O inferno de Istambul foi ultrapassado com maior facilidade do que antevia e está feito metade do caminho de acesso à Champions League. Não foi um bom jogo, mas foi bem jogado pelo Benfica na medida em que fizemos exactamente aquilo que se exigia para passar a eliminatória: não nos remetemos exclusivamente à defesa da magra vantagem trazida de Lisboa, marcámos o importante golo fora, e depois foi possível fazer a gestão da eliminatória com muito mais tranquilidade. Não foi propriamente um passeio a Istambul (até porque o jogo foi bastante intenso em termos físicos) mas foi uma visita bem mais tranquila do que se esperaria.
Uma única alteração no onze, com a troca do Ferreyra pelo Castillo na frente de ataque. Se alguém esperava uma galopada irresistível dos turcos desde o minuto inicial à procura do golo que empataria a eliminatória, ficou desiludido. O Fenerbahce mostrou pouco mais do que aquilo que já tinha mostrado na Luz. Uma equipa pouco agressiva na procura da bola, com receio de arriscar muito no ataque e fraca reacção à perda da bola. Cedo se percebeu que o Benfica tinha tudo para carimbar a passagem, pois conseguiu assentar o seu jogo com relativa facilidade, mostrou-se uma equipa tranquila e a conseguir ter mais a bola em seu poder do que a equipa que tinha a obrigação de mandar no jogo. E também cedo se percebeu que o Benfica tinha tudo para chegar ao golo, porque devido à má reacção à perda da bola, quando conseguíamos acertar na transição para o ataque chegávamos à área adversária com alguma facilidade. Onde falhávamos mais era na altura de definição da jogada, sobretudo com o Cervi a mostrar-se absolutamente desastrado e o Gedson ainda a errar muito no último passe. Mas o nosso golo era muito mais provável do que o dos turcos, e aos vinte e seis minutos surgiu com naturalidade, numa tabela entre o Gedson e o Castillo, com o primeiro a conseguir desviar a bola na cara do guarda-redes. Apesar disto não ser uma ciência exacta, por aquilo que se via o apuramento do Benfica era agora quase uma certeza, até porque a reacção do Fenerbahce ao nosso golo foi inexistente. Um segundo golo nosso parecia aliás ser bastante mais provável (o Ferreyra, que tinha entrado para o lugar do lesionado Castillo, ficou pertíssimo de o fazer) mas bastou um relaxamento defensivo mesmo a fechar a primeira parte para que os turcos empatassem e ganhassem um ânimo que até então nunca tinham mostrado possuir.
Era expectável então um regresso forte do Fenerbahce para a segunda parte, à procura de um golo madrugador que deixasse a eliminatória em aberto. Foi isso mesmo que eles tentaram fazer, e pela primeira vez em todo o jogo (aliás, em toda a eliminatória mesmo) vimos o Fenerbahce assumir o controlo do jogo e instalar-se de forma mais convicta dentro do nosso meio campo. Apesar da maior dificuldade em controlarmos o jogo e da bola rondar mais frequentemente a nossa baliza, ainda assim não fomos propriamente sujeitos a um sufoco. Mas o perigo de um segundo golo turco surgir, que certamente colocaria o estádio e o jogo em ebulição, era real. Após um primeiro quarto de hora mais intenso a pressão dos turcos começou a perder fulgor, e pouco depois eles fizeram uma alteração táctica de muito maior risco, em que passaram a jogar com dois pontas-de-lança, e isto revitalizou-os. O Vlachodimos ainda foi obrigado a uma defesa de maior dificuldade, mas a resposta do Benfica veio minutos depois, com a entrada do Alfa para o lugar do Salvio. Com isto o Benfica inverteu o triângulo do meio campo, passando a jogar com dois médios mais recuados (o Pizzi foi fechar a direita) e o Fenerbahce morreu para o jogo. A partir deste momento nunca mais o nosso adversário conseguiu criar qualquer tipo de incómodo, e o jogo voltou a ter o perfil que tínhamos visto na primeira parte. Pensei até que iríamos conseguir ganhar o jogo nos minutos finais, mas infelizmente isso acabou por não acontecer - o André Almeida ainda teve uma oportunidade soberana para marcar no último lance do encontro, mas a bola passou ligeiramente ao lado do poste quando o guarda-redes já estava batido.
O homem do jogo e melhor em campo foi o Gedson. Tem ainda muito para melhorar na definição das jogadas - falhou passes que a acertar teriam resultado em ocasiões soberanas de golo, ou noutras ocasiões optou pelo passe para o colega errado quando tinha outro (em particular o Ferreyra) em muito melhor posição. Mas marcou o golo decisivo e encheu o campo, destacando-se sobretudo nas transições para o ataque. De resto, o Castillo estava a fazer um jogo agradável até ser substituído, o Fejsa fez o seu trabalho com a eficiência do costume, e os nossos centrais estiveram praticamente intransponíveis.
Segue-se o PAOK como o adversário a ultrapassar para chegarmos à Champions. Não é uma competição pela qual eu nutra particular interesse, mas os prémios monetários envolvidos fazem com que seja fundamental garantirmos a nossa presença. Acima de tudo não podemos menosprezar os gregos. São uma equipa complicada, com um ambiente em casa semelhante ao que vemos nos estádios turcos. Graças à especial atenção que nos foi concedida pela Liga, teremos a simpatia de disputar os dois jogos da eliminatória com uma recepção à lagartagem pelo meio (fantástico como dois sorteios conseguiram resultar exactamente no mesmo). Infelizmente parece que ao contrário do ano passado, em que a presença da lagartagem na Champions era de especial importância para o futebol nacional e por isso inventaram-se não sei quantas condicionantes para as primeiras jornadas, este ano a presença do Benfica já não importa tanto assim e por isso pela primeira vez em vários anos tivemos um sorteio sem quaisquer condicionantes. É a Liga que temos (claramente ao serviço do Benfica).
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