VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018

Tranquila

O inferno de Istambul foi ultrapassado com maior facilidade do que antevia e está feito metade do caminho de acesso à Champions League. Não foi um bom jogo, mas foi bem jogado pelo Benfica na medida em que fizemos exactamente aquilo que se exigia para passar a eliminatória: não nos remetemos exclusivamente à defesa da magra vantagem trazida de Lisboa, marcámos o importante golo fora, e depois foi possível fazer a gestão da eliminatória com muito mais tranquilidade. Não foi propriamente um passeio a Istambul (até porque o jogo foi bastante intenso em termos físicos) mas foi uma visita bem mais tranquila do que se esperaria.

 

 

Uma única alteração no onze, com a troca do Ferreyra pelo Castillo na frente de ataque. Se alguém esperava uma galopada irresistível dos turcos desde o minuto inicial à procura do golo que empataria a eliminatória, ficou desiludido. O Fenerbahce mostrou pouco mais do que aquilo que já tinha mostrado na Luz. Uma equipa pouco agressiva na procura da bola, com receio de arriscar muito no ataque e fraca reacção à perda da bola. Cedo se percebeu que o Benfica tinha tudo para carimbar a passagem, pois conseguiu assentar o seu jogo com relativa facilidade, mostrou-se uma equipa tranquila e a conseguir ter mais a bola em seu poder do que a equipa que tinha a obrigação de mandar no jogo. E também cedo se percebeu que o Benfica tinha tudo para chegar ao golo, porque devido à má reacção à perda da bola, quando conseguíamos acertar na transição para o ataque chegávamos à área adversária com alguma facilidade. Onde falhávamos mais era na altura de definição da jogada, sobretudo com o Cervi a mostrar-se absolutamente desastrado e o Gedson ainda a errar muito no último passe. Mas o nosso golo era muito mais provável do que o dos turcos, e aos vinte e seis minutos surgiu com naturalidade, numa tabela entre o Gedson e o Castillo, com o primeiro a conseguir desviar a bola na cara do guarda-redes. Apesar disto não ser uma ciência exacta, por aquilo que se via o apuramento do Benfica era agora quase uma certeza, até porque a reacção do Fenerbahce ao nosso golo foi inexistente. Um segundo golo nosso parecia aliás ser bastante mais provável (o Ferreyra, que tinha entrado para o lugar do lesionado Castillo, ficou pertíssimo de o fazer) mas bastou um relaxamento defensivo mesmo a fechar a primeira parte para que os turcos empatassem e ganhassem um ânimo que até então nunca tinham mostrado possuir.

 

 

Era expectável então um regresso forte do Fenerbahce para a segunda parte, à procura de um golo madrugador que deixasse a eliminatória em aberto. Foi isso mesmo que eles tentaram fazer, e pela primeira vez em todo o jogo (aliás, em toda a eliminatória mesmo) vimos o Fenerbahce assumir o controlo do jogo e instalar-se de forma mais convicta dentro do nosso meio campo. Apesar da maior dificuldade em controlarmos o jogo e da bola rondar mais frequentemente a nossa baliza, ainda assim não fomos propriamente sujeitos a um sufoco. Mas o perigo de um segundo golo turco surgir, que certamente colocaria o estádio e o jogo em ebulição, era real. Após um primeiro quarto de hora mais intenso a pressão dos turcos começou a perder fulgor, e pouco depois eles fizeram uma alteração táctica de muito maior risco, em que passaram a jogar com dois pontas-de-lança, e isto revitalizou-os. O Vlachodimos ainda foi obrigado a uma defesa de maior dificuldade, mas a resposta do Benfica veio minutos depois, com a entrada do Alfa para o lugar do Salvio. Com isto o Benfica inverteu o triângulo do meio campo, passando a jogar com dois médios mais recuados (o Pizzi foi fechar a direita) e o Fenerbahce morreu para o jogo. A partir deste momento nunca mais o nosso adversário conseguiu criar qualquer tipo de incómodo, e o jogo voltou a ter o perfil que tínhamos visto na primeira parte. Pensei até que iríamos conseguir ganhar o jogo nos minutos finais, mas infelizmente isso acabou por não acontecer - o André Almeida ainda teve uma oportunidade soberana para marcar no último lance do encontro, mas a bola passou ligeiramente ao lado do poste quando o guarda-redes já estava batido.

 

 

O homem do jogo e melhor em campo foi o Gedson. Tem ainda muito para melhorar na definição das jogadas - falhou passes que a acertar teriam resultado em ocasiões soberanas de golo, ou noutras ocasiões optou pelo passe para o colega errado quando tinha outro (em particular o Ferreyra) em muito melhor posição. Mas marcou o golo decisivo e encheu o campo, destacando-se sobretudo nas transições para o ataque. De resto, o Castillo estava a fazer um jogo agradável até ser substituído, o Fejsa fez o seu trabalho com a eficiência do costume, e os nossos centrais estiveram praticamente intransponíveis.

 

Segue-se o PAOK como o adversário a ultrapassar para chegarmos à Champions. Não é uma competição pela qual eu nutra particular interesse, mas os prémios monetários envolvidos fazem com que seja fundamental garantirmos a nossa presença. Acima de tudo não podemos menosprezar os gregos. São uma equipa complicada, com um ambiente em casa semelhante ao que vemos nos estádios turcos. Graças à especial atenção que nos foi concedida pela Liga, teremos a simpatia de disputar os dois jogos da eliminatória com uma recepção à lagartagem pelo meio (fantástico como dois sorteios conseguiram resultar exactamente no mesmo). Infelizmente parece que ao contrário do ano passado, em que a presença da lagartagem na Champions era de especial importância para o futebol nacional e por isso inventaram-se não sei quantas condicionantes para as primeiras jornadas, este ano a presença do Benfica já não importa tanto assim e por isso pela primeira vez em vários anos tivemos um sorteio sem quaisquer condicionantes. É a Liga que temos (claramente ao serviço do Benfica).

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publicado por D`Arcy às 00:35
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5 comentários:
De Antonio Campos a 16 de Agosto de 2018 às 11:25
Totalmente de acordo sobre o desenrolar do jogo, temos de melhor rapidamente o ultimo passe, pois se o fizermos seremos uma equipa muito mais forte. Não gostei da substituição não concretizada aos 90 minutos, penso que Zivko deveria ter entrada muito antes para o lugar do Pizzi ou Gedson. Rodar jogadores parece-me importante face ao que aí vem e também para não pagarmos a factura lá mais para a frente. Zivko, Rafa, sobretudo estes têm que ter mais jogo.
De Anónimo a 16 de Agosto de 2018 às 11:35
Grande regresso D'Arcy,

Mais uma cronica brilhante a analisar o jogo e no final a colocar o dedo na "ferida" do nosso sorteio interno.

Cumprimentos
De Dias Pereira a 17 de Agosto de 2018 às 03:30
Boa noite.
Terminei o comentário que aqui deixei após o Benfica-Guimarães com um Post Scriptum em que escrevi: "Oxalá que na Turquia não aconteçam desgraças muito grandes...".
Felizmente, as desgraças foram de uma dimensão tal que ainda nos permitiu ultrapassar a eliminatória, o que, sendo o mais importante, não é tudo.
Como a crónica do D'Arcy muito bem retrata, o jogo foi pobrezinho, com uma acção ofensiva sempre muito encolhida, feita muito mais à custa de fogachos individuais do que em resultado de uma dinâmica colectiva da equipa, com um último passe quase sempre inconsequente e uma finalização deplorável, que envergonharam, certamente, a nação benfiquista. É que, ver o modo como, em especial na parte final da 2.ª parte, a nossa defesa resolvia, com sofreguidão e despropósito, os ataques turcos, com pontapé para a frente - onde já não tínhamos ninguém!... - ou como "aproveitámos" - por mais de uma vez, lances de bola parada junto à área adversária, com um passe para o lado e, de seguida, uma série de passes sempre na direcção do nosso guarda-redes, envergonha, realmente, qualquer um. Pelo menos a mim envergonha-me!
A verdade é que o jogo, mau grado a passagem ao play-off da CL - onde teremos que jogar muito mais para ultrapassarmos o modesto PAOK de Salónica... - foi muito mauzinho. E faz-me muita confusão como é que há tantos a quererem tapar o sol com a peneira, anunciando exibições fantásticas e grandes atitudes, individuais e colectivas, depois de jogarmos o que (não!) temos jogado. Um dia a casa cai, e lá voltaremos, então, a acordar para a realidade.
Para mim, de bom só mesmo o resultado, mais a exibição - e o golo... - do Gedson. Tudo o resto foi miserável demais...
Uma última nota para referir que, uma vez mais, sofremos um golo que não é possível sofrer em alta competição. Grimaldo, mesmo sendo um minorca, não pode, repito não pode, deixar um adversário - que até nem é especialmente alto... - cabecear com aquele à-vontade perto do limite da nossa pequena área. São os tais relaxamentos - a que eu chamo laxismo e inaceitável sobranceria!... - que têm sido "mais que muitos", sem que se perceba qualquer evidência no sentido da sua correcção.
(Atenção, porque, eu falo da [não] intervenção de Grimaldo, mas parece-me que Odysseas também é um pouco mal batido. Os ditos relaxamentos são contagiosos?...).
Em face do que é o momento actual do nosso futebol, e atendendo aos sinais que têm sido reiteradamente emitidos, agravados com o que me parece ser a comprovada incapacidade do nosso treinador para pôr a equipa a jogar futebol, não antevejo nada de bom para esta época. E nem com sorteios mais simpáticos iríamos a algum lado...
Enfim... resta-me acreditar que, ao contrário do que indiciam todos os sinais repetidamente percebidos, a equipa apareça, de um dia para o outro, a jogar um futebol decente, consistente e inequivocamente vencedor, para podermos, então, voltar a ser Benfica. Até lá, continuaremos com o credo na boca e o coração em sobressalto, qualquer que seja o adversário: de um Tondela de vão de escada a um Boavista de futebol pobre e feio, passando por um qualquer Moreirense empertigado...
Viva o Benfica!
Saudações benfiquistas!
De E Pluribus Unum a 17 de Agosto de 2018 às 22:30
Caro Dias Pereira, tenho-o como um grandíssimo BENFIQUISTA, e sabedor do que é o FUTEBOL PROFISSIONAL A SÉRIO E DO MAIS ALTO NÍVEL. Só por isso e desde já , os meus SINCEROS PARABÉNS.
Nós BENFICA, precisamos de muitos, muitos, muitíssimos mais DIAS PEREIRAS a apoiar e a viver o nosso Glorioso e Inigualável Clube, que é o Maior e o Melhor de Portugal........ em TUDOOOOOOOOOO.

Relativamente a este jogo efectuado na Turquia, concordo em 95% com a sua análise.
A discordância dos 5% deve-se ao facto de eu achar que o nosso guarda-redes Odissyas Vlachodimos esteve muito bem no jogo, e que foi o melhor jogador da nossa equipa logo a seguir ao ENORME Gedson Fernandes.
Na minha modesta opinião - que no entanto vale tanto como qualquer outra de um Benfiquista como eu -, Odisseyas Vlachodimos não tem hipótese de evitar aquele golo pois o cabeceamento é muito bem executado para uma zona onde ele não poderia chegar, a não ser que tivesse dons de adivinho e estivesse no local à espera da bola antes de ela ser cabeceada.

Claro que o golo é MUITO CONSENTIDO, aliás como é costume nesta nossa equipa que tudo facilita aos adversários - veja-se como exemplo os recentes golos sofridos na nossa Catedral contra o Vit. Guimarães -, e tal não pode acontecer se o Benfica quiser ser mesmo o GRANDE BENFICA e não apenas mais uma equipa vulgar das muitas que existem na prova europeia apenas para fazerem número.

Infelizmente eu até adivinhei a marcação daquele golo do Fenerbaçhe, pois nos minutos anteriores ao mesmo, estava eu a comentar com os meus amigos Benfiquistas que comigo viam o jogo, dizendo-lhes eu que " O Benfica está a fazer tudo para que o Fenerbaçhe marque o seu golo". Meu dito meu feito. INFELIZMENTE.

Estamos sempre com o coração nas mãos nos jogos do nosso BENFICA que, com este treinador parece que se sente muito feliz em dizer que foi a SUPERAÇÃO da equipa que fez com se se eliminasse o Fenerbaçhe!!!!

SUPERAÇÃO para eliminar o Fenerbaçhe?!?!?!
É o que faz termos um treinador com mentalidade do Vilafranquense ou do Fátima ou Paços de Ferreira, etc,etc,etc,.....

Ainda quanto ao golo que sofremos, na minha opinião a maior culpa é do lateral direito que facilitou tudo ao adversário para que ele cruzazze a bola para a entrada da pequena área com TODAS AS FACILIDADES DO MUNDO, limitando-se a ver e a "tirar fotografias" ao jogador turco para ver como ele centrava as bolas. UMA VERGONHA.
Falta RAÇA. MUITA RAÇA. FALTA QUERER E FALTA AMBIÇÃO.

Com estes dirigentezinhos que temos e com a sua PEQUENÉRRIMA mentalidade, sonhar com um BENFICA GIGANTE E VERDADEIRAMENTE EUROPEU, é como um trabalhador que não consegue mais do que o ordenado mínimo sonahr em ter um Mercedes Classe E.
FICA-SE PELO SONHO sem nunca atingir a realidade.

Um abraço carregado de BENFIQUISMO, e que os seus alertas nos excelentes comentários que escreve sirvam para que alguém da Estrutura do nosso Benfica os faça chegar a Presidente e treinadores a ver se de uma vez por todas saímos da PACHORRICE ENDÉMICA que tomou conta do nosso querido Clube e passamos a ser de facto um dos grandes, mas mesmo dos grandes Clubes e equipas da Europa.

BENFICA BENFICA BENFICAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA SEMRPEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE O MAIOIR E O MELHORRRRRRRRRRRRR.

P.S. " A HISTÓRIA E A GRANDEZA DO BENFICA EXIGE-NOS GANHAR SEMPRE".
Renato Paiva dixit.
De Dias Pereira a 21 de Agosto de 2018 às 01:55
Caro E Pluribus Unum,
Agradeço, e retribuo, o simpáticos cumprimento e as referências que fez.
Concordo que, realmente, no golo do Fenerbahce, o nosso guarda-redes não terá tido grandes possibilidades de o evitar. Porém, há uma fracção de segundo de atraso na sua resposta ao cabeceamento do atacante turco, que nos foi completamente fatal. A culpa foi, mesmo, do Grimaldo, que facilitou de maneira inaceitável e, em consequência disso, sofremos um golo que nos poderia ter custado muito caro. A rever, imperiosamente!
Viva o Benfica!
Saudações benfiquistas!

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