VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Quinta-feira, 6 de Outubro de 2022

Reacção

É certo que muito provavelmente teremos apanhado pela frente o pior PSG dos últimos cinquenta anos, que ainda por cima se apresentou na Luz a jogar com uma equipa de reservas. Mas a verdade é que apesar das enormes diferenças orçamentais conseguimos jogar olhos nos olhos com o adversário desta noite, e o empate final é um resultado que não deslustra e nos mantém a via aberta para o apuramento. Foi uma exibição muito positiva da nossa equipa esta noite, e a reacção que se esperava à desilusão de Guimarães.

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Depois do mau resultado e exibição em Guimarães, um sinal muito forte de confiança apresentando exactamente o mesmo onze para este embate. Do outro lado, os milionários de Paris com o seu tridente atacante de luxo e, para mim, o privilégio de poder voltar a ver o Messi ao vivo, passados que estavam dez anos desde a última vez - aquela em que no final ele foi pedir a camisola ao Aimar. Considero o argentino um extra-terrestre e o segundo melhor jogador que vi jogar (o melhor será sempre o Maradona). Perante um estádio da Luz lotado e com um ambiente fantástico, vimos o Benfica entrar no jogo fiel a si próprio. A jogar para ganhar, a pressionar alto e a criar dificuldades à saída de bola do PSG e a não se deixar intimidar perante os nomes que se apresentavam do outro lado. E isto só não deu frutos durante os primeiros vinte minutos porque na baliza do outro lado estava um guarda-redes chamado Donnarumma, que evitou o golo em duas ocasiões flagrantes. A primeira quando o Gonçalo Ramos lhe surgiu pela frente, depois de desmarcado por um excelente passe longo do António Silva, e a segunda num remate do Neres, que também lhe apareceu solto na frente após passe do Rafa. Por esta altura o PSG ainda não tinha criado uma única situação de perigo ou sequer rematado à nossa baliza, e de certeza que eu não seria o único a pensar que depois do nosso desperdício seria muito provável que à primeira oportunidade, o PSG marcasse. Que foi mesmo o que aconteceu, numa triangulação pela esquerda entre os três do ataque que foi finalizada com um remate de primeira em arco do Messi para o poste mais distante. Nem com asas o Vlachodimos lá chegaria. Assim que o PSG se apanhou em vantagem, tivemos um vislumbre daquilo que eles poderiam fazer querendo colocar o jogo no congelador. Porque durante o quarto de hora seguinte andámos literalmente a cheirar a bola, com os franceses (usar o plural aqui parece descabido, porque havia apenas um francês na equipa) a manterem a bola em seu poder e a circularem-na com grande à vontade. Só na fase final da primeira parte é que o Benfica conseguiu voltar a dar sinal de si, e já depois do António Silva ter desperdiçado mais uma ocasião flagrante para marcar - rematou à vontade na área, mas infelizmente fê-lo precisamente na direcção do Donnarumma - acabámos por ser recompensados a três minutos do intervalo. Um cruzamento do Enzo na esquerda enviou a bola em arco para a área, o Gonçalo Ramos não conseguiu desviá-la de cabeça e ela ainda roçou no Danilo, acabando por entrar junto ao poste mais distante. Um golo que repunha alguma justiça no resultado, e que chegou na altura certa.

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A segunda  parte foi quase ao contrário da primeira. Foi o PSG quem entrou bem mais forte, e foi a vez do Vlachodimos brilhar na baliza. Logo nos primeiros minutos, teve que defender um remate cruzado do Hakimi, com o Neymar a seguir a fazer um pontapé de bicicleta que ainda fez a bola raspar na barra. Logo a seguir o nosso guarda-redes teve que voltar a empenhar-se para safar um erro enorme do Otamendi, que perdeu a bola para o mesmo Hakimi. O PSG esteve quase sempre com o controlo no jogo, com o Benfica na expectativa de conseguir explorar o contra-ataque através de bolas no Rafa ou no Neres. Tal como já tinha acontecido na primeira parte, grande parte do perigo causado pelo PSG resultava das descidas do Messi para vir recolher a bola no meio campo mais recuado, o que estranhamente acontecia com demasiada frequência e ainda por cima deixando-o receber quase sem pressão. Depois já se sabe, embalado com a bola é quase impossível desarmá-lo - recordo-me de um lance em que o Enzo tentou fazê-lo e ainda nem tinha acabado de meter o pé e já tinha ficado para trás. A ocasião seguinte para o PSG surgiu num livre do Neymar, embora tenha a sensação de que o Vlachodimos defendeu mais para a fotografia do que outra coisa qualquer, porque a bola foi ao meio da baliza. Para a fotografia já não foi a defesa seguinte, mais uma vez a um remate cruzado do Hakimi depois de (mais uma) iniciativa individual do Messi. Foi também de bola parada que o Benfica respondeu, numa cabeçada do Otamendi que fez a bola passar perto do poste. Logo a seguir, o melhor momento da noite do nosso guarda-redes: um remate cruzado do Mbappé, que veio da esquerda para o meio (foi praticamente a única vez que o vimos aparecer no jogo, o que só revela o mérito da nossa defesa em tirar-lhe o espaço de que necessita para as suas tradicionais arrancadas) e o Vlachodimos voou para ir impedir a bola de entrar junto ao ângulo superior. A resposta do Benfica foi dada pelo Rafa, que depois de uma bola recuperada no círculo central pelo João Mário levou tudo à frente até o Donnarumma defender o remate dele já quase na pequena área. Faltavam dez minutos para o final, e logo a seguir a este lance saiu o Messi e eu senti-me um pouco mais aliviado. À medida que o final se aproximava fiquei com a sensação de que ambas as equipas se iam mais ou menos conformando com o resultado, e apesar de uma maior insistência do PSG o único lance digno de registo foi um remate de fora da área que passou muito por cima da baliza.

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O Vlachodimos é um dos destaques do Benfica esta noite. Era impossível fazer o que quer que fosse no golo do Messi, mas de resto defendeu tudo o que havia para defender. Toda a equipa trabalhou e correu muito, mas para não variar gostei da exibição do Rafa, que foi sempre uma ameaça, e do Florentino. E obviamente, destaque grande para o nosso ainda júnior António Silva. Para ele, jogar na Youth League ou na Champions não parece fazer diferença nenhuma.  Joga com a memsa personalidade e atitude quer tenha outro miúdo pela frente, ou jogadores como o Mbappé ou o Neymar (mas eu confesso, e não é por causa deste jogo, que acho o Neymar um palhaço - um malabarista com imensa qualidade técnica, mas cheio de tiques de vedeta e a anos-luz de um Messi). Parece completamente imperturbável e não se deixa intimidar por ninguém. Acho que mesmo com todos os centrais recuperados já ninguém o vai conseguir tirar da equipa.

 

A verdade é que temos que admitir que estamos oficialmente em crise: já são dois jogos consecutivos sem ganhar, e sabemos que não é preciso mais do que isso para nos arranjarem uma crise. Mas mais a sério, este empate acaba por ser um resultado importante, porque se a lógica imperar, isto obriga a Juventus a não perder o seu jogo com o PSG para alimentar esperanças de disputar a qualificação connosco. Acho que no início desta fase de grupos qualquer um de nós aceitaria sem pensar duas vezes sete pontos no final dos três primeiros jogos. Mas o que é importante agora é vencer o Rio Ave já no sábado e acabar com esta 'crise'.

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publicado por D'Arcy às 02:06
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Domingo, 2 de Outubro de 2022

Zero

E ao décimo quarto jogo não ganhámos. Foi um jogo de zeros: no final dos noventa minutos em Guimarães ficou tudo a zeros, e o que nós produzimos enquanto equipa neste jogo foi também zero, quer no campo, quer no banco. Por isso o resultado só pode surpreender quem não viu o jogo, porque na verdade nada fizemos para justificar outro desfecho.

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Neste momento a maior dúvida que há em relação ao onze do Benfica para um jogo é quem ocupará a direita da defesa. O Bah parece estar a levar vantagem nesta altura e foi por isso ele quem ocupou esse posto, com o resto da equipa a ser a esperada. E quase que posso parar aqui no que diz respeito à primeira parte. Porque a verdade é que não fizemos absolutamente nada durante a mesma. Se às vezes se utiliza a expressão 'dar uma parte de avanço', então ela aplica-se perfeitamente ao que aconteceu. Foi com toda a certeza a pior exibição que eu vi o Benfica fazer esta época; uma nulidade tão grande que o primeiro remate que fizemos foi do Enzo, aos quarenta e dois(!) minutos, de fora da área e para a bancada. Foi essa a produção ofensiva do Benfica no primeiro tempo, durante o qual não conseguimos produzir qualquer jogo ofensivo pelas alas, pressão alta não existiu, o Rafa foi controlado e mantido fora do jogo pelo adversário, o João Mário fez-me insultar diversas vezes a minha televisão (das poucas vezes que criámos desequilíbrios, infelizmente era sempre aos pés dele que a bola ia parar e invariavelmente ele decidiu mal, fazendo passes para os defesas adversários) e foi até o Vitória quem mais vezes se aproximou da nossa área. Perante uma tão pobre primeira parte esperava uma reacção imediata e enérgica no banco logo ao intervalo de forma a alterar o rumo dos acontecimentos, mas não houve quaisquer alterações. Voltámos de facto mais pressionantes e conseguimos empurrar o Vitória mais para junto da sua área, mas sem qualquer evolução no que diz respeito à produção ofensiva. Muito sinceramente, não me recordo de qualquer lance de perigo da parte do Benfica, ou do Varela ter feito uma única defesa. Achei que o nosso treinador foi lento a reagir perante uma produção tão pobre dentro do campo, e quando finalmente (a vinte minutos do final) fez três alterações de uma vez, nada alterou tacticamente. Foram trocas directas - Florentino/Aursnes, Gonçalo Ramos/Musa, Neres/Draxler - e passou o João Mário para a direita. Irritou-me em particular a troca de avançados pois teria preferido passar a jogar com dois, já que durante todo o jogo me pareceu que tivemos muito pouca presença na área. A coisa só não ficou pior porque numa rara demonstração de utilidade, o VAR ajudou a reverter o Taremi que o árbitro tinha assinalado a favor do Vitória. Ainda fizemos nova troca directa, entrando o Diogo Gonçalves para o lugar do João Mário, e já no período de descontos fizemos uma última substituição que me deixou profundamente desiludido. Trocar o Rafa pelo matacão Brooks, para meter o central americano a jogar na frente para o chuveirinho (que nem sequer aconteceu) foi para mim um sinal claro da completa desinspiração também do nosso treinador ontem à noite - foi o equivalente à estratégia habitual da malta do Lumiar quando manda o Coates lá para a frente, porque já não têm mais ideias. O único efeito prático disto foi ver o Brooks a atirar-se para cima dos adversários e a conseguir fazer faltas em praticamente todas as bolas que tentou disputar.

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É difícil fazer qualquer destaque num jogo tão cinzento da nossa equipa. Acho que os dois médios foram dos que mais se empenharam para alterar o rumo do jogo, e talvez o Grimaldo a espaços e o Rafa na segunda parte, depois de estar praticamente ausente em parte incerta durante a primeira. Em sentido oposto, os dois alas (Neres e João Mário) fizeram um jogo péssimo, tal como o Bah, pelo que passei bastante tempo a desejar que o Gilberto entrasse para o lugar dele.

 

Na prática entrámos nesta jornada com dois pontos de vantagem sobre o segundo classificado e agora temos três. Mas isto não pode servir de motivo de satisfação, porque interrompemos a série vitoriosa e a frutaria nos recuperou dois pontos. Pior ainda, mais do que o resultado, uma exibição tão pobre assim é que pode mesmo fazer regressar velhos fantasmas que não queremos de todo ver. Foi a primeira vez esta época em que cheguei ao final de um jogo extremamente insatisfeito com toda a equipa, do relvado ao banco. O próximo jogo vai ser de dificuldade extremamente elevada, mas espero ver já uma reacção forte ao que vi ontem à noite.

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publicado por D'Arcy às 09:25
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Segunda-feira, 19 de Setembro de 2022

Passeio

Até nem é um termo com que eu simpatize muito, mas o jogo contra o Marítimo foi mesmo um verdadeiro passeio para a nossa equipa. Marcámos cinco golos e criámos ocasiões para marcar pelo menos outros tantos, mas parece que já começa a tornar-se habitual chegarmos ao final dos jogos a pensar que foram poucos e que ficámos a dever ao desperdício um resultado mais dilatado.

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A maior novidade no onze foi a titularidade do Aursnes no lugar do Florentino e de resto foi o esperado, com o Bah a manter-se a titular em vez de vermos a muito habitual rotação entre ele e o Gilberto. O Marítimo entrou na Luz sendo detentor do nada invejável registo de um pleno de derrotas, com uma média de quase três golos sofridos por jogo, e de facto mostrou que esses números não aconteceram por acaso. É que o Benfica nem sequer entrou no jogo com uma pressão alta e sufocante, ou a jogar num ritmo elevado - o ritmo parecia mesmo ser mais de passeio do que outra coisa, uma espécie de sobranceria apoiada numa quase certeza da enorme superioridade sobre o adversário que inevitavelmente conduziria à vitória. Confesso que tanta calma chegou para me enervar um pouco durante os primeiros minutos, até porque na baliza do Marítimo o Miguel Silva parecia apostado em recordar os tempos em que surgiu no futebol sénior na baliza do Vitória, quando nos fazia sempre passar um mau bocado (não chegava ao nível Marco Tábuas, mas andava perto). A resistência do Marítimo durou vinte e oito minutos, período durante o qual não tenho a certeza que tenham chegado uma vez que fosse à nossa baliza. Coube ao Rafa desfazer o nulo, quando surgiu isolado após uma tentativa de tabela com o Gonçalo Ramos, mas quem acabou por lhe devolver a bola foi mesmo um defesa adversário. Descaído sobre a esquerda, finalizou com facilidade com um remate para o poste mais distante. Depois disso, e até ao intervalo, fomos desperdiçando ocasiões soberanas para irmos completamente tranquilos para o descanso, com especial destaque para as ocasiões desperdiçadas pelo João Mário, isolado por um soberbo passe longo do António Silva para as costas da defesa, e pelo Gonçalo Ramos, que surgiu sozinho no meio da área depois de um passe fantástico do Enzo. O primeiro rematou torto (quando até poderia ter tentado assistir o Gonçalo Ramos ou o Rafa) e o segundo viu o Miguel Silva fazer mais um milagre e evitar o golo.

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Na segunda parte o Benfica entrou a jogar um futebol mais vertical do que aquele que tinha apresentado na primeira parte, e o resultado foi imediato. Logo no segundo minuto o Gonçalo Ramos desviou de calcanhar um cruzamento tenso e rasteiro do Bah e fez o segundo golo, o que efectivamente acabou de vez com qualquer expectativa que o Marítimo ainda pudesse ter. Apesar de até se ter visto uma ténue reacção do Marítimo (e por ténue quero dizer que passaram mais vezes do meio campo) era quase uma certeza que o marcador iria voltar a funcionar, e para o lado do Benfica. O António Silva esteve muito perto de marcar o seu primeiro golo pela equipa principal, depois de uma grande iniciativa individual do Enzo pela direita, onde ganhou a linha de fundo e fez o passe atrasado para o remate forte do miúdo embater com estrondo no poste. Logo a seguir, aos sessenta e quatro minutos, o Benfica chegou ao terceiro golo. Mesmo contra uma equipa que quase só defendeu, deu para marcar um golo em transição. Numa rara ocasião em que o Marítimo subiu no terreno, para a marcação de um canto, o António Silva ganhou a bola duas vezes nas alturas e ela foi ter aos pés do Rafa. Depois ele deixou um defesa que o tentou travar para trás, e fez o passe perfeito a isolar o Gonçalo Ramos, que correu até à área e esperou até que o guarda-redes caísse para depois lhe fazer a bola passar por cima. Oportunidade então para fazer descansar dois dos jogadores mais importantes e trocámos o Rafa e o Enzo pelo Draxler e o Florentino. Ambos tiveram oportunidade para deixar a sua marca no jogo, no qual continuávamos a acumular ocasiões. Destaque para mais um falhanço do João Mário, isolado por um bom passe do Draxler. A oito minutos do final, e imediatamente a seguir à troca dos laterais (entraram o Gilberto e o Ristic), o Florentino fez aquilo que o Florentino faz. Numa reposição de bola em jogo perto da área o jogador do Marítimo deixou que o Florentino se aproximasse demasiado, e naturalmente ficou sem a bola. O Neres aproveitou e à entrada da área rematou rasteiro para o quarto golo. E a dois minutos dos noventa, foi a vez do Draxler fazer o gosto ao pé. Também à entrada da área, veio da esquerda para o meio em simulações para retirar os adversários do caminho e depois fuzilou autenticamente a baliza, com um remate imparável ao ângulo. Fim de jogo em festa, que só não foi ainda maior porque o Gonçalo Ramos desperdiçou uma ocasião soberana para o hat trick, cabeceando torto e para fora o excelente cruzamento do Gilberto, que o encontrou sobre a linha da pequena área.

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O Gonçalo Ramos no final foi eleito o homem do jogo, o que é normal tendo em conta os dois golos, mas para mim o melhor em campo foi o Rafa. Acho aliás que até agora estamos a assistir à melhor época do Rafa. Na posição onde joga, com liberdade nas costas do avançado, sente-se perfeitamente à vontade e é dele que nasce uma boa parte dos desequilíbrios e acelerações tão necessárias no nosso jogo. Parece transbordar de confiança, está a finalizar e a definir melhor, e agora até nos remates de fora da área se está a tornar perigoso. É um jogador que sempre apreciei, e a notícia de que abdicou da ida ao clube privado do engenheiro e do eucalipto só aumentou o meu apreço por ele. Mais um grande jogo também do Enzo.

 

E vão treze, sendo que foi importantíssimo aproveitar os deslizes dos rivais e ir para a pausa das selecções mantendo o registo perfeito e depois de alargar a nossa vantagem. O factor psicológico nunca é de desprezar. Quando regressarmos, mais um teste difícil, como o são todas as visitas a Guimarães. Ainda falta um bocado para isso, mas seria de extrema importância que quando fôssemos ao Porto o fizéssemos pelo menos com a vantagem pontual actual.

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publicado por D'Arcy às 22:10
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Quinta-feira, 15 de Setembro de 2022

Memorável

Um vitória memorável frente à Juventus em Turim, com cambalhota no resultado, permite-nos prolongar o arranque de época perfeito. A uma entrada desastrada sucedeu-se uma transfiguração da equipa, que conseguiu impor o seu jogo no estádio do adversário e conquistar três pontos que nos deixam já muito bem colocados ao fim de apenas dois jogos disputados.

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Num onze onde a rotação à direita da defesa continua a ser uma constante (desta vez jogou o Bah) e no centro voltou a jogar o menino António Silva. A entrada do Benfica no jogo foi, sem meias palavras, desastrosa. Sofremos um golo logo aos quatro minutos, numa cabeçada do Milik depois de um livre da esquerda, e só não levámos o segundo pouco depois por acaso. A equipa entrou receosa e teve dificuldade em encaixar no esquema da Juventus, que jogando em 3-5-2 parecia ter superioridade numérica no meio campo. Só ao fim de vinte minutos começámos a assentar o nosso jogo, com o João Mário a juntar-se mais ao médios e o Rafa ou o Gonçalo Ramos a descer para anular a vantagem numérica adversária. O primeiro grande sinal de perigo foi dado pelo Gonçalo Ramos, que a dois metros da linha de golo conseguiu cabecear directamente para as mãos do guarda-redes. Foi como que um clique no jogo, porque daí até ao intervalo praticamente não se viu mais a Juventus e só deu Benfica. A posse de bola virou a nosso favor e o jogo passava-se quase todo no meio campo italiano, onde o nosso adversário fechava as linhas em frente à sua área e se dedicava quase em exclusivo a segurar a vantagem, sem conseguir sequer que a bola chegasse aos avançados para criar algum perigo num contra-ataque esporádico. O Rafa viu um grande golo ser-lhe negado pelo poste, mas o empate que se adivinhava acabou por surgir ainda antes do intervalo, num penálti convertido pelo João Mário a castigar uma pisadela ao Gonçalo Ramos - lá fora marcam-se mesmo os penáltis a favor do Benfica, mesmo quando estamos a defrontar um dos clube mais corruptos da história do futebol (sim, detesto a Juventus e há poucas equipas contra as quais me dê tanto prazer ganhar).

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Na segunda parte, a superioridade do Benfica foi ainda mais evidente, apesar de um remate perigoso que ainda desviou ligeiramente no João Mário ter obrigado o Vlachodimos a uma defesa mais difícil. Mas era na outra baliza que os lances de perigo se iam sucedendo, com os italianos a parecerem-me quebrar fisicamente, deixando cada vez mais espaço entre a defesa e o meio campo - enquanto que na primeira parte até conseguiram formar um bloco defensivo sólido. O golo que consumou a reviravolta apareceu ao fim de dez minutos, numa arrancada do Enzo que deixou para trás dois adversários (que tentaram o que podiam para o deitar abaixo) e fez a bola seguir para o Gonçalo Ramos na área. O Bonucci ainda fez o corte, a bola sobrou para o Rafa rematar e proporcionar uma boa defesa ao Perin, mas a bola sobrou para o Neres que de primeira e de pé esquerdo fez o golo. Depois disto, assistimos a imenso desperdício da parte do Benfica, que aproveitando a distância entre linhas da Juventus quase que parecia ser capaz de causar perigo de cada vez que passava do meio campo. Confesso que até me senti mais nervoso a ganhar do que quando estávamos a perder, porque a sensação era a de que estávamos a desperdiçar uma oportunidade para golear e ainda poderíamos ser castigados por isso - só o Bonucci 'tirou-nos' três golos quase feitos. E a verdade é que o golpe de teatro esteve perto de acontecer, pois em duas ocasiões a Juventus poderia ter chegado a um empate que seria uma tremenda injustiça - primeiro num cruzamento do Kean no qual ninguém tocou e acabou por levar a bola ao poste da nossa baliza, e depois num lance em que o Bremer apareceu isolado por um passe do Di María (que nos poucos minutos que jogou conseguiu ser dos mais perigosos da Juventus) e atirou para a bancada com o Vlachodimos a fazer a mancha. Mesmo a fechar o jogo, mais uma ocasião escandalosa desperdiçada pelo Benfica para dar uma expressão mais justa ao resultado, que numa situação de três para um conseguiu não marcar.

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Gostei de toda a equipa, mas é impossível não mencionar a grande exibição do António Silva (mais uma), ou a eficácia da dupla Florentino/Enzo, ou ainda mais uma vez o Rafa, a quem só ficou mesmo a faltar um golo, porque bem fez para o merecer.

 

São já doze as vitórias seguidas em jogos oficiais, mas obviamente que continuamos à espera de apanhar o primeiro teste a sério, porque os adversários encontrados até agora (que incluíram o Soares Dias e o Fábio Veríssimo) não deram luta, e obviamente que esta deve ser 'a pior Juventus dos últimos trinta anos' ou algo que se lhe assemelhe. Importante agora é o Marítimo, para conseguirmos estender o número de vitórias para treze e ir para a pausa na liga mantendo o registo perfeito. E entretanto vou matando as saudades de ver o Benfica jogar sempre para ganhar, em qualquer campo.

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publicado por D'Arcy às 02:05
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Terça-feira, 30 de Agosto de 2022

Sozinhos

Uma vitória mais complicada do que seria de prever (quase exclusivamente por nossa culpa) que nos vale a liderança isolada à quarta jornada. Estamos agora sozinhos onde desejamos estar no final da época.

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Uma alteração inesperada no onze, a troca do Gilberto pelo Bah, e um regresso, o do Otamendi para o lugar que tinha sido ocupado pelo António Silva. Logo na fase inicial a sensação não foi a melhor - o Paços tentou sempre ser uma equipa chata, e o Benfica foi menos agressivo e incisivo do que o habitual. Para além disso, aos quinze minutos o árbitro Soares Dias já tinha conseguido incendiar os ânimos no estádio e lançar uma espécie de nervosismo geral - não era muito difícil, porque o público já estava virado contra ele logo de início. Durante a primeira hora de jogo o Benfica foi anormalmente inofensivo em frente à baliza, enfeitando demasiado as jogadas e rematando muito pouco. Marcámos um golo pouco depois da meia hora, pelo o Otamendi, mas nem sequer o festejei porque logo em tempo real no estádio fiquei com a sensação de que o Rafa estaria em posição irregular no início da jogada, o que o VAR se encarregou de confirmar. E como tantas vezes acontece, bastou o Paços rematar um vez para fazer aquilo que o Benfica não conseguia, e chegar ao golo. A seis minutos dos quarenta e cinco, um remate de fora da área no seguimento de um canto foi desviado de cabeça pelo Koffi já dentro da área, não dando quaisquer hipóteses de defesa ao Vlachodimos. O Paços fazia o seu primeiro golo da época, e o Benfica sofria o seu primeiro golo. O melhor que o Benfica fez foi a reacção a este golo. Noutros tempos o mais normal seria a equipa vir abaixo, mas hoje a reacção foi boa e até jogámos melhor e fomos muito mais incisivos depois de sofrermos o golo. Claro que ajudou muito termos empatado o jogo praticamente na resposta, pelo que o Paços não teve tempo para aproveitar a vantagem para aumentar o nosso nervosismo. Bom toque do Rafa a desmarcar o Neres pela direita, e depois uma intervenção muito má do guarda-redes do Paços permitiu que o remate frouxo do Neres lhe passasse por baixo do braço, com a bola a rolar lentamente para dentro da baliza. Logo a seguir, remate rasteiro do João Mário de fora da área, com a bola a embater no poste. E já em período de compensação, para espanto de todos os presentes, o Artur Soares Dias assinalou penálti a favor do Benfica. Uma bola cruzada por alto pelo João Mário, disputa da mesma no ar entre o Bah e o guarda-redes, com este a atingir o Bah na cabeça. Confesso que não me pareceu dos lances mais evidentes de penálti (já vi o Soares Dias ignorar vários bem mais claros a nosso favor) e se não tivesse sido assinalado pelo árbitro de campo, duvido que o VAR o assinalasse. O João Mário encarregou-se de o transformar em golo, e levar assim o Benfica em vantagem para o intervalo.

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Ao contrário da primeira parte, o Benfica entrou forte na segunda e determinado em resolver cedo o jogo. Logo nos primeiros minutos voltámos a ter um golo anulado, numa boa jogada desenvolvida pela direita que deixou o Bah entrar na área para marcar, mas o dinamarquês estava mais uma vez em posição irregular. Continuou o Benfica a carregar, e ao fim de dez minutos chegou mesmo o terceiro golo, pelo Gonçalo Ramos a antecipar-se a um defesa e ao guarda-redes para finalizar o cruzamento do João Mário da esquerda, naquela que foi uma das melhores jogadas do Benfica no jogo. A partir daqui, o Benfica dedicou-se afincadamente ao desperdício, não marcando o quarto golo em diversas ocasiões por culpa exclusivamente própria. Pouco depois de terceiro golo, o Gonçalo Ramos isolou-se pela direita, correu meio campo sozinho, e permitiu a defesa ao guarda-redes. Foi pouco depois substituído pelo Musa, que ao contrário do que aconteceu no Bessa não teve uma entrada feliz no jogo, sendo apenas mais um a juntar-se ao esforço colectivo para desperdiçar ocasiões de golo e somando algumas finalizações bastante más. Depois achei que houve talvez alguma sobranceria da parte do Benfica, que diminuiu a intensidade do seu jogo e continuou a desperdiçar as ocasiões que criava, muitas vezes por excessos individuais da parte dos jogadores. Trocámos o Neres e o Rafa pelo Diogo Gonçalves e o Henrique Araújo, e estes foram mais dois jogadores que não entraram bem. Até o Henrique Araújo esteve anormalmente desastrado a finalizar, atirando para a bancada numa ocasião em que estava na marca de penálti, ou demorando muito tempo noutra até permitir a intervenção de um defesa. Entretanto, e logo a seguir a estas duas entradas e quando faltavam dez minutos para o final, o Paços fez o seu segundo remate no jogo (tecnicamente foi o terceiro, mas apenas porque se contabilizaram dois no lance do primeiro golo - o remate inicial que ia para fora e o desvio para o golo) e marcou o segundo golo. Um lance simples em que um adversário entra pela esquerda da nossa defesa, e passa a bola entre as pernas do Morato, com o Otamendi a perder infantilmente a marcação ao Koffi e este a empurrar com facilidade para o golo. Não houve um terceiro remate que pudesse custar-nos a vitória nem qualquer ocasião de perigo imediato para a nossa baliza, mas houve obviamente nervosismo no estádio à espera do apito final.

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Destaques no Benfica, habituais, para o João Mário, Florentino, Rafa ou Neres - embora no caso deste último, apesar do golo marcado e de ter criado diversos desequilíbrios, eu achar que foi excessivamente individualista em várias ocasiões e complicou aquilo que deveria ser fácil. Na fase final da primeira parte, por exemplo, desperdiçou duas jogadas que quase tinham a obrigação de acabar em golo, nas quais o Benfica contra-atacou com evidente superioridade numérica e tudo se perdeu por se ter agarrado à bola em vez de a soltar na altura certa. O Bah melhorou na segunda parte, mas fiquei com a sensação de que não deu ao lado direito a dinâmica a que o Gilberto nos habituou, o que foi surpreendente para mim. O mais anormal para mim foi o jogo mais apagado do Enzo, com vários passes falhados e algumas perdas de bola.

 

No cômputo geral, fiquei satisfeito com a vitória e a subida ao primeiro lugar, mas não gostei muito. Não podemos sofrer dois golos nos únicos dois remates do adversário, ainda por cima quando esse adversário se apresentou desfalcado e ainda nem sequer tinha marcado ainda qualquer golo esta época. E acima de tudo, não podemos marcar três golos mas desperdiçar mais do dobro de ocasiões flagrantes para marcar. Este tipo de desperdício normalmente paga-se caro. Fizemos vinte e sete remates (creio que terá sido o jogo em que mais rematámos esta época) e o aproveitamento para tamanha produção ofensiva terá obviamente que ser melhor se quisermos evitar dissabores.

 

P.S.- Estarei ausente nas próximas semanas, pelo que não irei escrever nada sobre os nossos próximos dois jogos.

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publicado por D'Arcy às 23:31
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Sábado, 27 de Agosto de 2022

Indiscutível

O resultado até pode fazer pensar que foi fácil, mas longe disso. A vitória do Benfica no Bessa foi indiscutível e justíssima, mas foi preciso trabalhar muito para a conquistar frente a uma equipa que fez tudo o que podia para dificultar a nossa tarefa.

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Não sei se alguém ainda teria dúvidas sobre isso, mas depois da conferência de imprensa de antevisão ao jogo do nosso treinador fiquei sem grandes dúvidas que a aposta para substituir o suspenso Otamendi no centro da defesa iria recair sobre o jovem António Silva. O que veio a verificar-se. De resto, o onze esperado. Os minutos iniciais deixaram antever dificuldades, com o Boavista a ser aquilo que se esperaria de uma equipa do Petit. Muita intensidade no jogo, muita gente a fechar os caminhos para a baliza, e saídas rápidas para o ataque com futebol directo para um ou dois jogadores rápidos da frente. O que valeu inclusivamente um cartão amarelo ao estreante António Silva logo aos sete minutos, mas o Boavista acabou por nunca conseguir ameaçar seriamente a nossa baliza. O Benfica demorou uns bons quinze minutos até encaixar no jogo do Boavista e começar a remeter o adversário para o seu meio campo, cortando logo à nascença as tentativas de saída do Boavista, mas a partir do momento em que o fez tomou definitivamente conta do jogo e nunca mais perdeu o controlo do mesmo. Fundamental para isso o trabalho do nosso meio campo - é verdade que acabámos de contratar o Aursnes, que imagino que não tenha vindo para simplesmente andar a aquecer o banco, mas a dupla Florentino/Enzo neste momento está a funcionar quase na perfeição e é fundamental para que o Benfica consiga impor o seu jogo de pressão alta. Um pormenor que também me pareceu ter alguma influência foi o estado do relvado, ao qual nos tivemos de adaptar. Pareceu-me lento e pesado, com a relva a soltar-se com demasiada facilidade, o que foi uma dificuldade acrescida ao nosso estilo de jogo. Chegámos ao fundamental primeiro golo à meia hora de jogo, e quase sem surpresa, na sequência de um pontapé de canto. Depois de um par de anos em que isto parecia ser uma fantasia, esta época tornou-se quase rotina. Canto marcado na direita pelo Neres, ligeiro desvio de cabeça de um adversário na zona do primeiro poste, e na zona da marca de penálti o Morato até teve que se baixar para cabecear no meio dos adversários e fazer o golo. A partir daqui a estratégia do Boavista ficou seriamente comprometida, e bastou arriscarem um pouco mais para que o Benfica passasse a ter ocasiões para ampliar a vantagem. Duas delas flagrantes, a primeira pelo Gonçalo Ramos, que já dentro da área viu o seu remate ser desviado pelo pé do guarda-redes, e a segunda mais do que flagrante, mesmo a fechar a primeira parte. Bola longa do António Silva para as costas da defesa adversária a isolar o Rafa, que tocou a bola para o lado deixando o João Mário completamente à vontade para atirar para a baliza vazia, só que ele atirou ao lado. Chamei-lhe todos os nomes de que me lembrei, mas felizmente na segunda parte ele redimiu-se do falhanço.

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Ao intervalo o Boavista tinha um remate feito (para fora), zero ocasiões de golo criadas, e pouco mais de 30% de posse de bola, o que mostra bem o controlo que o Benfica teve no jogo. Na segunda parte foi mais do mesmo - aliás, o jogo resumiu-se à expectativa em ver quanto tempo é que o Benfica demoraria a chegar ao segundo golo. Andou perto, mas foi preciso esperar até pouco depois da hora de jogo, quando fizemos três substituições de uma assentada e que acabaram por se revelar decisivas - em particular a entrada do Musa, que ao contrário da exibição apagada quando se estreou no último jogo acabou por estar muito mais em foco e ser decisivo na confirmação da vitória. Para além dele, entraram o Diogo Gonçalves e o Bah para os lugares do Gilberto e do Neres - o Petit prestou especial atenção à nossa ala direita e esta esteve bem menos influente hoje do que aquilo que tem sido habitual. Ao sessenta e sete minutos, finalmente o golo da tranquilidade: cruzamento do Grimaldo na esquerda, o João Mário ganhou de cabeça e depois o Musa conseguiu ganhar a luta com os defesas e tocar para trás para o remate vitorioso do mesmo João Mário, que assim se redimiu daquele falhanço escandaloso a fechar a primeira parte. O golo limitou-se a dar-nos mais tranquilidade, porque em jogo jogado nada mudou. O Benfica não abrandou e continuou à procura de golos, enquanto que o Boavista não revelava capacidade para reagir, e ainda bem, porque eu não me esqueci daqueles dois golos que marcaram a época passada também numa altura em que vencíamos por dois. A dez minutos do final, uma situação digna da Twilight Zone: o VAR interveio e avisou o árbitro de um penálti a favor do Benfica. Coisa quase nunca vista. A falta foi sobre o Musa, que se escapava pela esquerda e levou com os pitons do adversário cravados sobre o tendão de Aquiles. O árbitro João Pinheiro (que já tinha tido a honra de ser o primeiro a amarelar o arruaceiro do nosso treinador em Portugal - até na forma como ele depois do jogo aceitou a punição mostrou classe) assinalou pontapé de canto, mas o VAR alertou-o do erro. O João Mário marcou sem dificuldade e aumentou o ambiente de festa que os adeptos benfiquistas já criavam no Bessa desde o início do jogo. Nos minutos finais, assinalam-se mais duas estreias pelo Benfica, com as entradas do Ristic e do Aursnes, sem tempo para mostrar serviço.

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Como é tradição, pelos golos que marcou, o João Mário será considerado o homem do jogo (mas ele fez mais do que isso, e tal como no último jogo até gostei mais de ver os minutos em que ele passou a cair mais para o lado direito, o que aconteceu depois da entrada do Diogo Gonçalves para a esquerda). Mas para mim o Florentino fez um jogo monstruoso. É um verdadeiro polvo no meio campo, antecipa os lances e recupera e corta bolas durante o jogo inteiro, muitas vezes à entrada da área adversária. O Morato voltou a fazer um bom jogo, o jovem António silva mostrou que podemos contar com ele como opção válida sem quaisquer reservas - muita maturidade como geriu os tempos de entrada depois de ver um amarelo tão cedo - e o Musa entrou muito bem no jogo. Para um jogo de muita luta, foi importante um avançado com espírito de luta como ele mostrou.

 

Sete jogos oficiais, sete vitórias, vinte golos marcados e dois sofridos. Na liga, oito marcados e zero sofridos. Mas sabemos que até agora ainda não fomos postos verdadeiramente à prova e continuamos à espera de um adversário a sério. Talvez lá para o final de Outubro, quando recebermos o Chaves, tenhamos finalmente um adversário digno desse nome, embora desconfie que daqui até lá o Chaves vá perder imensa qualidade. Para mim, é já na terça que iremos enfrentar um dos mais difíceis adversários que temos em Portugal, e já há várias épocas. Tem uma pastelaria no Porto.

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Quarta-feira, 24 de Agosto de 2022

Superioridade

Primeiro objectivo da época cumprido com o apuramento para a fase de grupos da Champions. A primeira mão já tinha mostrado a superioridade do Benfica sobre o Dínamo de Kiev, mas neste segundo jogo a diferença entre as duas equipas foi ainda mais evidente. O Benfica não deu qualquer hipótese ao adversário, resolveu de vez a eliminatória cedo e com facilidade e até se deu ao luxo de gerir o esforço sem nunca ter perdido o controlo do jogo.

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Sobre o onze. nesta fase raramente há algo a assinalar porque ele parece estar definido, e salvo algum impedimento jogam sempre os onze habituais. em relação ao jogo, posso apenas dizer que quando o primeiro golo surgiu, aos vinte e sete minutos de jogo, já ele tardava há muito. Porque desde o apito inicial que foi um verdadeiro sufoco à baliza ucraniana, numa pressão constante e quase avassaladora à procura do golo. Ainda o jogo mal tinha começado e já o Rafa aparecia em posição privilegiada na área, preferindo no entanto tentar o passe em vez de arriscar o remate com o pé esquerdo. Foi o mote para uma catadupa de situações de perigo - ficávamos com a sensação de que o Benfica podia chegar ao golo em praticamente cada ataque. Quando finalmente surgiu, já se contavam dez remates e sete pontapés de canto para o nosso lado, com os ucranianos a mal conseguirem passar do meio campo. O Grimaldo já tinha feito uma bola raspar no poste, o Neres já quase que marcara num pontapé de bicicleta, e o Dínamo limitava-se a adiar o inevitável. O golo apareceu, sem grande surpresa, no seguimento de mais um pontapé de canto. Depois de épocas seguidas nas quais marcarmos um golo num pontapé de canto era quase uma fantasia, sendo as perspectivas disso acontecer ainda piores sempre que os marcávamos 'à maneira curta', agora até parece fácil quando o fazemos. Foi mais uma vez dessa forma, marcado à maneira curta na direita do nosso ataque, com a bola a seguir num cruzamento largo feito pelo Neres desde a quina da área para o segundo poste, onde estavam o Otamendi e o Gilberto à vontade, com o primeiro a cabecear para o golo. Obtida a vantagem, o Benfica abrandou um pouco para respirar e os ucranianos finalmente dispuseram de alguns minutos para ter bola, ainda que sem causar qualquer tipo de problemas. Se calhar com isso ganharam alguma confiança e num ápice viram o Benfica acelerar e marcar dois golos de rajada ainda antes do intervalo. O primeiro foi quase uma cópia da oferta da semana passada, um mau passe na zona da defesa que foi interceptado pelo Rafa, que depois marcou com facilidade. O segundo nasceu de uma transição rápida na qual o Benfica se libertou da tentativa de pressão alta dos ucranianos, com o transporte da bola a ser feito pelo Rafa, seguindo a bola para o Gonçalo Ramos que (pareceu-me) quando tentou devolver a bola ao Rafa acabou por passar-lhe mal a bola para as costas, mas como a transição foi feita de forma apoiada ainda havia o Neres para a receber, e com um remate de primeira em arco colocou a bola desde entrada da área, sobre a direita, bem junto ao poste mais distante. Um golo muito bonito.

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A segunda parte foi de gestão do jogo e do resultado, ainda assim mantendo um controlo absoluto do jogo - o Dínamo fez um único remate no segundo tempo, e este foi desde o meio campo numa tentativa de chapéu ao Vlachodimos. Logo no início um choque violento entre o Rafa e o Gonçalo Ramos na área adversária deixou os dois jogadores a sangrar, e obrigou mesmo à substituição do nosso ponta-de-lança. Oportunidade para o Musa se estrear com a nossa camisola, entrando para o seu lugar. Não há muito a assinalar nesta segunda parte, pois apesar do Benfica não ter deixado de procurar o golo, ainda assim baixou um pouco a velocidade no ataque, ainda que nunca tenha dado qualquer espaço ou tempo aos ucranianos para que tivessem grandes ilusões - pressão alta foi quase sempre uma constante, que não deixava o Dínamo respirar muito. Três alterações feitas de uma vez, com as entradas do Weigl, Diogo Gonçalves e Henrique Araújo, permitiram o descanso e aplausos para o Florentino, Rafa e Neres mas pouco mudaram na tendência do jogo. Curiosamente, gostei de ver o João Mário a actuar mais pela direita, pois o Diogo Gonçalves foi colocar-se sobre a esquerda. Acabou por ser uma espécie de teste à nossa táctica um bocado invertida, com um falso extremo direito e um extremo esquerdo de pé trocado. Perto do final, oportunidade para novo aplauso a um dos jogadores em destaque neste início de época, quando o Paulo Bernardo rendeu o Enzo Fernández e assim o argentino deixou de ser totalista e não cumpriu os primeiros minutos da época.

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Gostei muito de toda a equipa; não sei mesmo se não terá sido o jogo que mais me agradou até agora. O Neres foi um dos grandes destaques, mas também o Rafa, o João Mário, o Gonçalo Ramos e a dupla de médios estiveram sempre a um nível muito alto.

 

Com este objectivo na coluna dos alcançados, seguem-se dois jogos para a liga num curto espaço de tempo e o regresso à realidade interna. O próximo jogo, no Bessa, será certamente um duro teste à nossa equipa - neste momento ainda aguardo para saber a nomeação da equipa que poderá ser uma das principais adversárias nesse jogo. Mas o Boavista treinado pelo Petit será certamente um osso duro de roer. O Petit é perito em estudar os pontos fortes do adversário e em anulá-los, não tendo normalmente grandes pruridos em recorrer ao jogo físico e ao anti-jogo se for necessário. É fundamental manter o ritmo e a atitude, e não deixar que qualquer tipo de relaxamento se instale depois de atingido um dos mais importantes objectivos da época.

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Quinta-feira, 18 de Agosto de 2022

Pragmático

Um Benfica pragmático acabou por conseguir impor a sua superioridade e vencer o Dínamo de Kiev por dois golos sem resposta, deixando mais desimpedido o caminho de acesso à fase de grupos da Champions. Agora é preciso completar a tarefa já para a semana, na Luz.

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Depois do jogo com o Casa Pia aproveitou-se para soltar algumas críticas ao Gilberto e prever vantagem do Bah na luta pela titularidade, mas o nosso treinador tem uma ideia fixa estabelecida para esta fase da época e voltou a apresentar aquele que parece ser o seu onze base, no qual se destacava o regresso do David Neres. Achei desde início que foi um Benfica algo diferente, a não apostar numa pressão tão intensa e em zonas tão avançadas do terreno. Mas cedo foi evidente a nossa superioridade, com o Dínamo a parecer querer apostar numa postura expectante, com linhas bastante recuadas para depois explorar o contra-ataque. Mas não tivemos muito tempo para ver como resultaria essa estratégia, porque logo aos nove minutos o Benfica colocou-se em vantagem. A jogada foi bastante trabalhada pelo Benfica e envolveu uma longa posse de bola e vários passes, com a bola a viajar da direita até à esquerda do ataque, depois ao cruzamento rasteiro do Grimaldo para o interior da área correspondeu o Rafa com uma boa simulação, que deixou a bola passar para o Gonçalo Ramos bem no centro. Este passou para trás para o João Mário, que à entrada da área lateralizou para a direita, onde um remate forte de primeira do Gilberto fez a bola entrar junto ao canto superior da baliza. O golo madrugador pareceu obrigar os ucranianos a abandonar a ideia de um jogo defensivo e vimo-los a ser mais atrevidos nas saídas para o ataque, ainda que o Benfica parecesse sempre ter o jogo relativamente controlado. O João Mário ficou a centímetros de marcar o que seria um bom golo de equipa, com um remate em arco à entrada da área, e o Dínamo respondeu também com um remate de fora da área que passou muito perto do poste da nossa baliza. Aos trinta e sete minutos, o David Neres adivinhou um mau passe atrasado de um defesa na saída de bola do Dínamo pela nossa esquerda e interceptou-o, com a bola depois a sobrar já dentro da área para um remate colocado do Gonçalo Ramos, que apareceu sozinho em frente ao guarda-redes, fazer a bola entrar junto ao poste mais distante (com o Rafa também em posição para finalizar). Na segunda parte o Benfica abrandou claramente o ritmo - não posso dizer que seja algo que me agrade muito, mas compreendo perfeitamente a gestão de esforço. O jogo foi quase aborrecido, ficando-se com a ideia de que a qualquer altura o Benfica poderia decidir forçar e chegar a um terceiro golo, mas com o Dínamo a fazer uma demonstração de brio e a dar tudo o que tinha para chegar ao golo - que a ter acontecido, se calhar até poderia ter mudado muito o jogo. Se o nosso treinador tem um onze base, também parece gostar de se manter fiel às substituições que faz, pois voltámos a ver as habituais entradas do Yaremchuk e do Henrique Araújo por volta da hora de jogo (a diferença foi que desta vez saiu o Neres e não o Rafa), seguida da troca do Gilberto pelo Bah, e já na fase final a troca de outro extremo (entrou o Chiquinho para o lugar do Rafa).

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Gilberto, Rafa, Gonçalo Ramos, Neres e João Mário jogaram a um nível agradável, num jogo em que não houve propriamente um jogador a destacar-se muito de todos os outros e no qual o jogo de equipa foi o factor mais em foco.

 

Adiámos o jogo da liga para nos focarmos a 100% neste playoff, e estamos mais perto de ver a estratégia recompensada. Estes dois jogos são de capital importância para a estabilidade financeira do clube, e um eventual falhanço certamente que seria imediatamente aproveitado para colocar tudo em causa e lançar as bases para mais uma época caótica. Uma vez atingido o objectivo Champions, poderemos voltar a focar-nos na competição interna e nas suas características únicas, que ao fim de apenas duas jornadas já deu para perceber que não só se mantêm como estão cada vez mais apuradas. Em apenas dois jogos, o Benfica fez um total de 16 faltas e viu sete amarelos e um vermelho, por acumulação. A título de comparação, nos três jogos europeus o Benfica fez 31 faltas e viu quatro amarelos. Cá por dentro, as 32 faltas do Sporting (o dobro das nossas, portanto) valeram-lhe três amarelos, e as 25 faltas do Porto resultaram em cinco amarelos. Tal como afirmou o Otamendi, 'tudo igual'. Com o pormenor da coisa estar a estender-se (e já vem da época passada) às outras equipas do Benfica, sendo o caso mais gritante o que andam a fazer à nossa equipa B.

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Domingo, 14 de Agosto de 2022

Complicado

Foi o jogo mais complicado que tivemos até agora, com a vitória a surgir através de um golo já na segunda parte, marcado pelo jogador que há meses anda a ser colocado pela imprensa na porta da saída todos os dias. O prolongar do nulo complicou a situação e aumentou os níveis de nervosismo, mas a vitória do Benfica não pode ser colocada em causa.

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O Diogo Gonçalves foi recompensado pelo grande golo na Dinamarca com a titularidade em Leiria, relegando o Chiquinho para o banco. Foi a única alteração num onze onde se continua a destacar a ausência do David Neres - espero que tenha continuado de fora apenas por precaução e que possa estar disponível para o duplo duelo com o Dínamo de Kiev. O jogo foi, tal como se previa, marcado pela iniciativa do Benfica, frente a um Casa Pia que se fechava a sete chaves atrás e que depois, sempre que possível, tentava lançar bolas em profundidade para um rapidíssimo Godwin na frente. Para quem tiver idade suficiente para se recordar disso, a mim fez-me lembrar certos jogos do Benfica nos anos noventa contra o Beira Mar, com o Dino sozinho no ataque dos aveirenses. O Benfica mostrou bastantes dificuldades em furar a organização defensiva do Casa Pia, com as oportunidades a rarearem. O Gilberto esteve pouco inspirado na direita, falhando no ataque e depois deixando a equipa exposta por aquele lado, por onde o Godwin caía quase sempre em cima do Otamendi, com clara vantagem na velocidade. Do outro lado, o João Mário joga a uma velocidade diferente do resto da equipa, insistindo sempre em dar dois toques na bola quando se exigiria que jogasse de primeira (para mim é sempre um mistério quando joga os noventa minutos, mas suponho que é por isso que não sou treinador) e sem velocidade e jogo pelas alas é muito difícil desmontar uma defesa de nove jogadores. A melhor ocasião foi construída pelo inevitável Rafa, que veio à esquerda e dentro da área tentou assistir o Gonçalo Ramos, cujo remate em esforço e dividido com um defesa fez a bola encaminhar-se muito lentamente para a baliza, ainda a tempo do João Nunes (um antigo jogador da nossa formação) evitar o golo. Muito pouca produção ofensiva para o Benfica - temos que fazer muito mais para conseguir ultrapassar equipas destas todos os fins de semana. Em termos de arbitragem, o Tiago '5 Cents' Martins mostrou-se já em grande forma, distribuindo uns amarelos cirúrgicos por faltas a meio campo que deixaram o Florentino e o Otamendi limitados. E assim pela primeira vez esta época saímos para o intervalo em branco.

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Logo ao intervalo, e com alguma naturalidade face ao jogo menos conseguido, o Gilberto deu o seu lugar ao Bah, e esta alteração acabou por revelar-se importante. O nosso lado direito foi bastante mais dinâmico com a entrada do dinamarquês, e de imediato se percebeu que estávamos a ser capazes de causar muito mais desequilíbrios e a levar mais perigo junto da baliza do Casa Pia. O golo acabou por surgir ainda antes de se completar o primeiro quarto de hora, e numa altura em que já se começava a adivinhá-lo. Passe do Enzo para o João Mário na zona central, deste a bola seguiu para o Rafa à entrada da área sobre a direita, e mais uma vez foi ele a desequilibrar, entrando na área e colocando a bola na zona central, onde o Gonçalo Ramos se conseguiu antecipar ao defesa e, com um segundo toque, desviá-la do guarda-redes para a fazer encaminhar-se lentamente para o fundo da baliza. Logo a seguir, trocámos o Florentino pelo Weigl (não por uma questão de rendimento, mas sim por causa do amarelo, e com o 2 Cents de apito na boca convinha não facilitar) e o Diogo Gonçalves pelo Yaremchuk, passando o Rafa a jogar mais encostado à direita - não é uma solução que me agrade muito, porque acho que é mesmo no meio onde ele rende mais. Mas foi novamente o Rafa quem voltou a criar perigo, com um remate à entrada da área que passou ligeiramente por cima. Durante a segunda parte achei que nos faltou mais calma no momento do último passe, porque foram diversas as vezes em que conseguimos libertar um jogador num dos flancos e depois invariavelmente o último passe saiu mal. em vez de sair para a frente dos avançados para empurrarem a bola para a baliza, ou atrasado para os jogadores que apareciam à entrada da área, a bola acabava sempre por sair direita aos defesas. Poderíamos ter deixado o jogo resolvido mais cedo, mas verdade seja dita que o Casa Pia foi uma equipa talhada para defender e tentar surpreender no contra-ataque, por isso quando o Benfica se colocou em vantagem e depois optou por uma postura um pouco mais cautelosa o Casa Pia nada conseguiu fazer - não me recordo de uma defesa do Vlachodimos na seguna parte. O maior sinal de perigo foi dado uma vez mais pelo Rafa, em mais um remate à entrada da área que fez a bola passar ligeiramente ao lado do poste. Até final, o 5 Cents conseguiu satisfazer o seu desejo e expulsou o Otamendi depois deste se embrulhar aos agarrões com um adversário, e o Grimaldo foi substituído aparentemente por algum problema físico, o que fez com que o Vertonghen disputasse os primeiros minutos esta época, na posição de lateral esquerdo.

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O destaque do Benfica é para mim o Rafa. Já disse que o considero um dos jogadores mais importantes na manobra da equipa, pelos desequilíbrios que provoca, e neste jogo voltou a fazê-lo - foi aliás dos únicos. O golo nasce dos pés dele e praticamente todas as jogadas mais perigosas do Benfica tiveram a sua participação. Outros destaques para mim foram o Florentino, que continua a dar sequência ao excelente início de época e a agarrar a titularidade com todo o mérito. Ficou limitado pelo amarelo recebido logo à meia hora, mas foi inteligente e passou a tentar jogar em antecipação para evitar jogadas de choque e bolas divididas. O Gonçalo Ramos trabalhou muito e fez por merecer o golo, e o Bah entrou muito bem - é capaz de ter ganho o lugar ao Gilberto, na luta pela titularidade no lado direito da defesa.

 

Este jogo foi uma perfeita apresentação do que é a rotina da liga portuguesa ao nosso treinador. Se o Roger Schmmidt não tinha bem noção daquilo que terá que enfrentar semana sim, semana sim, é capaz de ter ficado já com uma boa ideia. Equipas a jogar com toda a gente atrás da bola, jogadores a queimar tempo (só aquele sabujo que jogava no Moreirense a época passada caiu e foi assistido umas três vezes durante o jogo), árbitros com critérios disciplinares incoerentes e treinadores adversários que são peritos em analisar o jogo do Benfica e a encontrar formas de o anular. Cabe ao Benfica encontrar fórmulas para dar a volta a estes obstáculos que nos são constantemente colocados, e não é com primeiras partes como a deste jogo que nos iremos safar sempre.

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publicado por D'Arcy às 22:35
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Quarta-feira, 10 de Agosto de 2022

Confirmação

O desfecho da eliminatória já tinha ficado praticamente traçado em Lisboa e a viagem à Dinamarca serviu apenas para o confirmar, cumprindo todos os objectivos: vitória no jogo e na eliminatória, com um futebol fiel às novas ideias e aparentemente sem termos que gastar demasiadas energias.

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Até achei algo surpreendente que não tivessem havido quaisquer poupanças no onze inicial, no qual a única alteração foi a entrada do Chiquinho para o lugar do Neres, que tinha ficado em Lisboa. O jogo da primeira mão já tinha mostrado que a diferença de qualidade entre as duas equipas era considerável, por isso foi com naturalidade que o Benfica assumiu o controlo deste jogo também, mesmo que sem grande exuberância ou correrias. A pressão alta continuou a ser uma imagem de marca, mesmo que no ataque não parecesse haver necessidade para imprimir uma velocidade tão grande como noutras ocasiões. O Chiquinho não é o Neres e não joga com o pé esquerdo, por isso as movimentações dele são diferentes e isso acaba também por alterar as rotinas da equipa no ataque. Os dinamarqueses apenas conseguiam responder em bolas paradas - e nisso incluem-se os lançamentos de linha lateral, que aproveitavam para meter a bola na área. O nosso golo apareceu a meio da primeira parte numa boa movimentação do Enzo, que apareceu na zona de finalização para aproveitar um bom cruzamento do Gonçalo Ramos a partir da esquerda. A eliminatória estava mais do que resolvida, mas os dinamarqueses tinham vontade de dar um ar de sua graça e talvez interromper a péssima sequência de resultados que levam, tendo uma grande oportunidade que nasceu num passe do Otamendi para o Gilberto que saiu curto, para depois o mesmo Otamendi abordar o lance de forma algo displicente tentando fazer um corte controlado em vez de atirar a bola para fora. Valeu o Vlachodimos, que correspondeu com uma boa defesa depois da bola ainda ter tabelado no Morato. Para a segunda parte regressaram o Henrique Araújo e o Yaremchuk nos lugares do Gonçalo Ramos e do Rafa e foi o jovem madeirense a ampliar a vantagem ao fim de dez minutos, com um oportuno cabeceamento depois de um cruzamento do João Mário na esquerda, na sequência de um canto marcado à maneira curta - continuamos a revelar uma enorme melhoria nas bolas paradas em relação às últimas épocas. O Benfica jogou num ritmo ainda mais pausado depois do segundo golo, e disso se aproveitou o Midtjylland para ter maior iniciativa no jogo, sendo recompensado com um golo. Muito espaço dado na direita da nossa defesa permitiu um cruzamento largo bem para meio da nossa área, onde o ponta-de-lança Kaba saltou à vontade e cabeceou à barra, para a bola depois sobrar para o Sisto fazer a recarga. Os dinamarqueses acreditaram que poderiam chegar ao empate, mas à beira do final o Diogo Gonçalves, que tinha entrado para o lugar do Chiquinho, acabou com essa crença fazendo o golo da noite. Partindo da esquerda para o meio, aproveitou o espaço que lhe deram à entrada da área, olhou para a baliza, e com um remate cruzado e em arco colocou a bola na gaveta. Até final, menção para a estreia oficial do Diego Moreira, e para um golo do Midtjylland que foi anulado pelo VAR por posição irregular.

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Um destaque que parece começar a tornar-se habitual para o Enzo. Três golos nos primeiros três jogos para um médio centro não é uma coisa habitual, mas para além disso é óbvio em praticamente tudo o que faz em campo - desarmes, passes, tempo de entrada aos lances, acompanhamento das jogadas de ataque - o quão certeira foi a sua contratação. É o jogador por quem (des)esperávamos há muito tempo para aquele meio campo. O Rafa foi um dos principais dinamizadores do ataque na primeira parte e o Florentino mais uma vez foi o complemento ideal do Enzo. Aproveito para dizer ainda que se é para termos uma opção de banco para as alas, prefiro o Diogo Gonçalves (e não digo isto simplesmente pelo golo) ao Chiquinho - este poderá ser mais útil atrás do avançado do que numa ala.

 

Sem exuberância mas com profissionalismo e eficiência, o dever foi cumprido. Avançamos para o playoff da Champions, onde iremos encontrar um Dínamo de Kiev orientado pela velha raposa Lucescu. Acho que é óbvio para todos que a obrigação do Benfica será passar e progredir para a fase de grupos, mas este adversário deverá ser o mais difícil que apanhamos nesta fase da época, por isso será necessário abordar a eliminatória com o máximo de atenção.

 

P.S.- Surpreendido com a tristíssima notícia do desaparecimento do Chalana. Para mim, como para tantos outros da minha geração, é um daqueles nomes míticos do Benfica que nos fizeram benfiquistas - para mim pensar no Benfica dessa altura é recordar imediatamente Bento, Humberto Coelho, Chalana, Carlos Manuel, Sheu ou Nené. Um dos jogadores mais populares e carismáticos do futebol português numa altura em que essas coisas não se adquiriam nas redes sociais. Um talento incomparável e irrepetível do Benfica e de Portugal. O nosso pequeno genial.

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publicado por D'Arcy às 12:29
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