Ao longo dos anos tenho acompanhado a carreira do jornalista João Querido Manha, não o conheço pessoalmente, mas não têm conta o número de horas que passei a ler as suas crónicas dos jogos ou as suas reflexões sobre algumas realidades do futebol. Tenho-o, também pela sua antiguidade (como o tempo passa!) e pela responsabilidade do cargo que ocupa, como um jornalista que já está naquela fase da carreira em que se deve assumir como exemplo para os jornalistas mais novos.
No entanto, desde há uns tempos – diria que coincide com a nomeação de Rui Costa como Director Desportivo – João Querido Manha tem demonstrado uma tal sanha no afã de criticar tudo o que lhe cheira a intervenção de Rui Costa que, inevitavelmente, tem caído no descrédito.
Há aspectos no Benfica que são criticáveis (como em todos os clubes), mas não são todos e quando as motivações de um jornalista ultrapassam o razoável começa a cegueira. Esta cegueira pode levar a caminhos tortuosos e nada recomendáveis. A prova disso é a crónica de João Querido Manha em que, escondendo a mão na defesa de Nuno Gomes, atira a pedra a Rui Costa. Quando isto acontece, deixamos o jornalismo e entramos na questão pessoal. Deixamos a frontalidade da opinião e entramos no campo da cobardia (e não é, de todo, esta a imagem que tenho de JQM).
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Vejamos a prosa em questão: Título: Nuno Gomes - Morte anunciada é um exagero - Correio da Manhã , 18 Outubro 2008. (link)
No 2º parágrafo, assume como uma certeza a ideia de que Nuno Gomes (o capitão de equipa) é ”perseguido” dentro do clube, chegando ao ponto de escrever que há, dentro do Benfica, quem deseje que Nuno Gomes “desampare a loja” (esta pérola de linguagem é exemplificativa de como se não deve escrever num jornal…); não contente, assume que no Benfica há um “preconceito contra a veterania”. Fundamentação: nenhuma!
No 3º parágrafo, defende a tese de que o sucesso de Nuno Gomes é um problema para Rui Costa. Fundamentação: nenhuma! Má-fé: bastante! Alvo: Rui costa.
No 4º parágrafo, a ideia-chave é esta: “Agora, fica entregue aos desígnios da sorte benfiquista, lutando para não ser uma cara velha num plantel que se alimenta, de forma viciada, das novidades do mercado.” Apresenta-nos um Nuno Gomes humilhado, ofendido, entregue à sua sorte e, aqui chegamos ao requinte, vítima de um Benfica que se alimenta no mercado (atenção, vem ai a punchline) de forma viciada! Fundamentação: zero. Objectivo: atacar Rui costa, de forma torpe, acusando-o de entrar em esquemas de mercado viciado.
No 6º parágrafo, a forma de ‘defender’ Nuno Gomes é, no mínimo, estranha: “No Benfica, para satisfazer a turba-multa, tornou-se obrigatório contratar estrangeiros.” Muito bem, se quiser entrar pelo mesmo caminho de honestidade intelectual, sempre poderia dizer que, quando o Correio da Manhã apresenta diariamente aqueles títulos sensacionalistas do mais puro jornalismo (algures entre o The Sun e o Jornal do Incrível), também é para satisfazer a “turba-multa”. E, já que estamos com a mão na massa, é turbamulta e não “turba-multa”. Objectivo: atacar Rui Costa! Objectivo falhado, pois o melhor que conseguiu foi ofender a turbamulta que compra o jornal.
No 7º parágrafo, a forma de 'defender' Nuno Gomes é dizer “A opção do Benfica para este ano, com a tomada de poder por Rui Costa […]” A tomada de poder!? Bem, quando chegamos a este tipo de discurso, é porque a questão começa a ser deontológica...
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Lamento que um jornalista como João Querido Manha enverede por este tipo de jornalismo.
Nuno Gomes não merecia este tipo de 'defesa' e, penso eu, os leitores do Correio da Manhã deveriam merecer um pouco mais de respeito por parte deste jornalista. Mereciam que, pelo menos, não os tomassem como lorpas. Em suma, quem escreve um artigo como aquele enferma de uma grande falha: parte do princípio de que os seus leitores não passam de turbamulta.
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