Num jogo que a Liga deveria ter vergonha por se ter realizado, fizemos o que foi possível e lutámos pelo apuramento para a final da Taça da Liga, mas a sorte acabou por não nos ser favorável. Não posso ser demasiado duro com os nossos jogadores, porque gostei da atitude que tiveram e da vontade que mostraram em lutar contra a adversidade. Infelizmente não deu para mais.

Com a linha defensiva habitual completamente dizimada e, para dificultar ainda mais, também as habituais segundas escolhas para as laterais igualmente indisponíveis, apresentámo-nos com uma defesa improvisada à frente do Helton: João Ferreira na direita, Todibo e Jardel no meio, e Cervi na esquerda. A defesa foi sempre muito (e bem) apoiada pelo Weigl, que jogou um pouco mais recuado do que o habitual. Como os sete jogadores indisponíveis não eram contrariedade suficiente, reintroduzimos também o handicap Taarabt a meio campo - e como sempre, quando ele é titular a minha confiança baixa para metade. Apesar disso, fiquei agradavelmente surpreendido com o nosso jogo. A atitude mostrada no jogo do Estádio do Ladrão manteve-se, com os nossos jogadores a terem uma atitude competitiva forte e a meterem sempre o pé a cada bola. O Benfica foi claramente superior durante a primeira parte em todos os aspectos do jogo. O Braga remeteu-se a algumas tentativas de contra-ataque, deixando um homem sozinho na frente e o resto da equipa acantonada bem dentro do seu meio campo, subindo apenas quando dispunha de alguma bola parada. É aliás numa delas que completamente contra a corrente do jogo e quase sem saber como, o Braga se coloca em vantagem perto da meia hora. Numa insistência a um canto, um centro muito largo vindo da direita, com dois jogadores a fazerem-se ao lance e o Ruiz a tocar muito ao de leve na bola (só se viu na repetição, porque inicialmente até parecia que a bola tinha entrado directamente do cruzamento do Ricardo Horta) para ela ir entrar junto do poste do lado oposto. Tenho poucas dúvidas que o mesmo lance a nosso favor seria anulado porque o outro jogador que se faz à bola está em posição irregular, mas siga. O Benfica continuou por cima, na resposta viu o Darwin acertar no poste, depois uma bola do Rafa não entrar por acaso, viu o guarda-redes do Braga evitar um golo quase certo num cabeceamento do Seferovic, e só em cima do intervalo viu finalmente chegar o golo que merecia, num penálti do Pizzi a castigar falta sobre o Darwin. Empate que sabia a muito pouco ao intervalo, porque o Benfica não foi apenas melhor do que o Braga; foi muito melhor do que o Braga.

Na segunda parte entrámos bem, e mais uma vez o guarda-redes do Braga nos negou o golo a um remate do Pizzi que tinha tudo para o ser. Depois veio o nosso maior problema e o ponto forte do Braga, as bolas paradas. Uma sequência de duas seguidas: na primeira, houve um cabeceamento à barra; e na segunda, mais uma vez uma insistência, desta vez a um livre lateral da direita, novo golo do Braga. Erro grosseiro do Todibo, que saiu tarde e deixou toda a gente em jogo, e depois ainda deixou a bola passar para que o adversário cabeceasse à vontade nas suas costas. As coisa ficaram mais complicadas para nós a partir desse momento, com o Braga a jogar como queria, fechado lá atrás à espera do Benfica e nós a perdermos lucidez. E com o Taarabt a manter-se teimosamente em campo durante setenta e cinco minutos, mesmo depois das três substituições iniciais que incluíram a saída do Rafa, com a qual não concordei nada. O marroquino ainda fez o favor de 'oferecer' um amarelo ao Weigl, que a partir daí ficou no limite e não custa nada admitir que teve muita sorte em ter continuado em campo até final, pois poderia perfeitamente ter visto o segundo amarelo. As substituições que foram sendo feitas, aliás, pouco beneficiaram o nosso jogo - o Pedrinho e o Ferro, em particular, tiveram entradas muito más no jogo. Acho que apenas o Everton trouxe alguma coisa positiva quando entrou. Nos minutos finais o Weigl teve ordem para avançar no terreno, o que deixou os nossos centrais muito mais expostos e arriscámo-nos a sofrer um terceiro golo. Pareceu-me também que nessa fase os nossos dois laterais, provavelmente por falta de ritmo de jogo, rebentaram fisicamente.

Para destaque no Benfica escolho o Weigl, que voltou a ser fundamental. Repito que teve sorte em ter feito os noventa minutos - a partir do momento em que foi forçado a ver o amarelo depois daquela 'prenda' do Taarabt passou a jogar demasiado no limite. Mas assim que teve ordens para avançar no terreno viu-se claramente o efeito da sua ausência em terrenos mais recuados, com os nossos centrais a cometerem erros sucessivos. Destaque também para o Cervi, que fez um jogo muito bom como lateral esquerdo. Acho que todos nós sempre achámos que ele seria uma alternativa bastante válida para essa posição dado aquilo que sempre mostrava quando pontualmente ocupava a posição, nem que fosse a dobrar o Grimaldo. É um jogador que dá sempre tudo em campo, mas infelizmente não tem convencido o treinador e deverá ser dispensado nesta janela de transferências.
Foi pena não termos conseguido o apuramento, porque se o tivéssemos feito em condições tão adversas isso seria um factor de motivação enorme. Mas na minha opinião os nossos jogadores podem ficar com a sensação de dever cumprido. Eu sou sempre rápido a apontar-lhes o dedo quando acho que houve falta de empenho, mas hoje não foi essa a impressão com que fiquei. Desconfio no entanto que não faltará quem queira aproveitar o resultado para deitar abaixo a nossa equipa, ignorando convenientemente as condições em que disputámos este jogo. Eu não serei um deles.
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