VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sábado, 12 de Janeiro de 2019

Segunda

Previa-se uma deslocação complicada do Benfica aos Açores, mas acabámos por conseguir uma vitória relativamente fácil. Tão fácil, aliás, que no final até ficou uma ligeira sensação de decepção por não termos conseguido um resultado bem mais dilatado, tantas foram as ocasiões flagrantes desperdiçadas.

 

 

O onze apresentado teve algumas mudanças, com a surpresa maior na titularidade do Gabriel no meio campo. Talvez o terreno mais pesado ajude a explicar a opção por um jogador de maior porte físico. Esta opção fez com que o Pizzi se deslocasse para a direita, com o Zivkovic a ocupar o flanco esquerdo. Significou isto portanto que em relação ao jogo com o Rio Ave saíram do onze os dois extremos, Cervi e Salvio. O Benfica mostrou logo ao que vinha desde o apito inicial, com o Seferovic a desperdiçar uma grande ocasião de golo logo nos primeiros instantes. O relvado não dava para exibir grandes portentos técnicos, mas o Benfica foi sempre muito agressivo na pressão, o que lhe valia diversas recuperações de bola ainda dentro do meio campo adversário que depois resultavam em jogadas de perigo. O Santa Clara apenas chegava esporadicamente à nossa área, e o golo que se ia adivinhando para o nosso lado surgiu aos vinte minutos de jogo. E até foi numa jogada aparentemente inofensiva, em que uma bola foi despejada para as costas da defesa açoriana. A situação parecia controlada pelos centrais, mas o Seferovic não desistiu e acabou por aproveitar a escorregadela do Fábio Cardoso para se isolar e com um remate rasteiro colocado ao poste mais distante bater o guarda-redes com facilidade. Continuámos depois por cima no jogo e à procura de um segundo golo, que por momentos pareceu que poderia chegar perto do intervalo, quando o árbitro assinalou um penálti por puxão ao Pizzi quando ele entrava na área. Depois de consulta ao VAR a decisão foi revertida para livre ainda fora dela, mas assim sendo o Fábio Cardoso foi expulso - o Pizzi ia isolar-se, mas qundo foi assinalado penálti ele viu apenas o amarelo para evitar a tripla penalização.

 

 

Na segunda parte nem deu para ficar muito tempo preocupado por não chegarmos ao segundo golo, porque bastaram três minutos para isso acontecer. Na sequência de um pontapé de canto marcado pelo Pizzi (que nasceu após mais uma recuperação de bola muito perto da área adversária) o Jardel cabeceou quase sem oposição para o fundo da baliza. A partir daqui, se deixou de haver preocupação, começou a crescer uma certa irritação. Isto porque nos minutos que se seguiram ao segundo golo o Santa Clara pareceu completamente desnorteado e o Benfica conseguia criar perigo quase em cada jogada de ataque. Mas ou por excesso de confiança, em que os nossos jogadores tentavam adornar demasiado as jogadas com mais um passe, como se quisessem entrar com a bola pela baliza dentro, ou por falta de pontaria, ou por inspiração do guarda-redes, ou até mesmo por infelicidade, o certo é que a bola teimava em não entrar. O acumular de situações de golo desperdiçadas foi suficiente para me enervar mesmo estando com dois golos de vantagem, com situações caricatas como o Seferovic a rematar contra o Pizzi quando tinha tudo para marcar. A única situação na qual conseguimos introduzir a bola na baliza acabou (bem) anulada por fora-de jogo do Seferovic. A irritação tornou-se maior quando nos últimos vinte minutos a equipa pareceu ter uma quebra física. Deixámos de conseguir pressionar ainda no meio campo adversário e os jogadores mais adiantados do Santa Clara começaram a ter espaço e tempo para progredir com a bola e fazerem alguns contra-ataques perigosos - aqui fiquei com a sensação de que o nosso treinador demorou tempo excessivo a reagir e a refrescar o meio campo. E apesar do Benfica ser claramente amelhor equipa no jogo, sabemos perfeitamente que se o adversário por acaso reduzisse a diferença no marcador, mesmo reduzido a dez, ganharia nova alma e poderia colocar a nossa vitória em risco, algo que felizmente não aconteceu.

 

 

A equipa no geral esteve bem, com destaques para o Pizzi, o Grimaldo, o Zivkovic enquanto teve pulmão, o Fejsa e o Seferovic. Este último poderia ter acabado o jogo, à vontade, com um hat trick, tantas foram as ocasiões de golo de que dispôs. Pelo menos marcou o golo que abriu o caminho à vitória.

 

Segunda vitória noutros tantos jogos para o nosso treinador interino. Para já a principal diferença tem sido o volume de jogo ofensivo e a consequente quantidade de ocasiões de golo que conseguimos criar. A defesa ainda tem que melhorar, mas hoje gostei da equipa enquanto foi capaz de pressionar e apertar o adversário no seu próprio meio campo. Aquela quebra nos últimos minutos é que seria dispensável. Segue-se um importante e difícil jogo em Guimarães, onde estará em jogo a passagem às meias-finais da Taça. Veremos o que esta equipa será capaz de fazer contra um adversário mais complicado - ainda com o Rui Vitória ao leme até foi contra os adversários mais fortes que tivemos as exibições mais conseguidas.

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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2019

Cambalhota

Com uma valente cambalhota no resultado o Benfica regressou às vitórias e ultrapassou um Rio Ave que, apesar de não vencer há vários jogos, durante alguns minutos chegou a assustar e a fazer pensar que hoje poderiam colocar um fim a esse série negra às nossas custas.

 

 

Havia curiosidade na estreia do treinador interino Bruno Lage e em quais seriam as suas primeiras escolhas. Estas acabaram por não ser uma mudança radical, fazendo apenas duas alterações em relação ao onze de Portimão: saíram Zivkovic e Gedson, e entraram o Salvio (no que foi uma troca directa) e o João Félix. Este acabou por ser o rosto da principal alteração, que foi a aposta de início num esquema de 4-4-2. Honestamente, não notei assim grandes diferenças em termos da qualidade de jogo - e obviamente que nem seria de esperar muitas, tendo em conta que o novo treinador pegou na equipa há um par de dias. O que se notou principalmente foi uma diferença na atitude dos jogadores. É natural que queiram mostrar serviço ao novo treinador, e pareceu-me que eles pelo menos mostraram vontade em correr e em fazer com que as coisas saíssem bem. Tentaram sobretudo fazer com que a bola chegasse à frente de forma mais célere, apostando até por vezes em futebol directo. E houve a intenção de pressionar alto, mas isso é algo que ainda precisa de ser afinado. Em 4-4-2 com o Fejsa e o Pizzi a jogarem quase lado a lado e ainda sem grande coordenação entre as linhas sobrou ali muito espaço entre as costas da linha média e a frente da defesa que o Rio Ave explorou. E depois infelizmente também não eliminámos ainda o péssimo hábito de deixar o adversário marcar assim que cria uma ocasião de golo. Desta vez o Rio Ave marcou dois golos nas duas primeiras vezes em que se chegou à frente, no curto espaço de três minutos. Assim, com vinte minutos de jogo decorridos já estávamos a perder por dois. Se calhar se não tivesse havido a mudança de treinador isto seria um obstáculo impossível de superar. Mas a equipa (e o público) não pareceram particularmente afectados por isto e toda a gente pareceu acreditar que a vitória estava ao nosso alcance. E a confiança  mostrou ter razão de ser, já que o Benfica respondeu praticamente na mesma moeda, com dois golos no espaço de quatro minutos, e onze minutos depois do segundo golo do Rio Ave já tinha o jogo novamente empatado, graças à nova dupla atacante. No primeiro golo o Félix abre as pernas para deixar o cruzamento do Grimaldo passar, e depois um Seferovic tem uma recepção brilhante que o deixa em posição para finalizar, fazendo a bola passar entre as pernas do guarda-redes. No segundo, o Pizzi recupera uma bola no meio campo e o Seferovic corre com ela pela direita, para já depois de entrar na área a soltar à segunda tentativa para a zona da marca de penálti, onde surgiu o João Félix, que foi o único a antecipar o lance, a controlar e a fuzilar com facilidade a baliza. Depois do ritmo frenético de quatro golos em cerca de meia hora o jogo acalmou um pouco e o resultado manteve-se até ao intervalo.

 

 

A segunda parte começou com um lance individual do Grimaldo, que arrancou pela zona frontal da área e foi deixando adversários pelo caminho até eles somarem quase meia dúzia e se isolar, finalizando com um remate ao poste. Poderia ser um bom indicador, mas a verdade é que apesar daquilo que o resultado final possa fazer pensar, o jogo foi bem mais complicado do que isso. Foi sobretudo um jogo bastante aberto, onde achei que a nossa equipa foi demasiado permissiva na defesa. O Rio Ave poderia facilmente ter-se recolocado em vantagem antes de sermos nós a marcar o terceiro golo, e nunca consegui estar propriamente tranquilo a ver o jogo, porque tinha a sensação de que um golo poderia acontecer a qualquer momento. Era necessário mudar alguma coisa e após um quarto de hora o Zivkovic rendeu o Cervi. E o impacto foi imediato, pois praticamente na primeira intervenção que teve, o pé esquerdo do sérvio fez a sua magia e assistiu o João Félix para o seu segundo golo da noite. O cruzamento saiu rasteiro da esquerda para a zina do primeiro poste, onde apareceu o João Félix entre os dois centrais adversários para, com uma finalização primorosa, fazer de primeira a bola entrar no segundo poste. Um grande golo do miúdo, a colocar-nos em vantagem pela primeira vez no jogo. Estava consumada a reviravolta, mas o jogo estava longe de estar resolvido. O Rio Ave continuava a revelar-se perigoso e a nossa defesa permissiva. O quarto golo surge seis minutos depois, mas na sequência de um lance de ataque de grande perigo do Rio Ave, no qual a bola cruza toda a pequena área sem que alguém consiga fazer o desvio decisivo. A bola segui para a esquerda, onde novo cruzamento foi afastado pelo Odysseas com os punhos para os pés do Zivkovic, e a partir daqui desenhámos um contra-ataque perfeito. Zivkovic para o Pizzi, e na altura certa o Pizzi fez o passe para o Seferovic finalizar com classe perante o guarda-redes. Agora sim, já deu para respirar um pouco pois apesar do Rio Ave ter continuado a tentar chegar ao golo até final, os dois golos já nos davam alguma margem de tranquilidade.

 

 

Melhores do Benfica, naturalmente, a dupla de avançados. O Seferovic fez um dos melhores jogos no Benfica, onde mostrou sempre uma enorme raça e vontade, sendo recompensado com dois  golos e uma assitência. Justa a atribuição do prémio de melhor em campo no final. Foi acompanhado de muito perto pelo miúdo João Félix, que marcou os outros dois golos e se tecnicamente não somou uma assistência, a forma como deixou a bola passar entre as pernas no primeiro golo para abrir espaço para o Seferovic é meio golo. Não é novidade para ninguém o talento que ali temos, mas dá para perceber nos mais pequenos pormenores que podemos estar perante um jogador muito especial. A intuição que tem e a rapidez e inteligência com que lé o jogo não está ao alcance de muitos. E depois tem uma qualidade técnica invulgar, como ficou bem expresso na finalização do segundo golo que marcou. Se há alguém no plantel que pode ser o sucessor do Jonas, é ele.

 

Foi muito importante vencer este jogo, e acabou por ser ainda mais importante tê-lo vencido nestas condições. Ver que a equipa foi capaz de dar a volta a uma desvantagem de dois golos aos vinte minutos de jogo é um reforço de confiança muito grande - a título de comparação, quando no jogo contra o Moreirense o adversário marcou o segundo golo e deu a volta ao resultado, a sensação com que ficámos quase todos foi a de que a derrota seria uma inevitabilidade. Muitos dos grandes problemas da nossa equipa continuam todos lá, mas a atitude mostrada hoje é um bom primeiro passo para os minimizar.

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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2019

Agonia

Mais uma etapa na lenta agonia da nossa equipa. Fizemos noventa minutos que foram a continuidade exacta daquilo que tínhamos feito contra o Aves. Ou seja, praticamente nada. 

 

 

Um jogo paupérrimo, com todos os defeitos que já se tornaram hábitos no nosso futebol, aos quais conseguimos acrescentar ainda mais algumas novidades. Nomeadamente dois autogolos, um de cada um dos centrais, perfeitamente escusados e evitáveis. O primeiro, do Rúben Dias, numa tentativa de interceptar um cruzamento que não levava qualquer perigo e que iria morrer nas mãos do Odysseas. O segundo, do Jardel, de tal forma patético que quase que pareceu que foi de propósito. Depois de uma má tentativa de chapéu ao nosso guarda-redes o Jardel ficou com todo o tempo do mundo para fazer o que quisesse e afastar a bola da forma que muito bem entendesse. Em vez disso, cabeceou a bola para dentro da própria baliza. Não há nada a acrescentar a tudo o que eu já escrevi sobre o que o nosso futebol tem de errado, porque os defeitos mantêm-se e agudizam-se. Já escrevi também antes que não acredito que o nosso treinador tenha capacidade para corrigir estes erros e inverter a actual situação. E como se não bastasse todo o disparate, depois ainda somos presenteados com um vermelho directo ao Jonas por um lance normal de futebol, que quando muito valeria um amarelo. Enfim.

 

Os únicos jogadores que escaparam à mediocridade foram o Odysseas (sem ele o resultado poderia ter sido ainda mais humilhante) e o Fejsa.

 

Conseguimos pela primeira vez na história perder com o Portimonense. E se algo não for feito e continuarmos a assobiar para o ar à espera que miraculosamente tudo entre nos eixos, o mais provável é que continuemos a fazer história com feitos como este.

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Domingo, 30 de Dezembro de 2018

Fogacho

Tinha escrito no final da fantástica exibição contra o Braga que seria fundamental manter o momento positivo já para o próximo jogo, porque se voltássemos a apresentar o nível exibicional dos jogos anteriores tudo teria sido em vão. Infelizmente, regressámos mesmo ao nível dos jogos anteriores, se é que não conseguimos jogar ainda pior. E assim fica no ar a sensação de que a exibição contra o Braga não terá sido mais do que um fogacho.

 

 

Nem podem ser as alterações na equipa a servir de justificação para uma quebra exibicional tão grande, já que elas foram apenas três e uma delas na baliza. Como habitualmente, jogou o Svilar entre os postes, e as outras duas mudanças no onze foram as entradas do Yuri e do Seferovic para os lugares do Grimaldo e do Jonas. Sobre o jogo, o que há a dizer? Entrámos mal nele e o Aves poderia ter marcado logo nos minutos iniciais. Depois ainda conseguimos equilibrar as coisas, sobretudo sendo capazes de ter mais posse de bola, mas sem conseguir causar grande perigo na frente. As poucas coisas boas que o Benfica ainda conseguia criar vinham quase todas dos pés do Zivkovic, mas o sérvio parecia quase sempre completamente desacompanhado pelo resto da equipa. Uma atitude muito pouco competitiva, que resultava na perda de quase todas as bolas divididas e muitos jogadores quase parados ou expectantes, a reagirem apenas quando a bola lhes era passada. De qualquer maneira quando fomos para intervalo até parecia que o pior tinha passado e que mesmo sem brilho acabaria por não ser demasiado complicado manter o empate, que nos garantia o apuramento.

 

 

Mas logo nos primeiros minutos da segunda parte o Aves colocou-se em vantagem. Um lance muito simples mas bastante ilustrativo das facilidades que o Benfica concedeu ao adversário. Uma perda de bola no ataque e o mesmo jogador que recuperou a bola correu praticamente dois terços do campo com ela sem que ninguém o parasse, até fazer o centro tenso para a área. Aí, o Baldé antecipou-se muito facilmente de cabeça ao André Almeida bem junto ao poste, sem possibilidades de defesa. Agora sim, estávamos em apuros e a equipa lá reagiu ao golo, ainda que de forma atabalhoada. O Aves também mudou de atitude (só nos dois minutos a seguir ao golo ficaram três jogadores estendidos no chão) e recuou na defesa de um resultado que lhe era obviamente interessante. E foi já com o Benfica a jogar em 4-4-2, depois do Jonas ter substituído o Cervi, que o Benfica chegou ao empate. Maior mérito para o Zivkovic, que aogra na esquerda conseguiu ganhar dois ressaltos e depois teve a lucidez suficiente para enviar a bola para a zona do segundo poste, onde o Seferovic estava suficientemente sozinho para de forma algo trapalhona ter tempo de tentar controlar a bola para depois a enviar para o fundo da baliza. Benfica novamente em situação vantajosa a vinte minutos do final, mas se o nosso futebol até então já não nos tinha dado motivos para grande satisfação então a partir desse momento foi simplesmente lamentável. O Aves tomou conta do jogo, dispôs de oportunidades para voltar a marcar que só não se concretizaram porque a pontaria deles estava desafinada, e o Benfica praticamente arrastou-se à espera do apito final que carimbaria o apuramento. Uma nota apenas para assinalar o regresso do Salvio à competição, após dois meses de ausência.

 

 

O melhor do Benfica claramente o Zivkovic, acompanhado a espaços pelo Gedson e pelo Fejsa, que foi dos poucos a meter o pé e a conseguir ganhar disputas de bola com os jogadores adversários. Tudo o resto foi demasiado pobre ou de má qualidade.

 

Não soubemos aproveitar o balanço que o jogo contra o Braga nos poderia ter dado e rapidamente voltámos ao nível de exibições de Montalegre. O resultado disto é o reforçar da desconfiança em relação à equipa. E se a exibição da equipa já deu motivos de insatisfação, as declarações do nosso treinador sobre o jogo no final apenas reforçaram essa insatisfação.

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publicado por D`Arcy às 01:07
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Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2018

Redenção

And now for something completely different. Ganhámos bem. Jogámos bem. Dominámos o jogo e não deixámos a menor sombra de dúvida sobre qual era a melhor equipa em campo. E no final destroçámos por completo uma das equipas mais fortes e regulares deste campeonato, podendo afirmar sem dúvidas que o resultado não é melhor do que a exibição; pelo contrário, adequa-se-lhe perfeitamente.

 

 

Entrámos em campo com um onze sem surpresas, que será o mais previsível nesta altura. A defesa habitual, o Gedson a completar o trio do meio campo, e as alas entregues ao Zivkovic e ao Cervi. O Braga entrou na Luz disposto a justificar o estatuto de candidato ao título jogando de peito aberto, num 4-4-2 no qual os alas tentavam compensar a inferioridade numérica no meio. Durante os minutos iniciais até me pareceu que o Benfica não iria conseguir explorar isso, porque o Pizzi aparecia demasiadas vezes muito adiantado, ou encostado à direita, onde se sobrepunha ao Zivkovic e era redundante, ou perto do Jonas. Mas a partir dos dez minutos tudo isso mudou, com o Pizzi a aparecer em zonas mais centrais e recuadas, para pegar no jogo. Mas a principal diferença no nosso jogo esta noite, e que permitiu construir este resultado, residiu na atitude. Uma grande agressividade à perda de bola, com pressão quase constante sobre o adversário, muitas vezes com mais do que um jogador a atacar o portador da bola. E depois, uma vez recuperada, muito maior velocidade na transição, em particular pelo Gedson mas também pelo Cervi, Zivkovic ou Grimaldo. O domínio do Benfica começou a tomar forma, e depois de uma boa jogada colectiva o Jonas apareceu solto ao segundo poste em boa posição, mas falhou a tentativa de rematar de trivela e a bola saiu ao contrário daquilo que se queria. O Braga afastou a bola, e na insistência um passe do Grimaldo encontrou o Pizzi ainda na frente, descaído sobre a esquerda. Veio para o meio, tirou o defesa da frente, e rematou cruzado para o poste mais distante. 

 

 

Um belíssimo golo, a dar início às festividades na Luz, e ao qual se viriam a somar muitos outros golos de belo efeito. Estavam decorridos dezanove minutos de jogo, e nos minutos que se seguiram ao nosso golo o Braga teve o seu melhor período no jogo, deixando a ideia de que estava na discussão do resultado e que o empate poderia surgir. Foram três boas situações as que conseguiu construir: um remate de longe do Fransergio que ainda raspou na barra, um remate à malha lateral por parte do Dyego Sousa depois de um contra-ataque, e uma situação em que o Ricardo Horta apareceu em situação privilegiada para marcar, mas o Vlachodimos fez bem a mancha. Foram quase quinze minutos de equilíbrio, mas o lance do Horta foi o canto de cisne do Braga no jogo, porque a partir daí o Benfica pegou nele e não mais o largou. E aos trinta e nove minutos aumentou a vantagem, num cabeceamento do Jardel após canto marcado pelo Zivkovic na direita do nosso ataque - depois da longa travessia no deserto, dois jogos seguidos a marcar na sequência de pontapés de canto, ambos marcados pelo Zivkovic. Este golo fez lembrar um pouco o frango do Ricardo com o Luisão, que nos deu o título no ano do Trapattoni. O guarda-redes saiu para agarrar a bola e quando estava à espera que ela lhe chegasse às mãos, a cabeça do Jardel chegou primeiro. O segundo golo, mesmo obtido perto do intervalo, não foi sinal para que o Benfica abrandasse, e só não aumentámos para três logo no minuto seguinte porque o guarda-redes bracarense conseguiu fazer bem a mancha aos pés do Jonas, que lhe apareceu isolado à frente depois de um mau corte de um defesa. Até ao apito para intervalo continuámos sempre a procurar com afinco o terceiro golo.

 

 

O regresso para a segunda parte nem sequer foi a continuidade do fecho da primeira, porque a atitude foi ainda mais decidida. Rapidamente recompensada com um golo do Grimaldo, que depois de um grande passe do Cervi entrou na área pela esquerda, aproveitou um mau corte de um defesa, e de pé direito colocou a bola entre o guarda-redes e o poste. O Braga respondeu rapidamente e reduziu três minutos depois pelo Dyego Sousa, que de cabeça concluiu um cruzamento da esquerda - a bola desviou ligeiramente no Zivkovic, o que terá ajudado a que o Rúben tivesse ficado completamente fora do lance. Mas o Benfica pagou na mesma moeda, e também três minutos depois voltou a repor a vantagem com um golo do Jonas, na conclusão de uma belíssima jogada colectiva. Toque de primeira do Cervi a desmarcar o Gedson, corrida deste em direcção à área e quando flectiu para o meio toda a gente, incluindo os jogadores do Braga, anteciparam que iria rematar. Em vez disso, soltou a bola para a esquerda onde o o Cervi, que acompanhou a jogada, recebeu solto e passou a bola para um Jonas completamente à vontade à entrada da pequena área, que apenas teve que encostar para o golo. Foi uma forma eficaz de cortar cerce quaisquer ambições que o golo tivesse dado ao Braga de entrar na discussão do resultado. O jogo era nosso e, para vincar bem isso mesmo, mais dois golos de rajada, aos sessenta e três e sessenta e sete minutos, já com o Seferovic em campo no lugar do Jonas. O primeiro foi numa jogada rápida, simples e eficaz. Lançamento de linha lateral na direita, toque de primeira do Seferovic a desmarcar o Zivkovic e passe atrasado para o interior da área, onde surgiu o Cervi com um remate de primeira a fuzilar a baliza. O segundo, uma prova de que era mesmo uma noite em que tudo corria bem. Canto na esquerda, bola metida no Pizzi, que depois de uma boa incursão individual para ganhar a linha de fundo colocou a bola para o segundo poste. Esta foi afastada para a zona central na entrada da área onde, contra todas as probabilidades, apareceu o André Almeida a rematar meio de pé esquerdo, meio de canela, quase em queda, e a fazer a bola descrever um arco perfeito que a colocou na gaveta. Entrou mesmo junto ao ângulo superior, com o guarda-redes a não poder fazer mais nada senão olhar. O golo foi de certa forma o ponto final no jogo, já que o Benfica deixou de procurar o golo com tanta intensidade e o Braga percebeu que não havia mesmo nada mais a fazer senão lutar pelo brio. Ainda conseguiu reduzir a quinze minutos do final, num remate colocado do João Novais, mas pouco mais digno de realce aconteceu até final.

 

 

Gedson, Pizzi, Cervi, Zivkovic, Grimaldo, todos eles se destacaram numa grande exibição da nossa equipa. De realçar o 'regresso' do Pizzi, depois de ter andado completamente ausente durante várias semanas. Este foi aliás um dos factores que eu julgo mais terem contribuído para tão drástica melhoria exibicional. O Gedson foi importantíssimo quer na pressão, quer nas transiçõpes, o Cervi marcou um golo e fez duas assistências, o Zivkovic é provavelmente o jogador mais inteligente que temos no plantel e o Grimaldo cada vez mais me convence que esta será a última época que o verei jogar com a nossa camisola, já que em breve dará o salto para mais altos voos.

 

Fez mais este jogo pela recuperação da confiança e crença da e na equipa do que os seis anteriores. Esta exibição, resultado e consequente salto de dois lugares na classificação podem muito bem significar a redenção desta equipa. Mas para isso é fundamental que saibamos transportar tudo o que de positivo retirámos do jogo de hoje já para o próximo jogo. Porque se voltarmos a apresentar o nível exibicional dos jogos anteriores, tudo terá sido em vão.

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publicado por D`Arcy às 03:38
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Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2018

Festa

 

Mau tempo, mau relvado, mau futebol, bom resultado. Pelo menos na perspectiva que ganhámos o jogo e passámos aos quartos-de-final da Taça de Portugal. Fez-se a festa da Taça em Montalegre, deram-se minutos aos menos utilizados e o Conti marcou o golo da vitória ainda na primeira parte, depois de um pontapé de canto marcado pelo Zivkovic. Poderíamos ter pelo menos marcado mais um golo, mas o guarda-redes adversário esteve inspirado e no final o Montalegre ficou com a pequena alegria de ter sido derrotado apenas pela margem mínima. O Benfica deveria reflectir o facto do nosso futebol ter estado quase ao nível do de uma equipa do terceiro escalão. As vitórias têm vindo a a somar-se, mas não parecemos ver qualquer efeito motivacional daí resultante, e a bitola exibicional tem-se mantido inalterada.

 

Nada mais a dizer sobre este jogo - não me apetece, e o que jogámos nem sequer tem muito mais a dizer. Espero que no próximo jogo, frente ao Braga, possamos manter a sequência de vitórias. Se voltarmos a jogar mal e o jogo acabar com uma vitória por 1-0, ficarei encantado.

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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018

Pouco

Nem vou perder muito tempo a escrever de um jogo sobre o qual pouco haverá a escrever. Ganhámos pela quinta vez consecutiva e voltámos a não sofrer golos, e é isso que se vai reter sobre o jogo.

 

 

Desta vez houve de facto mudanças no futebol do Benfica, e é justo admiti-lo. O modus operandi do Benfica tem sido fazer primeiras partes horríveis e depois apresentar melhorias nas segundas partes que nos permitem ganhar os jogos. Desta vez enganámos o adversário e depois da tradicional primeira parte horrível, voltámos para a segunda parte decididos a jogar ainda pior. O que foi conseguido com total sucesso. Na primeira parte, apesar do futebol pobre, ainda fomos criando uma ou outra ocasião de maior perigo, quase sempre com intervenção ou do Grimaldo, ou do Zivkovic. Acho que não é exagerado escrever que conseguimos ser melhores do que uma equipa que não vence desde Agosto e que tem o pior ataque do campeonato, pelo que a vantagem ao intervalo era justificada. Vantagem essa que foi conquistada através de um penálti cometido sobre o Jonas (depois de um bom cruzamento de trivela do Cervi) e convertido pelo mesmo. Na segunda parte, pouco mais fizemos do que segurar essa mesma vantagem. Com o Pizzi os noventa minutos em campo a espalhar toda a sua 'magia' - neste momento as exibições dele já passaram de fracas a patéticas, tendo na primeira parte protagonizado duas situação ridículas em que em posição de finalização primeiro falhou o remate, e depois hesitou e nem chegou a rematar - a qualidade do futebol foi sempre a decrescer ao longo do tempo, até terminarmos com uns vinte minutos finais penosos. É certo que o Marítimo foi tão mau que nem sequer conseguiu ameaçar grandemente o empate. Assistimos sobretudo a inúmeros livres despejados (mal) para a área, sem que algum deles chegasse sequer a causar grande perigo. Mas a nossa produção ofensiva foi quase nula e simplesmente parecemos abdicar de atacar ou sequer ter bola, o que é sempre uma receita para as coisas correrem mal. Felizmente não foi o caso e voltamos da Madeira com os três pontos.

 

 

Para mim os menos maus do Benfica foram o Zivkovic (em particular durante a primeira parte, já que na segunda acabou por se afundou também na mediocridade geral da equipa) e o Grimaldo. A titularidade do Pizzi neste momento, mais do que injustificada já começa a parecer-me uma afronta.

 

Desde o descalabro de Munique que tem sido só vitórias (cinco) e todas elas sem sofrer golos. O que não deixa de ser bom. Mas o futebol apresentado continua a deixar a desejar. À excepção da segunda parte contra o Feirense, regra geral continuamos a jogar de forma bastante desinspirada e previsível e não vislumbro particulares melhorias. Ainda bem que estamos a conseguir ganhar mesmo jogando assim, mas parece-me optimista esperar que esta situação se possa manter se continuarmos neste registo exibicional.

 

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publicado por D`Arcy às 17:48
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Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018

Longe

Num jogo em que o que estava em disputa eram os pontos para o ranking, que nos poderiam também dar o estatuto da cabeça de série depois da queda para a Liga Europa, e o prémio monetário pela vitória fizemos o suficiente para justificá-la, mas continuamos ainda longe das prometidas mudanças no nosso futebol.

 

 

Mudanças houve no ataque para este jogo, onde o João Félix e o Seferovic renderam o Zivkovic e o Jonas. Mais atrás, coube ao Alfa Semedo ocupar a posição do Fejsa. Sem grandes surpresas, já que o Jonas e o Fejsa têm treinado condicionados nos últimos dias. Quanto ao futebol, mais uma vez deitámos metade de um jogo fora. O que jogámos na primeira parte foi uma prova cabal do porquê das más prestações europeias nos últimos tempos e do consequente deslizar pela tabela abaixo em termos de ranking. Foi um compêndio do típico futebol sem objectivo concreto aparente que conseguimos tantas vezes jogar. Muita circulação de bola sem ninguém (acho que incluindo os próprios jogadores) conseguir perceber exactamente a que se destina, com quase nenhum remate ou situação de finalização. Por vezes fico com a sensação de que toda aquela circulação de bola tem como objectivo libertar um jogador mais atrasado no terreno para que a bola lhe possa ser passada com segurança. E depois parece que a equipa está obrigada a fazer sempre a bola passar pelos pés do Pizzi. Eu consigo ser dos maiores fãs do Pizzi quando ele está em forma, mas definitivamente isso não me parece o caso. Só em pouco mais de um quarto de hora acho que contei oito cruzamentos feitos para adversários ou zona de ninguém e outros tantos passes sem nexo. Isto inclui cantos e livres, que pelos vistos têm obrigatoriamente que ser marcados por ele, quase sempre da mesma maneira. Pergunto-me qual é a necessidade de ter sempre o Grimaldo perto da bola para simular que vai marcar para depois ser sempre o Pizzi a fazê-lo. Sempre. Toda a gente sabe que é o Pizzi quem vai marcar os livres que são para cruzar. Será que após cinquenta livres marcados da mesma forma, o adversário ainda estará desconfiado e na dúvida se será o Grimaldo a marcá-lo? O resultado deste futebol monótono que chegou mais uma vez a enervar o público nas bancadas foram duas ocasiões mais perigosas: um livre do Grimaldo que passou muito perto, e um remate do Seferovic perto do final da primeira parte, depois de recuperar a bola numa das raras ocasiões em que resolvemos ir incomodar e pressionar os defesas do AEK. De assinalar também que perdemos o Rafa por lesão, tendo dado o seu lugar ao Zivkovic.

 

 

Para a segunda parte pelo menos a atitude voltou logo um pouco diferente. Houve mais velocidade e agressividade, e a equipa tentou jogar de uma forma mais vertical. Muito por culpa do Grimaldo, que já tinha sido dos mais decididos na primeira parte, e também do Gedson, que melhorou bastante de produção. Mesmo sem deslumbrar, pelo menos começámos a rematar bastante mais (acho que chegámos ao intervalo com meia dúzia de remates feitos, e no final do jogo tínhamos bem mais de vinte). Mas o futebol da equipa só melhorou visivelmente a partir da hora de jogo, altura em que o Pizzi cedeu o seu lugar ao Cervi. Este foi encostar-se à esquerda, o João Félix passou para a direita, e o Zivkovic passou a jogar como interior esquerdo. O lado esquerdo ganhou bastante vitalidade e as triangulações e constantes trocas de posição entre o Grimaldo, o Cervi e o Zivkovic começaram a causar problemas ao AEK, que se mantinha firme na disposição de segurar um empate que não lhes tinha qualquer utilidade. Os gregos apenas por uma vez criaram algum perigo, num pontapé de canto em que conseguiram fazer a bola passar perto do poste num cabeceamento (de notar que numa dúzia de cantos, creio que o Benfica não conseguiu transformar sequer um numa ocasião de remate à baliza). O Seferovic entretanto também se fixou um pouco mais no centro do ataque e quando não era ele a finalizar, servia como boa referência para as entradas dos médios. O suíço teve a maior ocasião para inaugurar o marcador, ao cabecear à barra após cruzamento do Zivkovic, e na fase final do jogo foi dos que mais tentaram a finalização. Para os minutos finais o nosso treinador apostou no Castillo para o lugar do João Félix, mas numa fase inicial o chileno foi ocupar exactamente o mesmo lugar, encostando-se à direita e não jogando no meio para formar uma dupla com o Seferovic. O AEK nesta altura apenas tentava arrastar o empate até final e parecia que o iria conseguir, porque o Benfica rematava muito e acertava pouco. Chegámos a ter uma situação em que o guarda-redes grego ficou fora da baliza durante algum tempo e andou por ali perdido, e não conseguimos que nenhum dos nossos jogadores ficasse em situação de rematar, até que finalmente quando o Grimaldo o fez foi na direcção das mãos do guarda-redes, que entretanto tinha conseguido recuperar a posição. O Gedson ficou isolado após tabelar com o Seferovic, mas o guarda-redes grego conseguiu evitar o golo. A justiça no marcador acabou por acontecer a dois minutos do final, num livre directo superiormente marcado pelo Grimaldo, após uma falta de um jogador grego que lhe valeu o segundo amarelo. Logo a seguir, mais infelicidade para o Seferovic, que viu um grande remate à entrada da área levar a bola a bater na barra e depois no poste, antes de ressaltar para fora. O final chegou com o Benfica como justo vencedor, já que mesmo sem deslumbrar fomos de longe a única equipa que tentou ganhar este jogo.

 

 

O melhor do Benfica foi claramente o Grimaldo. Foi sempre dos mais decididos a ir para cima do adversário e a romper com o futebol de passes laterais sem objectivo que praticámos durante a primeira parte. Creio que quando o nosso lateral esquerdo é, durante largos minutos, o nosso jogador mais perigoso no ataque diz muito sobre o tipo de futebol que estávamos a praticar. O Seferovic também esteve bem e merecia um golo, o Gedson subiu bastante na segunda parte e o Zivkovic também esteve bem, em particular quando passou para interior. Por outro lado, continua a preocupar-me que jogadores indiscutíveis no onze como o André Almeida ou o Pizzi estejam em claro sub-rendimento, sem que daí haja qualquer consequência para eles. Por pior que joguem, a titularidade nunca parece estar ameaçada.

 

Está fechada mais uma campanha na Champions que não correu como desejaríamos. Vamos esperar que pelo menos na Liga Europa consigamos fazer melhor e amealhar mais uns pontos para o ranking. As mudanças no futebol jogado até agora não são visíveis, mas pelo menos desde aí ganhámos todos os jogos e não sofremos nenhum golo. Esperemos que a sequência se prolongue no próximo domingo.

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Domingo, 9 de Dezembro de 2018

Arraial

Uma vitória magra que podia ter sido bem mais confortável, mas que foi o que se conseguiu arranjar num jogo em que foi bastante difícil jogar futebol, tamanho foi o arraial de pancadaria com que a equipa do Setúbal nos presenteou.

 

 

Voltámos a apresentar o mesmo onze do jogo contra o Feirense, com o Zivkovic e o Rafa nas alas e o Gedson como terceiro médio. E nem foi preciso um minuto de jogo para percebermos todos ao que o Setúbal vinha. A pancadaria começou logo a seguir ao apito inicial, com jogadores como o Semedo, o Mano ou o Mendy a baterem em tudo o que lhes passava ao alcance, fazendo uso de pés, pitons ou cotovelos. Sempre, claro está, perante a plácida complacência do camarada Xistra, que às vezes fazia-se de mau e para aí à quarta ou quinta falta do mesmo jogador do Setúbal até o avisou que já chegava e que para a próxima até seria capaz de fazer qualquer coisa - não sei se seria mostrar-lhe um amarelo, ou simplesmente fazer cara de mau para ele e ralhar-lhe. O Benfica tentou jogar futebol, mas era difícil fazer um jogo de grande qualidade nestas condições. Felizmente chegámos ao golo ainda relativamente cedo, porque se por acaso o nulo se tivesse prolongado no marcador isto tinha tudo para acabar mal. Foi aos dezassete minutos, numa boa jogada - das melhores que fizemos em todo o jogo. Progressão do Grimaldo pela esquerda, tabela com o Zivkovic, depois a bola seguiu no momento certo para o Gedson na ponta e o cruzamento deste, rasteiro bem para o centro da área, foi finalizado de primeira e com classe pelo Jonas. O mais difícil estava feito, até porque o Setúbal era quase inofensivo no ataque. Para além de pontapear e massacrar os nossos jogadores sobre cada metro quadrado do terreno, pouco mais pareciam saber fazer. Foi pena que não tivéssemos dado o golpe decisivo no jogo ainda na primeira parte, mas o remate de pé direito do Zivkovic à entrada da área foi esbarrar na base do poste.

 

 

Na fase inicial da segunda parte continuámos à procura do golo da tranquilidade. Criámos ocasiões para isso, em jogadas que invariavelmente tinham um toque de classe do Jonas. Só que infelizmente tivemos uma reedição do 'best of' do Rafa do ano passado, e entre a má finalização ou a inspiração do guarda-redes do Setúbal, o segundo golo foi teimando em não aparecer. O Zivkovic até ensaiou o que poderia ser o golo da época, com uma tentativa de chapéu quase da linha do meio campo, mas depressa ficámos a saber que em situações excepcionais (como por exemplo, quando o Benfica apanha a equipa contrária toda em contrapé) é possível assinalar-se posição irregular a um jogador que ainda está dentro do seu próprio meio campo. É um artigo das leis do jogo pouco conhecido do público em geral, mas que dá algum jeito. Depois, naturalmente, aconteceu o cenário habitual nestas situações. Com uma diferença mínima no marcador, à medida que nos aproximávamos do final do jogo até um bando de lenhadores da bola como os jogadores do Setúbal começaram a acreditar que seria possível chegar ao empate, enquanto que o Benfica se começou a encolher na procura de preservar a vantagem. Não que o Setúbal alguma vez tivesse conseguido ser uma equipa dominadora no campo, mas entre muitos pontapés para a frente a bola sempre se ia aproximando da nossa baliza e a qualquer altura um lance fortuito poderia ter consequências desastrosas para nós. E esse lance fortuito até aconteceu mesmo: aos oitenta e nove minutos de jogo o Setúbal teve a sua primeira e única verdadeira ocasião de golo em toda a partida. Cruzamento para a área e falha de marcação dos nossos centrais, que permitiram que um adversário saltasse quase à vontade para cabecear a dois metros da baliza. Felizmente o Odysseas reagiu por instinto (a bola foi-lhe praticamente à figura, mas o adversário estava mesmo em cima dele) e evitou o pior. E tivesse essa bola entrado e estaríamos aqui a desancar mais um péssimo resultado, enquanto se cantavam loas ao jogo 'viril' do Setúbal por essa comunicação social fora. Não foi violento, porque o Vidigal explicou-nos que Setúbal é uma terra de pescadores, homens machos, e sabemos que aqueles jogadores do Setúbal é tudo gente nada e criada ali nas margens do Sado, que mesmo antes de entrar em campo estava ali a arrumar as redes vinda directamente da faina. As regras do jogo são maleáveis e não se podem aplicar contra a natureza das pessoas: uma pantufada de um jogador do Benfica é falta para cartão, uma sarrafada de um setubalense é apenas um macho a dar largas à sua natureza piscatória.

 

 

Melhor em campo, por larga margem, o Jonas. Praticamente tudo o que de bom o Benfica fez no jogo teve um toque seu. A forma como por duas vezes isolou o Rafa com um simples toque na bola é deliciosa, a finalização de pé esquerdo no golo foi maravilhosamente simples e eficaz. O Zivkovic continua a deixar-me a interrogação do porquê de ter sido praticamente ignorado durante o primeiro terço da época.

 

O Setúbal estava apostado em travar-nos de uma maneira ou de outra e estes três pontos foram mesmo muito importantes. Tanto que, mesmo perante um jogo que não foi dos de maior qualidade da nossa parte, não consigo criticar muito a equipa. Era difícil ter nota artística quando o adversário via canela até ao pescoço e os árbitros de serviço estavam conscientes da margem alargada de manobra que se deve dar aos machos pescadores quando eles decidem tentar jogar à bola.

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publicado por D`Arcy às 23:28
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Domingo, 2 de Dezembro de 2018

Panaceia

Uma vitória gorda sobre o Feirense, construída graças a uma segunda parte finalmente mas consentânea com aquilo que nós esperamos da nossa equipa, serviu para já de panaceia para os nossos males.

 

 

Foram-nos anunciadas ou prometidas mudanças, mas em termos de constituição da equipa titular ou mesmo variações tácticas elas foram quase imperceptíveis. Houve três alterações à equipa que tinha caído com estrondo em Munique, mas duas delas foram perfeitamente naturais (regresso do Jardel ao centro da defesa e do Gedson, que já tinha jogado a segunda parte na Alemanha, ao meio campo) e apenas a terceira foi uma pequena novidade: a titularidade do Zivkovic pela primeira vez no campeonato esta época - até agora acumulava apenas 79 minutos distribuídos por cinco jogos, sempre vindo do banco. Actuou na ala e não no meio campo, mas já foi alguma coisa. Se a constituição da equipa e a disposição táctica não acusavam as prometidas mudanças, aquilo a que assistimos drante a primeira parte confirmou isso mesmo. Foram mais quarenta e cinco minutos daquele Benfica que nos tem exasperado esta época, com uma imensa superioridade no que diz respeito à posse de bola e quase nenhuns resultados para mostrar. Não que não se notasse vontade nos jogadores para fazer mais, mas o futebol foi pobre e a escassez de ideias muita. Em termos de ocasiões de perigo e oportunidades de golo, foi quase um deserto, e só num livre directo marcado pelo Pizzi é que fizemos um remate à baliza digno desse nome. Muito pouco perante um Feirense completamente decepcionante. O treinador Nuno Manta Santos é frequentemente elogiado pelo bom futebol que a sua equipa pratica, mas esta noite na Luz não mostrou nada, nem sequer vontade de jogar. Apostou fortemente no antijogo praticamente desde o primeiro minuto, com vários jogadores a deixarem-se ficar no chão frequentemente para parar o jogo e o guarda-redes a queimar tempo em cada reposição de bola. Isto sempre perante a benevolência do árbitro, que perante tudo isto anedoticamente apenas concedeu dois minutos de compensação na primeira parte.

 

 

As mudanças prometida ficaram para a segunda parte. Os extremos Rafa e Zivkovic trocaram de lado, com o primeiro a ir para a esquerda e o segundo para a direita, e o Benfica surgiu a jogar mais agressivo, adiantando a linha de pressão vários metros - o Rafa foi um exemplo visível disso, aproveitando a sua velocidade para começar logo a pressionar as tentativas de saída de bola do Feirense, e com sucesso. Claro que o facto do génio do Jonas ter começado logo após quatro minutos a resolver o problema deverá ter feito maravilhas pela confiança de uma equipa que tem andado pela mó de baixo. O adjectivo 'brilhante' não faz justiça ao golo que ele marcou. Depois de uma combinação entre o Zivkovic e o Grimaldo na esquerda, com este último a fazer um cruzamento rasteiro para o centro da área, o Jonas com um primeiro toque de pé direito fugiu ao defesa que o marcava e depois de primeira e de pé esquerdo, já de ângulo apertado, colocou a bola no poste mais distante. Absolutamente genial. Era agora um Benfica completamente transfigurado que estava em campo, e que não se acomodou à vantagem como tantas vezes o tem feito esta época. Em vez disso foi à procura de mais como se isso fosse a coisa mais importante do mundo (não sei se mostraram isso na transmissão televisiva, mas no estádio eu reparei no pormenor do Rúben Dias a ir buscar a bola dentro da baliza e a levá-la para o centro do terreno). E percebemos logo que mais golos iriam acontecer. Num curtíssimo espaço de tempo a pressão do Rafa resultou numa recuperação de bola e no passe para o Jonas que, completamente isolado em frente à baliza, acertou mal na bola e levou-a ainda a raspar no poste. Depois o mesmo Jonas ainda marcou, mas estava em posição irregular. Mas ao fim de treze minutos a bola lá voltou a entrar na baliza do Feirense. Novamente com o Rafa na jogada: passe do Grimaldo em profundidade, o Rafa ganhou em velocidade ao defesa, passou pelo guarda-redes e sobre a linha de fundo tentou assistir o Jonas à boca da baliza, mas um defesa do Feirense antecipou-se e fez autogolo. Dez minutos depois, um merecedíssimo golo para o Rafa, numa jogada que começou precisamente numa recuperação de bola sua, e que terminou com uma finalização quase sobre a linha de golo depois de uma combinação entre o Zivkovic, Pizzi e Jonas. E o Benfica continuou sem tirar o pé, a controlar completamente o jogo e a procurar marcar mais golos que ajudassem a exorcizar os males que nos têm afectado. O Seferovic rendeu o Jonas a oito minutos do final e ainda entrou a tempo de ampliar o resultado mesmo sobre o minuto noventa, aproveitando uma má intervenção do guarda-redes depois de não ter conseguido desviar de primeira o cruzamento do Zivkovic.

 

 

Apesar da maioria provavelmente eleger o Jonas como o homem do jogo, a minha escolha vai para o Rafa. Foi sempre o elemento mais desequilibrador no nosso ataque e esteve em quase todas as jogadas de maior perigo da nossa equipa. Claro que entre ele e o Jonas não houve grande diferença, e o golo do Jonas foi algo de sublime. Pareceu-me que o Zivkovic aproveitou bem a oportunidade. Estranhamente, até o fez mais na segunda parte a jogar na esquerda, onde acabou por estar envolvido nas jogadas de três dos quatro golos. Digo 'estranhamente' porque por norma ele costuma render mais na direita do que na esquerda. Bom jogo também do Grimaldo.

 

Lá diz o velho ditado que uma andorinha não faz a Primavera, mas esta equipa estava claramente a precisar de um resultado destes e de uma exibição como a da segunda parte. Foi notório o alívio dos jogadores e a forma muito mais solta como jogaram à medida que o resultado começou a correr a seu favor. Resta agora saber se vão saber aproveitar isto e dar-lhe continuidade, ou se foi um mero fogacho. Espaço para mais passos em falso já deixou de haver.

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publicado por D`Arcy às 03:17
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