.

 

Hoje, num dia que marca quatro anos de saudade, o 'Kaika' enviou-nos as seguintes palavras:

 

 

«Faz hoje 4 anos que o senhor meu pai nos deixou e, com a sua partida, partiu também um pouco de mim!

 

Como ele dizia... "repartido mas nunca dividido"! Repartiu-se pela família, pela profissão, pelos amigos! Estendeu sempre a mão a quem dela precisou, ajudou quem podia e quem não podia. Altruísta por natureza, anulou-se muitas vezes pela felicidade dos outros e nunca hesitou em despir para vestir quem menos tinha. Amou-nos incondicionalmente e é desse amor que me nutro sempre que a nostalgia insiste em fragilizar-me.

 

Projectava voltar um dia para Cabo Verde, dizia em tom de brincadeira "a minha missão em Portugal está cumprida, quero passar o resto dos meus dias a descansar os ossos em São Vicente com a família e com uma cana de pesca na mão"!

 

Defensor acérrimo da sua pátria, foi amado por uns e discriminado por outros, mas nunca vergou à xenofobia e ao preconceito, o que muitas vezes lhe trouxe dissabores, principalmente profissionais. Acreditava no lado bom das pessoas, regia-se pelos seus valores e defendia, acima de qualquer outra virtude, o respeito entre os homens. Era um homem bom, era um homem de bem! Resta-me o orgulho de ter partilhado a sua vida e a sua obra, de ter assistido ao toque "mágico" da sua grandeza em muitas vidas e de tê-lo visto contribuir activamente no sentido efectivo de fazer os outros felizes.

 

Pai, foste e serás sempre o meu ídolo. Coisas foram ditas a mais assim como outras ficaram por dizer. Faz parte da condição humana acharmos sempre que poderíamos ter feito mais qualquer coisa, mas o que seria das nossas vidas sem as suas imperfeições? Continuamos na luta aqui em baixo, daí de cima consegues ver que o mundo não pára de girar e nós, umas vezes a rir e outras a chorar, giramos com ele sem nunca virar a cara, sem nunca desistir, como nos ensinaste!

 

Sei que estás de mão dada com a mãe, quis o destino que assim fosse. Os nossos anjos da guarda! Uma verdadeira história de amor! Sinto a vossa falta e sei que um dia voltaremos a estar juntos. Fica bem, "Gigante"!»

 

Carlos Eduardo Alhinho

 

_____

publicado por Pedro F. Ferreira às 19:55
link do post | comentar | ver comentários (5)
Domingo, 1 de Junho de 2008

Pela memória de Carlos Alhinho

 

Escreveu Eduardo Lourenço que “habitados a tal ponto pela saudade, os Portugueses renunciaram a defini-la.” Esta saudade que vive na nossa portugalidade leva à obrigação da recordação, mas não obrigatoriamente à obrigação da memória. Para que houvesse memória seria necessário que se tivesse produzido real, que (nas palavras de José Gil) tivesse havido “inscrição”. No entanto, nesta nossa vivência da portugalidade, a “não-inscrição” é mais confortável do que a capacidade de produzir o real.

Serve este pequeno intróito para escrever um pouco sobre a nossa capacidade de viver a saudade sem conhecer a memória. Ontem, morreu o Carlos Alhinho. Em Portugal, o Alhinho jogou futebol profissional na Académica, no FC Porto, no Sporting, no nosso Benfica, no Portimonense e no Farense. Foi 15 vezes internacional A. No nosso Benfica jogou 4 épocas (de 1976 a 1980), ganhou 2 campeonatos nacionais, 2 Taças de Portugal e 1 Super Taça. Jogava como defesa e foi, salvo erro, o primeiro futebolista português a jogar nos denominados “três grandes”. No passado dia 17, O Cromo dos Cromos (o outro site para o qual escrevo) ia homenageá-lo em Coimbra, juntamente com o Simões (FCPorto, Académica, Portimonense) e com o Rui Rodrigues (Académica, Benfica). O Alhinho não pôde estar presente porque o Benfica o convidara a acompanhá-lo na recente deslocação de final de época a África. No entanto, ficara combinado que não faltaria ao nosso próximo encontro. Ontem, chegou a notícia de que morrera de uma forma absurda. Sei que, no próximo encontro que fizermos, ele, mesmo não estando, estará presente. E sei-o porque este futebolista, como tantos outros, povoa o imaginário infanto-juvenil de todos os que viveram o futebol português nas décadas de 70 e 80. O Alhinho faz parte do tempo em que se coleccionavam os cromos dos nossos ídolos com a capacidade de inscrever o sonho na realidade. Enfim, produzia-se real. E é esse real produzido que me (nos) impede de permitir que não haja memória. Mais do que a saudade é urgente a memória.

O Carlos Alhinho faleceu ontem. Saibamos ter a memória de um dos grandes futebolistas que muito honrado se sentia por ter um dia representado o nosso Clube.

publicado por Pedro F. Ferreira às 12:34
link do post | comentar | ver comentários (11)

escribas

pesquisar

links

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

arquivos

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

tags

todas as tags

posts recentes

Pela memória de Carlos Al...

Pela memória de Carlos Al...

origem

E-mail da Tertúlia

tertuliabenfiquista@gmail.com
blogs SAPO

subscrever feeds