Uma vitória folgada a fechar o ano que, para quem não tiver visto o jogo, pode ser um pouco enganadora porque não reflecte as dificuldades que o Benfica passou durante a segunda parte - que acabaram por ser algo inesperadas, dada a primeira parte tranquila. Num jogo que fica marcado por ser o número trezentos do Rafa com a nossa camisola, acabou por ser ele o factor mais decisivo para dele sairmos com os três pontos.

Tínhamos várias ausências para este jogo. Para além dos três jogadores com lesões prolongadas havia ainda a indisponibilidade dos argentinos Otamendi e Di María, e do recém lesionado Tengstedt. Se a escolha do Tomás Araújo no centro da defesa era esperada, as escolhas do Cabral e do Tiago Gouveia já foram um pouco surpreendentes, porque esperaria que as opções fossem o Gonçalo Guedes e o Musa. Contas feitas, cinco jogadores formados no Benfica no onze inicial. A primeira parte mostrou a natural e esperada superioridade do Benfica, perante um Famalicão a jogar de forma aberta e sem excessivas cautelas defensivas. Infelizmente, logo aos cinco minutos vimos um sinal preocupante que nos podia fazer temer mais uma noite de desperdício: o Morato subiu pela esquerda e, com bastante critério, passou-a para o Rafa, que estava em posição privilegiada na área. Só que o Rafa nem sequer conseguiu acertar na baliza e atirou a bola para fora. Acho que o Benfica nunca massacrou propriamente o Famalicão, mas esteve sempre claramente por cima durante a primeira parte e jogou um futebol agradável - uma coisa que me parece evidente neste momento é que os nossos jogadores parecem estar a jogar com mais confiança, quando comparamos com a fase inicial da época. O golo acabou por surgir à meia hora de jogo, nascendo num momento de inspiração individual do João Neves. Junto à linha lateral direita, com uma simulação fantástica libertou-se do marcador directo e depois fez um excelente passe em profundidade a solicitar a corrida do Rafa. Este entrou na área pelo lado direito e fez o passe rasteiro para a zona frontal da baliza, onde o Cabral se antecipou à defesa do Famalicão para fazer o golo. Uma jogada bonita de equipa pela sua simplicidade e eficácia. Logo no minuto seguinte o Cabral teve uma boa iniciativa individual e quase podia ter marcado num remate cruzado, mas o guarda-redes do Famalicão antecipou bem o remate. O golo fez o resultado da primeira parte, talvez um pouco curto, na qual o Famalicão praticamente não existiu no ataque.

Não foi preciso muito tempo para percebermos que a segunda parte tinha tudo para ser diferente. Logo nos minutos iniciais o Famalicão fez dois remates e conseguiu aparecer mais no ataque do que em toda a primeira parte. Com mais agressividade, começaram a ganhar superioridade no meio campo e a equilibrar a posse de bola, com o jogo a desenrolar-se muito mais dentro do nosso meio campo. Dentro do primeiro quarto de hora, por duas vezes vimos jogadores do Famalicão a aparecerem isolados frente ao Trubin (ainda que num deles houvesse posição irregular) com o nosso guarda-redes a responder de forma positiva em ambos. A resposta do Benfica foi dada num remate do João Neves na sequência de um canto, com uma defesa apertada do guarda-redes e depois ninguém a conseguir chegar à recarga, e depois num livre lateral do Kokçu que desviou na barreira e obrigou o guarda-redes a estar atento. Tivemos outra boa ocasião nos pés do Artur, mas ele acabou por acertar no ombro do guarda-redes - achei que deveria ter tentado finalizar imediatamente, pois ao dar um primeiro toque para controlar a bola perdeu algum tempo e permitiu que um defesa lhe apertasse o ângulo de remate. Nesta altura o perigo que o Benfica criava era quase sempre em transição rápida, sobretudo quando conseguíamos fazer a bola chegar aos pés do Rafa, porque era o Famalicão quem controlava mais a bola e jogava na nossa metade. O Trubin foi obrigado uma nova boa intervenção, depois de mais uma vez termos deixado que um adversário surgisse pela zona central com demasiado espaço - esta noite a nossa dupla de centrais cometeu alguns erros de posicionamento, em que quer um, quer outro foram apanhados fora de posição, demasiado adiantados em campo e a deixar o colega sozinho contra dois adversários. A vinte minutos do final o nosso treinador terá decidido que o prolongar da situação vigente provavelmente acabaria mal para nós, e de uma só vez fez três alterações: Florentino, Guedes e Musa nos lugares do Kokçu, Tiago Gouveia e Cabral. Pouco depois, nova alteração, desta vez forçada, que nos obrigou a mexer na defesa toda. O Aursnes não ficou em bom estado depois de levar uma pancada no joelho, o que obrigou à entrada do Jurásek e com isso à passagem do Morato para o centro e do Tomás Araújo para a direita. O Benfica melhorou com as alterações, porque os três que saíram inicialmente já tinham perdido bastante gás naquela altura, e acabou por resolver o jogo a cinco minutos do final, numa jogada em que dois dos jogadores que entraram intervieram. Depois de, na área, receber a bola vinda do Guedes na esquerda, o Musa amorteceu-a para a zona frontal onde o Rafa desta vez finalizou da melhor forma, com um remate forte e em arco. Cinco minutos depois o Rafa devolveu o favor e assistiu o Musa, que se isolou pela esquerda e finalizou bem frente ao guarda-redes. E até poderia ter voltado a marcar já no período de descontos, quando lançado pelo Rafa correu com espaço em direcção à baliza, mas rematou ao lado. Nota ainda para a estreia do Gustavo Marques (é jogador da nossa equipa B mas não é formado no clube, está emprestado pelo Atlético Mineiro) nos minutos finais, que acabou por ter que render o Tomás Araújo aparentemente por dificuldades físicas deste. Só para não estranhar, sendo central estreou-se pelo Benfica como lateral direito.

No seu tricentésimo jogo pelo Benfica, o Rafa merece a distinção de melhor em campo. Um golo e duas assistências mais do que justificam a escolha. Como habitualmente, foi quase sempre o principal dinamizador do nosso ataque com as suas arrancadas e ataque ao espaço. No final deixou palavras que já soam a despedida. Goste-se ou não dele, é um jogador marcante na história mais recente do nosso clube, e não é qualquer um que chega aos trezentos jogos pelo Benfica. Outro destaque, o João Neves, naturalmente. Acho que já não há muito mais que se possa dizer sobre ele. A entrega que mostra do primeiro ao último minuto de cada jogo, conseguindo aliar o empenho na recuperação da bola à arte no apoio ao ataque são um dos factores mais importantes no jogo actual do Benfica. Finalmente, o Trubin. Defendeu tudo o que lhe apareceu pela frente. Não teve trabalho constante e intenso, mas todas as intervenções que teve foram decisivas. Não interessa se os adversários estavam em posição irregular ou não, por via das dúvidas defendeu e não deu sequer a possibilidade de ir ao VAR e de lá sair alguma linha torta.
Foi uma boa maneira de terminar o ano, e nesta altura tenho que concordar com o Roger Schmidt quando afirma que estamos na melhor fase da época. Nem é que eu ache que a qualidade de jogo seja empolgante, mas nota-se claramente uma diferença na confiança dos jogadores em campo. Que possamos continuar nesta trajectória ascendente no próximo ano, porque ainda temos tudo para fazer desta época uma época de sucesso.
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