VAMOS ACABAR COM AS IMBECILIDADES
Sábado, 27 de Novembro de 2021

Degradante

Não há nada para escrever sobre futebol hoje, porque a situação degradante a que se assistiu foi uma farsa que nada teve de futebol. Depois do que se passou com o Benfica o ano passado, a Liga passou um ano inteiro de mãos nos bolsos e a assobiar para o ar, e o resultado disso foi vermos um jogo a começar com uma das equipas apenas com nove jogadores em campo, porque os regulamentos obrigavam a que as equipas se apresentassem em campo.

Equipa do Benfica

É claro que todos nós sabemos que irá haver agora uma campanha orquestrada para tentar lançar o ónus daquilo que se passou para cima do Benfica, inclusivamente da parte de gente que se riu do Benfica o ano passado. Vejamos: a Liga, como organizadora do jogo, não o adiou. A B SAD, adversária do Benfica, não solicitou o adiamento do jogo em tempo e o presidente dizia hoje à hora de almoço que tinha 38 jogadores inscritos e que iria a jogo - pelos vistos tentou pedir o adiamento meia hora antes do apito inicial. De quem é a culpa do que se passou? Do Benfica, obviamente. Honestamente, se o Pedro Proença conseguir passar mais uma vez entre os pingos da chuva aproveitando precisamente a tentativa de colocar a culpa disto no Benfica, então o futebol português tem a Liga que merece. Para que se veja a diferença de comportamentos: o jogo da B SAD para a Liga Revelação (prova organizada pela FPF) já foi adiado. Da parte da Liga, não só nada fizeram como até ao momento em que escrevo isto nem uma palavra ainda sobre o que se passou. O marcador ao intervalo indicava 7-0 para o Benfica e conforme era mais do que previsível (a única surpresa foi não ter acontecido mais cedo) logo após o regresso do intervalo houve jogadores que se 'lesionaram' e a B SAD ficou reduzida a seis jogadores, provocando o final imediato do jogo - e ainda bem, porque jogar os noventa minutos nada traria de bom.

 

Entretanto, a minha preocupação neste momento será ver se não haverá consequências para o Benfica em termos de infecções de COVID depois de termos defrontado jogadores que poderão ter tido contactos de risco.

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publicado por D`Arcy às 22:40
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Quarta-feira, 24 de Novembro de 2021

Surreal

O empate era o resultado mínimo que nos permitiria continuar a aspirar ao apuramento, ainda que dependentes de terceiros, e o empate foi o que trouxemos de Barcelona. Podíamos perfeitamente ter perdido o jogo, tal como o poderíamos ter ganho também, portanto o nulo acaba por ser minimamente aceitável.

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As novidades no onze foram o Gilberto na direita, o André Almeida no meio a completar o trio de centrais (está visto que não iremos mesmo abandonar este esquema) e o Yaremchuk na frente de ataque em vez do esperado Darwin. O Benfica apresentou-se em Barcelona com uma boa organização defensiva, mas pouco capaz de lidar com a forma intensa como o Barcelona pressionava. Raramente conseguimos construir ataques organizados e as transições rápidas nunca saíram. O Barcelona estava bem avisado para o perigo que o Rafa ou o Everton poderiam causar nessas situações e anularam-nos com eficácia - era frequente vermos três ou até mais jogadores do Barcelona a caírem imediatamente em cima do Rafa assim que ele recebia a bola, não lhe dando tempo ou espaço para se virar e sair com a bola controlada. Acho que há muito tempo que não via o Rafa fazer um jogo tão discreto, e isso deve-se em muito ao mérito do Barcelona na forma como o conseguiu anular. A nossa defesa foi geralmente dando boa conta do recado, e nas situações de maior aperto o Otamendi acabava sempre por resolver. As duas ocasiões de maior perigo do Barcelona na primeira parte foram quase idênticas, com o Demir a fugir à marcação do Grimaldo vindo para o meio e a rematar cruzado. A primeira foi defendida pelo Vlachodimos para canto, com dificuldade. A segunda levou a bola à barra, já com o nosso guarda-redes batido. O Benfica só por volta da meia hora deu sinais de perigo na frente. Na sequência de um canto do Everton o Yaremchuk apareceu solto de marcação e cabeceou à figura do Ter Stegen, que defendeu com dificuldade. No pontapé de canto seguinte, novamente marcado pelo Everton, a bola seguiu até ao Rafa no segundo poste, que a endossou para o Otamendi à entrada da área marcar um golão. Mas o lance foi invalidado porque na marcação do canto a bola descreveu um arco que a fez ultrapassar a linha de fundo. Se o objectivo do Benfica era empatar, a primeira parte deixava-nos com a ideia de que isso estava perfeitamente ao nosso alcance, mas não deixava de ser preocupante a incapacidade para ter bola e a escassa presença no ataque.

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Na segunda parte o jogo continuou no mesmo tom, com o Barcelona a ter sempre muito mais bola mas a não criar muitas ocasiões - o vício da bola ser sempre jogada no pé ainda é muito forte nos catalães, que raramente atacavam o espaço. Uma notável excepção foi uma desmarcação do Depay, que foi salva com mais um corte fantástico do Otamendi quando o avançado já tinha sentado o Vertonghen e se preparava para finalizar. A meia hora do final o Benfica trocou o Yaremchuk e o João Mário pelo Darwin e o Taarabt (para mim continua a ser incompreensível como é que o marroquino tem sequer lugar no plantel, quanto mais ser uma opção), mas o jogo só mudou mesmo quando o Barcelona trocou o Demir pelo Dembelé. Tendo em conta as longas ausências do francês por lesão, tinha esperança que ele não viesse desequilibrar muito, mas ele entrou com a corda toda e começou a ganhar praticamente todos os duelos individuais, ultrapassando o Grimaldo com facilidade para criar perigo na área - logo na primeira intervenção no jogo entrou como quis pela esquerda e ofereceu o golo ao De Jong, que só não marcou porque o Vlachodimos correspondeu com uma enorme defesa. O Benfica rapidamente se viu obrigado a corrigir o lado esquerdo, fazendo entrar o Lázaro para lateral e adiantando o Grimaldo (que já estava amarelado). O Barcelona subiu cada vez mais as linhas e pressionava mais na procura do golo, mas com isto jogava mais no risco e ficava mais exposto atrás, deixando espaço para explorar no contra-ataque - o Benfica, agora com o Darwin e depois com o Seferovic nos minutos finais, por mais de uma vez construiu situações de igualdade ou até superioridade numérica perante os defesas do Barcelona, mas a tradicional falta de qualidade na decisão fez com que não tirássemos partido disso. O jogo nos minutos finais ficou muito mais partido, e já depois do Otamendi mais uma vez ter negado o golo ao Barcelona, desta vez com um desarme no limite ao Dembelé, veio o momento que acaba por marcar o jogo e que vamos recordar durante muito tempo. Há uns anos atrás, quando o Benfica jogou em Barcelona nuns quartos-de-final da Champions, ainda com 0-0 no marcador o Simão Sabrosa falhou uma oportunidade escandalosa para marcar, quando ficou completamente isolado frente ao guarda-redes. Nunca mais me esqueci desse lance. Pois bem, este lance do Seferovic foi ainda pior. Com o jogo completamente partido, e já no final do tempo de compensação, o Benfica apanhou-se no ataque numa situação de dois avançados (Darwin e Seferovic) para um defesa do Barcelona. O Darwin fez o que se lhe pedia: atraiu o defesa para si e depois soltou a bola para o Seferovic. O suíço ficou completamente isolado e à vontade perante o Ter Stegen, com tempo para fazer o que quisesse. Primeiro, tentou picar a bola sobre o guarda-redes quando este lhe saiu ao caminho. Falhou miseravelmente: acertou mal na bola e esta foi bater na cara do guarda-redes. Mas teve tanta sorte que o ressalto o deixou novamente isolado em frente à baliza, já com o guarda-redes fora da jogada. Podendo até controlar a bola, ou passá-la para a direita onde tinha o Darwin sozinho, perante uma tentativa desesperada do defesa catalão para tentar o corte, o Seferovic rematou de pronto e destrambelhadamente para fora, o que levou todos os benfiquistas ao desespero e deixou o JJ de joelhos. Surreal é a única palavra que me ocorre.

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O melhor jogador do Benfica foi claramente o Otamendi. Foi o pronto-socorro a acudir a todas as situações de maior aperto, e só foi pena que o fantástico golo que marcou não tivesse contado. Foi bem acompanhado pelo Vlachodimos e pelo Weigl, que foram os outros principais responsáveis por termos saído de Barcelona com o nulo.

 

Este resultado garante desde já a presença na Liga Europa no mínimo. Para a última jornada, o Benfica tem que se focar em vencer o Dínamo Kiev, já que qualquer outro resultado que não esse nos elimina da Champions. Depois é esperar que o Barcelona não vença em Munique. Face ao que temos visto, é improvável que o Barcelona consiga vencer, mas no futebol não há certezas. E sinceramente, o meu pessimismo faz com que eu tenha mais dúvidas sobre a capacidade do Benfica vencer o último jogo (o Benfica e a Champions são uma longa história de incompatibilidade e expectativas frustradas) do que daquilo que poderá acontecer em Munique.

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publicado por D`Arcy às 09:51
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Sábado, 20 de Novembro de 2021

Resgate

Um pontapé inspirado do Grimaldo e uma alteração táctica acabaram por permitir ao Benfica o resgate de um jogo que já começava a parecer perdido, e assim continuar na Taça de Portugal.

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Helton na baliza, Radonjic na direita, Andrá Almeida como central e Gedson no meio campo foram as novidades no onze, que contou também com a esperada presença do Morato no lugar do lesionado Lucas Veríssimo e . A primeira parte foi a repetição de um cenário que nos é cada vez mais familiar, no qual revelamos sempre muita dificuldade perante equipas que estacionam o autocarro. À falta de dinâmica para incomodar constantemente o adversário, com a já habitual excessiva circulação de bola e a frequente ausência de jogadores na zona de finalização, soma-se também uma irritante tendência para o desperdício das poucas ocasiões que criamos. Pelo menos três delas foram claríssimas (Darwin, Rafa e Everton) e o guarda-redes defendeu duas, enquanto que o Rafa acertou no poste. Nas bolas paradas, a também habitual ineficácia, pois devemos ter tido perto de uma dúzia de pontapés de canto durante a primeira parte e quase nunca criámos uma situação mais complicada - digo quase porque a excepção foi um cabeceamento em balão do André Almeida que obrigou o guarda-redes a uma defesa apertada para evitar o golo. Depois nestas situações é quase uma certeza matemática que numa das poucas situações em que o adversário for à frente vai marcar. O que se verificou novamente, logo na fase inicial da segunda parte. Uma fuga pelo lado direito da nossa defesa - onde já estava o Lázaro depois do Radonjic ter saído lesionado - resultou num cruzamento rasteiro para um corte incompleto do Vertonghen que acabou por deixar a bola solta para o remate do 'nosso' Nuno Santos fazer o primeiro golo do jogo. Seguiu-se o expectável desnorte do Benfica, até que a meia hora do final finalmente desfizemos o esquema de três centrais com a entrada do Pizzi e do Taarabt para os lugares do André Almeida e do Gedson, passando a jogar num esquema mais próximo do 4-3-3. Sem grandes resultados imediatos, excepção feita a um cabeceamento do Darwin feito de costas para a baliza que levou a bola a cair sobre a barra, as coisas só mudaram a quinze minutos do final quando com as entradas do Seferovic e do Gonçalo Ramos para os lugares do Darwin e do Weigl mudámos declaradamente para um 4-4-2, que até tendia mais para um 4-2-4. O Benfica jogava agora no risco de não ter um médio de contenção, mas tendo em conta que o Paços já tinha abdicado completamente do ataque esse risco era relativo. A doze minutos do final o Benfica perdia em casa contra uma equipa que não vence um jogo desde Agosto, e estava virtualmente eliminado da taça. Até que, num livre directo sobre a direita e ainda bem longe da área, o Grimaldo arrancou uma bomba que levou a bola a entrar bem junto ao ângulo superior da baliza do Paços, e tudo mudou. Com muito maior presença na área, daí até final somámos mais três golos, dando uma expressão ao resultado que acaba por não expressar as dificuldades por que passámos neste jogo. O Seferovic desfez o empate num cabeceamento subtil desferido bem no centro da área, a passe do Taarabt, que fez a bola entrar junto ao poste mais distante. O Paços então desfez o autocarro e os nossos golos continuaram, O terceiro pelo Rafa, num remate rasteiro muito colocado a partir da meia lua, que fez a bola entrar outra vez bem junto do poste. E já nos descontos, numa jogada em que o Benfica trouxe a bola desde a sua área até à baliza adversária, um passe do Seferovic deixou o Everton na cara do guarda-redes para finalizar.

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O Rafa voltou a ser um dos elementos em destaque, mas a entrada do Seferovic foi um dos factores decisivos. Contra equipas tão fechadas o Benfica não se pode dar ao luxo de não ter uma presença mais constante na área, e o Darwin é um avançado que está constantemente a fugir para as alas. Com a entrada do Seferovic (e do Gonçalo Ramos) passámos a criar problemas ao Paços que raramente tínhamos criado até então, e a chave da vitória passou muito por aí.

 

Honestamente, gostaria que este jogo pudesse marcar um abandono dos três centrais e um regresso ao mais familiar 4-4-2. Parece-me ser um esquema táctico mais adequado ao Benfica, sobretudo agora que perdemos o Lucas Veríssimo até ao final da época. Para já, hoje este esquema permitiu-nos dar a volta a um cenário muito complicado, o que duvido que tivesse acontecido se nos tivessemos mantido no plano inicial.

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publicado por D`Arcy às 00:27
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Segunda-feira, 8 de Novembro de 2021

Perfeita

Foi uma noite perfeita. O Braga pagou caro o atrevimento e o Benfica conseguiu um resultado que foi a melhor forma de colocar um ponto final a um mau período que já se arrastava há demasiado tempo.

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Depois de todos os cenários montados à volta da equipa durante a última semana, a resposta começou a ser dada no onze titular. Otamendi, Lucas Veríssimo e Gabriel tinham problemas com o treinador? Todos titulares. O Everton foi multado? Titular também - o que significou a relegação do Yaremchuk para o banco de suplentes. Início de jogo com o Braga a lançar-se logo no pontapé de saída numa pressão altíssima e de grande intensidade sobre os nossos jogadores, que foi de imediato castigada. Ainda antes dos dois minutos de jogo o Darwin fugiu pela direita depois de um passe do Gilberto e chegado à linha de fundo cruzou largo para a zona do segundo poste, onde surgiu o Grimaldo completamente livre de marcação a cabecear para o golo. Óptimo início de jogo para o Benfica, mas que não intimidou o Braga, que continuou a pressionar com linhas muito subidas. E foi recompensado dez minutos depois, numa perda de bola do Otamendi sobre a linha do meio campo que apanhou o Ricardo Horta nas costas da nossa defesa para finalizar com um remate cruzado. Com dois golos nos primeiros doze minutos esperava-se um jogo animado, mas o que se viu foi o Braga a conseguir controlar a posse de bola e o Benfica, apesar de jogar em casa, a apostar no contra-ataque através de transições rápidas de forma a explorar as linhas muito subidas do Braga. Cedo sofremos o contratempo da lesão do João Mário, que foi substituído pelo Paulo Bernardo - depois da estreia na Champions, a estreia na Liga no espaço de dias. A posse de bola do Braga não se traduzia em ocasiões de perigo para a nossa baliza, à excepção de uma distracção na qual o Galeno se escapou pela direita depois de um lançamento de linha lateral, tendo sido perseguido pelo Lucas Veríssimo que acabou por se lesionar com gravidade na tentativa de corte - entrou o Morato para o seu lugar. Acabou por ser uma recuperação de bola em zona alta por parte do Benfica que desfez o empate. Ainda no meio campo do Braga a pressão do Darwin resultou numa perda de bola, e depois o Everton na zona central libertou-se de dois adversários e soltou o Grimaldo sobre a esquerda à entrada da área. O remate cruzado foi defendido pelo guarda-redes, mas na zona do segundo poste estava o Darwin para fazer a recarga. Faltavam sete minutos para o intervalo e durante este curto período o Benfica, em duas transições concluídas pelo Rafa, deixou o jogo resolvido. Na primeira o Rafa deu início à jogada ao evitar com classe o corte de um adversário no círculo central e foi concluí-la depois de receber o passe do Everton, evitando a entrada de um defesa para depois colocar a bola entre as pernas do guarda-redes de um ângulo apertado. Na segunda o Everton progrediu pela direita sempre pressionado por um adversário e depois isolou o Rafa, que à saída do guarda-redes finalizou facilmente (e tinha já o Grimaldo sozinho ao seu lado para finalizar também). Com um resultado de 4-1 ao intervalo, que honestamente era melhor do que a exibição mas que premiava a grande eficácia do Benfica (uma agradável mudança em relação ao que costuma ser mais habitual) só uma hecatombe nos tiraria a vitória.

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Mas mesmo perante um resultado tão pesado o Braga não mudou a sua forma de jogar e não entrou em modo de controlo de danos. Portanto continuava exposto aos contra-ataques do Benfica, dado que deixava sempre imenso espaço nas costas para o nosso tridente ofensivo explorar. E cedo voltámos a ver esse cenário. Para variar, a jogada começa no Rafa, que a partir do meio campo imediatamente ganha metros com a bola nos pés e deixa os nossos avançados em igualdade perante os defesas do Braga. Na altura certa soltou a bola para o Everton sobre a esquerda, e este progrediu até perto da linha de fundo, sentou um defesa, e rematou colocado para o poste mais distante. Um grande golo. Perto da hora de jogo, chegámos ao sexto. Desta vez foi o Darwin a fugir pela esquerda e a colocar a bola rasteira na área. O cruzamento parecia ir perder-se porque não estava ninguém na área, tendo a bola atravessado quase toda a sua extensão sem que ninguém lhe tocasse, mas o Everton surgiu atrasado do outro lado e de primeira colocou a bola rasteira no poste mais distante. A partir daqui o jogo ficou mesmo praticamente fechado. O Benfica aproveitou para fazer três alterações, nas quais retirou do campo dois dos membros do tridente ofensivo (Darwin e Everton) e o ritmo baixou consideravelmente. Para que se perceba o quão inspirados estiveram os três da frente, o Everton acabou o jogo com dois golos e duas assistências (e participação activa em mais um golo), o Rafa com dois golos e uma assistência, e o Darwin com um golo e duas assistências. E tiveram o auxílio precioso do Grimaldo, com um golo e uma assistência. Entretanto o Braga finalmente também achou que já devia ser suficiente e baixou as linhas, pelo que a meia hora final foi jogada a um ritmo bastante mais baixo, com o Benfica a ter muito mais posse de bola no meio campo do Braga. Durante esse período o Braga não existiu em termos ofensivos, e mesmo a jogar a um ritmo mais baixo foi o Benfica quem esteve sempre mais perto de aumentar a vantagem - e não fosse uma enorme defesa do Matheus e o Gonçalo Ramos teria mesmo feito o golo.

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Por tudo o que foi dito o Everton é obviamente o homem do jogo. Foi sem dúvida o melhor jogo que fez desde que chegou ao Benfica; esperemos é que agora seja para manter o nível. Essa distinção também poderia perfeitamente ir para o Rafa, que foi como habitualmente o principal dinamizador do ataque do Benfica. Não devem haver muitos jogadores no futebol actual com tanta capacidade para acelerar o jogo com a bola nos pés, e isso é uma característica que sempre que conseguimos explorar nos traz resultados. Uma menção ainda para o 'problemático' Gilberto, que esteve muito bem. Não só conseguiu quase sempre travar eficazmente o Galeno, que é um dos jogadores mais perigosos do Braga, como conseguiu também integrar-se eficazmente no ataque. No geral, toda a equipa esteve em muito bom plano.

 

Foi um bom safanão na crise, que chegou mesmo antes da pausa para as selecções. Depois do carnaval a que assistimos durante a passada semana, de certeza que já muito mais estaria preparado à espera de um resultado negativo neste jogo, pelo que espero que este resultado pelo menos nos dê alguma tranquilidade nos próximos tempos. Mas para isso será necessário manter um nível alto e não oscilar entre noites destas e jogos deploráveis. Entretanto, recebemos a má notícia de que a época acabou para o Lucas Veríssimo, que estava a ser um dos jogadores em maior destaque. Veremos de que forma conseguiremos dar resposta a este contratempo.

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publicado por D`Arcy às 17:25
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2021

Triste

Muda-se meia equipa, mantém-se o sistema e no final somos outra vez goleados. É uma espécie de triste rotina que ninguém deseja mas a que vamos sendo obrigados a habituar-nos. Mas tendo em conta o discurso do treinador antes deste jogo, o cenário que acabou por se verificar era quase previsível.

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Ficaram de fora da equipa Weigl, Otamendi, Rafa (todos estes em risco de ficarem suspensos no caso de verem um cartão amarelo), Diogo Gonçalves e Darwin. Para os lugares deles foram escolhidos Meïté, Morato, Pizzi, Gilberto e Everton. O sistema táctico foi exactamente o mesmo que temos vindo a utilizar esta época, pelo que as alterações foram mesmo troca por troca. No espírito do último jogo contra este adversário, acho que podemos dizer que fizemos uns excelentes primeiros 25 minutos, que foi o tempo que aguentámos até sofrer o primeiro golo, isto graças à noite inspirada do Vlachodimos, que evitou um golo mais madrugador depois de uma fífia do Lucas Veríssimo - que deve ter feito um dos piores jogos desde que está no Benfica. Mas de uma forma realista, a descrição do jogo resume-se praticamente ao avançar do resultado, porque o desnível entre as duas equipas, em particular na intensidade metida no jogo, é abissal. Não creio que jogarmos com a equipa mais forte fizesse grande diferença no resultado final. Tal como no primeiro jogo, o que eu vi foi uma equipa na qual todos os jogadores sabem o que devem fazer em campo, e em posse de bola todos eles se movimentam de forma a oferecer múltiplas opções de passe ao portador da bola, e também de forma a poderem reagir rapidamente à perda. Em contraste, o mais normal na nossa equipa é termos um ou dois a acompanhar o portador da bola enquanto o resto da equipa assiste. O Benfica reage às situações de jogo, enquanto o Bayern joga na antecipação das mesmas - é um carrossel em constante movimento. Até poderíamos ter chegado à vantagem primeiro, num golo do Lucas Veríssimo que foi anulado de forma demasiado forçada na minha opinião, com uma posição irregular assinalada ao Pizzi, mas que viria contra a corrente do jogo. O Bayern acabou por chegar à vantagem aos vinte e cinco minutos, quando tal como no primeiro jogo o Coman fez o que quis do lateral que lhe apareceu à frente (neste caso o Grimaldo) e cruzou para o Lewandowski finalizar ao segundo poste, aproveitando uma tentativa falhada de corte do Lucas Veríssimo. Depois foi ver o resultado avolumar-se. O Benfica foi sempre extremamente vulnerável nas laterais, e é enervante que mesmo a defender com uma linha de cinco sejamos incapazes de controlar a largura e os extremos adversários, que já sabemos serem altamente desequilibradores, acabem sempre a ser deixados em situações de 1x1 com os laterais. O segundo golo surgiu de mais uma penetração pela esquerda para uma finalização de calcanhar do Gnabry, com a avalanche a ser momentaneamente interrompida por um golo do Morato, que finalizou de cabeça um bom cruzamento do Grimaldo. Mas o sentido do jogo nunca se alterou, e a beira do intervalo o Vlachodimos impediu o avolumar do resultado ao defender um penálti do Lewandowski, a punir uma mão do Lucas Veríssimo.

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A segunda parte começou da pior maneira, com mais um golo do Bayern logo a abrir, pelo Sané depois de mais um buraco na lateral, desta vez do lado direito. Nesta fase o jogo resumia-se a esperar para ver quantos mais marcaria o Bayern, e veio o quarto novamente pelo Lewandwoski, que aproveitou uma transição ofensiva para se isolar e picar a bola sobre o Vlachodimos. O Benfica acabou por arriscar a entrada do Rafa, juntamente com o Darwin e o Diogo Gonçalves, e foi o Darwin quem ainda conseguiu reduzir a diferença ao concluir um contra-ataque bem conduzido pelo João Mário, no qual finalmente conseguimos aproveitar uma situação de superioridade numérica no ataque (na primeira parte por exemplo tivemos uma ainda mais flagrante que o Yaremchuk desperdiçou de forma patética). Diga-se também que foi o segundo remate que o Benfica conseguiu fazer à baliza em todo o jogo, pelo que o aproveitamento foi de 100%. Antes do final, assinale-se a estreia oficial do Paulo Bernardo na equipa principal, para cumprir treze minutos e dar ao JJ argumentos sobre apostar na formação, mas as alterações feitas resultaram em coisas bizarras como o Gilberto acabar o jogo a jogar na lateral esquerda. O desacerto defensivo nesta altura já era quase completo, sendo qualquer noção de uma linha defensiva organizada uma mera ilusão. Por mais de uma vez vimos jogadores do Bayern a aparecerem sozinhos em frente ao Vlachodimos, valendo-nos a inspiração do nosso guarda-redes para que a derrota não fosse ainda mais pesada. Prova disso foi o quinto golo do Bayern, no qual o Lewandowski foi deixado sozinho nas costas da defesa (mas em jogo) para receber um passe vindo do guarda-redes e depois voltar a picar a bola sobre o Vlachodimos e completar o hat trick. O Bayern acabou com cinco golos, poderiam ter sido sete ou oito, e fica a triste conclusão de que mais do que a derrota, o que realmente me incomoda é já a achar normal e esperada. Este Benfica poderia fazer dez jogos contra este Bayern que nem empataria um único.

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O melhor do Benfica só pode ser o Vlachodimos, por ter evitado que a noite fosse ainda pior. Não poderia ter feito mais do que aquilo que fez.

 

O apuramento para a próxima fase resume-se aos próximos dois jogos, sendo que não podemos perder em Barcelona. É mais ou menos o que seria previsível à partida, ou até melhor do que que isso, porque a vitória sobre o Barcelona em casa é mais do que aquilo que se esperaria. Mais urgente é regressar às vitórias no campeonato, e com o Braga como próximo adversário a tarefa não se afigura fácil. Uma boa ocasião para perceber se o nosso treinador já perdeu completamente a mão nisto - não sei se foi apenas impressão minha, mas na transmissão fiquei com a sensação de ver, em diferentes momentos, o Lucas Veríssimo e o Gilberto a responder de forma bastante brusca ao treinador, o que é um péssimo sinal.

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publicado por D`Arcy às 16:15
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Sábado, 30 de Outubro de 2021

Incompetência

Dois pontos perdidos que significam a perda da liderança, num jogo que não vencemos por incompetência pura. Entrámos no jogo a ganhar, o Estoril não teve uma ocasião de golo digna desse nome durante os noventa minutos, e depois não soubemos resolver o jogo a tempo e acabámos punidos por um golo do empate literalmente caído do céu.

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Onze habitual com a novidade do lado direito ter sido entregue ao Radonjic. Entrámos bem no jogo e antes de se completarem dois minutos já estávamos em vantagem: canto marcado do lado esquerdo pelo João Mário e o Lucas Veríssimo a cabecear para o golo. O mais difícil estava feito, já que o Estoril é uma equipa que normalmente defende bem e defende muito. Com a vantagem madrugadora, o Benfica conseguiu então controlar sempre o jogo sem grande dificuldade, sem que o Estoril fosse capaz de construir uma única situação de maior aperto para o Vlachodimos. Mas no que diz respeito ao ataque, voltámos a mostrar extrema incompetência. Fiquei desde logo com a sensação de que seria muito difícil matar o jogo de uma vez por todas e que a vantagem mínima estaria para durar, com os consequentes perigos que isso acarreta. Foi particularmente exasperante a progressiva incapacidade para fazermos transições ofensivas bem feitas. Ou os jogadores se agarravam demasiado à bola e o passe não saía, ou quando o passe saía, era mal feito, ou a opção de passe tomada era a errada. O Darwin sobre a esquerda foi simplesmente inútil, pois sempre que a bola lhe chegava o ataque parava e ele acabava a vir para dentro com um de dois desfechos possíveis: ou a perda da bola, ou um passe para trás quando já toda a equipa do Estoril se tinha reposicionado no terreno. Na direita, o Radonjic mostrava vontade mas praticamente todos os cruzamentos que tentou saíram-lhe mal. Isto não mudou na segunda parte, e as alterações feitas pelo nosso treinador pouco ou nada mudaram. Tivemos sempre mais bola, passámos mais tempo no ataque, mas o golo que colocaria um ponto final no jogo nunca surgiu. Depois vimos o cenário habitual nestas situações, em que à medida que o final do jogo se aproxima a outra equipa começa a acreditar que é possível ir buscar um ponto num jogo em que pouco ou nada fizeram. Já que em jogo corrido o Estoril era praticamente inofensivo, começaram a acumular-se os lances de bola parada nos quais aproveitavam uma falta em qualquer parte do nosso meio campo para despejar a bola para a área. Em termos de arbitragem, a coisa também começou a ter a tendência para se apitar sempre tudo a favor do Estoril e nada a nosso favor, e já sobre o final do jogo foi dado um lançamento de linha lateral ao Estoril no qual a bola claramente nos pertencia. Nós ficámos a reclamar, o Estoril marcou rapidamente e conseguiu ganhar um canto, na sequência do qual chegou ao golo de uma forma muito semelhante à do nosso golo. Não é uma questão de ser pessimista, mas era muito previsível que acabássemos por ser punidos desta forma.

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O melhor jogador do Benfica foi o Lucas Veríssimo, porque marcou o golo, tentou subir ao ataque sempre que possível, e limpou a grande maioria das bolas que o Estoril teimava em despejar para a área.

 

Desde a derrota muito injusta contra o Portimonense que me parece que a nossa equipa entrou numa espiral negativa incompreensível. Somos psicologicamente tão fracos assim que ao primeiro contratempo vem tudo abaixo? Já na quarta-feira conseguimos deixar o adversário empatar um jogo no qual também entrámos praticamente a ganhar e estivemos por duas vezes com dois golos de vantagem. Desde esse famigerado jogo com o Portimonense que não fizemos uma exibição convincente e que a nossa defesa passou a mostrar-se muito mais permeável. Conforme já escrevi, temo que a mentalidade negativa que a um dado momento da época passada caiu sobre a equipa e que acabou por nos custar tudo esteja de volta. E é preocupante que não saibamos resolver este problema.

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publicado por D`Arcy às 21:14
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Segunda-feira, 25 de Outubro de 2021

Indolente

Foi já depois da hora que a vitória nos caiu no colo e permitiu manter o primeiro lugar da tabela, depois de um jogo francamente desinspirado da nossa equipa que poderia perfeitamente ter acabado muito mal.

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Na ressaca do Bayern, entrámos em campo quase com a mesma equipa, sendo a única alteração a entrada do Diogo Gonçalves para o lugar do André Almeida na direita. Passando directamente ao jogo, a primeira parte do Benfica foi lamentável. Rapidamente me apercebi que estávamos a assistir ao que de pior tinha visto esta equipa fazer diversas vezes a época passada. Jogadores sem chama, a jogar quase a passo, circulação de bola sem objectividade ou velocidade, repetindo diversas vezes aquela rotina fantástica de levar a bola até às imediações da área adversária para depois fazer a bola voltar para trás e recomeçar todo o processo sem que se tentasse sequer um passe de ruptura, um cruzamento ou um remate, tudo feito com uma tranquilidade tal que me levou a duvidar se a minha televisão não estaria avariada, e em vez do resultado de 0-0 que mostrava o Benfica estaria na verdade já tranquilamente na frente do marcador e portanto estava já a gerir o resultado. Um exemplo concreto disto é o facto do primeiro remate do Benfica no jogo ter sido feito aos 31 minutos de jogo. Foi, por sinal, um grande remate do Diogo Gonçalves e que até poderia ter dado golo, valendo ao Vizela a grande defesa do seu guarda-redes, mas é inadmissível fazer-se o primeiro remate apenas ao fim de tanto tempo num jogo em que era obrigatório ganhar, de forma a manter a liderança. Antes disso já o Vizela tinha dado bastantes mais sinais de perigo, que incluíram mais um exemplo da atitude indolente com que os nossos jogadores pareciam estar a abordar o jogo, quando o Vlachodimos demorou tanto tempo a aliviar uma bola que permitiu a intervenção de um adversário, sendo depois obrigado a uma boa intervenção para evitar o golo. Nada justifica uma primeira parte tão fraca da nossa parte, nem mesmo um eventual cansaço causado pelo jogo da Champions.

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Na segunda parte tentámos atacar mais, mas a qualidade continuou a faltar. Acho que a melhor jogada que conseguimos foi quando o Rafa conseguiu libertar o Diogo Gonçalves para fazer um cruzamento largo da direita que foi encontrar o Darwin sozinho ao segundo poste, para este cabecear de forma a permitir uma defesa mais apertada ao guarda-redes, mas ele estava tão à vontade que acho que tinha obrigação de ter finalizado bem melhor. É verdade que houve um bocado mais de velocidade no nosso jogo, mas isso não se traduziu numa melhoria visível nem na percepção de que o golo estaria mais perto. Fomos lançando jogadores mais ofensivos - abdicámos dos laterais para colocar o Everton e o Radonjic nas alas, por exemplo - depois foram também lançados o Pizzi e o Taarabt, mas a produção ofensiva continuava a ser escassa e era até o Vizela, nas cada vez mais raras saídas para o ataque, quem conseguia dar a sensação de estar mais próximo de chegar ao golo. A jogada de maior perigo que criámos foi um golo anulado ao Rafa, a oito minutos do final. Sobre este lance, gostaria de perceber exactamente que regras é que andamos a seguir. O Radonjic remata e um defesa do Vizela tenta claramente o corte, com a bola a ressaltar neste e a seguir para o Rafa, que estava adiantado e marcou. A questão é que ainda recentemente tivemos um exemplo bem menos flagrante, na final da Liga das Nações entre a França e a Espanha, em que um golo foi validado e toda a gente se apressou a dizer que a regra era estúpida mas que face à mesma o golo tinha sido bem validado. Por isso mesmo não sei até que ponto é que o nosso golo ontem terá sido bem anulado. E já que estamos na questão de arbitragem, digo também que me ri quando o árbitro transformou um penálti sobre o Lucas Veríssimo, no qual ele é pontapeado por um defesa dentro da área do Vizela, numa falta ofensiva contra nós. Eu já perdi a conta aos penáltis assinalados a favor dos nossos adversários por lances bem menos descarados do que este. Voltando ao jogo, foram dados sete minutos de compensação dado que os jogadores do Vizela já há bastante tempo que andavam a ser atacados por maleitas que os deixavam prostrados (e inclusivamente os dois primeiros minutos do tempo de compensação foram gastos em mais uma destas situações). Mas durante este período extra de forma alguma parecia ser provável que o Benfica marcasse, porque a bola esteve quase sempre na posse do Vizela, e em zonas próximas da nossa área. Mas já mesmo sobre a hora, e quando o Vizela em vez de manter a posse de bola tentou sair para o ataque, uma escorregadela deixou-a na posse do Radonjic, que soltou o Pizzi na direita para que este fizesse um cruzamento milimétrico que permitiu ao Rafa surgir na área para se antecipar à defesa e dar-nos os três pontos.

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Difícil fazer destaques na mediania geral que foi o nosso jogo, por isso escolho o Rafa por ter sido o autor do golo e por ainda ter conseguido dar alguns raros safanões no ataque. O Radonjic entrou bem no jogo e trouxe alguma verticalidade que estava a faltar.

 

Acho que sobre este jogo só posso mesmo dizer que literalmente nos safámos. Não jogámos aquilo que se exigia para reagir à pesada derrota com o Bayern, e pareceu-me que a nossa equipa não compreendeu o quão importante era este jogo em termos psicológicos. Não ganhar significaria a perda da liderança e sermos ultrapassados pelos dois rivais mais directos, com a consequente dose de motivação que daí viria. Isto para não falar da possibilidade de assanhar ainda mais a matilha que ronda o Benfica em busca de uma crise. Por isso irritou-me de sobremaneira a atitude indolente com que o Benfica entrou neste jogo, oferecendo mais uma vez uma parte ao adversário, para depois ter que andar a correr atrás do prejuízo com o tempo a escassear. Este tipo de mentalidade foi um dos principais motivos para os insucessos da época passada, e é preocupante vê-la regressar.

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Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021

Derrocada

Resistimos durante setenta minutos, mas acabámos por sucumbir frente a uma equipa que nos é (muito) superior em todos os aspectos. A possibilidade de um resultado positivo era à partida muito remota, mas depois de termos conseguido aguentar aquele tempo foi pena termos claudicado com estrondo no período final da partida.

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Apresentando um onze previsível no qual a presença do André Almeida na direita foi talvez o único pormenor mais inesperado, desde o apito inicial que se assistiu ao cenário esperado. O Bayern completamente por cima no jogo, com o Benfica a tentar resistir para depois explorar algum contra-ataque através da velocidade do Rafa ou do Darwin. O Bayern não tem apenas muito bons jogadores, como acontece com outras equipas fortes. Eles próprios como equipa são muito fortes. A pressão que exercem sobre o adversário quando este tem a bola torna muito difícil fazer o que quer que seja: um ou mais jogadores caem em cima do portador da bola e os outros cortam-lhe quase todas as linhas de passe mais óbvias - cheguei a ver defesas nossos com a bola a serem pressionados de tal forma que nem sequer tinham a possibilidade de se voltarem para trás para atrasar a bola ao guarda-redes, porque essa linha de passe também estava cortada. A forma como cada jogador parece saber que zona deve ocupar sem bola, como antecipar o apoio que um colega deverá precisar faz com que seja quase impossível apanhá-los descompensados. Por isso o Benfica teve muito pouca bola, e quando tentava sair de forma organizada acabava por ter que recorrer quase sempre a uma bola longa na tentativa que o Yaremchuk a conseguisse ganhar para depois a endossar ao Rafa ou ao Darwin. Logo aos dois minutos apareceram três jogadores do Bayern sozinhos em frente ao Vlachodimos, que fez uma defesa estrondosa mas o lance acabou anulado por fora-de-jogo que deve ter sido tirado mesmo no limite - aliás, o fora-de-jogo deve ter sido a arma mais eficaz que tivemos para travar o Bayern durante muito tempo. Mas o jogo era quase de sentido único e sentia-se que o melhor que poderíamos fazer era aguentar o mais possível e esperar por um lance fortuito que nos favorecesse. Pela direita da nossa defesa o Coman fazia o que queria do André Almeida e entrava por aquele lado como queria - estar ali alguém ou não pouca diferença fazia, o que se comprovou quando o André Almeida saiu lesionado ainda na primeira parte e o Coman continuou a fazer exactamente o mesmo com o Diogo Gonçalves pela frente. O lance fortuito até aconteceu mesmo, quando o Darwin sobre a esquerda conseguiu ganhar o duelo individual ao Süle (talvez o elo mais fraco do Bayern devido à falta de velocidade) e fez um remate cruzado que se calhar na maioria dos casos daria golo, mas na baliza estava o Neuer e isso fez toda a diferença. Não foi esse lance que intimidou o Bayern, que continuou sempre muito por cima e a criar ocasiões de perigo, chegando mesmo a introduzir a bola na baliza já quase sobre o intervalo, mas o lance foi anulado pelo VAR porque o Lewandowski tinha utilizado o braço para marcar.

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Na segunda parte, mais do mesmo, com o Bayern logo aos dois minutos a criar mais uma grande ocasião de perigo, num remate do Pavard que o Vlachodimos desviou para os ferros da baliza. Pouco depois, a bola voltou a entrar na nossa baliza, mas o VAR voltou a salvar-nos ao detectar a posição irregular do Coman no início da jogada, antes dele fazer a assistência. Logo a seguir foi o Muller a acertar mais uma vez no ferro, mas o lance acabou por ser invalidado por fora-de-jogo. Com o Bayern sempre por cima, voltámos a criar uma rara situação de perigo numa saída para o contra-ataque na qual o Rafa conseguiu libertar o Diogo Gonçalves para subir pelo seu lado. Junto à área ele flectiu para dentro e de pé esquerdo fez um bom remate cruzado que mais uma vez poderia ter dado golo, não estivesse o Neuer na baliza. Teve pouco trabalho, mas das poucas vezes que foi chamado foi decisivo - e a segurança que mostra a sair da área e a jogar com os pés é também excepcional, permitindo sempre ao Bayern fazer superioridade na zona defensiva para trocar a bola e assim dar a volta às nossas tentativas de pressionar a saída de bola deles. A meio da segunda parte o Bayern retirou o lateral direito Pavard para colocar o Gnabry daquele lado, e foi de imediato previsível que aquilo que o Coman andava a fazer pelo lado direito da nossa defesa, o Gnabry viria agora fazer também para o outro lado. O canto do cisne do Benfica no jogo aconteceu pouco depois numa arrancada do Yaremchuk pela direita, em que conseguiu aguentar as cargas do Upamecano até entrar na área e depois fazer um remate cruzado em esforço, com a bola a passar muito perto do poste. Depois veio o pior. A vinte minutos do final o Otamendi fez uma falta desnecessária sobre o Lewandowski em zona proibida e o Sané, que na primeira parte já tinha tido um livre naquela zona que atirou para a bancada, desta vez marcou-o de forma irreprensível e fez cair finalmente a nossa resistência. Talvez como reacção à entrada do Gnabry o nosso treinador decidiu fazer entrar o Everton para aquele lado, substituindo o Yaremchuk e deslocando o Darwin para o meio. O resultado foi péssimo, porque o Darwin pareceu ser muito mais eficaz a estancar aquele lado do que o Everton, e acabámos por sofrer mais três golos que nasceram todos por ali. Três minutos depois de entrar, o Everton fazia autogolo, ao desviar de cabeça um cruzamento do Gnabry feito sobre a linha de fundo. O autogolo pode acontecer a qualquer um, o que o Everton fez de errado naquela jogada foi o péssimo acompanhamento defensivo ao Gnabry - ainda o passe não tinha sido feito para ele e já o Everton estava parado de braço no ar, em vez de marcá-lo. Depois fizemos três substituições de uma assentada - saíram o Rafa, o Darwin e o João Mário para entrar o Gonçalo Ramos, o Pizzi e o Taarabt e o descalabro consumou-se. Entendo que os jogadores em questão já deveriam estar esgotados, porque é muito difícil aguentar o ritmo que o Bayern impõe no jogo, mas sobretudo com a saída dos dois da frente perdemos os jogadores que ainda poderiam manter o Bayern em algum sentido. Pior ainda, entraram o Taarabt e o Pizzi - juro que o comentário que fiz na altura foi mesmo 'Com o Taarabt e o Pizzi em campo eles ainda conseguem chegar aos quatro'. E foi isso mesmo que aconteceu. Não que ache que estes jogadores tenham tido influência directa nos golos, simplesmente acho que se já é muito difícil jogar contra o Bayern, com jogadores que têm a intensidade e disciplina táctica destes dois tudo se torna ainda mais difícil. Aos quatro chegaram mesmo, marcando dois golos com excessiva facilidade em que apareceram em superioridade numérica bem no centro da área, em lances criados pelo lado esquerdo da nossa defesa.

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Os nossos jogadores lutaram enquanto puderam e não os podemos acusar de não terem dado tudo. Na minha opinião o Rafa e o Darwin foram dos melhores, e o Vlachodimos fez o que podia, sem ter quaisquer hipóteses nos golos sofridos.

 

De uma forma fria, empatar ou perder significaria exactamente o mesmo no que diz respeito às contas para o apuramento. Estas resumem-se a vencer o Dínamo em casa e a não perder em Barcelona, assumindo que ninguém conseguirá fazer frente a este Bayern e tirar-lhes pontos. Mas um empate, ou mesmo uma derrota por números menos expressivos, contra o Bayern teria um efeito psicológico importante. Em vez disso tivemos uma derrocada nos minutos finais que pode ser preocupante e que importa esquecer rapidamente. Foi bom voltar a estar no Estádio da Luz praticamente cheio e sentir o apoio constante dos adeptos à nossa equipa, que não esmoreceu sequer com o avolumar do resultado. Acho que toda a gente reconheceu que os nossos jogadores deram o que tinham, simplesmente o Bayern é de outro planeta, e por isso mesmo o aplauso à equipa no final. Agora é mesmo muito importante limpar as cabeças para o próximo jogo e regressar rapidamente ao caminho das vitórias.

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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2021

Absurdo

Um resultado absurdo num jogo igualmente absurdo, no qual o Benfica acabou fortemente penalizado pela falta de eficácia (e também de sorte) na finalização, e onde o Portimonense acabou por sair com três pontos que pouco fez por justificar.

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Começando com um onze no qual, em relação ao que tinha defrontado o Barcelona, apenas se registou a troca forçada do Lázaro pelo Gilberto, o Benfica demorou a entrar no jogo frente a um portimonense que não demorou nada a mostrar ao que vinha. Perdas de tempo constantes, jogadores a deixarem-se ficar no relvado de cada vez que caíam, tentativas de arranjar quezílias, contestação a quase todas as decisões da equipa de arbitragem, enfim, foi o catálogo completo do antijogo por parte de uma equipa que parecia fazer de não perder este jogo uma questão de sobrevivência. Somado a isto, o autocarro firmemente estacionado em frente à baliza - que é obviamente perfeitamente legítimo, cabendo ao Benfica a responsabilidade de encontrar soluções para lhe dar a volta. E nisto não fomos particularmente eficientes desde o início, já que demorámos meia parte até conseguirmos finalmente fazer o primeiro remate à baliza. Mas esse primeiro remate até poderia perfeitamente ter dado logo golo, não fosse o guarda-redes do Portimonense dar logo aí início a uma exibição quase inacreditável, defendendo por puro instinto o remate à queima-roupa do Yaremchuk. O Portimonense ainda deu resposta num remate forte de meia distância do Boa Morte que obrigou o Vlachodimos a uma boa defesa, mas isso foi uma excepção no jogo, já que rapidamente se evidenciou a tendência para o Benfica somar oportunidades de golo desperdiçadas. Ou por aselhice, como foi o caso do Darwin, ou por inspiração quase divina do guarda-redes algarvio, que continuou a negar-nos o golo mesmo em situações em que isso parecia quase impossível - o Grimaldo ou o Rafa que o digam. O nulo ao intervalo já de alguma forma deixava no ar a sensação de que isto podia ser mesmo um daqueles dias em que corre tudo mal.

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A segunda parte depressa acentuou essa sensação, pois o Benfica até marcou cedo - num lance também algo caricato, em que o Yaremchuk rematou ao poste e a bola depois bateu nas costas do guarda-redes e entrou - e o golo acabou por ser prontamente anulado pelo VAR, devido à posição irregular do ucraniano. Parecia estar mesmo escrito que não teríamos vida fácil, e o resto do jogo descreve-se de forma simples: sentido praticamente único, com o Benfica a ver as oportunidades a esbarrarem sempre num dos inúmeros adversários que se acumulavam em frente à baliza. Só faltava o inevitável golpe de teatro do golo do Portimonense numa das raríssimas ocasiões em que elese se aproximassem na nossa baliza, mais previsivelmente nalguma bola parada, e foi isso mesmo que aconteceu aos sessenta e seis minutos. Num pontapé de canto do nosso lado direito um jogador deles saltou no meio de um cacho de jogadores e conseguiu cabecear a bola quase à figura do Vlachodimos, com esta ainda a bater no chão e a passar por baixo do corpo do nosso guarda-redes. Face à forma como o jogo tinha decorrido até aí, confesso que fiquei imediatamente com a sensação de que já não o conseguiríamos vencer. O resto do tempo encarregou-se de confirmar esta sensação. O Benfica continuou a carregar e fez tudo para chegar ao golo, mas era uma daquelas situações em que se calhar poderíamos ficar ali toda a noite a tentar que a bola não entraria. Ou passava ao lado, ou ia ao ferro, ou batia em alguém, ou o guarda-redes defendia, ou um jogador do Portimonense esticava-se em desespero e conseguia o desarme no último instante. O Otamendi conseguiu ver um defesa tirar a bola sobre a linha com o guarda-redes já batido, e já sobre o final do jogo acertar no ferro com o guarda-redes pregado ao relvado. Foi uma derrota amarga e injusta, mas o futebol tem sempre destas coisas.

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Acho que o Otamendi pode ser destacado por ter dado um exemplo de luta contra a adversidade e liderado a equipa na procura por um resultado mais justo. O Rafa também foi um dos que mais lutou.

 

É sempre mau perder, mas é importante não deixarmos que este resultado nos afecte. Há jogos em que ganhamos e no final podemos dizer que ganhámos, mas que a jogar assim nos arriscamos a perder. Depois há jogos como este, em que perdemos mas que no final sabemos que a jogar assim é muito difícil perder outra vez. E julgo que terá sido isso mesmo que o público da Luz reconheceu pela forma como se despediu da equipa. Se há coisa de que não podemos acusar a equipa desta vez é de não ter dado tudo pela vitória. As coisas acabaram por não correr bem, mas não foi por não terem tentado. E quando assim é, é muito difícil correr mal uma segunda vez.

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Quarta-feira, 29 de Setembro de 2021

Brilhante

Foi uma grande noite europeia na Luz. Uma exibição brilhante do Benfica, em especial na segunda parte, permitiu ao Benfica vencer de forma claríssima o Barcelona. Face ao momento actual das duas equipas, creio que eram legítimas as esperanças num bom resultado, mas duvido que muitos de nós pensassem ser possível uma vitória por três golos sem resposta.

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Creio que o onze base do Benfica está encontrado, e por isso a equipa inicial não deverá ter surpreendido muito. Com o Diogo Gonçalves lesionado, há sempre a dúvida sobre quem ocupará o lado direito, e eu pensei que neste jogo esse papel seria entregue ao Gilberto, que tem jogado frequentemente nos confrontos europeus e dado boa conta do recado, mas um pouco inesperadamente a aposta foi no Lázaro. A nossa disposição táctica foi também na linha daquilo que temos vindo a apresentar nos últimos jogos, com o Rafa mais uma vez a actuar como um falso interior, a jogar entre linhas muitas vezes a par do João Mário, mas com bastante liberdade para se soltar nas alas. O início de jogo foi de sonho para o Benfica, pois decorridos dois minutos já o Darwin fazia explodir o vulcão da Luz - estar no estádio a assistir a um jogo destes, com este ambiente, faz-nos recordar a força que o Benfica perdeu com a pandemia, enquanto não pôde contar com o apoio dos seus adeptos nas bancada. No golo, o Weigl colocou a bola em profundidade na esquerda, onde o Darwin a recolheu, entrou na área pela lateral e já perto da linha de fundo, tendo depois flectido para dentro, tirando o defesa da frente para depois rematar rasteiro e puxado ao poste mais próximo. Logo a seguir foi o Yaremchuk quem se libertou novamente descaído para a esquerda, mas a tentativa de colocar a bola no poste mais distante saiu rasteira e foi fácil para o Ter Stegen. Mas depois o Barcelona conseguiu reagir e foi empurrando o Benfica para trás. Estávamos a revelar alguma dificuldade para controlar o meio campo do Barcelona, que aproveitava a superioridade numérica para trocar a bola e a mobilidade do Pedri e o De Jong para nos causar dificuldades. No banco o JJ bem gritava com o Rafa, que me pareceu que ele quereria que recuasse mais no terreno para contrariar este desequilíbrio, mas não estávamos a consegui-lo. O Barcelona criou algumas ocasiões de bastante perigo, umas delas que foram anuladas por posição irregular (ou seriam eventualmente, caso acabasse em golo) e outras por intervenções fantásticas dos nossos defesas centrais - o corte do Lucas Veríssimo é uma coisa extraordinária. Por volta da meia hora de jogo, acho que foi claro que o Barcelona não ficou reduzido a dez apenas porque era o Barcelona e o jogador em questão era o Piqué, porque já com um amarelo ele virou o Rafa. Até o Koeman no banco percebeu o que se passava e substituiu-o imediatamente. Isto, na minha opinião, foi efectivamente o fim do Barcelona no jogo. Porque a opção do Koeman foi recuar o Frenkie De Jong para central, e o meio campo do Barcelona não voltou a ser o mesmo, porque o Pedri deixou de ter acompanhamento. Com o Barcelona a ter mais bola mas já sem ser tão perigoso, pouco antes do intervalo vimos o Lázaro a ter que sair por lesão, sendo substituído pelo Gilberto, mas esta era uma noite feliz e esta alteração acabou por melhorar ainda mais as coisas para nós, porque o Gilberto entrou muito bem no jogo.

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A segunda parte nada teve a ver com a primeira. De uma forma simples, ela foi toda do Benfica. Em primeiro lugar, o Gilberto na direita conseguiu travar de forma muito mais eficaz as constantes tentativas do Memphis de entrar por aquele lado, levando-o até a procurar outros terrenos. Depois, a solução encontrada para equilibrar o meio campo foi um aumento da agressividade dos nossos centrais. Vimos frequentemente um deles a sair da linha para cair imediatamente em cima do médio que recebia a bola e pressioná-lo, de forma a que não se pudesse virar e jogar à vontade. Cheguei mesmo a ver várias vezes qualquer um dos três centrais a fazer isto sobre a linha do meio campo. Depois, as sucessivas recuperações de bola que o Benfica conseguia permitiam-lhe sair em transições rápidas, com especial destaque para o Darwin e o Rafa, para os quais o Barcelona não conseguia encontrar soluções, mostrando uma dificuldade enorme para controlar a profundidade. Resumindo tudo isto, a segunda parte só deu Benfica. O segundo golo podia aliás ter surgido bem cedo na segunda parte, quando o Darwin conseguiu antecipar-se a uma saída disparatada do Ter Stegen a meio do meio campo, e junto à linha lateral do lado direito atirou a bola para a baliza, com esta a ir embater no poste e a sair. O Barcelona apenas criou uma situação de perigo durante toda a segunda parte, na qual o Grimaldo conseguiu interceptar uma tentativa de remate do Sergi Roberto junto ao poste esquerdo. O Vlachodimos aliás acabou por não ter que fazer uma defesa durante todo o jogo, porque o Barcelona acabou com zero remates à baliza. Aos sessenta e oito minutos, ainda a perder apenas por um golo sem saber muito bem como, o Koeman voltou a mexer mal na equipa, fez três substituições de uma assentada que incluíram as saídas do Pedri e do Busquets, e perdeu o meio campo de vez. Ainda por cima, um minuto depois o Benfica chegou mesmo ao segundo golo. Isto numa altura em que eu até amaldiçoava o facto do Benfica ter desperdiçado uma situação em que de repente vi cinco jogadores do Benfica dentro da área quase sem oposição. A bola seguiu para a esquerda, à entrada da área o João Mário tabelou com o Yaremchuk e isolou-se por esse lado e tentou finalizar (quando tinha, surpreendentemente, o Gilberto em zona de finalização). O Ter Stegen conseguiu defender, mas a bola sobrou para o centro da área onde surgiu o Rafa a finalizar de trivela. E nesse momento acho que percebemos todos que não só o Benfica tinha o jogo ganho, como que muito provavelmente o resultado não ficaria por ali. É que logo a seguir o Yaremchuk atirou para fora quando estava em óptima posição, isto depois de mais uma transição em que os três da frente apareceram na área em boa posição. A quinze minutos do final trocámos o Grimaldo e o Yaremchuk pelo André Almeida e o Taarabt, e um par de minutos depois apareceu mais uma vez o Gilberto na posição de ponta-de-lança para cabecear um cruzamento do André Almeida, o que resultou num penálti claro por corte com a mão do Dest (assinalado pelo VAR). O Darwin concretizou com classe e nos minutos finais deu para tudo. Deu para as substituições do Darwin e do Rafa para os merecidíssimos aplausos, deu para o público gritar 'olés' (coisa que eu não aprecio nada e que acho uma falta de classe) e também para gritar pelo Messi, e deu para o Barcelona ficar finalmente reduzido a dez, por expulsão do Eric García.

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É difícil escolher o melhor em campo. Obviamente que o Darwin é um grande destaque pelos dois golos que fez, mas também pelas inúmeras dores de cabeça que causou à defesa do Barcelona. Mas para mim o melhor em campo foi mesmo o Rafa. Eu imagino que nesta fase já pareça um bocado repetitivo por estar constantemente a destacar o Rafa em todos os jogos, mas se eu já era admirador das características do Rafa, desde que ele assumiu estas novas funções mais interiores acho que tem sido absolutamente decisivo, e voltou a sê-lo hoje. Acho que o Barcelona nunca conseguiu encontrar solução para o parar, marcou um golo, causou inúmeros desequilíbrios e ainda conseguiu ter um compromisso defensivo exemplar, sendo sempre um dos primeiros (juntamente com os colegas do ataque) a pressionar e a tentar a recuperação. Jogo enorme também do Weigl (outro dos meus preferidos) que deve ter sido o jogador que mais correu e é um prazer ver a forma como lê o jogo e instintivamente consegue fazer as compensações defensivas quase de olhos fechados, e do João Mário, importantíssimo na ligação entre sectores. Finalmente, os nossos centrais foram quase perfeitos. Quem acabou por ser se calhar o elo mais fraco foi o Grimaldo, que esteve bastante apagado frente ao clube onde se formou.

 

Uma vitória importantíssima para prolongar e reforçar o óptimo momento que atravessamos. A nossa equipa parece estar com níveis de confiança altíssimos e cada vez mais entrosada - acho que ainda pode render mais e melhor. O Barcelona pode estar num péssimo momento, mas repito o que disse: o Barcelona não é uma equipa qualquer e vencer por três golos sem resposta é sempre muito motivante. Nesta competição seguem-se dois jogos contra o Bayern, que será um nível completamente diferente. Ainda há muito por jogar, mas é sempre bom colocar logo pontos no bolso na fase inicial.

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publicado por D`Arcy às 23:31
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